MC a todo vapor com a pré-alfabetização pede ajuda à mãe com a lição de casa:
-Mãe, - com o ares de urgência que a idade garante - essa lição é muito importante!
E reservada a uma modéstia peculiar explica:
-É a lição do M!
Senta-se no colo da mãe que começa a explicação. A tarefa consistia em escrever a primeira silaba de várias figura ilustradas em uma página; começam então as duas:
-Que figura é essa!? - Pergunta a mãe.
-É uma moto! - Responde sem titulbear a pequena.
-MÓ, o que é!? - Pergunta a mãe resgatando os anos de magistério.
-M+Ó!
Prosseguem então entre MÁs, MÉs e MIs. Até que chegam a figura estilizada de uma afro descendente e a mãe pergunta:
-Essa é uma mulata - explica a mãe étinicamente consiente - começa com MU! O que é MU!?
A pequena sem pensar muito responde de pronto:
-É vaca!
...
sábado, 23 de agosto de 2014
segunda-feira, 30 de junho de 2014
Um Banheiro no Meu Quarto
MC achega-se a mãe e pergunta em total e absoluta ingenuidade:
-Mãe - com olhos sinceros - como a gente faz xixi!?
-Filha, - estranha a mãe - tu sabe fazer xixi!
-Não mãe, - tentando explicar-se - como a gente faz para fazer xixi!?
A mãe então explica que quando a gente toma água, bebe sucos e qualquer outro tipo de liquido transforma isso em xixi. MC parece entender a explicação e segue para a cozinha; o pai então ouve o filtro trabalhar por diversas vezes em sequência:
-O que tá fazendo Maria Clara?!
-Tomando água - responde serena.
-Tanta!? - pergunta o pai desconfiado.
-Para fazer xixi!
A pequena segue então para o quarto, encosta a porta e persevera:
-Sai xixi - e com cada vez mais autodeterminação - Sai xixi! Por favor!
A mãe sem entender o que acontece abre a porta e vê a pequena de cócoras sobre uma lata comungando para que o xixi saia:
-Sai xixi! Sai xixi!
-Filha, que é isso?!
MC sem se importar com a entrada da mãe continua a ação em curso enquanto encara a lata já parcialmente preenchida, explica:
-Tô testando, mãe?!
-O que!? - Pergunta a mãe irritada.
-Um banheiro no meu quarto....
-Mãe - com olhos sinceros - como a gente faz xixi!?
-Filha, - estranha a mãe - tu sabe fazer xixi!
-Não mãe, - tentando explicar-se - como a gente faz para fazer xixi!?
A mãe então explica que quando a gente toma água, bebe sucos e qualquer outro tipo de liquido transforma isso em xixi. MC parece entender a explicação e segue para a cozinha; o pai então ouve o filtro trabalhar por diversas vezes em sequência:
-O que tá fazendo Maria Clara?!
-Tomando água - responde serena.
-Tanta!? - pergunta o pai desconfiado.
-Para fazer xixi!
A pequena segue então para o quarto, encosta a porta e persevera:
-Sai xixi - e com cada vez mais autodeterminação - Sai xixi! Por favor!
A mãe sem entender o que acontece abre a porta e vê a pequena de cócoras sobre uma lata comungando para que o xixi saia:
-Sai xixi! Sai xixi!
-Filha, que é isso?!
MC sem se importar com a entrada da mãe continua a ação em curso enquanto encara a lata já parcialmente preenchida, explica:
-Tô testando, mãe?!
-O que!? - Pergunta a mãe irritada.
-Um banheiro no meu quarto....
domingo, 29 de junho de 2014
Sem Falas Próprias
MC e o pai encenavam uma operta de bonecas no quarto; bonecos arrumados no cenário a pequena, e perversa, diretora explica o papel do pai:
-Pai, seu boneco é o bruxo malvado muito malvado - diz na esperança de fazer surgir a verdade daquele momento.
-Por que ele é malvado!? - Pergunta o pai querendo contextualizar o personagem que se propôs a representar.
MC pondera e responde com sinceridade:
-Porque a princesa era sua namorada e te abandonou.
MC então pega a princesa, começa a manipula-la em uma mistura de doçura e brutalidade enquanto explica a entrada da primeira cena:
-A princesa está passeando no bosque e passou em frente a sua caverna... - diz enquanto aproxima a princesa da caverna engendrada de travesseiros -... quando ela passou você disse: "Ó princesa como eu senti sua falta. Volta a ser minha namorada, por favor!"
O pai ainda dono de um pouco de amor próprio masculino - mesmo tendo que dividir a casa com três fêmeas de espécie variadas responde em desafio:
-Ó é a princesa! - e agitando seu marionete com força e mudando a voz a enxotou - Saia daqui sua horrorosa!
A diretoria então interrompe a veia testosteronica do seu comandado e tenta colocar a pantomima de volta ao roteiro:
-Pai, não é assim! - diz um tanto irritada - Ele ainda ama a princesa! Agora ele fala assim: "Ó princesa, por favor, me deixe ser seu namorado." - diz engrossando a voz.
O pai resoluto em manter o orgulho masculino rebate em um caco:
-Saia daqui sua princesa fedida! Saia...
Entediada, contrariada e dona do roteiro MC interrompe brusca e arrasadora questionando:
-Pai! De quem é essa brincadeira!?
E sem esperar pela resposta do pai encerra o acesso de rebeldia:
-Agora vai ser do meu jeito! - e sem deixar espaço para discussões resume:
-Sem falas próprias!
...
-Pai, seu boneco é o bruxo malvado muito malvado - diz na esperança de fazer surgir a verdade daquele momento.
-Por que ele é malvado!? - Pergunta o pai querendo contextualizar o personagem que se propôs a representar.
MC pondera e responde com sinceridade:
-Porque a princesa era sua namorada e te abandonou.
MC então pega a princesa, começa a manipula-la em uma mistura de doçura e brutalidade enquanto explica a entrada da primeira cena:
-A princesa está passeando no bosque e passou em frente a sua caverna... - diz enquanto aproxima a princesa da caverna engendrada de travesseiros -... quando ela passou você disse: "Ó princesa como eu senti sua falta. Volta a ser minha namorada, por favor!"
O pai ainda dono de um pouco de amor próprio masculino - mesmo tendo que dividir a casa com três fêmeas de espécie variadas responde em desafio:
-Ó é a princesa! - e agitando seu marionete com força e mudando a voz a enxotou - Saia daqui sua horrorosa!
A diretoria então interrompe a veia testosteronica do seu comandado e tenta colocar a pantomima de volta ao roteiro:
-Pai, não é assim! - diz um tanto irritada - Ele ainda ama a princesa! Agora ele fala assim: "Ó princesa, por favor, me deixe ser seu namorado." - diz engrossando a voz.
O pai resoluto em manter o orgulho masculino rebate em um caco:
-Saia daqui sua princesa fedida! Saia...
Entediada, contrariada e dona do roteiro MC interrompe brusca e arrasadora questionando:
-Pai! De quem é essa brincadeira!?
E sem esperar pela resposta do pai encerra o acesso de rebeldia:
-Agora vai ser do meu jeito! - e sem deixar espaço para discussões resume:
-Sem falas próprias!
...
terça-feira, 17 de junho de 2014
Tem prova!?
MC recém chegada da escola, munida de uma banana, um para de bebidas lácteas e algumas sobras do lanche da tarde intima:
-Pai, dessa vez o príncipe a princesa vão se casar - e em tom de reprimenda termina - E tu não pode dormir no meio da brincadeira.
-Não - responde seco o pai.
Quem conhece a pequena sabe que ela tem uma facilidade ímpar de alternar para uma expressão de cãozinho órfão que caiu da traseira de um caminhão de mudanças em um piscar de olhos:
-Não quer brincar comigo!? - e sem falsa modéstia ou parâmetro de concorrência - Sua melhor filha!?
O pai já preparado - ou achando que estivesse - retruca:
-A melhor filha que disse ontem que eu era o pior pai - e sem dar tempo para a resposta emenda - o mais chato.
Claro, quando uma criança resolve às 03:00 da manhã do dia anterior que não havia nada melhor a fazer do que um lanchinho onde até o cachorro foi besuntado com margarina não há amabilidade paterna, no mundo, que resista.
