MC brincava no quarto quando a matriarca faz o anuncio do passeio para o dia seguinte:
-Filha, amanhã a gente vai na casa da amiga da mamãe - e com um largo sorriso embute uma motivação extra a pequena:
-Ela me disse que o Papai Noel deixou um presente para você lá...
Com os olhos chispando curiosidade MC interrompe com a clássica indagação infantil:
-O que é!?
A mãe politicamente correta e preocupada com a educação da meliante prontamente observa:
-Não sei - e com certa gravidade emenda - seja o que for você agradece!
MC despenca o olhar até o chão do quarto e em tom clássico de derrota
pós-natalina questiona a pertinência e abrangência dos agradecimentos:
-E se for roupa!?
...
segunda-feira, 30 de dezembro de 2013
terça-feira, 17 de dezembro de 2013
Namorada Nova.
MC entra no quarto completamente desconsolada, olha a mãe nos olhos e declara em tom de fim de folhetim televisivo:
-Meu pai não ama mais a gente.
Chorando se joga no colo da mãe e com o rosto afundado em travesseiros continua:
-Ele tem outra namorada, mãe! - e excessivamente comovida contiua - Ele não liga mais para a gente.
A mãe em um misto de susto e confusão pergunta preocupada:
-Quem é essa namorada filha!?
MC levanta os olhos vermelhos e lacrimejados, limpa o rosto e finalmente elucida o mistério:
-O videogame mãe... - apontando para a sala em completo desalento murmura:
-Meu pai agora tá namorando com o videogame!
...
-Meu pai não ama mais a gente.
Chorando se joga no colo da mãe e com o rosto afundado em travesseiros continua:
-Ele tem outra namorada, mãe! - e excessivamente comovida contiua - Ele não liga mais para a gente.
A mãe em um misto de susto e confusão pergunta preocupada:
-Quem é essa namorada filha!?
MC levanta os olhos vermelhos e lacrimejados, limpa o rosto e finalmente elucida o mistério:
-O videogame mãe... - apontando para a sala em completo desalento murmura:
-Meu pai agora tá namorando com o videogame!
...
segunda-feira, 9 de dezembro de 2013
Caiu!
Para otimizar as atividades de uma Segunda-Feira ensolarada a família
decide por almoçar em um restaurante por quilo próximo. O pai e MC
esperavam à mesa enquanto a mãe fazia o prato das moças. Chegada sua vez
o pai se dirige ao buffet e se serve de saladas, molho à vinagrete e
acompanhamentos; pesa o prato e começa o regresso à mesa onde estavam.
Quando subitamente a sola do chinelo de borracha encontrou-se com uma pequena poça-d'agua.
-É preciso lembrar que esse tipo de calçado foi projetado para ser usado no Deserto do Atacama. Onde a chuva só ocorre em periodicidade Olímpica. Portanto ao menor contato com superfícies úmidas acontece um efeito de empuxo tão súbito e potente que é capaz de colocar em órbita alguém com menos de 60 quilos-
Resultando em um efusivo tombo! Daqueles irreversíveis, inapeláveis e irrecuperáveis onde não há nada a se fazer senão "aproveitar o passeio".
Sentada de costas para o buffet a mãe não viu o ocorrido enquanto MC imediatamente levou a mão a boca, arregalou os olhos e emitiu um sucinto porém dramático:
-Caiu!
-O que filha!? - pergunta a mãe desatenta. Enquanto quase todos no restaurante se levantaram para acudir o homem de 1,85 que acaba de ser besuntado em molho vinagrete e guarnições - Caiu o dente!?
MC balança a cabeça fernéticamente enquanto vê o pai começar a levantar-se do outro lado do estabelecimento: sujo, com o orgulho ferido e sob o olhar atento de TODOS os clientes, da direção da casa, dos cozinheiros, do pessoal da banca de jornal do outro lado da rua e vários transeuntes que insistiam em chamar o serviço de emergência médica.
-Não mãe! - Responde MC aflita com os olhos cravados no pai.
-Caiu o garfo!? - Pergunta a mãe enquanto a dona do restaurante saiu abruptamente do caixa para acudir o cliente que procurava os óculos em meio aos destroços de beterraba e um filé de frango.
-Não mãe! - Enfurece-se MC com um olhar fustigante:
-Meu pai! - Apontando vigorosamente para a direção do incidente:
Caiu!
...
-É preciso lembrar que esse tipo de calçado foi projetado para ser usado no Deserto do Atacama. Onde a chuva só ocorre em periodicidade Olímpica. Portanto ao menor contato com superfícies úmidas acontece um efeito de empuxo tão súbito e potente que é capaz de colocar em órbita alguém com menos de 60 quilos-
Resultando em um efusivo tombo! Daqueles irreversíveis, inapeláveis e irrecuperáveis onde não há nada a se fazer senão "aproveitar o passeio".
Sentada de costas para o buffet a mãe não viu o ocorrido enquanto MC imediatamente levou a mão a boca, arregalou os olhos e emitiu um sucinto porém dramático:
-Caiu!
-O que filha!? - pergunta a mãe desatenta. Enquanto quase todos no restaurante se levantaram para acudir o homem de 1,85 que acaba de ser besuntado em molho vinagrete e guarnições - Caiu o dente!?
MC balança a cabeça fernéticamente enquanto vê o pai começar a levantar-se do outro lado do estabelecimento: sujo, com o orgulho ferido e sob o olhar atento de TODOS os clientes, da direção da casa, dos cozinheiros, do pessoal da banca de jornal do outro lado da rua e vários transeuntes que insistiam em chamar o serviço de emergência médica.
-Não mãe! - Responde MC aflita com os olhos cravados no pai.
-Caiu o garfo!? - Pergunta a mãe enquanto a dona do restaurante saiu abruptamente do caixa para acudir o cliente que procurava os óculos em meio aos destroços de beterraba e um filé de frango.
-Não mãe! - Enfurece-se MC com um olhar fustigante:
-Meu pai! - Apontando vigorosamente para a direção do incidente:
Caiu!
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quarta-feira, 4 de dezembro de 2013
Você me protege.
Um dos passeios pelo qual pai e filha compartilham gosto é a livraria.
MC escolheu dois livros para folhear enquanto o pai serviu-se de uma
edição muito elegante e bem encadernada de quadrinhos - daquelas que são
caras demais para serem adquiridas mas irresistíveis a leitura.
MC tomou o rumo da mesinha das crianças enquanto o pai encontrou amparo em um poste de amarração de quadrupedes que esses estabelecimentos travestem com panos coloridos e insistem em chamar de acento.
Duas semi-adolescentes com cabelos ensebados e trajes de praia ocupavam dois dos lugares da mesa, MC encarou-as com olhar enigmático mas não exerceu critério para juntar-se a elas. A pequena colocou um livro maior no colo enquanto arrumava espaço na mesa - lotada de livros esquecidos - para o outro volume. Após alguns minutos de armistício as adolescentes se levantam e saem deixando para trás tudo que era delas - e muito do que não era. MC franze o cenho com vigor, larga o volume que tinha nas mãos, encara o pai com olhos arregalados e diz incrédula:
-Elas não arrumaram!?
Levanta-se em movimento ágil, carregando consigo o volume maior, para em frente as fãs de sagas vampirescas e pergunta educadamente:
-Tá vendo esse livro!?
Diz abrindo o volume sobre o tórax. As meninas um tanto desconcertadas respondem com um menear de cabeça deixando o diálogo por conta da pequena:
-Ele é grande - e apontando para a mesa - e com a bagunça que vocês deixaram eu não vou poder ler.
Imediatamente as fugitivas de um clip pós-moderno se entreolharam, encararam a pequena e perceberam que não se tratava apenas de falácia; MC não as deixaria impunes enquanto não arrumassem o malfeito. O que se seguiu foi digno de ser exibido em classes de formação de lideranças mundo à fora: Duas marmanjas arrumando livros sob a batuta de uma criança de 5 anos. Com tom autoritário e firme MC indicava:
-Coloca esse lá em cima.
e depois:
-Esse vai aqui...
Terminada a arrumação e com a mesa finalmente limpa MC se despede das ajudantes, volta para a mesa e prossegue sua leitura. O pai preocupado pergunta:
-Filha, como tu foi lá brigar com duas meninas que são tão grandes!? - e tentando imputar a ela um senso de autopreservação complementa: E se elas resolvem brigar contigo!?
MC encara o pai com o semblante calmo de quem tinha tudo sob controle e explica:
-Ai... - diz enquanto abre um generoso sorriso:
-..você me protege.
...
MC tomou o rumo da mesinha das crianças enquanto o pai encontrou amparo em um poste de amarração de quadrupedes que esses estabelecimentos travestem com panos coloridos e insistem em chamar de acento.
Duas semi-adolescentes com cabelos ensebados e trajes de praia ocupavam dois dos lugares da mesa, MC encarou-as com olhar enigmático mas não exerceu critério para juntar-se a elas. A pequena colocou um livro maior no colo enquanto arrumava espaço na mesa - lotada de livros esquecidos - para o outro volume. Após alguns minutos de armistício as adolescentes se levantam e saem deixando para trás tudo que era delas - e muito do que não era. MC franze o cenho com vigor, larga o volume que tinha nas mãos, encara o pai com olhos arregalados e diz incrédula:
-Elas não arrumaram!?
Levanta-se em movimento ágil, carregando consigo o volume maior, para em frente as fãs de sagas vampirescas e pergunta educadamente:
-Tá vendo esse livro!?
Diz abrindo o volume sobre o tórax. As meninas um tanto desconcertadas respondem com um menear de cabeça deixando o diálogo por conta da pequena:
-Ele é grande - e apontando para a mesa - e com a bagunça que vocês deixaram eu não vou poder ler.
Imediatamente as fugitivas de um clip pós-moderno se entreolharam, encararam a pequena e perceberam que não se tratava apenas de falácia; MC não as deixaria impunes enquanto não arrumassem o malfeito. O que se seguiu foi digno de ser exibido em classes de formação de lideranças mundo à fora: Duas marmanjas arrumando livros sob a batuta de uma criança de 5 anos. Com tom autoritário e firme MC indicava:
-Coloca esse lá em cima.
e depois:
-Esse vai aqui...
Terminada a arrumação e com a mesa finalmente limpa MC se despede das ajudantes, volta para a mesa e prossegue sua leitura. O pai preocupado pergunta:
-Filha, como tu foi lá brigar com duas meninas que são tão grandes!? - e tentando imputar a ela um senso de autopreservação complementa: E se elas resolvem brigar contigo!?
MC encara o pai com o semblante calmo de quem tinha tudo sob controle e explica:
-Ai... - diz enquanto abre um generoso sorriso:
-..você me protege.
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segunda-feira, 2 de dezembro de 2013
Você quer que eu morra!?
Madrugada de Segunda; o pai tenta bravamente fazer com que alguns e-mails
inúteis porém absolutamente imprescindíveis cheguem a caixas postais de
pessoas imprescindíveis porém absolutamente inúteis para serem sumariamente deletados sem sequer serem lidos.
Vislumbrando em breve um desfecho para a contenda o pai pede solenemente:
-Filha, vamos arrumar esse quarto para poder dormir.
MC para imediatamente de vestir uma boneca, encara o pai com os olhos rasos d'água e diz em um tom de quem foi condenado a uma vida de trabalhos forçados:
-Você quer que eu morra!?
E com ainda mais enfase repete a pergunta um tanto mórbida:
-Você quer que eu morra!?
O pai emerge do estado de Resolução de Problemas e rebate:
-Claro que não, filha! Que pergunta é essa!?
MC limpa os olhos das lágrimas recém brotadas e explica:
-Pai, tá vendo esses bracinhos!?
Diz ela apontando para as extremidades superiores rijas e bastante carnudas:
-São bracinhos de criança, tá vendo!?
E pousando os braços "cansados" acompanhados com uma generosa arqueada nos ombros sobre o colo continua a explicação:
- Braço de criança é muito fraquinho - diz enquanto pinça o próprio bíceps esquerdo.
Em tom caracteristico dela mesma completa:
-Se o pai manda arrumar muita bagunça de uma vez - diz enquanto larga o corpo em direção ao colchão em que o pai estava:
-A criança morre!
...
Vislumbrando em breve um desfecho para a contenda o pai pede solenemente:
-Filha, vamos arrumar esse quarto para poder dormir.
MC para imediatamente de vestir uma boneca, encara o pai com os olhos rasos d'água e diz em um tom de quem foi condenado a uma vida de trabalhos forçados:
-Você quer que eu morra!?
E com ainda mais enfase repete a pergunta um tanto mórbida:
-Você quer que eu morra!?
O pai emerge do estado de Resolução de Problemas e rebate:
-Claro que não, filha! Que pergunta é essa!?
MC limpa os olhos das lágrimas recém brotadas e explica:
-Pai, tá vendo esses bracinhos!?
Diz ela apontando para as extremidades superiores rijas e bastante carnudas:
-São bracinhos de criança, tá vendo!?
E pousando os braços "cansados" acompanhados com uma generosa arqueada nos ombros sobre o colo continua a explicação:
- Braço de criança é muito fraquinho - diz enquanto pinça o próprio bíceps esquerdo.
Em tom caracteristico dela mesma completa:
-Se o pai manda arrumar muita bagunça de uma vez - diz enquanto larga o corpo em direção ao colchão em que o pai estava:
-A criança morre!
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quinta-feira, 21 de novembro de 2013
Mas não fala na minha cara...
MC gripada exponencia a peculiar chatice para níveis que beiram o insuportável.
O Pai, alvo predileto, assistia ao reality show com maior índices de demissões por mesa de reunião quadrada enquanto se desviava das tentativas da pequena em fazer carinho com o pé na sua cabeça:
-Négis, para...
(Negis: apelido sarcástico; maneira pela qual se pode satirizar a alvura infantil sem traumatizar o alvo - pelo menos não permanentemente)
Abaixando a cabeça para evitar o "carinho" - em forma de cobrança de pênalti - que tinha seu rosto como alvo o pai pede:
-Négis, para com isso!
MC recolhe as pernas, vira o corpo subitamente e começa a fazer um cafuné na cabeça do alvo. Subitamente o afago se transforma em puxão e a cabeça do "inimigo" é jogada para frente e para trás com fortes e intensos movimentos:
-Eu amo tu! - diz a pequena enquanto demonstra toda sua capacidade de "acariciar" o próximo.
Evitando um traumatismo ou contusão o pai rapidamente se levanta e sai do quarto esbravejando:
-Vixe, o chatice de criança viu...
MC transforma o sorriso em lágrimas, o alvoroço em soturnez e encara a mãe com ar sério e diz:
-Mãe ele me chamou de chata - e esfregando o olhos com cuidado completa - Ele não sabe que eu tô doente!?
Caprichando na cara de órfã de guerra:
-Meus olhinhos ainda estão sensíveis...
(MC teve um prenuncio leve de conjuntivite que não durou mais de 3 dias e vêm "rendendo" há pelo menos 1 semana)
-Tá chata mesmo - responde a mãe interrompendo o soliloquio sobre doenças e sensibilidade ocular.
Assustada MC abandona rapidamente o ar sensível, arregala os olhos ante a critica materna e põe-se a chorar com ares de tristeza genuína:
-Eu sei... - diz enquanto enfia a cabeça no travesseiro:
-... mas não precisa falar na minha cara!
...
O Pai, alvo predileto, assistia ao reality show com maior índices de demissões por mesa de reunião quadrada enquanto se desviava das tentativas da pequena em fazer carinho com o pé na sua cabeça:
-Négis, para...
(Negis: apelido sarcástico; maneira pela qual se pode satirizar a alvura infantil sem traumatizar o alvo - pelo menos não permanentemente)
Abaixando a cabeça para evitar o "carinho" - em forma de cobrança de pênalti - que tinha seu rosto como alvo o pai pede:
-Négis, para com isso!
MC recolhe as pernas, vira o corpo subitamente e começa a fazer um cafuné na cabeça do alvo. Subitamente o afago se transforma em puxão e a cabeça do "inimigo" é jogada para frente e para trás com fortes e intensos movimentos:
-Eu amo tu! - diz a pequena enquanto demonstra toda sua capacidade de "acariciar" o próximo.
Evitando um traumatismo ou contusão o pai rapidamente se levanta e sai do quarto esbravejando:
-Vixe, o chatice de criança viu...
MC transforma o sorriso em lágrimas, o alvoroço em soturnez e encara a mãe com ar sério e diz:
-Mãe ele me chamou de chata - e esfregando o olhos com cuidado completa - Ele não sabe que eu tô doente!?
Caprichando na cara de órfã de guerra:
-Meus olhinhos ainda estão sensíveis...
(MC teve um prenuncio leve de conjuntivite que não durou mais de 3 dias e vêm "rendendo" há pelo menos 1 semana)
-Tá chata mesmo - responde a mãe interrompendo o soliloquio sobre doenças e sensibilidade ocular.
Assustada MC abandona rapidamente o ar sensível, arregala os olhos ante a critica materna e põe-se a chorar com ares de tristeza genuína:
-Eu sei... - diz enquanto enfia a cabeça no travesseiro:
-... mas não precisa falar na minha cara!
...
segunda-feira, 18 de novembro de 2013
Mais um pouquinho....
Cedo do Domingo - um momento qualquer entre a meia-noite e alvorada.
Enquanto o pai trabalhava MC alternava entre joguinhos de computador.
Quando a hora já estava bastante avançada o pai decreta:
-Filha - em tom absolutamente delicado e carinhoso - está tarde. Termina essa partida e vamos desligar o computador.
MC sem prestar - ou prestando - muita atenção rebate a ordem com um questionamento:
-Tu vai desligar o seu!?
-Desligar o que!? - Pergunta o pai confuso.
MC vira-se para o pai com o desdém peculiar e aponta o instrumento de trabalho do mesmo:
-Vai desligar o seu computador!?
-Não - resmunga o pai transtornado pelo desaforo da cria - eu estou trabalhando...
Antes que o pai novamente discorresse sobre a responsabilidade do trabalho MC apoia o queixo na mão e pergunta secamente ao pai:
-Tu gosta de trabalhar!?
O pai pego de surpresa balbucia:
-Eu... - e completamente titubeante recebe o contragolpe:
-Eu gosto de jogar! - explica sem emoção alguma e completa:
-Pode trabalhar... - diz enquanto se vira para dar conta de onde havia parado seu passatempo:
-Eu vou jogar mais um pouquinho.
...
-Filha - em tom absolutamente delicado e carinhoso - está tarde. Termina essa partida e vamos desligar o computador.
MC sem prestar - ou prestando - muita atenção rebate a ordem com um questionamento:
-Tu vai desligar o seu!?
-Desligar o que!? - Pergunta o pai confuso.
