quinta-feira, 21 de novembro de 2013

Mas não fala na minha cara...

MC gripada exponencia a peculiar chatice para níveis que beiram o insuportável.
O Pai, alvo predileto, assistia ao reality show com maior índices de demissões por mesa de reunião quadrada enquanto se desviava das tentativas da pequena em fazer carinho com o pé na sua cabeça:
-Négis, para...
(Negis: apelido sarcástico; maneira pela qual se pode satirizar a alvura infantil sem traumatizar o alvo - pelo menos não permanentemente)
Abaixando a cabeça para evitar o "carinho" - em forma de cobrança de pênalti - que tinha seu rosto como alvo o pai pede:
-Négis, para com isso!
MC recolhe as pernas, vira o corpo subitamente e começa a fazer um cafuné na cabeça do alvo. Subitamente o afago se transforma em puxão e a cabeça do "inimigo" é jogada para frente e para trás com fortes e intensos movimentos:
-Eu amo tu! - diz a pequena enquanto demonstra toda sua capacidade de "acariciar" o próximo.
Evitando um traumatismo ou contusão o pai rapidamente se levanta e sai do quarto esbravejando:
-Vixe, o chatice de criança viu...
MC transforma o sorriso em lágrimas, o alvoroço em soturnez  e encara a mãe com ar sério e diz:
-Mãe ele me chamou de chata - e esfregando o olhos com cuidado completa - Ele não sabe que eu tô doente!?
Caprichando na cara de órfã de guerra:
-Meus olhinhos ainda estão sensíveis...
(MC teve um prenuncio leve de conjuntivite que não durou mais de 3 dias e vêm "rendendo" há pelo menos 1 semana)
-Tá chata mesmo - responde a mãe interrompendo o soliloquio sobre doenças e sensibilidade ocular.
Assustada MC abandona rapidamente o ar sensível, arregala os olhos ante a critica materna e põe-se a chorar com ares de tristeza genuína:
-Eu sei... - diz enquanto enfia a cabeça no travesseiro:
-... mas não precisa falar na minha cara!
...

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