MC segura risada, analisa o pai, lembra-se do mal feito mas se esquiva:
-Eu não disse isso.
-Disse sim - responde o pai resoluto enquanto ajuda a pequena a arrumar a cenografia da brincadeira - na cozinha.
Novamente uma risada engasgada e controle retomado. Encara o pai séria e dispara:
-Tem prova!?
-Prova!? - engasga o pai - Que prova!?
-Prova! - desafia - Prova de que eu falei isso.
O pai limita-se a balançar a cabeça e balbuciar:
-Não... - e sem muito mais argumento choraminga - Mas tu disse...
E sem qualquer sinal de misericórdia volta a carga:
-Tem prova!?
-Pai, dessa vez o príncipe a princesa vão se casar - e em tom de reprimenda termina - E tu não pode dormir no meio da brincadeira.
-Não - responde seco o pai.
Quem conhece a pequena sabe que ela tem uma facilidade ímpar de alternar para uma expressão de cãozinho órfão que caiu da traseira de um caminhão de mudanças em um piscar de olhos:
-Não quer brincar comigo!? - e sem falsa modéstia ou parâmetro de concorrência - Sua melhor filha!?
O pai já preparado - ou achando que estivesse - retruca:
-A melhor filha que disse ontem que eu era o pior pai - e sem dar tempo para a resposta emenda - o mais chato.
Claro, quando uma criança resolve às 03:00 da manhã do dia anterior que não havia nada melhor a fazer do que um lanchinho onde até o cachorro foi besuntado com margarina não há amabilidade paterna, no mundo, que resista.
MC segura risada, analisa o pai, lembra-se do mal feito mas se esquiva:
-Eu não disse isso.
-Disse sim - responde o pai resoluto enquanto ajuda a pequena a arrumar a cenografia da brincadeira - na cozinha.
Novamente uma risada engasgada e controle retomado. Encara o pai séria e dispara:
-Tem prova!?
-Prova!? - engasga o pai - Que prova!?
-Prova! - desafia - Prova de que eu falei isso.
O pai limita-se a balançar a cabeça e balbuciar:
-Não... - e sem muito mais argumento choraminga - Mas tu disse...
E sem qualquer sinal de misericórdia volta a carga:
-Tem prova!?
quarta-feira, 11 de junho de 2014
E é muito perigosa para crianças!
MC tem uma maneira curiosa de prestar atenção ao mundo que a cerca: ignorando-o total e completamente. Seja pela sensacional capacidade de processar informações a uma velocidade espantosa - e por isso não precisar, necessariamente, estar focada em uma coisa por vez - ou pela tentadora possibilidade de captar mais informações ao simplesmente não demonstrar dar a mínima para o assunto em questão.
Isto posto MC têm ouvido várias conversas paralelas sobre o estado de saúde da avó materna. Os pais repetidas vezes, achando ingenuamente que se tratava rigorosamente de uma criança de 5 anos, explicaram de modo didático-idiotizante que a avó estava "dodói" e que iria, então, ficar o hospital por mais tempo.
A pequena chega então a escola e imediatamente justifica para a professora sua ausência no dia anterior:
-Tia - diz com alguma pompa - fiquei em casa ontem porque minha avó está doente.
-Sério!? - Diz a professora preocupada - O que ela tem!?
-Falta de ar - responde MC com um ar preocupado no semblante.
-Já foi visitar ela!? - Pergunta delicadamente a professora
-Criança não pode - responde firme e direta a pequena - porque ela tem uma bactéria.
-Ah é? - Fica atônita a professora. MC sem deixar a professora pensar ou elaborar a continuidade da conversa explica de maneira bem particular a correlação entre tal microorganismo e a proibição as visitas infantis:
-E é muito perigosa para as crianças!
...
Isto posto MC têm ouvido várias conversas paralelas sobre o estado de saúde da avó materna. Os pais repetidas vezes, achando ingenuamente que se tratava rigorosamente de uma criança de 5 anos, explicaram de modo didático-idiotizante que a avó estava "dodói" e que iria, então, ficar o hospital por mais tempo.
A pequena chega então a escola e imediatamente justifica para a professora sua ausência no dia anterior:
-Tia - diz com alguma pompa - fiquei em casa ontem porque minha avó está doente.
-Sério!? - Diz a professora preocupada - O que ela tem!?
-Falta de ar - responde MC com um ar preocupado no semblante.
-Já foi visitar ela!? - Pergunta delicadamente a professora
-Criança não pode - responde firme e direta a pequena - porque ela tem uma bactéria.
-Ah é? - Fica atônita a professora. MC sem deixar a professora pensar ou elaborar a continuidade da conversa explica de maneira bem particular a correlação entre tal microorganismo e a proibição as visitas infantis:
-E é muito perigosa para as crianças!
...
domingo, 8 de junho de 2014
Emergência de Brinquedo
MC chega a sala esbaforia enquanto os pais discutiam sobre crises respiratórias e suas consequências em senhoras de meia idade que praticam regularmente o tabagismo inveterado:
-Gente, gente - e com um gesto teatral cruza os braços rente ao corpo - para tudo! - e em tom triunfante explica - Eu achei!
O pai irônico responde:
-Bom, sabemos então que não foi seu chinelo - e apontando para um pé solitário largado rente a porta - porque ele está ali...
-Não pai - ignora-se a pequena - eu achei o brinquedo que eu quero!
-Nós - pondera o pai - não temos dinheiro...
Sem deixar que o pai sequer terminasse o discurso paterno pronto sobre merecimento MC interrompe:
-Tu não tem cartão de crédito!?
-Eu tenho sim - responde afirmativamente o pai - Mas o cartão é...
Interrompe bruscamente o pai na narrativa sobre o uso correto do crédito.
-Já sei! - Diz olhando para mãe em compadecimento - Tu já disse para minha mãe que o cartão é só para emergências.
-Eu disse...
-Umas 55 vezes - responde a pequena com uma profunda bufada.
-Eu...
-Mas é uma emergência - toma a dianteira do pai novamente.
-Emergência!? - Exclama o pai aborrecido.
Em em tom sério daqueles que se usa em filmes de catástrofe quando anuncia-se o clímax vindouro:
-É uma emergência de brinquedo!
...
-Gente, gente - e com um gesto teatral cruza os braços rente ao corpo - para tudo! - e em tom triunfante explica - Eu achei!
O pai irônico responde:
-Bom, sabemos então que não foi seu chinelo - e apontando para um pé solitário largado rente a porta - porque ele está ali...
-Não pai - ignora-se a pequena - eu achei o brinquedo que eu quero!
-Nós - pondera o pai - não temos dinheiro...
Sem deixar que o pai sequer terminasse o discurso paterno pronto sobre merecimento MC interrompe:
-Tu não tem cartão de crédito!?
-Eu tenho sim - responde afirmativamente o pai - Mas o cartão é...
Interrompe bruscamente o pai na narrativa sobre o uso correto do crédito.
-Já sei! - Diz olhando para mãe em compadecimento - Tu já disse para minha mãe que o cartão é só para emergências.
-Eu disse...
-Umas 55 vezes - responde a pequena com uma profunda bufada.
-Eu...
-Mas é uma emergência - toma a dianteira do pai novamente.
-Emergência!? - Exclama o pai aborrecido.
Em em tom sério daqueles que se usa em filmes de catástrofe quando anuncia-se o clímax vindouro:
-É uma emergência de brinquedo!
...
quarta-feira, 4 de junho de 2014
É uma balada!
MC tentava sem sucesso esticar um lençol entre duas cadeiras:
-Ai como eu sou burra!
Dizia em alto, potente e claro som para quem quisesse - ou não - ouvir:
-Menina burra! - dizendo de si para si mesma em total derrotismo - Tu nunca vai conseguir fazer essa barraca!
O pai - que já bem conhece os níveis de dramaticidade próprios (e toda a carga geneticamente herdada de ambos os lados da família) da pequena - segue por ignora-la forma solene e plácida enquanto pode:
-Pai - diz com os olhos esmeralda brilhando em intensidade pedinte de porta de igreja em véspera de Natal - me ajuda a fazer uma barraca!?