MC vira-se para o pai com o desdém peculiar e aponta o instrumento de trabalho do mesmo:
-Vai desligar o seu computador!?
-Não - resmunga o pai transtornado pelo desaforo da cria - eu estou trabalhando...
Antes que o pai novamente discorresse sobre a responsabilidade do trabalho MC apoia o queixo na mão e pergunta secamente ao pai:
-Tu gosta de trabalhar!?
O pai pego de surpresa balbucia:
-Eu... - e completamente titubeante recebe o contragolpe:
-Eu gosto de jogar! - explica sem emoção alguma e completa:
-Pode trabalhar... - diz enquanto se vira para dar conta de onde havia parado seu passatempo:
-Eu vou jogar mais um pouquinho.
...
quinta-feira, 14 de novembro de 2013
Tá errado!
-Tá errado!
Diz MC em um rompante cruel, decisivo e irreversível enquanto pausa o jogo estrelado pelas filhas - por mais que seja difícil imaginar uma cópula entre duas múmias - de monstros lendários:
-Que foi filha!? - pergunta o pai assustado.
A pequena se levanta e vai até o televisor com um ar de palestrante, aponta a tela e diz:
-Tá vendo a Fulana - Inquirindo com o dedo a personificação digital da filha do Lobisomem - não sabe nadar.
O pai tentando assimilar o questionamento e prover resposta adequada tenta uma abordagem genérica:
-Ah filha é que lobisomens não sabem nadar.
Como se confrontada com uma blasfêmia bíblica apocaliptística MC refuta o argumento com uma lógica peculiar:
-Pai, a Fulana é um lobisomem, não é!?
-É. - concorda resoluto o pai
-Lobisomem é lobo, não é!?
-É - assente o pai baseado em tardes e noites incontáveis desbravando o Apocalipse.
-Lobo é cachorro, não é!?
-É... - murmura o pai:
-Cachorro sabe nadar! - e imediatamente procura o sustentáculo do argumento com um representante do gênero:
-Não é Safria!?
Apontando o dedo em riste para o amontado de pixels prostrado na tela reclama:
-Tá errado esse jogo!
...
Diz MC em um rompante cruel, decisivo e irreversível enquanto pausa o jogo estrelado pelas filhas - por mais que seja difícil imaginar uma cópula entre duas múmias - de monstros lendários:
-Que foi filha!? - pergunta o pai assustado.
A pequena se levanta e vai até o televisor com um ar de palestrante, aponta a tela e diz:
-Tá vendo a Fulana - Inquirindo com o dedo a personificação digital da filha do Lobisomem - não sabe nadar.
O pai tentando assimilar o questionamento e prover resposta adequada tenta uma abordagem genérica:
-Ah filha é que lobisomens não sabem nadar.
Como se confrontada com uma blasfêmia bíblica apocaliptística MC refuta o argumento com uma lógica peculiar:
-Pai, a Fulana é um lobisomem, não é!?
-É. - concorda resoluto o pai
-Lobisomem é lobo, não é!?
-É - assente o pai baseado em tardes e noites incontáveis desbravando o Apocalipse.
-Lobo é cachorro, não é!?
-É... - murmura o pai:
-Cachorro sabe nadar! - e imediatamente procura o sustentáculo do argumento com um representante do gênero:
-Não é Safria!?
Apontando o dedo em riste para o amontado de pixels prostrado na tela reclama:
-Tá errado esse jogo!
...
sábado, 9 de novembro de 2013
Aquela cara...
O pai acaba por inadvertidamente tirar um cochilo enquanto assistia TV
com a pequena. Indignada MC vai a cozinha confrontar a a matriarca com
a afronta:
-Não é justo... - diz absolutamente séria enquanto cruza os braços entorno do tronco -...meu pai dormiu.
A mãe tentando amenizar o problema explica:
-Papai tá cansado filha... - e beijando a pequena no rosto pede - vamos deixar ele dormir um pouco.
MC dá de ombros para a mãe, estala o muxoxo e refuta:
-Não mãe. - e em tom de terapeuta cognitivo Comportamental especializada em Ansiedade, Depressão e Pânico explica:
-Meu pai não nunca se diverte - e bastante sólida no argumento e na exposição prossegue:
-Está sempre com... - mudando bruscamente de feição com um arquivo de sobrancelhas, semi-serrando os olhos, contorcendo não só a boca como todas as linhas de expressão (que ainda não tem) e colocando as mãos no rosto para simular uma barba explica:
-...aquela cara!
-Filha,... - começa a mãe em vão. Rapidamente a ansiosa por atenção paterna interrompe:
-E quando ele está comigo... - agora com um semblante absolutamente condenatório contra a mãe - ... você fica pedindo para ele fazer as coisas.
Voltando ao tom e a posição inicial fecha a redação do Enem sobre a alienação parentar com o chavão:
-Não é justo.
...
( O objeto da conversa que havia despertado com a absolutamente acrobática - só que não - saída da pequena da cama assitia a tudo e pensou consigo sorrindo esperançoso: LEVAR O LIXO NUNCA MAIS.)
-Não é justo... - diz absolutamente séria enquanto cruza os braços entorno do tronco -...meu pai dormiu.
A mãe tentando amenizar o problema explica:
-Papai tá cansado filha... - e beijando a pequena no rosto pede - vamos deixar ele dormir um pouco.
MC dá de ombros para a mãe, estala o muxoxo e refuta:
-Não mãe. - e em tom de terapeuta cognitivo Comportamental especializada em Ansiedade, Depressão e Pânico explica:
-Meu pai não nunca se diverte - e bastante sólida no argumento e na exposição prossegue:
-Está sempre com... - mudando bruscamente de feição com um arquivo de sobrancelhas, semi-serrando os olhos, contorcendo não só a boca como todas as linhas de expressão (que ainda não tem) e colocando as mãos no rosto para simular uma barba explica:
-...aquela cara!
-Filha,... - começa a mãe em vão. Rapidamente a ansiosa por atenção paterna interrompe:
-E quando ele está comigo... - agora com um semblante absolutamente condenatório contra a mãe - ... você fica pedindo para ele fazer as coisas.
Voltando ao tom e a posição inicial fecha a redação do Enem sobre a alienação parentar com o chavão:
-Não é justo.
...
( O objeto da conversa que havia despertado com a absolutamente acrobática - só que não - saída da pequena da cama assitia a tudo e pensou consigo sorrindo esperançoso: LEVAR O LIXO NUNCA MAIS.)
quarta-feira, 6 de novembro de 2013
Ela é mamãe.
MC achega-se a sala onde o pai lia e a mãe assistia TV; cheia de
ideologia capitalista e ideais de vida tirados de séries de TV faz uma
suposição bastante pertinente:
-Seria tão legal se meu pai tivesse uma profissão, né mãe!?
O pai engoliu seco a saliva - que não tinha - e partiu em defesa da própria dignidade:
-Opa, pera lá - disse um tanto contrariado - Eu trabalho!
MC encara o pai absolutamente assustada com a reação enfática que sua colocação acabara de provocar:
-Não pai; não é isso... - em sincero tom de desculpas e arrependimento - ... eu quis dizer profissão.
E explanando a própria concepção de mercado de trabalho e relações profissionais modernas continua:
-Eu sei que você trabalha cuidando de pinguins...
(Para [tentar] explicar para a filha o que fazia da vida o pai optou por uma abordagem bastante lúdica: transmutando as máquinas Linux nos mascote que representa o Sistema Operacional [um pinguim bastante amistoso chamado TUX] e ele mesmo em uma espécie de tratador - a abordagem funcionou bastante bem com a pequena por outro lado o avô paterno continua com dúvidas sobre o sexo dos espécimes)
Já bastante emburrado o pai deixa que a pequena continue com a apresentação:
-... mas isso não é profissão.
Com um semblante solene de quem entrega a alguém um cartão ilustrado - daquele famoso jogo de simulação de vida - onde se lê: "Sua vida é um fracasso. Volte ao início".
O pai ainda mais consternado limita-se a perguntar:
-O que é profissão então!?
A pequena antenada com as explicações da escola começa a discorrer sobre profissões clássicas:
-Tito médico, titio policia, titio bombeiro, titio que cuida de bichinhos...
Antes que a guria pudesse continuar o pai - sem mais recursos - e já procurando cursos superiores de formação clássica resolve que é hora de estabelecer os parâmetros para outros membros da família:
-E sua mãe!? - Tentando desesperadamente aliviar a pressão social de seus ombros - Qual a profissão dela!?
MC corre para os braços da mãe, beija-a a calorosamente e diz cheia de confiança:
-Ela é mamãe!
...
-Seria tão legal se meu pai tivesse uma profissão, né mãe!?
O pai engoliu seco a saliva - que não tinha - e partiu em defesa da própria dignidade:
-Opa, pera lá - disse um tanto contrariado - Eu trabalho!
MC encara o pai absolutamente assustada com a reação enfática que sua colocação acabara de provocar:
-Não pai; não é isso... - em sincero tom de desculpas e arrependimento - ... eu quis dizer profissão.
E explanando a própria concepção de mercado de trabalho e relações profissionais modernas continua:
-Eu sei que você trabalha cuidando de pinguins...
(Para [tentar] explicar para a filha o que fazia da vida o pai optou por uma abordagem bastante lúdica: transmutando as máquinas Linux nos mascote que representa o Sistema Operacional [um pinguim bastante amistoso chamado TUX] e ele mesmo em uma espécie de tratador - a abordagem funcionou bastante bem com a pequena por outro lado o avô paterno continua com dúvidas sobre o sexo dos espécimes)
Já bastante emburrado o pai deixa que a pequena continue com a apresentação:
-... mas isso não é profissão.
Com um semblante solene de quem entrega a alguém um cartão ilustrado - daquele famoso jogo de simulação de vida - onde se lê: "Sua vida é um fracasso. Volte ao início".
O pai ainda mais consternado limita-se a perguntar:
-O que é profissão então!?
A pequena antenada com as explicações da escola começa a discorrer sobre profissões clássicas:
-Tito médico, titio policia, titio bombeiro, titio que cuida de bichinhos...
Antes que a guria pudesse continuar o pai - sem mais recursos - e já procurando cursos superiores de formação clássica resolve que é hora de estabelecer os parâmetros para outros membros da família:
-E sua mãe!? - Tentando desesperadamente aliviar a pressão social de seus ombros - Qual a profissão dela!?
MC corre para os braços da mãe, beija-a a calorosamente e diz cheia de confiança:
-Ela é mamãe!
...
terça-feira, 5 de novembro de 2013
E ele cresce!?
MC ficou encantada com o cortejo de bonequinhos de cerâmica que enfeitavam o rack da sala:
-Que lindo esses bonequinhos - diz alegre.
A mãe completamente espiritualizada tenta explicar que aqueles não são brinquedos:
-Filha, esse é um presépio...
MC parece não se atentar ao que a mãe tentava explicar e prossegue com as próprias indagações:
-De quem são esses bichinhos!? - enquanto fazia a vaca saltar agilmente sobre a mangedora.
-Por que esses titios estão de capa!? - fazendo os magos cortarem o ar como heróis de quadrinhos, e continua - Eles são super-heróis!?
-E essa titia!? - fazendo a virgem Maria dançar como uma rock-star sobre o conversor da TV à Cabo - É cantora!?
-E esse bebe!?
A mãe quase sem fôlego tenta acompanhar o desejo de conhecimento da pequena:
-Esse é o menino Jesus...
MC pega o rebento entre a mãos e esperançosa pergunta:
-Menino!? - e olhando fixamente para o sorriso largo estampado no boneco indaga:
-E ele cresce!?
A mãe raciocinando em contexto bíblico se apressa em responder:
-Sim, filha... - pigarreado para tentar explicar o contexto do natal -...ele...
MC rapidamente dá ai futuro adulto uma missão bastante peculiar:
-Menino - passando-lhe a mão sobre a cabeça em afago- cresce logo porque minha Barbie precisa de um namorado.
...
-Que lindo esses bonequinhos - diz alegre.
A mãe completamente espiritualizada tenta explicar que aqueles não são brinquedos:
-Filha, esse é um presépio...
MC parece não se atentar ao que a mãe tentava explicar e prossegue com as próprias indagações:
-De quem são esses bichinhos!? - enquanto fazia a vaca saltar agilmente sobre a mangedora.
-Por que esses titios estão de capa!? - fazendo os magos cortarem o ar como heróis de quadrinhos, e continua - Eles são super-heróis!?
-E essa titia!? - fazendo a virgem Maria dançar como uma rock-star sobre o conversor da TV à Cabo - É cantora!?
-E esse bebe!?
A mãe quase sem fôlego tenta acompanhar o desejo de conhecimento da pequena:
-Esse é o menino Jesus...
MC pega o rebento entre a mãos e esperançosa pergunta:
-Menino!? - e olhando fixamente para o sorriso largo estampado no boneco indaga:
-E ele cresce!?
A mãe raciocinando em contexto bíblico se apressa em responder:
-Sim, filha... - pigarreado para tentar explicar o contexto do natal -...ele...
MC rapidamente dá ai futuro adulto uma missão bastante peculiar:
-Menino - passando-lhe a mão sobre a cabeça em afago- cresce logo porque minha Barbie precisa de um namorado.
...
segunda-feira, 4 de novembro de 2013
Coração Partido
MC chega em casa com um semblante Napoleônico de Derrota Épica. Nada
diz e caminha em direção ao quarto como quem carrega toda uma VIDA de
desalento e desamparo. Os pais procuram respeitar o momento de amargor
da vida da jovem e não a incomodam. Passado algum tempo a pequena
emotiva aparece na sala com um desenho inusitado e entrega-o ao pai como
se pedaço de alma fosse:
-Esse é o meu coração - com uma lágrima absolutamente teatral percorrendo-lhe a bochecha.
O pai atento examina do desenho e percebe que além de vívido azul o coração está partido por inúmeras ranhuras de vermelho vívido e adornado com o que pareciam ser lágrimas de cor verde bandeira. A própria artista então explica o sentimento ali impresso:
-Ele está partido...
Bom, o pai precisou confessar a si mesmo que não era lá um especialista em corações - especialmente os partidos. Confessadamente não saberia distinguir os sintomas de um coração partido de uma crise de fome ou de um mal-estar menor qualquer - como gases ou constipação. E precisou de mais informações para poder prover um diagnóstico:
-Por que está partido meu amor!?
Nesse momento o deixou lado o videogame quando entendeu que o coração partido poderia significar: namorado!
E nesse caso um namorado que a deixou.
É claro que ninguém abandona ninguém aos 5 anos. O máximo que se pode fazer no caso é os ex-casais brincarem de lados opostos do parquinho.
-Minha amiga Piti... - anunciando uma crise iminente de choro sentido.
-... tem outra melhor amiga.
...
O pai nem sequer conseguiu lembra os nomes de qualquer um dos amigos que tinha aos 5 anos e nem de ter sofrido por qualquer um deles - ou nada que um bom lanche não tivesse curado.
-Esse é o meu coração - com uma lágrima absolutamente teatral percorrendo-lhe a bochecha.
O pai atento examina do desenho e percebe que além de vívido azul o coração está partido por inúmeras ranhuras de vermelho vívido e adornado com o que pareciam ser lágrimas de cor verde bandeira. A própria artista então explica o sentimento ali impresso:
-Ele está partido...
Bom, o pai precisou confessar a si mesmo que não era lá um especialista em corações - especialmente os partidos. Confessadamente não saberia distinguir os sintomas de um coração partido de uma crise de fome ou de um mal-estar menor qualquer - como gases ou constipação. E precisou de mais informações para poder prover um diagnóstico:
-Por que está partido meu amor!?
Nesse momento o deixou lado o videogame quando entendeu que o coração partido poderia significar: namorado!
E nesse caso um namorado que a deixou.
É claro que ninguém abandona ninguém aos 5 anos. O máximo que se pode fazer no caso é os ex-casais brincarem de lados opostos do parquinho.
-Minha amiga Piti... - anunciando uma crise iminente de choro sentido.
-... tem outra melhor amiga.
...
O pai nem sequer conseguiu lembra os nomes de qualquer um dos amigos que tinha aos 5 anos e nem de ter sofrido por qualquer um deles - ou nada que um bom lanche não tivesse curado.
sábado, 2 de novembro de 2013
Então cheira...
MC tomava um banho relaxante - quando são quase 02:00 da manhã e a
criança ainda encontra-se em modo Titã de Devastação um banho morno é,
sempre, uma boa pedida:
-Hummm... - exclama a pequena de dentro do box - que cheiro de arroz!
Pensa por alguns segundos e chama pela mãe a fim de esclarecer uma dúvida absolutamente pertinente:
-Mãe, tá fazendo arroz!?
-Arroz!? - pergunta a mãe assustada - Não, por que!?
MC parece confabular com seus botões enquanto assimila a informação. E comenta:
-Então é o meu...
A mãe já munida com uma toalha decide encerrar a empreitada da madrugada mas não sem perguntar:
-O seu o que!?
MC encara a mãe com os olhos brilhantes e um semblante alegre triunfante:
-Meu pum... - diz dando tapinhas de congratulação na próprias nádegas -... está com cheirinho de arroz!
Ansiosa por saber se o buquê da sua obra estava sendo corretamente degustado pergunta:
-Sentiu!?
A mãe não se sabe se ansiosa por encerrar o diálogo ou sofrendo de congestão nasal responde impassivelmente:
-Não.
-Não!? - Estarrece-se a artista absolutamente indignada.
A pequena então dá as costas a mãe, abaixa levemente o tronco, oferta uma proximidade ímpar da obra e apontando para si mesma convida:
-Então cheira minha bunda!
...
-Hummm... - exclama a pequena de dentro do box - que cheiro de arroz!
Pensa por alguns segundos e chama pela mãe a fim de esclarecer uma dúvida absolutamente pertinente:
-Mãe, tá fazendo arroz!?
-Arroz!? - pergunta a mãe assustada - Não, por que!?
MC parece confabular com seus botões enquanto assimila a informação. E comenta:
-Então é o meu...
A mãe já munida com uma toalha decide encerrar a empreitada da madrugada mas não sem perguntar:
-O seu o que!?
MC encara a mãe com os olhos brilhantes e um semblante alegre triunfante:
-Meu pum... - diz dando tapinhas de congratulação na próprias nádegas -... está com cheirinho de arroz!
Ansiosa por saber se o buquê da sua obra estava sendo corretamente degustado pergunta:
-Sentiu!?
A mãe não se sabe se ansiosa por encerrar o diálogo ou sofrendo de congestão nasal responde impassivelmente:
-Não.
-Não!? - Estarrece-se a artista absolutamente indignada.
A pequena então dá as costas a mãe, abaixa levemente o tronco, oferta uma proximidade ímpar da obra e apontando para si mesma convida:
-Então cheira minha bunda!