Pois, como sempre, pôs-se então o pai a ajudar; puxa daqui, amarra de lá e estica de acolá. MC já, como é de seu costume, assumiu postura de fêmea alfa e deixou de lado o trabalho assumindo, logo, a gerencia o projeto:
-Pai, precisa cobrir tudo! - diz enquanto demonstra que as "paredes" deveriam vir até o chão.
-Por que!? - pergunta o pai enquanto amarrava as pontas da tenda.
-Porque é uma balada!
(Por um momento - que pareceu eterno - o pai respirou fundo e imaginou sua cria - amada, idolatrada e salve salve cria - na balada. Cercada de indivíduos mal-intencionados, alcoolizados e dispostos as mais descaradas atrocidades para com sua pequena cria - amada, idolatrada e salve salve cria.)
-É o que!? - engoliu seco a saliva que não tinha.
-Balada pai; - diz enquanto ajeita as bonecas debaixo da tenda - não sabe o que é!?
-Eu sei sim; - lembrando vagamente de que um dia ele próprio foi um indivíduo mal-intencionado, alcoolizado e disposto as mais descaradas atrocidades para com a filha de outrem - e a senhorita, sabe!?
(Por um momento - que pareceu nem mesmo existir - o pai esperou (e orou - mesmo sendo declaradamente ateu) que a pequena respondesse que balada era algo de comer, um brinquedo ou jogo de videogame):
-Balada, pai - responde levantando a parede da tenda e olhando o pai com uma expressão alegre e senhora de toda a sabedoria baladística do mundo - é onde as pessoas dançam e se divertem.
Em sendo os olhos a janela da alma os do pai deveriam estar evidenciando a mais aterradora, calamitosa e desalentadora paisagem; tocada (ou não) pelo desterro de esperança claramente estampado no semblante do pai MC tenta confortá-lo de alguma maneira:
-Mas não se preocupa porque - diz enquanto se volta para ajeitar algumas bonecas em torno de uma mesa - menino não entra!
E sorridente, olhando novamente para o pai - que a aquela altura deveria ser branco como cera - diz:
-É uma balada só de meninas!
...
-Ai como eu sou burra!
Dizia em alto, potente e claro som para quem quisesse - ou não - ouvir:
-Menina burra! - dizendo de si para si mesma em total derrotismo - Tu nunca vai conseguir fazer essa barraca!
O pai - que já bem conhece os níveis de dramaticidade próprios (e toda a carga geneticamente herdada de ambos os lados da família) da pequena - segue por ignora-la forma solene e plácida enquanto pode:
-Pai - diz com os olhos esmeralda brilhando em intensidade pedinte de porta de igreja em véspera de Natal - me ajuda a fazer uma barraca!?
Pois, como sempre, pôs-se então o pai a ajudar; puxa daqui, amarra de lá e estica de acolá. MC já, como é de seu costume, assumiu postura de fêmea alfa e deixou de lado o trabalho assumindo, logo, a gerencia o projeto:
-Pai, precisa cobrir tudo! - diz enquanto demonstra que as "paredes" deveriam vir até o chão.
-Por que!? - pergunta o pai enquanto amarrava as pontas da tenda.
-Porque é uma balada!
(Por um momento - que pareceu eterno - o pai respirou fundo e imaginou sua cria - amada, idolatrada e salve salve cria - na balada. Cercada de indivíduos mal-intencionados, alcoolizados e dispostos as mais descaradas atrocidades para com sua pequena cria - amada, idolatrada e salve salve cria.)
-É o que!? - engoliu seco a saliva que não tinha.
-Balada pai; - diz enquanto ajeita as bonecas debaixo da tenda - não sabe o que é!?
-Eu sei sim; - lembrando vagamente de que um dia ele próprio foi um indivíduo mal-intencionado, alcoolizado e disposto as mais descaradas atrocidades para com a filha de outrem - e a senhorita, sabe!?
(Por um momento - que pareceu nem mesmo existir - o pai esperou (e orou - mesmo sendo declaradamente ateu) que a pequena respondesse que balada era algo de comer, um brinquedo ou jogo de videogame):
-Balada, pai - responde levantando a parede da tenda e olhando o pai com uma expressão alegre e senhora de toda a sabedoria baladística do mundo - é onde as pessoas dançam e se divertem.
Em sendo os olhos a janela da alma os do pai deveriam estar evidenciando a mais aterradora, calamitosa e desalentadora paisagem; tocada (ou não) pelo desterro de esperança claramente estampado no semblante do pai MC tenta confortá-lo de alguma maneira:
-Mas não se preocupa porque - diz enquanto se volta para ajeitar algumas bonecas em torno de uma mesa - menino não entra!
E sorridente, olhando novamente para o pai - que a aquela altura deveria ser branco como cera - diz:
-É uma balada só de meninas!
...
segunda-feira, 2 de junho de 2014
Até quando dói?!
MC chegou! E quando a pequena chega metade do quarteirão sabe por intermédio do invocação característica:
-Pai - grita vigorosa do portão - abre a porta! Pai - com ainda mais vigor - abre logo a porta!
O patriarca que trabalhava na Garagem finalmente atende os chamados e abre o portão. A pequena e uma amiga imediatamente, se sem pedir permissão, invadem o recinto de trabalho do mesmo; deitam na sua maca de descompressão - uma cama que já conta inúmeras primaveras forrada com um colchão que regula em gastura - sem tirar os sapatos, pedem para assistir desenhos, abrem sobras do lance da escola e transforam o recinto em uma perfeita balburdia.
O pai prontamente as atende; tira sua música favorita, coloca os desenhos animados solicitados em seu monitor auxiliar e prossegue para tentar terminar com exito o dia de trabalho. Mc cochicha no ouvido da amiga e por um instante uma sombra zombeteira se instala no semblante da pequena bully; anda até o pai que terminava de ajeitar o monitor para o deleite das visitas não solicitadas:
-Olha só o barrigão dele! - diz apertando o pai na região abdominal.
A amiga não controla a risada.
-Eu disse que ele era o mais gordão! - Apertando ainda mais o pai para o deleite da amiga.
-E tem um furo na bermuda - diz enquanto aponta espalhafatosa o pequeno - e absolutamente discreto - furo que pai tentava esconder na peça de ficar em casa - ignorando total e completamente o conselho materno repetido a exaustão durante a infância: vista-se sempre como se fosse encontrar o amor da sua vida.
A amiga soluça de rir!
Dona da graça e da situação MC convida a amiga para o esculhambo derradeiro; dá uma volta rápida na cadeira, esgarça a camisa que o pai vestia e exibe, como fosse animal raro, a mancha de nascença nas costas dele:
-Olha que coisa mais nojenta!
A amiga se assusta mas logo volta a engasgar de tanto rir. Feliz com o feito e orgulhosa de deixar a amiga sem ar de tanto rir a malfeitora encerra o stand-up:
-Vamos andar de bicicleta?!
Atendida prontamente; as duas fazem força para empurra o brinquedo para fora do recinto ainda as gargalhadas.
Algum tempo depois a matriarca entra na escritório e dá de caras com um homem corpulento ainda - na se sabe por quanto tempo - encarando o vazio:
-Que houve?! - Pergunta em tom cordial.
O pai ainda atônito responde sem tirar os olhos fixos do chão com uma pergunta retórica:
-É bom ter filhos?!
-A melhor coisa do mundo - responde a mãe de maneira automática, precisa e firme.
-Até quando dói?!
...
-Pai - grita vigorosa do portão - abre a porta! Pai - com ainda mais vigor - abre logo a porta!
O patriarca que trabalhava na Garagem finalmente atende os chamados e abre o portão. A pequena e uma amiga imediatamente, se sem pedir permissão, invadem o recinto de trabalho do mesmo; deitam na sua maca de descompressão - uma cama que já conta inúmeras primaveras forrada com um colchão que regula em gastura - sem tirar os sapatos, pedem para assistir desenhos, abrem sobras do lance da escola e transforam o recinto em uma perfeita balburdia.
O pai prontamente as atende; tira sua música favorita, coloca os desenhos animados solicitados em seu monitor auxiliar e prossegue para tentar terminar com exito o dia de trabalho. Mc cochicha no ouvido da amiga e por um instante uma sombra zombeteira se instala no semblante da pequena bully; anda até o pai que terminava de ajeitar o monitor para o deleite das visitas não solicitadas:
-Olha só o barrigão dele! - diz apertando o pai na região abdominal.
A amiga não controla a risada.
-Eu disse que ele era o mais gordão! - Apertando ainda mais o pai para o deleite da amiga.
-E tem um furo na bermuda - diz enquanto aponta espalhafatosa o pequeno - e absolutamente discreto - furo que pai tentava esconder na peça de ficar em casa - ignorando total e completamente o conselho materno repetido a exaustão durante a infância: vista-se sempre como se fosse encontrar o amor da sua vida.
A amiga soluça de rir!
Dona da graça e da situação MC convida a amiga para o esculhambo derradeiro; dá uma volta rápida na cadeira, esgarça a camisa que o pai vestia e exibe, como fosse animal raro, a mancha de nascença nas costas dele:
-Olha que coisa mais nojenta!
A amiga se assusta mas logo volta a engasgar de tanto rir. Feliz com o feito e orgulhosa de deixar a amiga sem ar de tanto rir a malfeitora encerra o stand-up:
-Vamos andar de bicicleta?!
Atendida prontamente; as duas fazem força para empurra o brinquedo para fora do recinto ainda as gargalhadas.
Algum tempo depois a matriarca entra na escritório e dá de caras com um homem corpulento ainda - na se sabe por quanto tempo - encarando o vazio:
-Que houve?! - Pergunta em tom cordial.
O pai ainda atônito responde sem tirar os olhos fixos do chão com uma pergunta retórica:
-É bom ter filhos?!
-A melhor coisa do mundo - responde a mãe de maneira automática, precisa e firme.
-Até quando dói?!
...
domingo, 1 de junho de 2014
Reunião Secreta!
MC em tom grave e sigiloso informa à chefe do serviço secreto:
-Mãe, vou marcar uma reunião secreta aqui em casa.
A primeira espiã mantendo o disfarce (ou simplesmente por não entender as intenções da pequena) articula:
-Reunião!?
-É mãe, a gente precisa de um lugar para conversar algumas coisas... - responde a agente mirim deixando em suspenso quais os planos seriam discutidos.
Sem deixar a chefe de espionagem retrucar ou questionar mais sobre o evento a agente mirim lista os participantes:
-Eu, a Pi e a Ni - fazendo referência as agentes de campo Pietra e Nivia.
-E que coisas são essas... - começa a perguntar a agente 0 querendo saber sobre o que seria o tema do encontro.
Demonstrando um pouco de irritação - talvez pela delicadeza do que haveria de ser tratado - a agente jr responde ríspida:
-Coisas que a gente não pode falar na escola, né mãe!? - e tentando evocar na agente-chefe os sabores da juventude indaga - Nunca fez reunião secreta com suas amigas quando era criança!?
Vivendo ou não seu próprio mini-flashback de inúmeras reuniões secretas embaladas por discos de apresentadoras oxigenadas e fotos dos boys bands que hoje devem ser apresentar em casas de repouso a agente 0 resolve que é melhor saber de ante-mão o qual a pauta do evento:
-O que vocês não podem falar na escola!?
A agente em treinamento encara sua Yoda com total incredulidade e estranhamento por ainda não ter atinado o porque de tudo aquilo; e com o coração aberto e um sorriso largo responde:
-Falar mal dos meninos!!
...
-Mãe, vou marcar uma reunião secreta aqui em casa.
A primeira espiã mantendo o disfarce (ou simplesmente por não entender as intenções da pequena) articula:
-Reunião!?
-É mãe, a gente precisa de um lugar para conversar algumas coisas... - responde a agente mirim deixando em suspenso quais os planos seriam discutidos.
Sem deixar a chefe de espionagem retrucar ou questionar mais sobre o evento a agente mirim lista os participantes:
-Eu, a Pi e a Ni - fazendo referência as agentes de campo Pietra e Nivia.
-E que coisas são essas... - começa a perguntar a agente 0 querendo saber sobre o que seria o tema do encontro.
Demonstrando um pouco de irritação - talvez pela delicadeza do que haveria de ser tratado - a agente jr responde ríspida:
-Coisas que a gente não pode falar na escola, né mãe!? - e tentando evocar na agente-chefe os sabores da juventude indaga - Nunca fez reunião secreta com suas amigas quando era criança!?
Vivendo ou não seu próprio mini-flashback de inúmeras reuniões secretas embaladas por discos de apresentadoras oxigenadas e fotos dos boys bands que hoje devem ser apresentar em casas de repouso a agente 0 resolve que é melhor saber de ante-mão o qual a pauta do evento:
-O que vocês não podem falar na escola!?
A agente em treinamento encara sua Yoda com total incredulidade e estranhamento por ainda não ter atinado o porque de tudo aquilo; e com o coração aberto e um sorriso largo responde:
-Falar mal dos meninos!!
...
segunda-feira, 26 de maio de 2014
Mas eu não tenho essa virtude!
MC e o Pai passam pelo portão do edifício. Instantaneamente a pequena encara o pai e pergunta:
-Corrida!?
O pai concorda com a cabeça, se preparam e começa e contagem:
-3,2,1 e já!
O pai - de pernas mais longas - consegue facilmente uma vantagem sobre a pequena que corria com sua postura de decolagem: cabeça baixa e braços para trás.
Deixada para trás; imediatamente suspende a brincadeira:
-Parou! Parou! Parou tudo! - Grita enquanto vê o pai o chegar ao capacho da entrada social - Paciência é uma virtude pai! - e com os braços cruzados sobre o dorso e os pés batendo impaciente termina - Vamos começar de novo!
O pai volta a marca inicial, retornam posição de partida e recomeça a contagem:
-3,2... Já! - E a pequena sai correndo e estabelece uma boa vantagem tirando proveito da falta de reação do pai!
-Ei! - Grita o patriarca ainda sem ação - E a paciência!?
-O que!? - Pergunta a pequena já comemorando a vitória pulando freneticamente sobre o capacho da porta.
-Não é uma virtude!? - pergunta o pai enquanto vence a distância do corredor em passos desanimados.
-É! - responde sem sinal de dúvida.
Sorri para o pai com ar zombeteiro e completa:
-Mas eu não tenho essa virtude.
...
-Corrida!?
O pai concorda com a cabeça, se preparam e começa e contagem:
-3,2,1 e já!
O pai - de pernas mais longas - consegue facilmente uma vantagem sobre a pequena que corria com sua postura de decolagem: cabeça baixa e braços para trás.
Deixada para trás; imediatamente suspende a brincadeira:
-Parou! Parou! Parou tudo! - Grita enquanto vê o pai o chegar ao capacho da entrada social - Paciência é uma virtude pai! - e com os braços cruzados sobre o dorso e os pés batendo impaciente termina - Vamos começar de novo!
O pai volta a marca inicial, retornam posição de partida e recomeça a contagem:
-3,2... Já! - E a pequena sai correndo e estabelece uma boa vantagem tirando proveito da falta de reação do pai!
-Ei! - Grita o patriarca ainda sem ação - E a paciência!?
-O que!? - Pergunta a pequena já comemorando a vitória pulando freneticamente sobre o capacho da porta.
-Não é uma virtude!? - pergunta o pai enquanto vence a distância do corredor em passos desanimados.
-É! - responde sem sinal de dúvida.
Sorri para o pai com ar zombeteiro e completa:
-Mas eu não tenho essa virtude.
...
segunda-feira, 19 de maio de 2014
Desisto
MC é movida a propósitos - nem todos eles nobres é bom deixarmos claro - e por eles derruba pequenas montanhas, luta contra gigantes e nada em lagos que povoam apenas e tão somente sua febril imaginação.
Já embuida ou tendo escolhido a cruzada no momento em que adentrou o salão não é possível dizer; o que sabemos é que a pequena chegou a festa de um casamento da família paterna decidida: aproximar os avós paternos.
Como todo casal há muito separados escolheram cantos opostos do salão para se alojarem; injuriada com a hipotenusa que separava seus objetivos MC perguntou ao pai com um ar grave no rosto geralmente simpático:
-Cadê seu pai!?
-Lá perto do banheiro - respondeu o pai absolutamente desatento.