...
quinta-feira, 31 de outubro de 2013
São dois contra um.
MC encarnava o espírito dos jovens empreendedores e alegava não
precisar da escola para ser "inteligente". Em momentos como esse a
lógica e a paciência dão lugar ao intransigente e austero - o que faz
parte (além de ser bastante divertido) de ser pai:
-Já para o chuveiro Maria Clara! - grita a mãe em tom enérgico.
O pai endossa esculpindo a cara mais ameaçadora que podia dispor. MC sai batendo os calcanhares em direção ao banheiro, liga o chuveiro e fecha a porta do box. Os pais começam então a debater a necessidade de aumentar os níveis disciplina e respeito hierárquico de servidor público para forças especiais; discretamente um tufo de cabelo é visto transpassando o umbral da porta.
(MC têm problemas sérios para entrar em modo camuflagem - o cabelo está sempre sempre denotando sua posição)
O pai sabendo agora da presença da mini-espiã aumenta o tom da ameaça:
-Agora - diz pegando propositalmente o bicho de pelúcia mais estimado - é assim: desobedeceu perde um brinquedo.
A mãe concorda e a conversa segue.
Terminada as deliberações ouve-se a porta do box correr puxada com absoluta delicadeza e descrição. O pai passando pela porta do banheiro ouve um lamento:
-Isso não é justo - uma fungada.
-Eu sou apenas uma criança - continua resignada.
O pai admite que gostaria de poder ignorar os lamentos e deixar que as novas informações sobre o status disciplinar fossem devidamente fermentadas na psiquê da meliante (conforme indicariam todos os psicólogos infantis) mas foi impossível:
-Que houve!?
Ao entrar no banheiro o pai se depara com a guira sentada em sua cadeira de brinquedo, com os cotovelos apoiados nas coxas, o queixo apoiado nas palmas das mãos, a água caindo-lhe nas costas e um semblante desolado:
-Não é justo! - diz em tom anarco proletário atuante.
-O que!?
-Pensa que eu não ouvi vocês planejando mandar em mim!? - diz MC elevando o tom para aquele que se usa em sequências finais de filmes de espionagem.
-Pensa que eu não ouvi, hein!?
O pai tenta assumir um tom condizente e rebate:
-É claro que a gente manda em ti! - dá um passo á frente, abaixa o tronco e olha a pequena nos olhos - Somos seus pais!
-Isso não é justo! - rebate a rebelde infantojuvenil.
Cruza os braços sobre o abdome, deixa cair o queixo sobre o peito e diz em tom de derrota:
-São dois contra um....
...
(O pai imediatamente renovou a ração e a água do cão para manter a maioria da base aliada. Afinal de contas nunca se sabe o que a oposição pode estar armando).
-Já para o chuveiro Maria Clara! - grita a mãe em tom enérgico.
O pai endossa esculpindo a cara mais ameaçadora que podia dispor. MC sai batendo os calcanhares em direção ao banheiro, liga o chuveiro e fecha a porta do box. Os pais começam então a debater a necessidade de aumentar os níveis disciplina e respeito hierárquico de servidor público para forças especiais; discretamente um tufo de cabelo é visto transpassando o umbral da porta.
(MC têm problemas sérios para entrar em modo camuflagem - o cabelo está sempre sempre denotando sua posição)
O pai sabendo agora da presença da mini-espiã aumenta o tom da ameaça:
-Agora - diz pegando propositalmente o bicho de pelúcia mais estimado - é assim: desobedeceu perde um brinquedo.
A mãe concorda e a conversa segue.
Terminada as deliberações ouve-se a porta do box correr puxada com absoluta delicadeza e descrição. O pai passando pela porta do banheiro ouve um lamento:
-Isso não é justo - uma fungada.
-Eu sou apenas uma criança - continua resignada.
O pai admite que gostaria de poder ignorar os lamentos e deixar que as novas informações sobre o status disciplinar fossem devidamente fermentadas na psiquê da meliante (conforme indicariam todos os psicólogos infantis) mas foi impossível:
-Que houve!?
Ao entrar no banheiro o pai se depara com a guira sentada em sua cadeira de brinquedo, com os cotovelos apoiados nas coxas, o queixo apoiado nas palmas das mãos, a água caindo-lhe nas costas e um semblante desolado:
-Não é justo! - diz em tom anarco proletário atuante.
-O que!?
-Pensa que eu não ouvi vocês planejando mandar em mim!? - diz MC elevando o tom para aquele que se usa em sequências finais de filmes de espionagem.
-Pensa que eu não ouvi, hein!?
O pai tenta assumir um tom condizente e rebate:
-É claro que a gente manda em ti! - dá um passo á frente, abaixa o tronco e olha a pequena nos olhos - Somos seus pais!
-Isso não é justo! - rebate a rebelde infantojuvenil.
Cruza os braços sobre o abdome, deixa cair o queixo sobre o peito e diz em tom de derrota:
-São dois contra um....
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(O pai imediatamente renovou a ração e a água do cão para manter a maioria da base aliada. Afinal de contas nunca se sabe o que a oposição pode estar armando).
terça-feira, 29 de outubro de 2013
É o que sobra!
MC escolhe o vigésimo quarto presente de Natal (em meados de Outubro):
-Eu quero esse! - Apontando freneticamente para o anúncio televisivo do Quartel General (oficialmente chamado de Escola) das bonecas monstro (que mais se assemelham a crianças subnutridas sofrendo de barriga-d'água) que é fã:
-Eu quero MUITO! - o muito merece a caixa-alta em que é grafado porque só assim é possível vislumbrar a intensidade em que foi dito.
-Filha, - diz a mãe em tom preocupado (com o saldo da conta-corrente) - precisa ver se o papai-noel (que tem muito de papai e quase nada de Noel) - tem dinheiro.
-Mãe, - começa a pequena em tom terapeuta tentando acalmar um paciente estressado - o papai Noel não precisa de dinheiro.
-Ele - com um olhar brilhante e esperançoso que renova a fé do mais cético dos fatalistas completa - ele FAZ (aplica-se caixa-alta em favor do bom entendimento do sentimento que se precisa denotar).
A mãe curiosa questiona:
-E os que a loja vende!?
MC encara a mãe com o estarrecimento típico de quem confronta outro alguém que ignora uma verdade universal tão óbvia e repetidamente comprovada:
-É o que sobra!
...
-Eu quero esse! - Apontando freneticamente para o anúncio televisivo do Quartel General (oficialmente chamado de Escola) das bonecas monstro (que mais se assemelham a crianças subnutridas sofrendo de barriga-d'água) que é fã:
-Eu quero MUITO! - o muito merece a caixa-alta em que é grafado porque só assim é possível vislumbrar a intensidade em que foi dito.
-Filha, - diz a mãe em tom preocupado (com o saldo da conta-corrente) - precisa ver se o papai-noel (que tem muito de papai e quase nada de Noel) - tem dinheiro.
-Mãe, - começa a pequena em tom terapeuta tentando acalmar um paciente estressado - o papai Noel não precisa de dinheiro.
-Ele - com um olhar brilhante e esperançoso que renova a fé do mais cético dos fatalistas completa - ele FAZ (aplica-se caixa-alta em favor do bom entendimento do sentimento que se precisa denotar).
A mãe curiosa questiona:
-E os que a loja vende!?
MC encara a mãe com o estarrecimento típico de quem confronta outro alguém que ignora uma verdade universal tão óbvia e repetidamente comprovada:
-É o que sobra!
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sábado, 26 de outubro de 2013
Até a esquina...
-Eu te amo até o infinito... - diz a pequena abrindo os braços em um grande arco - ...mamãe!
-E o infinito - diz ela em uma postura astrofísica que deixaria Carl Sagan esperançoso sobre o futuro da humanidade - nunca acaba.
O pai quis então...
(É importante denotar que o pai está sempre querendo elucidar algo; em uma abstração bastante generosa é assim que ele ganha a vida: buscando a melhor - e menos custosa - maneira de resolver um problema.
Por isso talvez esteja sempre a mercê de perguntar o que a guria pensa mesmo sob pena de sofrer com os mais variados desacatos hierárquicos, intelectuais e especialmente morais)
mensurar o amor da pequena pela figura paterna:
-E eu!? - Pergunta o pai em mistura de alegria ingenua e insegurança infantil- Quanto tu me ama!?
MC ajeita-se no sofá tomando um ar austero e inteligente; encobre a face um semblante bem pouco compadecido e começa:
-Bom, tu briga comigo..
-Mas.. - começa o pai em defesa própria.
-Tu grita comigo... - Interrompe a pequena elevando o tom e encobrindo o choramingo paterno.
-Mas...- tenta de novo o pai.
-E tu bateu na mesa ontem...
(O incidente da mesa ocorreu após uma série de 33 nãos, 4 castigos, 2 sequestros temporários de brinquedos e 1 ameaça REAL de detenção no quarto escuro por 5 minutos para reflexão)
- ...diz a mini-meretíssima evocando para si toda a luta das classes infantis oprimidas por seus pais:
-Eu te amo... - diz em tom mais condencedente e fraternal:
-...até a esquina!
...
-E o infinito - diz ela em uma postura astrofísica que deixaria Carl Sagan esperançoso sobre o futuro da humanidade - nunca acaba.
O pai quis então...
(É importante denotar que o pai está sempre querendo elucidar algo; em uma abstração bastante generosa é assim que ele ganha a vida: buscando a melhor - e menos custosa - maneira de resolver um problema.
Por isso talvez esteja sempre a mercê de perguntar o que a guria pensa mesmo sob pena de sofrer com os mais variados desacatos hierárquicos, intelectuais e especialmente morais)
mensurar o amor da pequena pela figura paterna:
-E eu!? - Pergunta o pai em mistura de alegria ingenua e insegurança infantil- Quanto tu me ama!?
MC ajeita-se no sofá tomando um ar austero e inteligente; encobre a face um semblante bem pouco compadecido e começa:
-Bom, tu briga comigo..
-Mas.. - começa o pai em defesa própria.
-Tu grita comigo... - Interrompe a pequena elevando o tom e encobrindo o choramingo paterno.
-Mas...- tenta de novo o pai.
-E tu bateu na mesa ontem...
(O incidente da mesa ocorreu após uma série de 33 nãos, 4 castigos, 2 sequestros temporários de brinquedos e 1 ameaça REAL de detenção no quarto escuro por 5 minutos para reflexão)
- ...diz a mini-meretíssima evocando para si toda a luta das classes infantis oprimidas por seus pais:
-Eu te amo... - diz em tom mais condencedente e fraternal:
-...até a esquina!
...
quarta-feira, 23 de outubro de 2013
Sabe o que o meu pai falou...
MC brincava com outras crianças e dois exemplares de futuros narcotraficantes homicidas em potencial - porque é sabido que crianças
podem ser divididas em três categorias simples: as que amamos (nossas,de
parentes e amigos próximos), as que toleramos (colegas e conhecidos) e
os selvagens (pequenos anões mal-educados que se passam por crianças
para ganhar mais brigadeiros em festas infantis) - que a chamavam de baleia:
-Baleia! Baleia Encalhada... - gritavam e corriam.
Os que conhecem a pequena sabem que apesar de MUITO inteligente MC é ingenua - até um pouco besta; e a pequena corria atrás em total tom de brincadeira.
O pai - guardião silencioso - chama a filha de canto:
-Filha - diz limpando o suor da testa dela - não brinca com quem tem xinga.
Observa bem os dois arautos do ódio infantil e como um treinador de box orienta a filha no córner:
-Filha, vai lá fala que ele é um orelhudo, cara-de-macaco e filho de rapariga.
MC enche o rosto de determinação enfurecida, vira as costas, força o passo e parte decidida a ganhar o segundo assalto. Subitamente vira-se para o pai e pergunta:
-Pai - com uma cara curiosa - o que é rapariga?
Preocupado com a possibilidade da guria perder o impeto o pai minimiza:
-Não é nada filha - e incentivando-a com as mãos completa:
-Agora vai lá!
MC cheia de confiança e foco aperta o passo e grita:
-Sabe o que meu pai falou de você!?
...
(Não é preciso dizer que por uma rara conjunção entre a estrela Polares e o Buraco Negro no centro da Galáxia a mãe do meliante passava perto o suficiente para poder ouvir o elogio a sua personalidade)
-Baleia! Baleia Encalhada... - gritavam e corriam.
Os que conhecem a pequena sabem que apesar de MUITO inteligente MC é ingenua - até um pouco besta; e a pequena corria atrás em total tom de brincadeira.
O pai - guardião silencioso - chama a filha de canto:
-Filha - diz limpando o suor da testa dela - não brinca com quem tem xinga.
Observa bem os dois arautos do ódio infantil e como um treinador de box orienta a filha no córner:
-Filha, vai lá fala que ele é um orelhudo, cara-de-macaco e filho de rapariga.
MC enche o rosto de determinação enfurecida, vira as costas, força o passo e parte decidida a ganhar o segundo assalto. Subitamente vira-se para o pai e pergunta:
-Pai - com uma cara curiosa - o que é rapariga?
Preocupado com a possibilidade da guria perder o impeto o pai minimiza:
-Não é nada filha - e incentivando-a com as mãos completa:
-Agora vai lá!
MC cheia de confiança e foco aperta o passo e grita:
-Sabe o que meu pai falou de você!?
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(Não é preciso dizer que por uma rara conjunção entre a estrela Polares e o Buraco Negro no centro da Galáxia a mãe do meliante passava perto o suficiente para poder ouvir o elogio a sua personalidade)
segunda-feira, 21 de outubro de 2013
Durinho que nem Madeira.
O pai vestia a pequena para irem a um evento; de banho tomado, vestida a
contento - com uma roupa previamente selecionada - chega então o
momento crítico: pentear o cabelo.
Quem conhece a MC - ou já a viu com os cabelos como naturalmente o são - percebeu-se que para atingir níveis de aceitabilidade social o penteado básico requer uma mistura de cremes, loções e poções que fariam a ONU flexibilizar a lista de armas de destruição em massa e força - muita força mesmo - para desatar os nós. Seguindo as instruções da própria o pai aplica os componentes químicos ao couro cabeludo rebelde. Puxa, desembaraça, estica, revolve, contorce, chicoteia - porque o pai JURA que o cabelo tentou atacá-lo pelo menos duas vezes - até concluir o intento.
MC avalia os resultados com leves apalpadelas no topo da cabeça, verificando a profundidade do rabo-de-cavalo e a inclinação da franja e então julga:
-Não ficou como o que a minha mãe faz - revirando os olhos. Mas tá bom!
O pai completamente extenuado e repensando se vale a pena pagar para frequentar uma academia pergunta:
-Como fica o da sua mãe!?
-Macio como algodão! - Diz sem qualquer remorso.
-E o meu!? - Pergunta o pai com lágrimas nos olhos.
-Durinho que nem madeira!
...
Quem conhece a MC - ou já a viu com os cabelos como naturalmente o são - percebeu-se que para atingir níveis de aceitabilidade social o penteado básico requer uma mistura de cremes, loções e poções que fariam a ONU flexibilizar a lista de armas de destruição em massa e força - muita força mesmo - para desatar os nós. Seguindo as instruções da própria o pai aplica os componentes químicos ao couro cabeludo rebelde. Puxa, desembaraça, estica, revolve, contorce, chicoteia - porque o pai JURA que o cabelo tentou atacá-lo pelo menos duas vezes - até concluir o intento.
MC avalia os resultados com leves apalpadelas no topo da cabeça, verificando a profundidade do rabo-de-cavalo e a inclinação da franja e então julga:
-Não ficou como o que a minha mãe faz - revirando os olhos. Mas tá bom!
O pai completamente extenuado e repensando se vale a pena pagar para frequentar uma academia pergunta:
-Como fica o da sua mãe!?
-Macio como algodão! - Diz sem qualquer remorso.
-E o meu!? - Pergunta o pai com lágrimas nos olhos.
-Durinho que nem madeira!
...
domingo, 20 de outubro de 2013
Economia Doméstica
O pai pensava nas implicações do total extermínio de um país do Sudeste
Asiático quando MC chega da escola com perguntas de cunho capitalista:
-Pai - fingindo desinteresse - tu trabalha muito, né!?
O pai em uma mistura de orgulho próprio e preocupação com a tênue relação de uma filha com tendências dramáticas e uma figura paterna ingenua responde:
-Tu acha que o papai trabalha demais!?
Fechando imediatamente o computador - sem dar atenção a várias luzes piscantes no comunicador corporativo - o pai volta sua atenção a pequena:
-Vamos brincar!? - Diz a figura paterna já com o sorriso armado e dois bonecos nas mãos.
MC não se anima muito e continua com as perguntas exploratórias:
-Quanto tu ganha pai!?
Fazendo-se de coitado - talvez a mesma cara com a qual encara a gerente da sua conta no banco - o pai diz:
-Ai filha, eu ganho pouco - revira os bolsos tirando uma moeda de 1 Dilma diz - Eu ganho uma dessas por hora.
MC desconversa e sai do quarto.
Momentos - o suficiente para o pai esquecer do diálogo anterior - a pequena volta com um encarte de loja de brinquedos e mui inocentemente aponta uma estrutura roxo avermelhada completamente retorcida cercada de bonecas que pareciam crianças com barriga-d'água:
-Pai, quanto custa esse castelo!?
-KAR... - se assusta o pai e é imediatamente interpolado com um olhar de reprovação -...Quer dizer: Nossa! - recupera o folego e termina: Isso custa 400 moedas! É muito caro!
MC corre até a estante, trás de volta o computador de trabalho, sorri e pede com todo carinho:
-Pai - com um sorriso capaz de deter uma guerra - você pode trabalhar 400 horas!?
Caprichando no olhar doce e de forte conteúdo apelativo:
-Eu quero ganhar esse castelo de Natal!
...
-Pai - fingindo desinteresse - tu trabalha muito, né!?
O pai em uma mistura de orgulho próprio e preocupação com a tênue relação de uma filha com tendências dramáticas e uma figura paterna ingenua responde:
-Tu acha que o papai trabalha demais!?
Fechando imediatamente o computador - sem dar atenção a várias luzes piscantes no comunicador corporativo - o pai volta sua atenção a pequena:
-Vamos brincar!? - Diz a figura paterna já com o sorriso armado e dois bonecos nas mãos.
MC não se anima muito e continua com as perguntas exploratórias:
-Quanto tu ganha pai!?
Fazendo-se de coitado - talvez a mesma cara com a qual encara a gerente da sua conta no banco - o pai diz:
-Ai filha, eu ganho pouco - revira os bolsos tirando uma moeda de 1 Dilma diz - Eu ganho uma dessas por hora.
MC desconversa e sai do quarto.