-Por que seu pai quis ficar lá perto do banheiro!?
-Ele faz muito xixi - respondeu o pai sem entender o porque da pergunta.
-Nossa - disse a pequena dramática em tom sério - deve fazer nas calças então.
O pai gargalhou da pequena que não perdeu tempo em pedir:
-Me leva lá!?
Já partindo da mesa e puxando o pai para o centro do salão.
Lá chegando MC desvencilhou-se do pai enquanto este cumprimentava primos, tios e tias que há muito não via. Entre boas memórias, copos de chopp e nostalgia o pai perdeu de vista completamente a pequena obstinada. Quando finalmente voltou a mesa onde sua mãe estava deu de cara com uma cena inusitada: MC puxava o avô paterno pelo braço em sua direção.
O homem moreno que ficava cada vez mais rubro quando se deu conta de para onde estava sendo traggado esboçou um sorriso que deixaria constrangido o mais performático dos palhaços tristes. MC mesmo assim o trouxe, visivelmente desconfortável e contra a vontade, até o destino.
-Vó Soli - disse com um sorriso largo no rosto - olha o vô Paulo aqui!
A avó materna estampou seu famosíssimo e inconfundível: sorriso sério.
Uma mistura de contentamento e expressão de reprovação que deve exigir uma ginástica facial de proporções inimagináveis.
Os dois se entreolham e o avô paterno mais rápido do que veio sumiu em meio as pessoas que conversavam no salão.
MC então um tanto entristecida fez uso de uma flor subtraída dos arranjos de mesa para uma última e desesperada tentativa:
-Vó Soli - disse com um sorriso largo o suficiente para fazer sentarem-se a mesa palestinos e judeus - olha o que o vô Paulo te mandou!?
Oferecendo a pequena flor para a avó em gesto de boa vontade em nome terceiros. A senhora examinou o gracejo olhou para a neta e não teve dúvidas em dizer de forma séria e repreendedora:
-Princesas não roubam flores!
-Vó - disse ofertando o presente a avó - foi vô Paulo que mandou.
A avó fez uma cara grave o que desanimou de vez a neta.
A pequena então foi até o pai, jogou-se em uma cadeira ao lado dele e disse em tom solene:
-Oi.
O pai que já tinha descoberto o que a pequena tinha em mente assentiu com a cabeça, ajeitou-a em seu colo e deu-lhe um forte abraço. Com o rosto colado ao do pai disse visivelmente desanimada:
-Seu pai não é mais apaixonado pela sua mãe!
O pai tentando não rir do dissabor da pequena segurou o fôlego e concordou tentando emular o mesmo desapontamento:
-Eu sei.
MC então olhou o pai nos olhos e como quem reporta um empreendimento falho disse passando a mão no rosto dele:
-Desisto.
...
Já embuida ou tendo escolhido a cruzada no momento em que adentrou o salão não é possível dizer; o que sabemos é que a pequena chegou a festa de um casamento da família paterna decidida: aproximar os avós paternos.
Como todo casal há muito separados escolheram cantos opostos do salão para se alojarem; injuriada com a hipotenusa que separava seus objetivos MC perguntou ao pai com um ar grave no rosto geralmente simpático:
-Cadê seu pai!?
-Lá perto do banheiro - respondeu o pai absolutamente desatento.
-Por que seu pai quis ficar lá perto do banheiro!?
-Ele faz muito xixi - respondeu o pai sem entender o porque da pergunta.
-Nossa - disse a pequena dramática em tom sério - deve fazer nas calças então.
O pai gargalhou da pequena que não perdeu tempo em pedir:
-Me leva lá!?
Já partindo da mesa e puxando o pai para o centro do salão.
Lá chegando MC desvencilhou-se do pai enquanto este cumprimentava primos, tios e tias que há muito não via. Entre boas memórias, copos de chopp e nostalgia o pai perdeu de vista completamente a pequena obstinada. Quando finalmente voltou a mesa onde sua mãe estava deu de cara com uma cena inusitada: MC puxava o avô paterno pelo braço em sua direção.
O homem moreno que ficava cada vez mais rubro quando se deu conta de para onde estava sendo traggado esboçou um sorriso que deixaria constrangido o mais performático dos palhaços tristes. MC mesmo assim o trouxe, visivelmente desconfortável e contra a vontade, até o destino.
-Vó Soli - disse com um sorriso largo no rosto - olha o vô Paulo aqui!
A avó materna estampou seu famosíssimo e inconfundível: sorriso sério.
Uma mistura de contentamento e expressão de reprovação que deve exigir uma ginástica facial de proporções inimagináveis.
Os dois se entreolham e o avô paterno mais rápido do que veio sumiu em meio as pessoas que conversavam no salão.
MC então um tanto entristecida fez uso de uma flor subtraída dos arranjos de mesa para uma última e desesperada tentativa:
-Vó Soli - disse com um sorriso largo o suficiente para fazer sentarem-se a mesa palestinos e judeus - olha o que o vô Paulo te mandou!?
Oferecendo a pequena flor para a avó em gesto de boa vontade em nome terceiros. A senhora examinou o gracejo olhou para a neta e não teve dúvidas em dizer de forma séria e repreendedora:
-Princesas não roubam flores!
-Vó - disse ofertando o presente a avó - foi vô Paulo que mandou.
A avó fez uma cara grave o que desanimou de vez a neta.
A pequena então foi até o pai, jogou-se em uma cadeira ao lado dele e disse em tom solene:
-Oi.
O pai que já tinha descoberto o que a pequena tinha em mente assentiu com a cabeça, ajeitou-a em seu colo e deu-lhe um forte abraço. Com o rosto colado ao do pai disse visivelmente desanimada:
-Seu pai não é mais apaixonado pela sua mãe!
O pai tentando não rir do dissabor da pequena segurou o fôlego e concordou tentando emular o mesmo desapontamento:
-Eu sei.
MC então olhou o pai nos olhos e como quem reporta um empreendimento falho disse passando a mão no rosto dele:
-Desisto.
...
domingo, 11 de maio de 2014
Eu danço para você.
MC chegou em casa na sexta-feira absolutamente resoluta:
-Mãe - disse depois de insistir que o pai e o cão viessem também ouvir o comunicado - eu te amo.
E tomando suavemente a mão da mãe nas suas prosseguiu sem permitir interrupções - mesmo as que indicavam ser de pura reciprocidade a declaração.
-Este é seu presente de dia das mães - entregou a mãe um embrulho de onde saiu uma camiseta estampada com suas mãoszinhas e os dizeres: Você é 10!
Presente entregue, abraços, agradecimentos e congratulações terminadas a pequena volta ao porque todos haviam sido reunidos:
-Eu não quero dançar na festa - diz olhando a mãe nos olhos com uma certa frieza e cheia de certeza.
A mãe engole o choro, tenta manter a postura enquanto o pai pergunta:
-Por que filha!?
MC dirige um olhar de desprezo ao pai e o coloca em seu devido lugar no contexto de festas familiares:
-Por acaso é dia dos pais!?
O pai recolhe os olhos e os argumentos de volta a garagem para terminar o dia de trabalho; deixando MC, a mãe e o cão encarregados de terminarem a conferência familiar.
-Eu não quero dançar, mãe!
-Filha... - diz a mãe sem conter a tristeza - a mamãe queria tanto ver a sua dança.
MC abraça a mãe com todo o carinho do mundo e a consola:
-Eu danço para você.
E então mostrou para a mãe com precisão todos os passos, cantou a música e declamou a poesia que foram ensaiadas a exaustão na escola.
Feliz dia das Mães!
-Mãe - disse depois de insistir que o pai e o cão viessem também ouvir o comunicado - eu te amo.
E tomando suavemente a mão da mãe nas suas prosseguiu sem permitir interrupções - mesmo as que indicavam ser de pura reciprocidade a declaração.
-Este é seu presente de dia das mães - entregou a mãe um embrulho de onde saiu uma camiseta estampada com suas mãoszinhas e os dizeres: Você é 10!
Presente entregue, abraços, agradecimentos e congratulações terminadas a pequena volta ao porque todos haviam sido reunidos:
-Eu não quero dançar na festa - diz olhando a mãe nos olhos com uma certa frieza e cheia de certeza.