Momentos - o suficiente para o pai esquecer do diálogo anterior - a pequena volta com um encarte de loja de brinquedos e mui inocentemente aponta uma estrutura roxo avermelhada completamente retorcida cercada de bonecas que pareciam crianças com barriga-d'água:
-Pai, quanto custa esse castelo!?
-KAR... - se assusta o pai e é imediatamente interpolado com um olhar de reprovação -...Quer dizer: Nossa! - recupera o folego e termina: Isso custa 400 moedas! É muito caro!
MC corre até a estante, trás de volta o computador de trabalho, sorri e pede com todo carinho:
-Pai - com um sorriso capaz de deter uma guerra - você pode trabalhar 400 horas!?
Caprichando no olhar doce e de forte conteúdo apelativo:
-Eu quero ganhar esse castelo de Natal!
...
segunda-feira, 14 de outubro de 2013
Quando ela acabar eu te ligo.
Fim da manhã; de folga da escola MC espera um telefonema que a resgate
do tedioso e sufocante apartamento da família para as paragens bem mais
espaçosas e arejadas da casa dos avós:
-Vó!? - diz a pequena atendendo o telefone apressada.
-Eu tô pronta - responde em seguida.
Espera um pouco mais, examina o pai que descansava o almoço no sofá:
-Não, meu pai não vai - sem muito carinho na voz-; Ele só quer ficar trabalhando na garagem agora.
-Minha mãe!? - E repentinamente sai a caça da mãe pelo apartamento com o telefone sem fio e seu interlocutor seguros em sua mão:
-Mãe!?
Quando a encontra retoma a conversa com a avó explicando que as coisas podem demorar um pouco mais que o previsto:
-Vó - diz em tom decepcionado -, minha mãe está fazendo cocô, acredita!?
Bufa em sinal de reprovação as necessidades fisiológicas da mãe e declara:
-Quando ela acabar eu te ligo.
...
-Vó!? - diz a pequena atendendo o telefone apressada.
-Eu tô pronta - responde em seguida.
Espera um pouco mais, examina o pai que descansava o almoço no sofá:
-Não, meu pai não vai - sem muito carinho na voz-; Ele só quer ficar trabalhando na garagem agora.
-Minha mãe!? - E repentinamente sai a caça da mãe pelo apartamento com o telefone sem fio e seu interlocutor seguros em sua mão:
-Mãe!?
Quando a encontra retoma a conversa com a avó explicando que as coisas podem demorar um pouco mais que o previsto:
-Vó - diz em tom decepcionado -, minha mãe está fazendo cocô, acredita!?
Bufa em sinal de reprovação as necessidades fisiológicas da mãe e declara:
-Quando ela acabar eu te ligo.
...
quarta-feira, 9 de outubro de 2013
Desinteligente
MC para em frente ao pai que desatentadamente tentava fazer Frodo - em
versão lego- zigue-zagar montado em uma cabra por entre cones da Terra
Média. Com ares profissional tarimbada de vendas, capicha nos olhos
sinceros e faz uma pergunta direta:
-Pai tu gosta de ser gente grande!?
-Filha, não é muito uma questão de gostar - porque eu não conheço um adulto que realmente goste de ser o que é (pelo não entre os meus conhecidos) - é uma questão de apenas ser.
MC em modo PHD em marketing - sempre particularmente apegada aos próprios objetivos e questionamentos - volta a carga:
-Mas tu prefere ser criança ou ser gente grande!?
O pai tentando enquadrar a pergunta em uma linha de raciocínio lógico minimamente inteligível responde, pouco sabiamente, com outra pergunta:
-Mas eu posso ser criança!?
Com um sorriso e uma interjeição grandiosa - daquelas que só se vê de pessoas usando escadas contorcionistas ou facas de corte eterno em canais de vendas - a pequena rebate:
-Claro que pode - e sem respirar -; só precisa brincar mais comigo!
Indignado e absolutamente surpreso o pai se defende:
-E eu não brinco contigo, pateta!?
Sem pensar - ou já com tudo pensado - responde:
-Podia brincar mais - e agora focada nos benefícios do produto que vendia explica:
-Se você brincasse mais comigo seria um pai inteligente.
-Ah, quer dizer que eu seria um pai inteligente se brincasse AINDA mais contigo.
Entendendo - ou pelo menos achando que entende - o pai pergunta curioso:
-O que eu sou agora, então!?
Sem pensar - ou já com tudo pensado - a pequena fecha o anúncio inserindo no público alvo a sensação de inferioridade com relação a não compra do produto em questão:
-Desinteligente.
...
-Pai tu gosta de ser gente grande!?
-Filha, não é muito uma questão de gostar - porque eu não conheço um adulto que realmente goste de ser o que é (pelo não entre os meus conhecidos) - é uma questão de apenas ser.
MC em modo PHD em marketing - sempre particularmente apegada aos próprios objetivos e questionamentos - volta a carga:
-Mas tu prefere ser criança ou ser gente grande!?
O pai tentando enquadrar a pergunta em uma linha de raciocínio lógico minimamente inteligível responde, pouco sabiamente, com outra pergunta:
-Mas eu posso ser criança!?
Com um sorriso e uma interjeição grandiosa - daquelas que só se vê de pessoas usando escadas contorcionistas ou facas de corte eterno em canais de vendas - a pequena rebate:
-Claro que pode - e sem respirar -; só precisa brincar mais comigo!
Indignado e absolutamente surpreso o pai se defende:
-E eu não brinco contigo, pateta!?
Sem pensar - ou já com tudo pensado - responde:
-Podia brincar mais - e agora focada nos benefícios do produto que vendia explica:
-Se você brincasse mais comigo seria um pai inteligente.
-Ah, quer dizer que eu seria um pai inteligente se brincasse AINDA mais contigo.
Entendendo - ou pelo menos achando que entende - o pai pergunta curioso:
-O que eu sou agora, então!?
Sem pensar - ou já com tudo pensado - a pequena fecha o anúncio inserindo no público alvo a sensação de inferioridade com relação a não compra do produto em questão:
-Desinteligente.
...
domingo, 6 de outubro de 2013
..E Barrigudo!
Explicado o fato de uma mãe ser a LEI apenas no que diz respeito ao
ambiente doméstico a leitura do livro prossegue. Os personagens começam a
ser apresentados:
-Esse é o pequeno Wart... - recomeça o pai com aquela entonação de contador de histórias amador.
-Wart!? - interrompe a pequena quase imediatamente - Quem é Wart!?
-Wart, filha - começa o pai - é um apelido para Arthur.
MC pensa com os botões enquanto o pai procura em que trecho do livro a leitura havia sido interrompida.
-O que é apelido, pai!?
O pai freia repentinamente o recomeço da leitura e procura uma definição simples e direta de uma apelido.
-Apelido, filha, é um jeito carinhoso de chamar uma pessoa - e prepara uma alegoria para a definição - Eu sou seu pai; mas tu não me chama de pai o tempo todo, chama!?
MC concorda com a cabeça e deixa que o pai continue:
-Tu me chama de que!?
Sem pensar por nem um segundo devolve a bola para a quadra paterna em velocidade de reentrada:
-Chato, Feio, Bobo, Cabeção...
Para completar o 25 Hits combo prepara um Gancho Flamejante com giratória dupla:
-...e barrigudo.
...
O pai - que inocentemente esperava um singelo "papai" - deixa escorrer uma lágrima, fecha o livro e pergunta:
-Quer jogar videogame!?
-Esse é o pequeno Wart... - recomeça o pai com aquela entonação de contador de histórias amador.
-Wart!? - interrompe a pequena quase imediatamente - Quem é Wart!?
-Wart, filha - começa o pai - é um apelido para Arthur.
MC pensa com os botões enquanto o pai procura em que trecho do livro a leitura havia sido interrompida.
-O que é apelido, pai!?
O pai freia repentinamente o recomeço da leitura e procura uma definição simples e direta de uma apelido.
-Apelido, filha, é um jeito carinhoso de chamar uma pessoa - e prepara uma alegoria para a definição - Eu sou seu pai; mas tu não me chama de pai o tempo todo, chama!?
MC concorda com a cabeça e deixa que o pai continue:
-Tu me chama de que!?
Sem pensar por nem um segundo devolve a bola para a quadra paterna em velocidade de reentrada:
-Chato, Feio, Bobo, Cabeção...
Para completar o 25 Hits combo prepara um Gancho Flamejante com giratória dupla:
-...e barrigudo.
...
O pai - que inocentemente esperava um singelo "papai" - deixa escorrer uma lágrima, fecha o livro e pergunta:
-Quer jogar videogame!?
sexta-feira, 4 de outubro de 2013
Minha mãe é uma Lei!?
MC escolhe o alvo da noite:
-Pai, lê um livro para mim!?
-Claro filha - o pai interrompe os planos de comprar uma topic e manipular drogas sintéticas em manguezal e atende a pequena - que livro tu quer!?
MC coloca a mão no queixo, pensa por um instante e dispara:
-Um que eu nunca li.
O pai olha, confabula consigo mesmo e escolhe um exemplar inédito:
-A espada era a Lei...
-Pai, - começa a pequena máquina de perguntas - o que é lei!?
O pai sem poder terminar o primeiro raciocínio tenta aglutinar o pouco que sabe sobre fundamentos jurídicos e explicar o que seria uma Lei:
-Filha, - caprichando no ar de magistrado romano; ajeita-se na própria explicação, pigarreia e diz - lei é uma coisa que TODOS devem obedecer.
MC pensa por um segundos como quem eleva as sinapses a níveis críticos de troughput, encara o pai com um ar astuto, sorri e pergunta:
-Minha mãe é uma lei!?
...
-Pai, lê um livro para mim!?
-Claro filha - o pai interrompe os planos de comprar uma topic e manipular drogas sintéticas em manguezal e atende a pequena - que livro tu quer!?
MC coloca a mão no queixo, pensa por um instante e dispara:
-Um que eu nunca li.
O pai olha, confabula consigo mesmo e escolhe um exemplar inédito:
-A espada era a Lei...
-Pai, - começa a pequena máquina de perguntas - o que é lei!?
O pai sem poder terminar o primeiro raciocínio tenta aglutinar o pouco que sabe sobre fundamentos jurídicos e explicar o que seria uma Lei:
-Filha, - caprichando no ar de magistrado romano; ajeita-se na própria explicação, pigarreia e diz - lei é uma coisa que TODOS devem obedecer.
MC pensa por um segundos como quem eleva as sinapses a níveis críticos de troughput, encara o pai com um ar astuto, sorri e pergunta:
-Minha mãe é uma lei!?
...
terça-feira, 1 de outubro de 2013
O plano foi TODO do Luiz
MC chegou cedo a escola e os pais decidiram esperar até que a
professora viesse receber os alunos. MC sentou-se no banco e confabulava
com os botões até que um colega de classe achegou-se:
-Oi Maria - disse em tom alegre.
-Oi Luiz - responde MC no seu habitual dialogar sem olhar.
Luiz afeito e acostumado com tal comportamento emenda o convite:
-Vamos no parquinho Maria!?
MC aceita o convite e parte em direção ao canto de recreação. Infelizmente para a dupla o recinto encontrava-se indisponível para os alunos da tarde e da porta foram avisados em tom amigável porém firme pelo inspetor:
-Ô duplinha - apontando para os pequenos que já pulavam sobre os brinquedos - podem sair já dai!
MC agilmente correu do playground e enfiou-se sobre os braços da mãe; enquanto Luiz - parecendo que bastante acostumado a levar corretivos - sairia de lá assoviando (se soubesse como fazê-lo) sem qualquer constrangimento ou preocupação permanente. Em seguida chega a professora e assim que posta a par do acontecido acalma a chorona:
-Fica assim não Maria Clara - limpando as lágrimas do rosto - O tio não brigou ele avisou...
Luiz que já tinha deixado o acontecimento para trás como quem come um lanche industrializado e depois de horas volta a ter fome achega-se ao grupo; MC então fustiga os olhos castanhos do rapaz com um olhar tirado diretamente da sua vida pregressa durante Santa Inquisição:
-O plano foi TODO do Luiz.
...
-Oi Maria - disse em tom alegre.
-Oi Luiz - responde MC no seu habitual dialogar sem olhar.
Luiz afeito e acostumado com tal comportamento emenda o convite:
-Vamos no parquinho Maria!?
MC aceita o convite e parte em direção ao canto de recreação. Infelizmente para a dupla o recinto encontrava-se indisponível para os alunos da tarde e da porta foram avisados em tom amigável porém firme pelo inspetor:
-Ô duplinha - apontando para os pequenos que já pulavam sobre os brinquedos - podem sair já dai!
MC agilmente correu do playground e enfiou-se sobre os braços da mãe; enquanto Luiz - parecendo que bastante acostumado a levar corretivos - sairia de lá assoviando (se soubesse como fazê-lo) sem qualquer constrangimento ou preocupação permanente. Em seguida chega a professora e assim que posta a par do acontecido acalma a chorona:
-Fica assim não Maria Clara - limpando as lágrimas do rosto - O tio não brigou ele avisou...
Luiz que já tinha deixado o acontecimento para trás como quem come um lanche industrializado e depois de horas volta a ter fome achega-se ao grupo; MC então fustiga os olhos castanhos do rapaz com um olhar tirado diretamente da sua vida pregressa durante Santa Inquisição:
-O plano foi TODO do Luiz.
...
segunda-feira, 30 de setembro de 2013
Enrosco
MC folheava uma revista dominical, daquelas que vêm embutidas nos jornais dominicais - quer tu goste ou não.
Folhas viradas, caretas para as receitas, sorrisos para os lançamentos de bonecas e de repente se atenta a seção de moda; folheia, consente com a cabeça, estala o muxoxo e finalmente capricha no modo garboso de dobrar a página virando-a para o pai - como sempre - distraído e profundamente absorto por uma leitura qualquer:
-O que tu acha dessa pai!?
O interlocutor tira os do livro e encara um espécime feminino com corpo de flamingo (não importa de que angulo se contemple há pernas); vestida - para não dizer camuflada - com cores de pavão; ornamentada com uma série infindável de contas, colares e pulseiras de cores incontáveis e com uma cabeleira loira esvoaçante que só se consegue em ensaios de moda e filmes sobre catástrofes naturais.
Intrigado com a pergunta e preocupado com o rumo da conversa o pai - mui inutilmente - tenta desvendar as intenções da guria:
-O que eu acho de que!?
-Dessa titia - insiste - o que tu acha!?
-É bonita...
Antes mesmo que pudesse completar qualquer raciocino ou esboço MC lenvata-se do sofá e um movimento fluído e dá por encerrada a conversa com um berro:
-Ô mãe - já correndo com encarte aberto em direção a cozinha:
-O meu pai quer que tu seja igual a essa moça da revista.
...
Não é preciso dizer que foi bastante complicado para o pai explicar o contexto do enrosco onde foi proposital e precisamente colocado por uma guria de 5 anos que se limitou a rir e acompanhar a argumentação defensiva.
Folhas viradas, caretas para as receitas, sorrisos para os lançamentos de bonecas e de repente se atenta a seção de moda; folheia, consente com a cabeça, estala o muxoxo e finalmente capricha no modo garboso de dobrar a página virando-a para o pai - como sempre - distraído e profundamente absorto por uma leitura qualquer:
-O que tu acha dessa pai!?
O interlocutor tira os do livro e encara um espécime feminino com corpo de flamingo (não importa de que angulo se contemple há pernas); vestida - para não dizer camuflada - com cores de pavão; ornamentada com uma série infindável de contas, colares e pulseiras de cores incontáveis e com uma cabeleira loira esvoaçante que só se consegue em ensaios de moda e filmes sobre catástrofes naturais.
Intrigado com a pergunta e preocupado com o rumo da conversa o pai - mui inutilmente - tenta desvendar as intenções da guria:
-O que eu acho de que!?
-Dessa titia - insiste - o que tu acha!?
-É bonita...
Antes mesmo que pudesse completar qualquer raciocino ou esboço MC lenvata-se do sofá e um movimento fluído e dá por encerrada a conversa com um berro:
-Ô mãe - já correndo com encarte aberto em direção a cozinha:
-O meu pai quer que tu seja igual a essa moça da revista.
...
Não é preciso dizer que foi bastante complicado para o pai explicar o contexto do enrosco onde foi proposital e precisamente colocado por uma guria de 5 anos que se limitou a rir e acompanhar a argumentação defensiva.
quinta-feira, 26 de setembro de 2013
Só entendo brasileiro.
MC brincava no quarto com o pai quando foi interrompida pela avó com um pedido estranho:
-Amiga - diz a avó no seu tom sempre elegante - vou ao toilete, tudo bem!?
MC rapidamente gira o corpo e dispara as perguntas em modo semiautomático:
-Vai onde!? - na mesma nota e no mesmo fôlego -Posso ir junto!?
A avó paterna aponta a porta do banheiro em um gesto bastante generoso porém lento - daqueles que fazem as aeromoças quando estão no Quinto ou Sexto do Voo do Dia.
-Vou aqui ó...
Sem esperar pelo fim da demonstração das dependências do apartamento MC interrompe:
-Ah, vai no banheiro fazer xixi!? - torna semblante carregado, capricha na gravidade do tom e adverte o pai que tentava inutilmente fazer um Barbo (Barbo é a forma masculina daquela boneca famosa) ficar em pé:
-Pai, fala para sua mamãe que quem entende inglês é só você...
Ajeita-se na cama e completa:
-Eu só entendo brasileiro!
...
-Amiga - diz a avó no seu tom sempre elegante - vou ao toilete, tudo bem!?
MC rapidamente gira o corpo e dispara as perguntas em modo semiautomático:
-Vai onde!? - na mesma nota e no mesmo fôlego -Posso ir junto!?
A avó paterna aponta a porta do banheiro em um gesto bastante generoso porém lento - daqueles que fazem as aeromoças quando estão no Quinto ou Sexto do Voo do Dia.
-Vou aqui ó...
Sem esperar pelo fim da demonstração das dependências do apartamento MC interrompe:
-Ah, vai no banheiro fazer xixi!? - torna semblante carregado, capricha na gravidade do tom e adverte o pai que tentava inutilmente fazer um Barbo (Barbo é a forma masculina daquela boneca famosa) ficar em pé:
-Pai, fala para sua mamãe que quem entende inglês é só você...
Ajeita-se na cama e completa:
-Eu só entendo brasileiro!
...
terça-feira, 24 de setembro de 2013
Como são gentis...
Depois da festa; MC abria, testava, usava e abusava dos presentes.
Quando de repente de duas caixas brotam cartões de aniversário. MC os
analisa com cautela e formula uma teoria:
-Mãe, a pessoa esqueceu uma carta com o meu presente - e separando-as cuidadosamente completa - Precisamos colocar no correio.