A mãe engole o choro, tenta manter a postura enquanto o pai pergunta:
-Por que filha!?
MC dirige um olhar de desprezo ao pai e o coloca em seu devido lugar no contexto de festas familiares:
-Por acaso é dia dos pais!?
O pai recolhe os olhos e os argumentos de volta a garagem para terminar o dia de trabalho; deixando MC, a mãe e o cão encarregados de terminarem a conferência familiar.
-Eu não quero dançar, mãe!
-Filha... - diz a mãe sem conter a tristeza - a mamãe queria tanto ver a sua dança.
MC abraça a mãe com todo o carinho do mundo e a consola:
-Eu danço para você.
E então mostrou para a mãe com precisão todos os passos, cantou a música e declamou a poesia que foram ensaiadas a exaustão na escola.
Feliz dia das Mães!
quinta-feira, 8 de maio de 2014
Para demonstrar TODO o meu amor!
O pai escrevia no blog quando a
pequena chegou ao quarto; viu o escritor amador estirado no colchão concatenando as
últimas aventuras e não pensou por mais de uma fração de segundo:
jogou-se com todo peso sobre costas do pobre, reclinou-se com o cotovelo
entre as vértebras dele - impedindo que os pulmões se inflassem por
completo - e passou a assistir TV sem demonstrar qualquer comoção com o
sujeito que gemia e reclamava embaixo dela:
-Ô - reclama o pai quando junta forças para tanto - precisa se esparramar em cima de mim!?
MC abaixa a cabeça até onde o pai possa vê-la - colocando ainda mais peso sobre o cotovelo - e responde com um sorriso sincero:
-Preciso!
- Por que!? - Pergunta o pai enquanto tenta bancar o touro mecânico e lançar a pequena e dolorosa cowgirl para longe. MC agarra-se com força no pescoço do pai e diz gargalhando:
-Para demonstrar TODO o meu amor!
...
-Ô - reclama o pai quando junta forças para tanto - precisa se esparramar em cima de mim!?
MC abaixa a cabeça até onde o pai possa vê-la - colocando ainda mais peso sobre o cotovelo - e responde com um sorriso sincero:
-Preciso!
- Por que!? - Pergunta o pai enquanto tenta bancar o touro mecânico e lançar a pequena e dolorosa cowgirl para longe. MC agarra-se com força no pescoço do pai e diz gargalhando:
-Para demonstrar TODO o meu amor!
...
sexta-feira, 2 de maio de 2014
Alma Feminina
MC, a mãe e o pai aguardavam a chegada da professora na escola. Abre-se o portão um garotinho a primeira vista simpático adentra o recinto e imediatamente sorri para a pequena.
MC franze o cenho, faz um bico e reclama com para pais:
-Ai que inferno - diz meneando a cabeça com firmeza de quem não suporta o sujeito em questão - É o chato do Luiz!
Ai então a magia da alma feminina acontece: MC em um movimento de cabeça, desfaz toda a careta, esculpi no rosto um sorriso, no olhar uma alegria saudosa de quem vê uma amigo que há muito estava distante e diz com sinceridade inquestionável:
-Oie Luiz - e levantando-se rapidamente para cumprimentá-lo continua: Tudo bom!?
...
MC franze o cenho, faz um bico e reclama com para pais:
-Ai que inferno - diz meneando a cabeça com firmeza de quem não suporta o sujeito em questão - É o chato do Luiz!
Ai então a magia da alma feminina acontece: MC em um movimento de cabeça, desfaz toda a careta, esculpi no rosto um sorriso, no olhar uma alegria saudosa de quem vê uma amigo que há muito estava distante e diz com sinceridade inquestionável:
-Oie Luiz - e levantando-se rapidamente para cumprimentá-lo continua: Tudo bom!?
...
domingo, 27 de abril de 2014
E quem é a dona do Cartão do Banco!?
Depois de ter perdido por três vezes consecutivas para o pai em uma corrida virtual de karts MC perde a esportiva e a paciência:
-Não quero mais jogar - e largando o controle de lado dá o veredito - Jogo chato.
O pai empolgado pela bons resultados decide continuar só a empreitada; MC então entediada e provavelmente digerindo mal os resultados adversos transfere a frustração para o cão que dormia confortável e absolutamente alheio as tensões do ambiente. Vai até o banheiro, volta o com o rolo de papel nas mãos e uma ideia não muito brilhante na cabeça. Ao primeiro rosnado do animal doméstico o pai pausa o jogo, analisa a cena e pergunta:
-Maria Clara, tu acharia legal ter alguém enfiando uma bola de papel no seu nariz!? - Pergunta o pai tentando criar um espectro de autoanálise na filha.
Torcendo o rosto da raiz do cabelo ao queixo a pequena responde de pronto:
- Claro que não; deve ser horrível!
- Pois então - diz o ai chegando ao ponto - a Safira também não gosta. Ela só não pode dizer isso.
-Não pai - diz a pequena em sua defesa - é que a Sasá está com gripe e me pediu para limpar o narizinho dela, né filha!?
Diz abraçando o pescoço do animal acuado enquanto tenta abrir seu focinho para uma nova fase da limpeza.
-Maria Clara - repreende o pai enfurecido - larga esse papel higiênico agora e deixa a Safira em paz!
-Pai - em um tom de quem realmente crê estar sendo imaculadamente caridosa e protetora nas próprias intenções - eu estou cuidado da minha irmã!
-Chega Maria Clara! A partir de hoje não tem mais videogame nessa casa e eu vou mandar a Safira para uma casa onde tratem ela bem.
Sem prestar muita atenção e absolutamente desdenhosa da ameaça do pai MC da de ombros e diz:
-Você nem pode.
-Claro que eu posso, mocinha - autoafirmasse o pai - É claro que eu posso!
-Você nem é o dono da casa!
-Claro que eu sou, mocinha - vangloriasse o pai agora certo de que é dono da situação - É claro que eu sou!
MC sem demonstrar qualquer sinal de preocupação ou temor encara o pai com a frieza peculiar dos olhos esverdeados e pergunta instigando a autorreflexão do patriarca:
-E quem é a dona do Cartão do Banco!?
O pai então desarmado, desprovido de autoridade e agora muito pouco confiante em si mesmo desaba o olhar para o assoalho e reflete profundamente sobre a vida, o Universo e a importância da posse sobre os meios de pagamento.
-Não quero mais jogar - e largando o controle de lado dá o veredito - Jogo chato.
O pai empolgado pela bons resultados decide continuar só a empreitada; MC então entediada e provavelmente digerindo mal os resultados adversos transfere a frustração para o cão que dormia confortável e absolutamente alheio as tensões do ambiente. Vai até o banheiro, volta o com o rolo de papel nas mãos e uma ideia não muito brilhante na cabeça. Ao primeiro rosnado do animal doméstico o pai pausa o jogo, analisa a cena e pergunta:
-Maria Clara, tu acharia legal ter alguém enfiando uma bola de papel no seu nariz!? - Pergunta o pai tentando criar um espectro de autoanálise na filha.
Torcendo o rosto da raiz do cabelo ao queixo a pequena responde de pronto:
- Claro que não; deve ser horrível!
- Pois então - diz o ai chegando ao ponto - a Safira também não gosta. Ela só não pode dizer isso.
-Não pai - diz a pequena em sua defesa - é que a Sasá está com gripe e me pediu para limpar o narizinho dela, né filha!?
Diz abraçando o pescoço do animal acuado enquanto tenta abrir seu focinho para uma nova fase da limpeza.
-Maria Clara - repreende o pai enfurecido - larga esse papel higiênico agora e deixa a Safira em paz!
-Pai - em um tom de quem realmente crê estar sendo imaculadamente caridosa e protetora nas próprias intenções - eu estou cuidado da minha irmã!
-Chega Maria Clara! A partir de hoje não tem mais videogame nessa casa e eu vou mandar a Safira para uma casa onde tratem ela bem.
Sem prestar muita atenção e absolutamente desdenhosa da ameaça do pai MC da de ombros e diz:
-Você nem pode.
-Claro que eu posso, mocinha - autoafirmasse o pai - É claro que eu posso!
-Você nem é o dono da casa!