A mãe passa os olhos nos cartões explica:
-Não filha - abrindo-os enquanto explica - elas são para você.
-Para mim!? - Espanta-se a pequena - O que elas dizem!?
A mãe as lê e explica que são desejos de felicidade, saúde e muito amor.
A guria deixa os presentes de lado, abraça as cartas como se fossem velhos e queridos amigos, suspira e comenta com um ar de senioridade e sabedoria:
-Ah, como são gentis essas pessoas!
...
-Mãe, a pessoa esqueceu uma carta com o meu presente - e separando-as cuidadosamente completa - Precisamos colocar no correio.
A mãe passa os olhos nos cartões explica:
-Não filha - abrindo-os enquanto explica - elas são para você.
-Para mim!? - Espanta-se a pequena - O que elas dizem!?
A mãe as lê e explica que são desejos de felicidade, saúde e muito amor.
A guria deixa os presentes de lado, abraça as cartas como se fossem velhos e queridos amigos, suspira e comenta com um ar de senioridade e sabedoria:
-Ah, como são gentis essas pessoas!
...
terça-feira, 17 de setembro de 2013
Que nem a do meu pai!?
MC azucrinava a casa em um padrão anarco-detrutivo comparável a um furação classe 5. A mãe desconcertada e desconcentrada intervém com uma ameaça aos planos imediatos da hecatombe miniaturizada:
-Olha aqui, mais uma vez que tu fizer essas bolhas de sabão para a Safria ficar correndo atrás e latindo eu cancelo sua festa!
-Sim, por puro e absoluto divertimento MC gosta de fazer bolhas de sabão de fronte a pobre cadela; que persegue as mesmas latindo e batendo as patas freneticamente. Quanto mais altos os latidos e a confusão mais a Prankster se diverte-
O pai absolutamente pertinente na arte de tornar ainda mais miserável a ameaça completa:
-Vou colocar agora na Internet: "Alguma criança que faça aniversário dia 17 de Setembro quer ganhar uma festa completa da Monster High?!" - faz isso fingindo que digita em uma tela de terminal
-O que!? - O semblante antes alegre logo assume contornos de tragédia, desolação e desamparo.
-Quer dizer que - já com os olhos do tamanho de bolas de golf, completamente tomados por uma súbita e inexplicável torrente de lágrimas genuinamente mexicanas - eu vou ter uma festa comum!?
Completa dramatizando o dramático:
-Sem bolo - uma fungada.
-Sem Monster High - uma fungada e uma lágrima.
-Sem meus amigos - uma fungada, uma lágrima e um acréscimo de 10% no bico:
-Uma festa pobrezinha...
E agora totalmente debulhada em lágrimas, levando as mãos ao rosto ao melhor estilo E o Vento Levou:
-Que nem a do meu pai!?
...
(O pai fez uma promessa mental no mesmo instante: Dar um verdadeiro banquete no ano seguinte)
Feliz aniversário MC! O seu cotidiano têm sido tão bom de viver quanto de contar.
Claro, que te conhece sabe que aqui não há exageros ou fantasias de um pai babão - ou bem poucas.
quinta-feira, 12 de setembro de 2013
Foi lá que eu escondi!
Durante o dia todo o pai aflito procurou por suas lentes corretivas,
chão - onde eles geralmente ficam apoiados em livros, gavetas (exceto
talvez a de cuecas e meias por achar que ele mesmo -e nem ninguém -
jamais os guardaria em tal local), armários, sob (e também sobre e até
mesmo dentro) a geladeira; pias (cozinha, banheiro, tanque), escadarias,
corredores, vizinhos, parentes -
próximos e distantes (inclusive para sua filha de 4 anos que jurou
desconhecimento total do paradeiro do objeto com ares de imaculada
inocência); mesmo aqueles que não via há alguns anos - e até mesmo
desconhecidos. Cansado - e com uma cefaleia crescente - abre a gaveta de
documentos e separa a receita para providenciar um novo par.
MC chega em casa da escola, lépida, faceira, serve-se de pão e biscoito, toma refrigerante e suco; quando dá de caras com o pai cabisbaixo e pergunta:
-Que foi pai!?
-Perdi o óculos filha...
Com um sorriso de canto de boca a guria pergunta:
-Ainda não achou!?
Vira-se sobre os calcanhares e parece ignorar o sofrimento do pai completamente. Subitamente a guria emerge do quarto com os óculos na mão esculpida em um semblante irônico e triunfante - que só pode ter sido herdado da tia por parte de pai - e pergunta:
-Por que não procurou na sua gaveta de cueca!? - tomada de uma alegria contagiante diz:
-Foi lá que eu escondi!
...
MC chega em casa da escola, lépida, faceira, serve-se de pão e biscoito, toma refrigerante e suco; quando dá de caras com o pai cabisbaixo e pergunta:
-Que foi pai!?
-Perdi o óculos filha...
Com um sorriso de canto de boca a guria pergunta:
-Ainda não achou!?
Vira-se sobre os calcanhares e parece ignorar o sofrimento do pai completamente. Subitamente a guria emerge do quarto com os óculos na mão esculpida em um semblante irônico e triunfante - que só pode ter sido herdado da tia por parte de pai - e pergunta:
-Por que não procurou na sua gaveta de cueca!? - tomada de uma alegria contagiante diz:
-Foi lá que eu escondi!
...
quarta-feira, 11 de setembro de 2013
Muitos problemas...
Confrontado com um orçamento de animação de festa infantil o pai exclama:
-P&%$-Q%$-O-P#$%^! - e adenda - Por essa grana eles tem que fazer até queima de fogos!
-Pai!- Diz a pequena em tom Cleopatral- não pode falar palavrão.
Olha para a mãe em busca de autoridade e conclama o linchamento moral:
-Mãe, briga com ele!
O pai, então, procura alguma defesa dos seus modos e abre o questionamento:
-Quem fala mais palavrão!?
MC sem titubear fustiga em certeza Feliciana:
-Minha mãe!
O pai exultante esmerilha um sorriso de vitória quando a pequena volta a carga:
-Mas ela pode... - pega na mão da mãe em absoluto gesto de solidariedade e compreensão feminina:
-...ela tem muitos problemas!
...
-P&%$-Q%$-O-P#$%^! - e adenda - Por essa grana eles tem que fazer até queima de fogos!
-Pai!- Diz a pequena em tom Cleopatral- não pode falar palavrão.
Olha para a mãe em busca de autoridade e conclama o linchamento moral:
-Mãe, briga com ele!
O pai, então, procura alguma defesa dos seus modos e abre o questionamento:
-Quem fala mais palavrão!?
MC sem titubear fustiga em certeza Feliciana:
-Minha mãe!
O pai exultante esmerilha um sorriso de vitória quando a pequena volta a carga:
-Mas ela pode... - pega na mão da mãe em absoluto gesto de solidariedade e compreensão feminina:
-...ela tem muitos problemas!
...
segunda-feira, 9 de setembro de 2013
Não Mistura.
MC não esperou os cumprimentos usuais e fez uso do controle remoto para
assistir ao seu canal favorito, sentou-se no sofá do avô, cruzou as
pernas como um velho pajé, entrelaçou os braços como um velho urso e
fechou a cara como um velho buldogue. O anfitrião prestativo vem ao
resgate:
-O que foi filha - e chegando-se mais continuou - por que essa cara!?
-Ninguém brinca comigo - fustigou sem pena e sem pensamento.
-Seu pai não brincou contigo!?
Sem mover um músculo além dos necessários para emitir uma monossilaba MC voltou a carga:
-Não.
O senhor então torceu o bico e disse tentando carregar a voz:
-Vou AGORA mesmo brigar com seu pai!
Como se despertada de um sono ou mesmo um transe a pequena encara-o com os olhos de bola de gude faiscando:
-Quem você pensa que é para brigar com o meu pai?
(O Objeto da conversa que por ali passava, confessa: sentiu-se absolutamente feliz por estar sendo defendido)
E sem esperar pelas considerações do interlocutor pergunta:
-Ele é seu filho!?
-Não... - balbucia o avô
E no melhor estilo pequena Nascimento interrompe:
-Quem é sua filha!? - Em tom inquisitivo suficientemente bom para colocar em cheque o mais convicto prisioneiro de Guantánamo.
-Minha filha...!? - Titubeia o avô.
Segura, MC volta a carga:
-Quem é sua filha!?
O avô visivelmente incomodado responde hesitante:
-Sua mãe...
Proficiente nas técnicas Fausto Silva de entrevista a guria irrompe:
-Então, você só pode brigar com a SUA filha.
E apaga o derradeiro traço da autoridade grã paterna com um tiro de misericórdia:
-Não mistura as coisas!
...
O avô ia se retirando com a derrota nos pesando-lhe nos ombros quando MC o chama e sem sobrecarregar os músculos do pescoço para olhá-lo, diz:
-Eu já pedi para a vó Soli brigar com ele!
...
(O Objeto da conversa que por ali passava, confessa: ficou feliz com o restabelecimento do senso de normalidade.)
-O que foi filha - e chegando-se mais continuou - por que essa cara!?
-Ninguém brinca comigo - fustigou sem pena e sem pensamento.
-Seu pai não brincou contigo!?
Sem mover um músculo além dos necessários para emitir uma monossilaba MC voltou a carga:
-Não.
O senhor então torceu o bico e disse tentando carregar a voz:
-Vou AGORA mesmo brigar com seu pai!
Como se despertada de um sono ou mesmo um transe a pequena encara-o com os olhos de bola de gude faiscando:
-Quem você pensa que é para brigar com o meu pai?
(O Objeto da conversa que por ali passava, confessa: sentiu-se absolutamente feliz por estar sendo defendido)
E sem esperar pelas considerações do interlocutor pergunta:
-Ele é seu filho!?
-Não... - balbucia o avô
E no melhor estilo pequena Nascimento interrompe:
-Quem é sua filha!? - Em tom inquisitivo suficientemente bom para colocar em cheque o mais convicto prisioneiro de Guantánamo.
-Minha filha...!? - Titubeia o avô.
Segura, MC volta a carga:
-Quem é sua filha!?
O avô visivelmente incomodado responde hesitante:
-Sua mãe...
Proficiente nas técnicas Fausto Silva de entrevista a guria irrompe:
-Então, você só pode brigar com a SUA filha.
E apaga o derradeiro traço da autoridade grã paterna com um tiro de misericórdia:
-Não mistura as coisas!
...
O avô ia se retirando com a derrota nos pesando-lhe nos ombros quando MC o chama e sem sobrecarregar os músculos do pescoço para olhá-lo, diz:
-Eu já pedi para a vó Soli brigar com ele!
...
(O Objeto da conversa que por ali passava, confessa: ficou feliz com o restabelecimento do senso de normalidade.)
quinta-feira, 5 de setembro de 2013
Fazia anos...
08:30 - Check-up da manhã; o pai sonado levanta da bicama e começa as
averiguações de rotina da pequena: a coberta está enrolada na boneca, os
travesseiros empilhados no chão e a pequena atravessada no sentido
oposto ao Universalmente aceito como sendo a posição otimizada para o
uso de um colchão. Subitamente o pai lembra-se que ignorou o alarme das
07:00 e tateia o colchão; ainda mais subitamente a pequena semi-serra os olhos, semi-ergue o corpo e semi-pergunta:
-Quem mijou na minha cama!?
O pai já verificando o estado das roupas responde a pergunta da maneira peculiar:
-Filha, as possibilidades são bastante restritas - e já preparando uma troca de roupa continua - Será que foi a Safria!?
-Fui eu quem mijei!? - pergunta a mijenta já mostrando irritação.
-Não tem problema... - responde o pai enquanto voltava da comoda com a muda de roupa.
-Droga - exclama a pequena enquanto desferia um golpe com o punho cerrado contra a área úmida do colchão!
-Fazia anos que eu não mijava na cama.
...
-Quem mijou na minha cama!?
O pai já verificando o estado das roupas responde a pergunta da maneira peculiar:
-Filha, as possibilidades são bastante restritas - e já preparando uma troca de roupa continua - Será que foi a Safria!?
-Fui eu quem mijei!? - pergunta a mijenta já mostrando irritação.
-Não tem problema... - responde o pai enquanto voltava da comoda com a muda de roupa.
-Droga - exclama a pequena enquanto desferia um golpe com o punho cerrado contra a área úmida do colchão!
-Fazia anos que eu não mijava na cama.
...
terça-feira, 3 de setembro de 2013
Encorajamento
A avó materna padece de uma crise intensa de tosse induzida pelo
consumo abusivo de nicotina. Acostumada desde sempre, MC ignora o rosto
vermelho e o clara intenção da avó de colocar os pulmões para arejar e
parte para um lanche:
-Maria Clara - chama a avó entre tossidelas mais brandas.
-Qui é! - responde a pequena garfando o último pedaço de torta.
-Vem aqui que a vó vai te prometer uma coisa.
-É doce!? - Pergunta MC sem sequer levantar olhos do último morango caramelizado.
-Vem aqui por favor Maria Clara - murmura a avó alternando entre mais tossidelas e rufadas que lembram o grito de acasalamento dos gorilas de Bornéu. MC absolutamente contrariada levanta e vai atender ao chamado da avó. Com o maço de cigarros na mão a avó começa um discurso profundo e absolutamente verdadeiro - daqueles onde a gente diz o que realmente sente:
-Tá vendo essa M%$&@ aqui!? A vó nunca mais vai fumar essa P*&%%@! Essa B*&%$ só faz mal e a vó vai prometer que nunca mais fuma essa B*&$%.
MC atenta e com os olhos fixos na avó estende a mãozinha até a da senhora, suspira e -quando todos esperavam uma frase de encorajamento sincera - comenta sem muita emoção:
-Podia para também com o palavrão, né vó!?
...
-Maria Clara - chama a avó entre tossidelas mais brandas.
-Qui é! - responde a pequena garfando o último pedaço de torta.
-Vem aqui que a vó vai te prometer uma coisa.
-É doce!? - Pergunta MC sem sequer levantar olhos do último morango caramelizado.
-Vem aqui por favor Maria Clara - murmura a avó alternando entre mais tossidelas e rufadas que lembram o grito de acasalamento dos gorilas de Bornéu. MC absolutamente contrariada levanta e vai atender ao chamado da avó. Com o maço de cigarros na mão a avó começa um discurso profundo e absolutamente verdadeiro - daqueles onde a gente diz o que realmente sente:
-Tá vendo essa M%$&@ aqui!? A vó nunca mais vai fumar essa P*&%%@! Essa B*&%$ só faz mal e a vó vai prometer que nunca mais fuma essa B*&$%.
MC atenta e com os olhos fixos na avó estende a mãozinha até a da senhora, suspira e -quando todos esperavam uma frase de encorajamento sincera - comenta sem muita emoção:
-Podia para também com o palavrão, né vó!?
...
sexta-feira, 30 de agosto de 2013
SRCP-007
MC consternada - e não conformada - com uma leve palmada que levou do
pai submete do formulário SRCP-007: Solicitação de Readequação de
Conduta Paterna:
-Mãe - com ares de heroína sofrida de Janet Austin - conversa com o meu pai.
-O que foi filha.
Uma respirada funda, um bufo e enfim a explicação:
-Ontem ele deu uma palmada no meu cofrinho. Explica para ele que é na bunda - mais uma respirada e um bufo - e com a calça.
-Filha - responde a mãe tentando mudar as perspectiva dos fatos - tu não prefere não apanhar!?
MC pensa, reflete, pondera e analisa em 1 segundo e dispara:
-Mãe, só explica que é para não bater no cofrinho.
...
-Mãe - com ares de heroína sofrida de Janet Austin - conversa com o meu pai.
-O que foi filha.
Uma respirada funda, um bufo e enfim a explicação:
-Ontem ele deu uma palmada no meu cofrinho. Explica para ele que é na bunda - mais uma respirada e um bufo - e com a calça.
-Filha - responde a mãe tentando mudar as perspectiva dos fatos - tu não prefere não apanhar!?
MC pensa, reflete, pondera e analisa em 1 segundo e dispara:
-Mãe, só explica que é para não bater no cofrinho.
...
sábado, 17 de agosto de 2013
Tu Consegue!?
MC apreciava um lanche feito em escala industrial enquanto o pai tomava
um café feito sob os mesmos moldes. Subitamente ela suspende as
dentadas e pergunta olhando o pai nos olhos:
-Tu consegue pai!?
O pai sem prestar a devida atenção revoltado com o fato de ser permitido a um estabelecimento vender extrato de graxa como fosse café; responde desinteressado:
-Consigo o que filha!?
MC aponta um sujeito daqueles que tu fica com medo de deixar sair em um dia de ventania e perde-lo para sempre e diz:
-Tu consegue ficar magro daquele jeito!?
O pai se vira discretamente tanto quanto a física, a gravidade e a realidade o permitem, contempla o sujeito em questão e constrangido diz:
-Filha, assim eu acho que não - engole seco e pergunta: Quer que o papai fique magrinho!?
MC volta a atenção a carne processada e ainda mastigando menia com a cabeça. O pai então busca entender se a gravidade do tom da pequena recai sobre toda a família:
-E sua mãe!? - Tentando manter a serenidade e segurar as lágrimas.
MC balança a cabeça em negativa, engole um pedaço de pão e fustiga:
-Não, minha mãe é lindona!
...
-Tu consegue pai!?
O pai sem prestar a devida atenção revoltado com o fato de ser permitido a um estabelecimento vender extrato de graxa como fosse café; responde desinteressado:
-Consigo o que filha!?
MC aponta um sujeito daqueles que tu fica com medo de deixar sair em um dia de ventania e perde-lo para sempre e diz:
-Tu consegue ficar magro daquele jeito!?
O pai se vira discretamente tanto quanto a física, a gravidade e a realidade o permitem, contempla o sujeito em questão e constrangido diz:
-Filha, assim eu acho que não - engole seco e pergunta: Quer que o papai fique magrinho!?
MC volta a atenção a carne processada e ainda mastigando menia com a cabeça. O pai então busca entender se a gravidade do tom da pequena recai sobre toda a família:
-E sua mãe!? - Tentando manter a serenidade e segurar as lágrimas.
MC balança a cabeça em negativa, engole um pedaço de pão e fustiga:
-Não, minha mãe é lindona!
...
sábado, 10 de agosto de 2013
Com a minha boca.
MC feliz de estar em casa, liga do videogame, pega dois controles e chama e conclama o pai para uma partida:
-Tá pronto - diz lançando o bólido branco ao sofá - Vamos começar!
Escolhe o jogo segundo seu próprio gosto e começa a diversão segundo ela mesma:
-Adoro esse jogo. Você também vai amar!
Continua quase sem respirar:
-Dá para trocar de roupa, pulseira, colar, plantar flores, tocar música, encontrar princesas, fazer missões.