-Claro que eu sou, mocinha - vangloriasse o pai agora certo de que é dono da situação - É claro que eu sou!
MC sem demonstrar qualquer sinal de preocupação ou temor encara o pai com a frieza peculiar dos olhos esverdeados e pergunta instigando a autorreflexão do patriarca:
-E quem é a dona do Cartão do Banco!?
O pai então desarmado, desprovido de autoridade e agora muito pouco confiante em si mesmo desaba o olhar para o assoalho e reflete profundamente sobre a vida, o Universo e a importância da posse sobre os meios de pagamento.
sexta-feira, 25 de abril de 2014
É o Deus da Aranha!
-Pergunta para o seu pai!
O grito vem do quarto com intensidade suficiente para por em fuga uma pequena curiosa. O pai absorto levanta os olhos a tempo de encarar a pequena que se recostava na cama. Ainda um pouco esbaforida:
-Pai, Thor é o Deus do Trovão!?
-Sim filha - responde o pai saudoso da vasta coleção de HQ's que um dia foi sua.
-E o Homem-Aranha!?
Confuso o pai tenta explicar:
-Filha, o homem-aranha não é um Deus...
A pequena contrariada que foi no próprio entendimento do Universo de heróis retruca:
-Claro que é!
Cheia de si e espantosamente segura para deixar qualquer teólogo confuso explica:
-É o Deus da Aranha!
...
O grito vem do quarto com intensidade suficiente para por em fuga uma pequena curiosa. O pai absorto levanta os olhos a tempo de encarar a pequena que se recostava na cama. Ainda um pouco esbaforida:
-Pai, Thor é o Deus do Trovão!?
-Sim filha - responde o pai saudoso da vasta coleção de HQ's que um dia foi sua.
-E o Homem-Aranha!?
Confuso o pai tenta explicar:
-Filha, o homem-aranha não é um Deus...
A pequena contrariada que foi no próprio entendimento do Universo de heróis retruca:
-Claro que é!
Cheia de si e espantosamente segura para deixar qualquer teólogo confuso explica:
-É o Deus da Aranha!
...
terça-feira, 22 de abril de 2014
Você vai ganhar um irmãozinho!
MC chega a cozinha e se depara com a avó paterna comendo uma pizza sem
qualquer traço de um laticínio muito comumente usado para dar
consistência ao prato; imbui-se de toda especialização em distúrbios
alimentares que as infintas horas assistindo o canal predileto da mãe
lhe conferem e pergunta:
-Quando tu ficar melhor vai voltar a comer queijo!?
A avó que não consome laticínios por absoluta e manifesta vontade responde sem delongas:
-Eu não estou doente - e iniciando uma explicação sobre gostos pessoais continua - Eu não...
Apenas para ser brusca e intempestivamente interrompida pela pequena Dr.:
-Já experimentou!? - E rapidamente enrola uma fatia especialmente amarelada e tenta fazer com que a avó deguste mesmo contra a vontade:
-Tem que experimentar antes de dizer que não gosta, vó! - E um tanto ríspida continua - Abre a boquinha!
A senhora de meia idade esquiva-se do bólido e contrariando a si mesma dá uma explicação inusitada para partilhar do alimento:
-Já experimentei baby - e pousando a mão sobre o ventre explica - Eu fico muito enjoada.
MC então deixa de lado a formação endocrinológica e encampa a obstetrícia - também obtida com horas a fio acompanhando a mãe em documentários sobre mulheres que só descobrem que estão grávidas quando os rebentos resolvem por literalmente rebentar; pousa a mão sobre a mão da avó e afirma cheia de certeza e com os olhos absolutamente maravilhados:
-Soli; - diz com os olhos fixos nos olhos da avó - Você está grávida!
Imediatamente vem a sala contar a novidade ao pai que jogava videogame:
-Pai - diz com natural efusividade.
-Você vai ganhar um irmãozinho!
...
-Quando tu ficar melhor vai voltar a comer queijo!?
A avó que não consome laticínios por absoluta e manifesta vontade responde sem delongas:
-Eu não estou doente - e iniciando uma explicação sobre gostos pessoais continua - Eu não...
Apenas para ser brusca e intempestivamente interrompida pela pequena Dr.:
-Já experimentou!? - E rapidamente enrola uma fatia especialmente amarelada e tenta fazer com que a avó deguste mesmo contra a vontade:
-Tem que experimentar antes de dizer que não gosta, vó! - E um tanto ríspida continua - Abre a boquinha!
A senhora de meia idade esquiva-se do bólido e contrariando a si mesma dá uma explicação inusitada para partilhar do alimento:
-Já experimentei baby - e pousando a mão sobre o ventre explica - Eu fico muito enjoada.
MC então deixa de lado a formação endocrinológica e encampa a obstetrícia - também obtida com horas a fio acompanhando a mãe em documentários sobre mulheres que só descobrem que estão grávidas quando os rebentos resolvem por literalmente rebentar; pousa a mão sobre a mão da avó e afirma cheia de certeza e com os olhos absolutamente maravilhados:
-Soli; - diz com os olhos fixos nos olhos da avó - Você está grávida!
Imediatamente vem a sala contar a novidade ao pai que jogava videogame:
-Pai - diz com natural efusividade.
-Você vai ganhar um irmãozinho!
...
quarta-feira, 16 de abril de 2014
Tá carregando!
O pai chega ao quarto com a inglória missão de iniciar as rotinas
diárias da pequena - visto que o job escola já estava em vias de ser
abendado:
-Maria Clara vamos acordar!?
A pequena sem abrir os receptores oculares e ligando minimamente as interfaces de fala responde:
-Cade minha mãe!?
O pai dá então fornece o feedback negativo:
-Deu uma saída - responde o pai despreocupado.
MC então vira-se de lado, visivelmente dá início a rotina de hibernação e emite uma saída de erro sucinta:
-Então, não posso.
-Não pode o que!? - enquanto tenta fazer uma inicialização forçada no sistema por meio de cócegas.
-Acordar.
-Por que!? - pergunta o operador reforçando a intervenção de cócegas para o modo de duas mãos.
A pequena senta-se devagar, semi-cerra os periféricos oculares por trás da espessa cabeleira e explica:
-Pai, minha mãe tem um sistema para me acordar.
O pai desconcertado limita-se a perguntar:
-Que sistema é esse!?
-É um botão secreto que ela aperta e eu acordo.
Pego de surpresa pelo absoluto e irremediável desconhecimento do projeto de hardware da sua própria criação o pai procura saber
-E onde fica esse botão!?
MC limpa as mechas de cabelo que obstruíam suas entradas de ar com uma baforada e responde:
-Pai, sabe o que é secreto!?
Abalado por não compartilhar dos níveis de acesso necessários o pai resigna-se:
-Vamos esperar sua mãe então!?
MC então fornece ao pai uma resposta que reaviva as esperanças de uma inicialização completa a tempo de processar a rotina escola:
-Minha mãe já apertou o botão.
-E agora? - pergunta o pai esperançoso.
Mc volta a se deitar, vira-se de lado e responde antes de fechar novamente os olhos:
-Tá carregando.
...
-Maria Clara vamos acordar!?
A pequena sem abrir os receptores oculares e ligando minimamente as interfaces de fala responde:
-Cade minha mãe!?
O pai dá então fornece o feedback negativo:
-Deu uma saída - responde o pai despreocupado.
MC então vira-se de lado, visivelmente dá início a rotina de hibernação e emite uma saída de erro sucinta:
-Então, não posso.
-Não pode o que!? - enquanto tenta fazer uma inicialização forçada no sistema por meio de cócegas.
-Acordar.
-Por que!? - pergunta o operador reforçando a intervenção de cócegas para o modo de duas mãos.
A pequena senta-se devagar, semi-cerra os periféricos oculares por trás da espessa cabeleira e explica:
-Pai, minha mãe tem um sistema para me acordar.
O pai desconcertado limita-se a perguntar:
-Que sistema é esse!?
-É um botão secreto que ela aperta e eu acordo.
Pego de surpresa pelo absoluto e irremediável desconhecimento do projeto de hardware da sua própria criação o pai procura saber
-E onde fica esse botão!?
MC limpa as mechas de cabelo que obstruíam suas entradas de ar com uma baforada e responde:
-Pai, sabe o que é secreto!?