Começa a mover a personagem e dispara:
-Ai, é tão maravilhoso!
E encarando o pai pergunta:
-Não quer trocar o estilo da sua princesa!? Tem de cor morena, cabelo liso, cabelo cacheado, loira, de cabelo vermelho. Tem tiara, tem laço - e em velocidade 5 do raciocino infantil continua - Ah, eu já disse que tem princesas!?
Dá uma longa e profunda respirada e fustiga:
-Pai, tu não fala!?
O pai um pouco cínico confessa:
-Não, tu fala por nós dois.
MC dá uma gargalhada e condena o raso conhecimento de anatomia humana do pai:
-Mãe, meu pai tá louco - gargalhando - Ele disse que eu falo com a boca dele.
Abre a boca em modo bocejo de hipopótamo e explica:
-Eu só falo com a minha boca. Ó!
...
-Tá pronto - diz lançando o bólido branco ao sofá - Vamos começar!
Escolhe o jogo segundo seu próprio gosto e começa a diversão segundo ela mesma:
-Adoro esse jogo. Você também vai amar!
Continua quase sem respirar:
-Dá para trocar de roupa, pulseira, colar, plantar flores, tocar música, encontrar princesas, fazer missões.
Começa a mover a personagem e dispara:
-Ai, é tão maravilhoso!
E encarando o pai pergunta:
-Não quer trocar o estilo da sua princesa!? Tem de cor morena, cabelo liso, cabelo cacheado, loira, de cabelo vermelho. Tem tiara, tem laço - e em velocidade 5 do raciocino infantil continua - Ah, eu já disse que tem princesas!?
Dá uma longa e profunda respirada e fustiga:
-Pai, tu não fala!?
O pai um pouco cínico confessa:
-Não, tu fala por nós dois.
MC dá uma gargalhada e condena o raso conhecimento de anatomia humana do pai:
-Mãe, meu pai tá louco - gargalhando - Ele disse que eu falo com a boca dele.
Abre a boca em modo bocejo de hipopótamo e explica:
-Eu só falo com a minha boca. Ó!
...
domingo, 4 de agosto de 2013
All Night Long
MC animadíssima:
-Vai trabalhar a noite inteira, né pai!?
O pai não tão animado e já ligando a cafeteira responde:
-Vou sim filha...
-Oba - grita MC entusiasmada.
Gira sobre a própria sombra, corre para o quarto e anuncia e m bom tom:
-Vem logo que tem muita brincadeira para a gente fazer.
...
quinta-feira, 18 de julho de 2013
Tudo Certo!
Confrontada com uma inusitada - e rara - reunião dos avós paternos MC sorri para o pai e diz em tom confortante:
-Pai, agora tá tudo certo. Tu tem pai e mãe.
...
sexta-feira, 5 de julho de 2013
Minha mãe não tem dinheiro...
Dia de comprar um vestido novo - é claro que não faltam vestidos no repertório da pequena; e é claro que mais um é sempre muito bem-vindo.
MC escolhe um lindo vestido verde com longas e esvoaçantes mangas inteiramente salpicado com bolinhas de cor branca. Devidamente vestida e convencida a sair da loja com a nova aquisição MC emoldura um sorriso digno de retrato. Quando então a vendedora dá uma dica de estilo:
-Sabe!? - diz em tom alegre - Esse vestido ficaria lindo com uma bota...
MC desfaz o sorriso, esculpe um bico bastante caprichado, olha para os próprios pés e deságua auto-piedade:
-Minha mãe não tem dinheiro para me comprar uma bota...
O que imediatamente arranca olhares furiosos de todos os vendedores e clientes da loja em direção a mãe.
Imediatamente a mãe constrangida entra furiosa na loja de sapatos adjacente e adquire um par de botas para a pequena sofrida.
MC travestida em alegria passa pela loja de vestidos e grita para a vendedora exibindo o calçado:
-Tia, olha o que eu ganhei!
...
MC escolhe um lindo vestido verde com longas e esvoaçantes mangas inteiramente salpicado com bolinhas de cor branca. Devidamente vestida e convencida a sair da loja com a nova aquisição MC emoldura um sorriso digno de retrato. Quando então a vendedora dá uma dica de estilo:
-Sabe!? - diz em tom alegre - Esse vestido ficaria lindo com uma bota...
MC desfaz o sorriso, esculpe um bico bastante caprichado, olha para os próprios pés e deságua auto-piedade:
-Minha mãe não tem dinheiro para me comprar uma bota...
O que imediatamente arranca olhares furiosos de todos os vendedores e clientes da loja em direção a mãe.
Imediatamente a mãe constrangida entra furiosa na loja de sapatos adjacente e adquire um par de botas para a pequena sofrida.
MC travestida em alegria passa pela loja de vestidos e grita para a vendedora exibindo o calçado:
-Tia, olha o que eu ganhei!
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domingo, 23 de junho de 2013
Tô treinando...
-Mãe princesa faz pum!?
Pergunta a pequena enquanto todos proseavam na cozinha.
Para não inibir as necessidades fisiológicas da pequena a mãe opta pelo politicamente correto e responde:
-Claro filha! - diz com um sorriso - Só que as princesas fazem pum no banheiro.
MC confabula com ela mesma e parece esquecer o assunto:
Tempo depois o som de um traque alto, retumbante, sonoro e longo enche a cozinha.
MC sorri e sem qualquer constrangimento explica:
-Não deu tempo de correr para o banheiro.
Completa justificando o deslize:
-Tô treinando ainda!
...
Pergunta a pequena enquanto todos proseavam na cozinha.
Para não inibir as necessidades fisiológicas da pequena a mãe opta pelo politicamente correto e responde:
-Claro filha! - diz com um sorriso - Só que as princesas fazem pum no banheiro.
MC confabula com ela mesma e parece esquecer o assunto:
Tempo depois o som de um traque alto, retumbante, sonoro e longo enche a cozinha.
MC sorri e sem qualquer constrangimento explica:
-Não deu tempo de correr para o banheiro.
Completa justificando o deslize:
-Tô treinando ainda!
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quarta-feira, 29 de maio de 2013
Manutenção
-Pai - grita a pequena no chuveiro com ares de desespero!
-Pai - grita um pouco mais agoniada - Minha periquita tá ardendo!
-Lava - grita já chorosa - Lava por favor!
O pai se esforça o intento mas é imediatamente reprovado:
-Não é assim pai! - diz a pequena em tom sério e pergunta desconcertada - Não sabe lavar uma periquita, não!?
-Olha filha o meu conhecimento de periquitas se resume ao uso recreacional; para perguntas sobre a manutenção e conservação tu vais ter de falar com a sua mãe.
...
-Pai - grita um pouco mais agoniada - Minha periquita tá ardendo!
-Lava - grita já chorosa - Lava por favor!
O pai se esforça o intento mas é imediatamente reprovado:
-Não é assim pai! - diz a pequena em tom sério e pergunta desconcertada - Não sabe lavar uma periquita, não!?
-Olha filha o meu conhecimento de periquitas se resume ao uso recreacional; para perguntas sobre a manutenção e conservação tu vais ter de falar com a sua mãe.
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domingo, 26 de maio de 2013
Melhor Filha!
Dia de mudar os móveis - a segunda atividade que a mãe mais gosta; logo depois de ir ao supermercado.
MC atenta a tudo ajuda na arrumação do quarto. Dado momento a guria se atenta a uma coleção de fracos coloridos em formatos variados:
-Mãe! - exclama a planos pulmões - O que é isso!?
Atenta ao realinhamento cósmico-carmico das energias do ambiente a matriarca dá pouca atenção ao chamado da guria:
-Isso o que filha!?
MC maravilhada como uma pequena Ali Babá que achou sua própria caverna de tesouros ela regozija:
-Essa caixa de perfume - diz com os olhos brilhantes. Onde estava isso!?
-Guardada! - Diz a mãe em tom firme deixando a entender claramente de quem tal tesouro estava guardado por tanto tempo.
MC subitamente muda a fisionomia, desfralda o bico como uma bandeira sinalizando decepção e desabafa:
-Você escondeu isso por todo esse tempo!? - Pergunta como quem descobre um grave segredo de família.
Antes que a mãe pudesse engendrar algo MC fustiga:
-Escondeu de mim... - com a mão levada ao peito e o ar teatral que a caracteriza.
-Sua melhor filha!?
...
MC atenta a tudo ajuda na arrumação do quarto. Dado momento a guria se atenta a uma coleção de fracos coloridos em formatos variados:
-Mãe! - exclama a planos pulmões - O que é isso!?
Atenta ao realinhamento cósmico-carmico das energias do ambiente a matriarca dá pouca atenção ao chamado da guria:
-Isso o que filha!?
MC maravilhada como uma pequena Ali Babá que achou sua própria caverna de tesouros ela regozija:
-Essa caixa de perfume - diz com os olhos brilhantes. Onde estava isso!?
-Guardada! - Diz a mãe em tom firme deixando a entender claramente de quem tal tesouro estava guardado por tanto tempo.
MC subitamente muda a fisionomia, desfralda o bico como uma bandeira sinalizando decepção e desabafa:
-Você escondeu isso por todo esse tempo!? - Pergunta como quem descobre um grave segredo de família.
Antes que a mãe pudesse engendrar algo MC fustiga:
-Escondeu de mim... - com a mão levada ao peito e o ar teatral que a caracteriza.
-Sua melhor filha!?
...
terça-feira, 21 de maio de 2013
Esparramada...
Dia destes MC ansiosa que é estava apressando a família para uma excursão à ao Planalto Paulista:
-Quem falta ficar pronto!? - pergunta em tom sério - O gelo do Mickey vai derreter assim...
-Tia Marilelne - Grita a mãe da cozinha. Deixa eu ligar para ela.
A mãe disca o número e dá o telefone na mão da pequena:
-Tia Marilene!? - em tom severo - Tá pronta!? O gelo do Mickey vai derreter...
-Podem vir - diz a Tia do outro lado - E sua avó, tá ai!?
MC contempla figura da figura da avó que era um misto de diva renascentista e natureza morta realista , bufa e não perdoa:
-Tá sim... - diz a pequena sem muita emoção.
-...esparramada no sofá!
...
-Quem falta ficar pronto!? - pergunta em tom sério - O gelo do Mickey vai derreter assim...
-Tia Marilelne - Grita a mãe da cozinha. Deixa eu ligar para ela.
A mãe disca o número e dá o telefone na mão da pequena:
-Tia Marilene!? - em tom severo - Tá pronta!? O gelo do Mickey vai derreter...
-Podem vir - diz a Tia do outro lado - E sua avó, tá ai!?
MC contempla figura da figura da avó que era um misto de diva renascentista e natureza morta realista , bufa e não perdoa:
-Tá sim... - diz a pequena sem muita emoção.
-...esparramada no sofá!
...
segunda-feira, 13 de maio de 2013
Noite fora...
MC e os pais foram a casa de um casal de grandes amigos - Carol e Vilarinho - para uma noite de pizza e bate-papo.
Contagiada pela liberdade magicamente concedida a qualquer criança em uma casa sem crianças MC abusou
Começou redecorando a sala - não só uma, não só duas mas vezes o suficiente para a dona no imóvel não poder mais lembrar de como a sala realmente era.
Servido o jantar MC em vista do generoso pedaço de pizza no prato se apressa em perguntar:
-Tia Carol, tem cebola!?
Carol amorosa prepara uma explicação bastante sutil sobre a necessidade de cebolas:
-Tem...
MC considerando a pergunta respondida e ignorando a justificativa:
-Eu odeio cebola - completando secamente:
-Não vou comer!
...
Desce do banco e volta para a sala para continuar redecorando. Com o o puf, algumas almofadas e uma banqueta faz um forte com direito a ponte levadiça e corre por sobre ele com excepcional desenvoltura. Para desesperos dos pais que não podiam repreende-la de maneira efetiva. Aquela maneira que as crianças do tipo MC entendem; o tradicional, clássico e infalível berro!
Finalmente satisfeita em tornar a sala um campo de escombros MC volta sua atenção a mesa. Imbuída talvez da ausência de caninos no recinto resolve fazer as vezes de um. Arrasta-se sob a mesa indo de um lado para o outro entre as pernas dos convidados. Safa-se por duas vezes do pai que tenta agarra-la com uma tesoura. Entendendo então que a brincadeira tinha parceiros morde a barra da calça do pai e começa a sacudi-la freneticamente:
-Maria Clara - diz o pai segurando o tom - filha! Tu não é cachorro.
-Grrr - vem a resposta de debaixo da mesa.
-Filha, eu não vou pedir mais uma vez... - diz o pai na esperança que o tom autoritário faça algum efeito.
Subitamente os puxões param e o pai sente-se feliz, aliviado e possuidor de firme voz de comando. Quando subitamente o anfitrião engasga com um copo de cerveja. Todos na mesa se assustam até que ele embaraçado diz a causa do engasgo:
-Maria Clara - diz em tom cordial - não morde o tio não.
...
Agora querendo a validação das mudanças no ambiente chama a anfitriã para deitar no sofá:
-Tia, tia - diz a pequena puxando suas mangas - vem ver o que eu fiz no seu sofá.
-Calma - diz Carol em tom carinhoso - eu ainda não terminei de comer...
MC pouco antenada com as necessidades fisiológicas alheia estala o muxoxo:
-Falta muito!?
Antes que pudesse elaborar qualquer comentário Carol é atropelada pela impaciência da guria:
-Só vai comer mais isso, né!? - Apontando para o que ainda havia no prato.
...
Terminado o jantar MC volta sua atenção a enterrar o anfitrião em pilhas de almofadas e ursinhos de pelúcia. Batendo, empurrando e pulando sobre o pacato sujeito. Em uma corrida em torno do puf aciona o turbo; primeiro um traque tímido que só os pais percebem, dois passos depois um pum um pouco mais audível e finalmente - de frente ao rosto do já combalido Villa - um daqueles que pode ser confundido com a partida de uma moto de baixa cilindrada; vira de costas, abana as evidências em direção ao rosto do anfitrião e se declara culpada:
-Fiz pum!
...
Contagiada pela liberdade magicamente concedida a qualquer criança em uma casa sem crianças MC abusou
Começou redecorando a sala - não só uma, não só duas mas vezes o suficiente para a dona no imóvel não poder mais lembrar de como a sala realmente era.
Servido o jantar MC em vista do generoso pedaço de pizza no prato se apressa em perguntar:
-Tia Carol, tem cebola!?
Carol amorosa prepara uma explicação bastante sutil sobre a necessidade de cebolas:
-Tem...
MC considerando a pergunta respondida e ignorando a justificativa:
-Eu odeio cebola - completando secamente:
-Não vou comer!
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Desce do banco e volta para a sala para continuar redecorando. Com o o puf, algumas almofadas e uma banqueta faz um forte com direito a ponte levadiça e corre por sobre ele com excepcional desenvoltura. Para desesperos dos pais que não podiam repreende-la de maneira efetiva. Aquela maneira que as crianças do tipo MC entendem; o tradicional, clássico e infalível berro!
Finalmente satisfeita em tornar a sala um campo de escombros MC volta sua atenção a mesa. Imbuída talvez da ausência de caninos no recinto resolve fazer as vezes de um. Arrasta-se sob a mesa indo de um lado para o outro entre as pernas dos convidados. Safa-se por duas vezes do pai que tenta agarra-la com uma tesoura. Entendendo então que a brincadeira tinha parceiros morde a barra da calça do pai e começa a sacudi-la freneticamente:
-Maria Clara - diz o pai segurando o tom - filha! Tu não é cachorro.
-Grrr - vem a resposta de debaixo da mesa.
-Filha, eu não vou pedir mais uma vez... - diz o pai na esperança que o tom autoritário faça algum efeito.
Subitamente os puxões param e o pai sente-se feliz, aliviado e possuidor de firme voz de comando. Quando subitamente o anfitrião engasga com um copo de cerveja. Todos na mesa se assustam até que ele embaraçado diz a causa do engasgo:
-Maria Clara - diz em tom cordial - não morde o tio não.
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Agora querendo a validação das mudanças no ambiente chama a anfitriã para deitar no sofá:
-Tia, tia - diz a pequena puxando suas mangas - vem ver o que eu fiz no seu sofá.
-Calma - diz Carol em tom carinhoso - eu ainda não terminei de comer...
MC pouco antenada com as necessidades fisiológicas alheia estala o muxoxo:
-Falta muito!?
Antes que pudesse elaborar qualquer comentário Carol é atropelada pela impaciência da guria:
-Só vai comer mais isso, né!? - Apontando para o que ainda havia no prato.
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Terminado o jantar MC volta sua atenção a enterrar o anfitrião em pilhas de almofadas e ursinhos de pelúcia. Batendo, empurrando e pulando sobre o pacato sujeito. Em uma corrida em torno do puf aciona o turbo; primeiro um traque tímido que só os pais percebem, dois passos depois um pum um pouco mais audível e finalmente - de frente ao rosto do já combalido Villa - um daqueles que pode ser confundido com a partida de uma moto de baixa cilindrada; vira de costas, abana as evidências em direção ao rosto do anfitrião e se declara culpada:
-Fiz pum!
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quarta-feira, 8 de maio de 2013
Pede de volta!
Voltando da escola a mãe animada pergunta sobre a apresentação em sua homenagem:
-E então filha - pergunta discretamente - já ensaiou para a festa do dia das Mães!?
MC franze a testa, entorta o beiço e despeja:
-Mãe - resoluta de convicta - eu não quero dançar!
-Por que filha - pergunta a mãe um pouco desapontada.
-Eu não gosto de dançar.
-Mas filha... - tenta a mãe convencer a filha com métodos menos ortodoxos - eu já paguei a festa.
MC não desfaz a cara insatisfeita, capricha no muxoxo e advoga em causa própria:
-Mãe, pede o dinheiro de volta!
Respira um pouco e completa
-Vamos guardar para a Disney!
...
-E então filha - pergunta discretamente - já ensaiou para a festa do dia das Mães!?
MC franze a testa, entorta o beiço e despeja:
-Mãe - resoluta de convicta - eu não quero dançar!
-Por que filha - pergunta a mãe um pouco desapontada.
-Eu não gosto de dançar.
-Mas filha... - tenta a mãe convencer a filha com métodos menos ortodoxos - eu já paguei a festa.
MC não desfaz a cara insatisfeita, capricha no muxoxo e advoga em causa própria:
-Mãe, pede o dinheiro de volta!
Respira um pouco e completa
-Vamos guardar para a Disney!
...
domingo, 28 de abril de 2013
Xixi para dentro
Começo de manhã - a mãe sente a cama úmida porém quente; oque denuncia que o vazamento não é no teto:
-Filha!? - pergunta a mãe sonolenta - Por que não pediu para fazer xixi!?
A pequena esfregando os olhos diz em tom triste:
-Eu não consegui mãe...
A mãe em prol da autoestima da guria nem espera terminar:
-Não tem problema - diz abraçando a filha - dá próxima...
MC ainda sonolenta interrompe:
-Não mãe - lutando para manter um olho aberto - eu seu pedir para fazer xixi.
-O que tu não conseguiu então filha - pergunta a mãe agora curiosa.
-Fazer xixi para dentro!
...
-Filha!? - pergunta a mãe sonolenta - Por que não pediu para fazer xixi!?
A pequena esfregando os olhos diz em tom triste:
-Eu não consegui mãe...
A mãe em prol da autoestima da guria nem espera terminar:
-Não tem problema - diz abraçando a filha - dá próxima...
MC ainda sonolenta interrompe:
-Não mãe - lutando para manter um olho aberto - eu seu pedir para fazer xixi.
-O que tu não conseguiu então filha - pergunta a mãe agora curiosa.
-Fazer xixi para dentro!
...
sábado, 27 de abril de 2013
Me incomoda
Tarde da noite ou cedo do dia - quem é da madrugada entende os meandros de uma noite mal dormida. MC confabula com papéis e canetas enquanto o pai luta para manter os olhos fixos - e ao mesmo tempo abertos - na TV. MC alerta das cercanias pergunta:
-Que bebe é esse!?
O pai cheio de sono e vazio de imaginação responde:
-É uma das suas bonecas:
-Não pai! - Responde MC cheia de certeza:
-Esse que está chorando.
O pai ainda nas condições acima descritas e lutando para manter as pálpebras alinhadas replica:
-Eu devo estar deitado em cima de uma delas...
MC desperta e alerta tenta trazer o pai à realidade:
-Não pai! Um bebe de verdade e está chorando.
Apurando um pouco os sentidos o pai realmente confira um choro de bebe ao longe e responde:
-Verdade filha! Ele deve estar com fome...
MC sem qualquer compaixão com o companheiro de infância delibera:
-Ele podia parar de chorar, né1?
-Tadinho filha - intervém o pai tentando fazer brotar empatia nas declarações da pequena! Ele é pequeno e ainda não sabe falar...
A metódica desenhista sem levantar os olhos, ignora os argumentos e coloca para fora sua opinião:
-Me incomoda.
...
Falou com propriedade quem atormentou - e atormenta - a vizinhança com canais infantis, chororos e fazendo macaquices diversas madrugada à fora!
-Que bebe é esse!?
O pai cheio de sono e vazio de imaginação responde:
-É uma das suas bonecas:
-Não pai! - Responde MC cheia de certeza:
-Esse que está chorando.
O pai ainda nas condições acima descritas e lutando para manter as pálpebras alinhadas replica:
-Eu devo estar deitado em cima de uma delas...
MC desperta e alerta tenta trazer o pai à realidade:
-Não pai! Um bebe de verdade e está chorando.
Apurando um pouco os sentidos o pai realmente confira um choro de bebe ao longe e responde:
-Verdade filha! Ele deve estar com fome...
MC sem qualquer compaixão com o companheiro de infância delibera:
-Ele podia parar de chorar, né1?
-Tadinho filha - intervém o pai tentando fazer brotar empatia nas declarações da pequena! Ele é pequeno e ainda não sabe falar...
A metódica desenhista sem levantar os olhos, ignora os argumentos e coloca para fora sua opinião:
-Me incomoda.
...
Falou com propriedade quem atormentou - e atormenta - a vizinhança com canais infantis, chororos e fazendo macaquices diversas madrugada à fora!
quarta-feira, 24 de abril de 2013
Báskara
MC está naquela fase em que a escola é o maior dos calvários; em meio a um ataque de birrice em plena manhã de sábado - há pelo menos dois dias distante de qualquer demanda escolar a pequena profetiza:
-Eu nunca mais vou para a escola - franze o cenho, cruza os braços, engrossa a voz e declara solene:
-Nunca mais! Entenderam!?
Pai, mãe e avó exaltam as positividades da escola de todas as maneiras possíveis - e tudo é em vão. O pai então resolve tentar embutir um pouco de curiosidade na guria:
-Na escola tu vai aprender um monte de coisa legal: ler, escrever e - tentando fazer com que tal desafio perdure até, pelo menos, o colegial - quem foi Báskara...
A mãe e a avó imediatamente caem na risada porém a pequena não recua:
-Eu já sei tudo isso - explica resignada. Sei ler, sei escrever e esse ai... - olha para o pai com canto dos olhos - quem mesmo!?
-Báskara - responde o pai completando - Quem foi Báskara, então!?
Sem pestanejar, sem vacilar e - acho eu - sem pensar fuzila:
-Uma baleia de máscara!
...
-Eu nunca mais vou para a escola - franze o cenho, cruza os braços, engrossa a voz e declara solene:
-Nunca mais! Entenderam!?
Pai, mãe e avó exaltam as positividades da escola de todas as maneiras possíveis - e tudo é em vão. O pai então resolve tentar embutir um pouco de curiosidade na guria:
-Na escola tu vai aprender um monte de coisa legal: ler, escrever e - tentando fazer com que tal desafio perdure até, pelo menos, o colegial - quem foi Báskara...
A mãe e a avó imediatamente caem na risada porém a pequena não recua:
-Eu já sei tudo isso - explica resignada. Sei ler, sei escrever e esse ai... - olha para o pai com canto dos olhos - quem mesmo!?
-Báskara - responde o pai completando - Quem foi Báskara, então!?
Sem pestanejar, sem vacilar e - acho eu - sem pensar fuzila:
-Uma baleia de máscara!
...
segunda-feira, 22 de abril de 2013
Crise Existencial Aguda!
MC revoltada se entra no banheiro fecha a porta senta, abaixa a tampa e
senta-se de pernas cruzadas, cara de poucos amigos e braços fortemente
cruzados sobre o corpo. A casa subitamente quieta desperta a curiosidade
e preocupação da mãe; ao encontrá-la surge a inevitável pergunta:
-Tá fazendo o que aqui filha!?
MC sisuda, séria e absolutamente resoluta responde:
-Fugindo!
-Fugindo de que filha!? - pergunta a mãe segurando a risada.
-Do meu pai... - e engatando o choro termina!
-...ele me trata como um bebe retardado!
...
-Tá fazendo o que aqui filha!?
MC sisuda, séria e absolutamente resoluta responde:
-Fugindo!
-Fugindo de que filha!? - pergunta a mãe segurando a risada.
-Do meu pai... - e engatando o choro termina!
-...ele me trata como um bebe retardado!
...
sábado, 20 de abril de 2013
Romera Grita
Em meio a uma sessão frenética de pintura MC resolve questionar seu crítico, empresário, mecenas e pai:
-Tu gosta mesmo dos meus desenhos, Fe!?
O pai surpreendido com a pergunta redundante:
-Claro que gosto filha.
MC ainda colorindo um galinho-octopus - inspirando em um monstro de video game - volta à carga:
-Tu acha que eu posso ser muito boa em desenho!?
O pai certo de coração que a filha pode se o que quiser confirma:
-Claro que pode filha - diz no melhor estilo de famoso educador nipônico:
-Tu pode ser o que quiser!
MC levanta os olhos brilhantes, cinzentos e cheios de empolgação e fuzila:
-Eu posso ser uma... - caprichando na entonação.
-...Romera Grita!?
...
P.S.: "Romera Grita" é - na concepção da MC - a contraparte feminina do artísta plástico brasileiro mundialmente conhecido.
-Tu gosta mesmo dos meus desenhos, Fe!?
O pai surpreendido com a pergunta redundante:
-Claro que gosto filha.
MC ainda colorindo um galinho-octopus - inspirando em um monstro de video game - volta à carga:
-Tu acha que eu posso ser muito boa em desenho!?
O pai certo de coração que a filha pode se o que quiser confirma:
-Claro que pode filha - diz no melhor estilo de famoso educador nipônico:
-Tu pode ser o que quiser!
MC levanta os olhos brilhantes, cinzentos e cheios de empolgação e fuzila:
-Eu posso ser uma... - caprichando na entonação.
-...Romera Grita!?
...
P.S.: "Romera Grita" é - na concepção da MC - a contraparte feminina do artísta plástico brasileiro mundialmente conhecido.
quarta-feira, 17 de abril de 2013
Bochecha Velinha!
MC - acompanhada de mãe e avó - foi ao supermercado local. Na inquietante procura do ser humano por uma vaga no estacionamento as Quartas. MC atenta ao entorno logo equaciona o problema:
-Soli! Soli! - Grita apontado um espaço vazio de automóveis.
-Estaciona ali!
A avó certa de si responde:
-Não posso amiga. Aquela vaga é para velhinhos - e com um meneio de cabeça aponta - tá vendo o desenho no chão!?
MC ainda agitada responde de pronto:
-Você é velha vó! Pode estacionar!
A avó indignada e esperando por complacência resolve questionar:
-Você me acha velha amiga!?
MC sem qualquer remorso, compaixão ou sinal de empatia agarra a bochecha da avó com os dedos em pinça e conclui:
-Claro! Porque você tem essa bochecha velinha aqui, ó!
...
-Soli! Soli! - Grita apontado um espaço vazio de automóveis.
-Estaciona ali!
A avó certa de si responde:
-Não posso amiga. Aquela vaga é para velhinhos - e com um meneio de cabeça aponta - tá vendo o desenho no chão!?
MC ainda agitada responde de pronto:
-Você é velha vó! Pode estacionar!
A avó indignada e esperando por complacência resolve questionar:
-Você me acha velha amiga!?
MC sem qualquer remorso, compaixão ou sinal de empatia agarra a bochecha da avó com os dedos em pinça e conclui:
-Claro! Porque você tem essa bochecha velinha aqui, ó!
...
sábado, 13 de abril de 2013
É melancia, meu filho!
Sentados à mesa MC, Tia Bruna e os pais desfrutavam um agradável lanche da tarde. MC servindo-se de goles generosos de suco de frutas:
-Gostou do suco, filha!? - pergunta o pai entusiasmado com a avidez da pequena - É de goiaba.
-Uma delícia esse suco de... - MC para, olha em volta, fixa os olhos na caixa de suco e pergunta:
-Suco de que!?
-Goiaba. - Responde o pai enquanto bezunta um pão com manteiga sem perceber a indignação crescente ao seu lado.
-Tá maluco!? - Esbraveja apontado para a caixa. E imediatamente rindo debochadamente vira-se para tia Bruna e completa:
-Tia Bruna o Fe tá maluco disse que o suco é de uma fruta estranha.
Vira-se para o pai, aponta o dedo em riste para a caixa e do alto da própria experiência dispara em tom firme:
-É verde por fora e vermelho dentro... - diz esmiuçando os detalhes da caixa.
-É verde por fora e vermelho dentro... - diz esmiuçando os detalhes da caixa.
-É melancia, meu filho!
...
...
quarta-feira, 10 de abril de 2013
Voz de Pai...
MC e o pai brincavam de casinha com uma boneca como filha:
-Tudo pronto Fe - diz a pequena enquanto ajeita algumas panelas de brinquedo - Podemos começar a brincadeira.
-Pode chegar do trabalho - diz apontando para a porta como um diretor famoso que faz a marcação de cena.
O pai levanta-se, vai até a porta, sai e volta:
-Cheguei! - No melhor tom de seriado americano que pode arrumar.
-Fe! - Reclama a pequena com as mãos na cintura - Essa voz não!
-Que voz filha!? - Pergunta o pai!?
-Essa voz de Fernando - explica a pequena.
-Tem que fazer voz de pai! - Diz a interprete com voz cavernosa.
...
-Tudo pronto Fe - diz a pequena enquanto ajeita algumas panelas de brinquedo - Podemos começar a brincadeira.
-Pode chegar do trabalho - diz apontando para a porta como um diretor famoso que faz a marcação de cena.
O pai levanta-se, vai até a porta, sai e volta:
-Cheguei! - No melhor tom de seriado americano que pode arrumar.
-Fe! - Reclama a pequena com as mãos na cintura - Essa voz não!
-Que voz filha!? - Pergunta o pai!?
-Essa voz de Fernando - explica a pequena.
-Tem que fazer voz de pai! - Diz a interprete com voz cavernosa.
...
sábado, 6 de abril de 2013
Banida
Avó Materna - prestativa que é - colocou a pequena no banho e veio para a sala confabular sobre temas diversos. MC cantarolava alegremente debaixo da agradável fonte de água quente quando seu tom de voz subitamente mudou:
-Súdita - Falou impaciente.
-Súdita - Mais uma vez agora tendo a certeza que até mesmo os vizinhos do terceiro andar a ouviram.
-Quem é seu súdito!? - Responde a avó querendo, talvez, não ser ela a pessoa conclamada - Seu pai ou sua mãe!?
-Não Soli - Diz a pequena no mesmo tom discreto - A súdita é você! - firme como toda a rainha do chuveiro deveria ser - Você sempre faz o que eu quero.
A avó materna ri em uma mistura de desconcerto e timidez e vai a passos não muito energéticos verificar o ocorrido. Lá chegando, a rainha deixa claro seu desejo:
-Súdita, pega aquele pote de creme para os meus cabelos ficarem sedosos!?
Aponta a pequena nua para um dos recipientes de creme que - propositalmente - estão fora do seu alcance.
Aqueles cremes que funcionam apenas em couros cabeludos infantis; porque quando usados em madeixas mais vividas têm diabólicos efeitos de ressecamento e embaraçamento.
-Não amiga - responde a avó de pronto - Esses cremes não podem ficar na sua mão.
A pequena fulmina a avó com os olhos acinzentados e começa por deixar claro a estrutura hierárquica do reino:
-Eu não sou amiga - diz em tom firme.
-Eu sou a rainha.
A avó materna segura o riso e a fala enquanto a regente completa:
-Súdita, você não me ajudou - agora em tom ainda mais resoluto.
-Está banida do reino.
...
-Súdita - Falou impaciente.
-Súdita - Mais uma vez agora tendo a certeza que até mesmo os vizinhos do terceiro andar a ouviram.
-Quem é seu súdito!? - Responde a avó querendo, talvez, não ser ela a pessoa conclamada - Seu pai ou sua mãe!?
-Não Soli - Diz a pequena no mesmo tom discreto - A súdita é você! - firme como toda a rainha do chuveiro deveria ser - Você sempre faz o que eu quero.
A avó materna ri em uma mistura de desconcerto e timidez e vai a passos não muito energéticos verificar o ocorrido. Lá chegando, a rainha deixa claro seu desejo:
-Súdita, pega aquele pote de creme para os meus cabelos ficarem sedosos!?
Aponta a pequena nua para um dos recipientes de creme que - propositalmente - estão fora do seu alcance.
Aqueles cremes que funcionam apenas em couros cabeludos infantis; porque quando usados em madeixas mais vividas têm diabólicos efeitos de ressecamento e embaraçamento.
-Não amiga - responde a avó de pronto - Esses cremes não podem ficar na sua mão.
A pequena fulmina a avó com os olhos acinzentados e começa por deixar claro a estrutura hierárquica do reino:
-Eu não sou amiga - diz em tom firme.
-Eu sou a rainha.
A avó materna segura o riso e a fala enquanto a regente completa:
-Súdita, você não me ajudou - agora em tom ainda mais resoluto.
-Está banida do reino.
...
segunda-feira, 1 de abril de 2013
Bons Costumes...
Com a missão de adquirir um novo aparelho móvel MC e os progenitores vão a um shopping da cidade. Munidos de espírito de Páscoa e paciência entram na loja da Operadora para serem - como sempre - recebidos pelo mais lerdo entre os formandos da Escola Michelangelo de Formação de Atendentes.
MC quebrando os próprios paradigmas perdeu a paciência em 3 minutos - o que geralmente acontece em 2. Tentando entreter a guria nos momentos tediosos nos quais o intrépido atendente leva para preencher o cadastro o pai apresenta a guria a uma mesa de guloseimas ofertada por uma fabricante de celulares. Pães, doces, sucos e outras guloseimas adornam o pic-nic indoor:
-Fe - pergunta MC ainda cabreira - é de pagar!?
Genuinamente preocupada como se fosse o dinheiro dela própria a correr riscos.
-Não filha - responde o pai servindo-se de um café - pode pegar a vontade.
O termo "a vontade" para adultos e crianças tem significados bastante diferentes. Os adultos servem-se a vontade de um café e uma bolacha enquanto as crianças fazem uso literal do termo.
Primeiro uma bolacha com um certo ar de timidez e acompanhada do pai, depois um pedaço de bolo já saltitante e depois disso foram inúmeras viagens até onde estava a mesa. Na última delas MC volta com um sanduíche em cada mão e um ainda em processo de mastigação. Sob o olhar de censura dos pais, engole o que está na boca e enquanto ajeita-se para sentar deixa escapar um traque (também conhecido como pum, flato, peido e demais variações). Sim, um daqueles altos e sonoros que ecoa e reverbera pelo recinto todo. Daqueles que tu só consegue emitir - sem culpa - na solidão do próprio banheiro. A loja inteira parou o que estava fazendo e olhou para... o pai! Claro, porque culpar uma criança de olhos tão profundos e sinceros por tal mácula aos bons costumes seria ofensivo. MC olha em volta e sem se aperceber - ou até sabendo - do ocorrido finge descaso e desconhecimento olha para os pais e diz:
-Hummm, tá tão gostoso o sanduíche, quer um!?
...
Já de posse do celular os pais decidem - quem sabe sob o efeito da comilança da guria na loja - que é hora de tomar um café. MC afoita senta-se na mesa e espera ansiosamente seu quinhão de refrigerante e pão de queijo. O pai esperando à fila começa a observar a impaciência da guria. Crescendo, crescendo e crescendo até que irrompe e um ataque forçado de tosse:
-Cof,cof, cof...
Dispara a pequena atriz. Cada vez mais alto e mais repetido. Forçando a garganta a pequena - naturalmente pálida no tom de pele - fica cada vez mais vermelha. O pai conhecedor que é dos "encantos" da filha continua sólido na fila e chegada sua vez começa a pedir quando percebe que as atendentes começam a olhar para trás já com uma certa aflição de ver uma guria que se contorcia em tosse e uma mãe que nada - além de arreliar com a guria - fazia:
-Nossa gente, a menina está passando mal - comenta uma delas.
-Tem mãe que não...
-Não é nada - interrompe o pai com ar sério.
-Oie!? - Pergunta a Segunda - O Senhor conhece!?
-Ô... - Responde o pai em tom de condescendência e consentimento.
-Sua filha!? - Pergunta a primeira incrédula!?
-Ô... - Responde o pai em tom de condescendência e consentimento.
-Isso tudo é fita!? - Completa a segunda
-Ô... - Responde o pai em tom de condescendência e consentimento.
Assim que a garrafa de refrigerante chega à mesa a tosse desaparece para felicidade - e alívio - das atendentes que já confabulavam sobre a necessidade ou não de chamar os paramédicos.
MC toma um gole generoso e... ARROTA - na mesma intensidade do pum da loja - e diz:
-Ah que delícia!
Limpa a boca e completa:
-Essa tosse me deu sede.
...
MC quebrando os próprios paradigmas perdeu a paciência em 3 minutos - o que geralmente acontece em 2. Tentando entreter a guria nos momentos tediosos nos quais o intrépido atendente leva para preencher o cadastro o pai apresenta a guria a uma mesa de guloseimas ofertada por uma fabricante de celulares. Pães, doces, sucos e outras guloseimas adornam o pic-nic indoor:
-Fe - pergunta MC ainda cabreira - é de pagar!?
Genuinamente preocupada como se fosse o dinheiro dela própria a correr riscos.
-Não filha - responde o pai servindo-se de um café - pode pegar a vontade.
O termo "a vontade" para adultos e crianças tem significados bastante diferentes. Os adultos servem-se a vontade de um café e uma bolacha enquanto as crianças fazem uso literal do termo.
Primeiro uma bolacha com um certo ar de timidez e acompanhada do pai, depois um pedaço de bolo já saltitante e depois disso foram inúmeras viagens até onde estava a mesa. Na última delas MC volta com um sanduíche em cada mão e um ainda em processo de mastigação. Sob o olhar de censura dos pais, engole o que está na boca e enquanto ajeita-se para sentar deixa escapar um traque (também conhecido como pum, flato, peido e demais variações). Sim, um daqueles altos e sonoros que ecoa e reverbera pelo recinto todo. Daqueles que tu só consegue emitir - sem culpa - na solidão do próprio banheiro. A loja inteira parou o que estava fazendo e olhou para... o pai! Claro, porque culpar uma criança de olhos tão profundos e sinceros por tal mácula aos bons costumes seria ofensivo. MC olha em volta e sem se aperceber - ou até sabendo - do ocorrido finge descaso e desconhecimento olha para os pais e diz:
-Hummm, tá tão gostoso o sanduíche, quer um!?
...
Já de posse do celular os pais decidem - quem sabe sob o efeito da comilança da guria na loja - que é hora de tomar um café. MC afoita senta-se na mesa e espera ansiosamente seu quinhão de refrigerante e pão de queijo. O pai esperando à fila começa a observar a impaciência da guria. Crescendo, crescendo e crescendo até que irrompe e um ataque forçado de tosse:
-Cof,cof, cof...
Dispara a pequena atriz. Cada vez mais alto e mais repetido. Forçando a garganta a pequena - naturalmente pálida no tom de pele - fica cada vez mais vermelha. O pai conhecedor que é dos "encantos" da filha continua sólido na fila e chegada sua vez começa a pedir quando percebe que as atendentes começam a olhar para trás já com uma certa aflição de ver uma guria que se contorcia em tosse e uma mãe que nada - além de arreliar com a guria - fazia:
-Nossa gente, a menina está passando mal - comenta uma delas.
-Tem mãe que não...
-Não é nada - interrompe o pai com ar sério.
-Oie!? - Pergunta a Segunda - O Senhor conhece!?
-Ô... - Responde o pai em tom de condescendência e consentimento.
-Sua filha!? - Pergunta a primeira incrédula!?
-Ô... - Responde o pai em tom de condescendência e consentimento.
-Isso tudo é fita!? - Completa a segunda
-Ô... - Responde o pai em tom de condescendência e consentimento.
Assim que a garrafa de refrigerante chega à mesa a tosse desaparece para felicidade - e alívio - das atendentes que já confabulavam sobre a necessidade ou não de chamar os paramédicos.
MC toma um gole generoso e... ARROTA - na mesma intensidade do pum da loja - e diz:
-Ah que delícia!
Limpa a boca e completa:
-Essa tosse me deu sede.
...
segunda-feira, 25 de março de 2013
No passado...
Em fase final de recuperação de uma Dengue o pai - ainda combalido - jogava video-game com a filha no quarto:
-Cabeção - diz o pai em tom alegre - eu vou dormir porque amanhã eu vou trabalhar...
-Fe - responde a filha pausando imediatamente o jogo - ainda tem muitas fases para fazer e a princesa - aquela ruivinha de vestido empolado que todos vocês já salvaram pelo menos uma vez- não pode ficar esperando...
-Batatinha, tá tarde - diz o pai sonolento e já saindo do quarto.
A guria ainda concentrada em fazer um senhor de meia-idade com bigodes de chinchilla e usando suspensórios pular sobre tartarugas ignorou a saída do mesmo.
Passados alguns minutos o pai já sonhava estar vestindo suspensórios e tentando convencer um computador-tartaruga a trocar de casco sem anestesia quando lamentos nervosos o despertam:
-... você pegava na minha mãozinha e me ensinava!? Por que não pode mais ser assim!?
Em prantos a guria, com o controle na mão e debulhada em lágrimas - que fariam Fidel Castro engrossar o coro - perguntava aflita.
-O que foi filha!? - pergunta o pai assustado com o choro.
A pequena dramática respira fundo - com aquele ar de revelação final de novela - e desabafa:
-Por que não pode ser como era no passado!? Eu era tão feliz...
Intrigado com que mágico passado feliz poderia uma criança de 4 anos ter o pai balbucia:
-Que passado filha!? Quando a gente te ensinou a andar!?
-Não pai - diz a pequena em lágrimas agora do tamanho de pérolas - Eu sei andar...
-Então o que filha!? - Pergunta o pai agora curioso como o ator que vai saber que é pai da mocinha da trama
-Quando você me ensinou a jogar video-game...
-Cabeção - diz o pai em tom alegre - eu vou dormir porque amanhã eu vou trabalhar...
-Fe - responde a filha pausando imediatamente o jogo - ainda tem muitas fases para fazer e a princesa - aquela ruivinha de vestido empolado que todos vocês já salvaram pelo menos uma vez- não pode ficar esperando...
-Batatinha, tá tarde - diz o pai sonolento e já saindo do quarto.
A guria ainda concentrada em fazer um senhor de meia-idade com bigodes de chinchilla e usando suspensórios pular sobre tartarugas ignorou a saída do mesmo.
Passados alguns minutos o pai já sonhava estar vestindo suspensórios e tentando convencer um computador-tartaruga a trocar de casco sem anestesia quando lamentos nervosos o despertam:
-... você pegava na minha mãozinha e me ensinava!? Por que não pode mais ser assim!?
Em prantos a guria, com o controle na mão e debulhada em lágrimas - que fariam Fidel Castro engrossar o coro - perguntava aflita.
-O que foi filha!? - pergunta o pai assustado com o choro.
A pequena dramática respira fundo - com aquele ar de revelação final de novela - e desabafa:
-Por que não pode ser como era no passado!? Eu era tão feliz...
Intrigado com que mágico passado feliz poderia uma criança de 4 anos ter o pai balbucia:
-Que passado filha!? Quando a gente te ensinou a andar!?
-Não pai - diz a pequena em lágrimas agora do tamanho de pérolas - Eu sei andar...
-Então o que filha!? - Pergunta o pai agora curioso como o ator que vai saber que é pai da mocinha da trama
-Quando você me ensinou a jogar video-game...
domingo, 3 de março de 2013
Eu sei...
Orgulhosa a mãe exibe o mesmo penteado de sempre agora com madeixas niponicamente lisas:
-Gostou do cabelo da mamãe, filha!?
MC já saltitando no chuveiro responde alegre:
-Adorei mãe! Ficou fantástico.
A mãe ansiosa por adiantar o cronograma da Guerra dos Clones dá a deixa:
-Quer deixar seu cabelo igual a da mamãe!?
MC desdenhosamente orgulhosa e orgulhosamente desdenhosa responde de pronto:
-Não mãe - balançando as madeixas molhadas! Eu ADORO meu fuá!
Agora a mãe empenhada na busca eterna que move todas as matriacas procura piedade, aceitação e quem sabe um pouco de compaixão na pequena:
-Seu cabelo é muito mais bonito que o meu filha... - e aguarda esperando que a pequena mostre que há amor ao próximo e civilidade em seu coração.
MC coloca o próprio cabelo nas mãos, alisa-os carinhosamente e trucida como tal qual um bárbaro montando um corcel negro pilhando uma vila medieval:
-Eu sei...
...
-Gostou do cabelo da mamãe, filha!?
MC já saltitando no chuveiro responde alegre:
-Adorei mãe! Ficou fantástico.
A mãe ansiosa por adiantar o cronograma da Guerra dos Clones dá a deixa:
-Quer deixar seu cabelo igual a da mamãe!?
MC desdenhosamente orgulhosa e orgulhosamente desdenhosa responde de pronto:
-Não mãe - balançando as madeixas molhadas! Eu ADORO meu fuá!
Agora a mãe empenhada na busca eterna que move todas as matriacas procura piedade, aceitação e quem sabe um pouco de compaixão na pequena:
-Seu cabelo é muito mais bonito que o meu filha... - e aguarda esperando que a pequena mostre que há amor ao próximo e civilidade em seu coração.
MC coloca o próprio cabelo nas mãos, alisa-os carinhosamente e trucida como tal qual um bárbaro montando um corcel negro pilhando uma vila medieval:
-Eu sei...
...
domingo, 10 de fevereiro de 2013
Remar Cansa...
MC assistia as aventuras da intrépida Dora na TV. Em meio a uma busca por sorvetes a Pequena cabeça de Meteorito remava em um lago de chocolate:
-Ah, esse chocolate é muito espesso! Vocês pode me ajudar a remar até o outro lado!?
Pede a heroína com formato de pirulito. MC, sentada na cadeira responde ao pedido:
-Eu não
E com o dedo em riste dá a alternativa:
-Chama o Botas - o companheiro símio da Aventureira Dora (que parece ter saído de um sonho Sulrreal que misturava Village People com Planeta dos Macacos). Então MC com um misto de raiva e indignação termina:
-Remar cansa...
-Ah, esse chocolate é muito espesso! Vocês pode me ajudar a remar até o outro lado!?
Pede a heroína com formato de pirulito. MC, sentada na cadeira responde ao pedido:
-Eu não
E com o dedo em riste dá a alternativa:
-Chama o Botas - o companheiro símio da Aventureira Dora (que parece ter saído de um sonho Sulrreal que misturava Village People com Planeta dos Macacos). Então MC com um misto de raiva e indignação termina:
-Remar cansa...
segunda-feira, 28 de janeiro de 2013
Morreu.
O fim de semana foi marcado pelo falecimento do bisavô parteno da sagaz pequena. Em meio ao furdunço e confusão o pai saia para o velório e teve seu caminho interrompido pela guria:
-Vai onde Fe!?
-Filha - responde o pai com um nó na garganta e um pouco sem jeito.
-...eu vou ver o vo Humberto. Ele...
MC gira sob os calcanhares com desdem e velocidades acima da media e ignora o resto da frase.
Júlia - prima da Bragança - saia do quarto questiona sobre o ocorrido:
-Onde seu pai vai!?
MC sem maiores delongas e empurrando a prima de sobre os próprios passos resume:
-Ele vai ver o Tio Roberto. Aconteceu que nem com meu peixe ele... - E como quem relata um tombo ou uma ocorrência menor MC completa leve e despreocupada:
-Morreu.
...
Em memória.
Humberto Ferreira de Andrade.
Amado Marido, Pai, Avo e Bisavô.
-Vai onde Fe!?
-Filha - responde o pai com um nó na garganta e um pouco sem jeito.
-...eu vou ver o vo Humberto. Ele...
MC gira sob os calcanhares com desdem e velocidades acima da media e ignora o resto da frase.
Júlia - prima da Bragança - saia do quarto questiona sobre o ocorrido:
-Onde seu pai vai!?
MC sem maiores delongas e empurrando a prima de sobre os próprios passos resume:
-Ele vai ver o Tio Roberto. Aconteceu que nem com meu peixe ele... - E como quem relata um tombo ou uma ocorrência menor MC completa leve e despreocupada:
-Morreu.
...
Em memória.
Humberto Ferreira de Andrade.
Amado Marido, Pai, Avo e Bisavô.
sexta-feira, 25 de janeiro de 2013
Súdita.
MC convocara a avó para assisti-la tomar banho; brincadeira vai, brincadeira vem MC - atenta aos meandros mais sublimes da vida que é - chega a uma inevitável e muito lúcida conclusao:
-Voce é minha súdita, vó Soli!
Soli em um misto de apreensão e confrontamento súbito com a realidade procura se situar:
-Súdita!? O que seria uma súdita?
-Ah, vó Soli - espanta-se MC com a falta de conhecimento da avó sobre hierarquia Feudal.
Meneia a cabeça com ares de rainha inglesa e resume a funçao da avó:
-Súdita, Soli. Aquela que é empregada da rainha...
Respira fundo e prossegue o raciocínio:
-Que faz tudo que a rainha manda.
...
-Voce é minha súdita, vó Soli!
Soli em um misto de apreensão e confrontamento súbito com a realidade procura se situar:
-Súdita!? O que seria uma súdita?
-Ah, vó Soli - espanta-se MC com a falta de conhecimento da avó sobre hierarquia Feudal.
Meneia a cabeça com ares de rainha inglesa e resume a funçao da avó:
-Súdita, Soli. Aquela que é empregada da rainha...
Respira fundo e prossegue o raciocínio:
-Que faz tudo que a rainha manda.
...
quarta-feira, 16 de janeiro de 2013
Eu estou treinando...
O pai terminava o terceiro banho do dia da pequena...
-
Ao contrário da grande maioria das crianças - e bem diferente do pai nessa mesma idade - MC adora uns banhos. Uns no sentido de vários no dia.
-
Relutante e marrenta como sempre a gruia quer se secar sozinha; fazendo do simples ato de se enrrolar na toalha um festival de água jorrada nos mais obscuros cantos do banheiro:
-Filha, ajuda o pai! - Pede o pai em tom conciliador.
-Não, eu sei me secar - jogando os cabelos completamente enxarcados para trás - SOZINHA...
-
A caixa alta e negrito aqui tem seu propósito e necessidade fácilmente explicados: A pequena tem facilidade - e gosto - por elevar a voz
-
-Maria Clara! Chega! Eu vou te secar... - antes que o pai pudesse terminar o raciocínio MC volta a carga:
-NÃO! EU ME SECO SOZINHA!
O pai rápidamente toma a toalha, dá por encerrada a discussão, começa a secar a guria - que já se desfazia em choro - então comenta:
-Teimosa, não!? Só sabe gritar... parece a sua mãe.
-Eu AMO a minha mãe...
MC engole o choro em um misto de orgulho e alegria olha para o pai e finaliza:
-Eu estou treinando para ser igual ela!
-
Ao contrário da grande maioria das crianças - e bem diferente do pai nessa mesma idade - MC adora uns banhos. Uns no sentido de vários no dia.
-
Relutante e marrenta como sempre a gruia quer se secar sozinha; fazendo do simples ato de se enrrolar na toalha um festival de água jorrada nos mais obscuros cantos do banheiro:
-Filha, ajuda o pai! - Pede o pai em tom conciliador.
-Não, eu sei me secar - jogando os cabelos completamente enxarcados para trás - SOZINHA...
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A caixa alta e negrito aqui tem seu propósito e necessidade fácilmente explicados: A pequena tem facilidade - e gosto - por elevar a voz
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-Maria Clara! Chega! Eu vou te secar... - antes que o pai pudesse terminar o raciocínio MC volta a carga:
-NÃO! EU ME SECO SOZINHA!
O pai rápidamente toma a toalha, dá por encerrada a discussão, começa a secar a guria - que já se desfazia em choro - então comenta:
-Teimosa, não!? Só sabe gritar... parece a sua mãe.
-Eu AMO a minha mãe...
MC engole o choro em um misto de orgulho e alegria olha para o pai e finaliza:
-Eu estou treinando para ser igual ela!
sábado, 12 de janeiro de 2013
Brasil da Vó Soli?
Voltando de uma carona para avó materna - que mora em uma cidade
vizinha - MC que observava o mundo através da janela do carro pergunta:
-Esse aqui é o Brasil!?
O pai pseudo-intelectual formado em Web Design responde genericamente;
-Filha, tudo isso é o Brasil - e com um gesto de mao explica: Nós moramos no Brasil.
MC parecendo contente com a resposta permanece quieta por algum tempo até que volta a carga:
-Esse Brasil da Vó Soli é o mesmo que o da nossa casa!?
O pai vira-se no banco tentando entender o questionamento da guria:
-É filha, todos nós moramos no Brasil.
MC observa um pouco consternada e parcendo preocupada com a paisagem do local:
-Quero voltar para casa... - diz desviando o olhar da janela e antropológicamente coerente definie a situação:
-É muito feio esse Brasil da vó Soli.
-Esse aqui é o Brasil!?
O pai pseudo-intelectual formado em Web Design responde genericamente;
-Filha, tudo isso é o Brasil - e com um gesto de mao explica: Nós moramos no Brasil.
MC parecendo contente com a resposta permanece quieta por algum tempo até que volta a carga:
-Esse Brasil da Vó Soli é o mesmo que o da nossa casa!?
O pai vira-se no banco tentando entender o questionamento da guria:
-É filha, todos nós moramos no Brasil.
MC observa um pouco consternada e parcendo preocupada com a paisagem do local:
-Quero voltar para casa... - diz desviando o olhar da janela e antropológicamente coerente definie a situação:
-É muito feio esse Brasil da vó Soli.
Feliz aniversário Vó Soli. Muita saúde, sucesso e paz!
quinta-feira, 3 de janeiro de 2013
Vai Chorar!?
Momento pai e filha - aqueles melosos onde se diz coisas que estão guardadas no fundo do peito. O pai pega a filha no colo a acomoda em sua perna e se derrete:
-Filha, tu vai ser para sempre a minha pequena.
A olha nos olhos e coloca a emoçao para fora:
-Mesmo quando tu for grandona e o papai velhinho; ainda sim tu vai a minha pequena, sabia!?
O pai abraça a filha bem forte; subitamente a guria se vira para ele e cheia de cinismo no olhar e um sorriso matreiro nos lábios pergunta:
-Vai chorar!?
-Filha, tu vai ser para sempre a minha pequena.
A olha nos olhos e coloca a emoçao para fora:
-Mesmo quando tu for grandona e o papai velhinho; ainda sim tu vai a minha pequena, sabia!?
O pai abraça a filha bem forte; subitamente a guria se vira para ele e cheia de cinismo no olhar e um sorriso matreiro nos lábios pergunta:
-Vai chorar!?
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