Abalado por não compartilhar dos níveis de acesso necessários o pai resigna-se:
-Vamos esperar sua mãe então!?
MC então fornece ao pai uma resposta que reaviva as esperanças de uma inicialização completa a tempo de processar a rotina escola:
-Minha mãe já apertou o botão.
-E agora? - pergunta o pai esperançoso.
Mc volta a se deitar, vira-se de lado e responde antes de fechar novamente os olhos:
-Tá carregando.
...
sábado, 12 de abril de 2014
A lista (continuação)
O pai, da bancada moderada, intervém na ordem do dia preocupado com o orçamento do empreendimento:
-Filha - diz tentando trazer uma dose de realidade a ufania de igualitária da pequena - o papai e a mamãe não podem fazer uma festa muito grande - e argumentando baseado nos números totais do orçamento da União decreta:
-É muito caro.
MC arregala os olhos confrontada com o capitalismo irrefutável do mundo em que vive e chega a uma conclusão assombrosa e assustadora:
-A gente é pobre? - pergunta desesperada e desalentada enquanto deixa escorrer lágrimas genuinamente marxistas por ter de excluir seus amigos da comemoração.
-Não somos exatamente pobres, filha - responde o pai tentando evitar a instauração de uma CPI para investigar os gastos governamentais.
-A gente tem muito dinheiro! - diz a deputada caudilha enquanto ainda tem no rosto a vermelhidão do choque de realidade agora misturada a um sorriso de contentamento com sua própria perspicácia:
-A galinha da Disney! - diz exultante ao fazer referência ao pote de moedas em forma de galeto que os congressistas mais antigos explicaram ser as economias para a viajem de recesso parlamentar - Ela tem muito dinheiro!
Agora acuada pela oposição e sem poder recuar na afirmação a respeito do superávit-primário da ave a presidente da casa expõe o valor das metas de longo prazo:
-Filha, se a gente tirar da galinha não vamos conseguir ir para a Disney esse ano.
-Mãe - responde a deputada de esquerda com o firme propósito de instituir o bolsa-festa - são só umas moedinhas.
E para fazer valer seu argumento discorre sobre as limitações que ela própria enfretaria durante a incursão ao paraíso do capitalismo:
-Eu só tenho 5 anos; - diz querendo estabelecer as diretrizes do plano familiar de viagens - tem pouco brinquedo para criança de 5 anos na Disney. Melhor a gente ir ano que vem.
A bancada moderada já vencida na argumentação declara:
-Tudo bem filha - e focada em minimizar a abrangência do novo benefício sentencia:
-Não podemos chamar todos os seus amigos. Tu vai ter de...
Rapidamentea deputada vermelha saca uma caneta, risca o projeto sobre a mesa e diz:
-Pronto... - entregando a folha novamente a presidente da casa - ...tirei a Nathália. Eu nem gosto dela!
Discretamente o representante dos moderados consulta a presidente sobre vulto da redução:
-E quantos sobram!?
Desesperançosa, a reacionária responde seca:
-15!
...
-Filha - diz tentando trazer uma dose de realidade a ufania de igualitária da pequena - o papai e a mamãe não podem fazer uma festa muito grande - e argumentando baseado nos números totais do orçamento da União decreta:
-É muito caro.
MC arregala os olhos confrontada com o capitalismo irrefutável do mundo em que vive e chega a uma conclusão assombrosa e assustadora:
-A gente é pobre? - pergunta desesperada e desalentada enquanto deixa escorrer lágrimas genuinamente marxistas por ter de excluir seus amigos da comemoração.
-Não somos exatamente pobres, filha - responde o pai tentando evitar a instauração de uma CPI para investigar os gastos governamentais.
-A gente tem muito dinheiro! - diz a deputada caudilha enquanto ainda tem no rosto a vermelhidão do choque de realidade agora misturada a um sorriso de contentamento com sua própria perspicácia:
-A galinha da Disney! - diz exultante ao fazer referência ao pote de moedas em forma de galeto que os congressistas mais antigos explicaram ser as economias para a viajem de recesso parlamentar - Ela tem muito dinheiro!
Agora acuada pela oposição e sem poder recuar na afirmação a respeito do superávit-primário da ave a presidente da casa expõe o valor das metas de longo prazo:
-Filha, se a gente tirar da galinha não vamos conseguir ir para a Disney esse ano.
-Mãe - responde a deputada de esquerda com o firme propósito de instituir o bolsa-festa - são só umas moedinhas.
E para fazer valer seu argumento discorre sobre as limitações que ela própria enfretaria durante a incursão ao paraíso do capitalismo:
-Eu só tenho 5 anos; - diz querendo estabelecer as diretrizes do plano familiar de viagens - tem pouco brinquedo para criança de 5 anos na Disney. Melhor a gente ir ano que vem.
A bancada moderada já vencida na argumentação declara:
-Tudo bem filha - e focada em minimizar a abrangência do novo benefício sentencia:
-Não podemos chamar todos os seus amigos. Tu vai ter de...
Rapidamentea deputada vermelha saca uma caneta, risca o projeto sobre a mesa e diz:
-Pronto... - entregando a folha novamente a presidente da casa - ...tirei a Nathália. Eu nem gosto dela!
Discretamente o representante dos moderados consulta a presidente sobre vulto da redução:
-E quantos sobram!?
Desesperançosa, a reacionária responde seca:
-15!
...
quarta-feira, 9 de abril de 2014
Vira para a Parede!
MC e Piti brincavam no quarto quando a primeira chama atenção dos demais com veemência e energia:
-Gente! Gente! Gente!
O pai e Piti se viram para entender o porque da euforia:
-Vou soltar um pum! - anuncia MC sem qualquer reserva ou constrangimento
-Filha! - repreende o pai constrangido - O que a Piti vai achar!?
-Tudo bem Maria; mas - diz a amiga Pietra enquanto dá de ombros e volta a brincar com a boneca mas estabelece uma única e inviolável condição:
-...vira para a parede!
...
-Gente! Gente! Gente!
O pai e Piti se viram para entender o porque da euforia:
-Vou soltar um pum! - anuncia MC sem qualquer reserva ou constrangimento
-Filha! - repreende o pai constrangido - O que a Piti vai achar!?
-Tudo bem Maria; mas - diz a amiga Pietra enquanto dá de ombros e volta a brincar com a boneca mas estabelece uma única e inviolável condição:
-...vira para a parede!
...
sábado, 5 de abril de 2014
A Lista.
MC, parlamentar de esquerda, aproxima-se da presidente da casa com um documento para ser protocolado:
-Mãe - oferece a mãe uma folha com vários rabiscos em sequência - essa é milha lista.
A presidente do parlamento, radical de direita, aceita o papel e procura obter mais informações sobre o que se trata:
-Lista de que filha!?
MC absolutamente abismada com a desinformação da mãe explica suas intenções sociais com uma interjeição:
-Alôoou! - alongando maneira significativa e canastral o Ô e colocando as mãos na cintura explica - Lista de Convidados!
A mãe pega desprevenida com a emenda orçamentária da pequena parlamentar tenta apresentar ao plenário noções básicas de calendário e planejamento de médio prazo:
-Filha, seu aniversário é em Setembro...
Antes que fosse possível qualquer explicação minimamente razoável sobre a passagem do tempo MC interrompe de forma bolivarianamente brusca:
-Dãaaa (alongando de maneira canastral e debochada o Ã) - e novamente explicando a mãe o óbvio sobre a vida, inclusão social e sistemas de quotas continua- São meus convidados para o SEU aniversário - explica enquanto ajeita-se sobre a cama e sequestra o controle de televisão.
-Filha - replica a mãe com o firme propósito de manter intacto o direito a propriedade privada - o aniversário é da mamãe...
Apenas para ser novamente ser atropelada por uma comunista de 5 anos com argumentos bastante sólidos:
-Mãe, no meu aniversário - diz enquanto toma a lista das mãos da mãe e eleva dramaticidade da voz a níveis bolchevics- tu não convida seus amigos!?
A mãe percebe a lógica insofismável do argumento e admite ter indicados correligionários a cargos de confiança em empresas estatais:
-Eu convido...
-Então - diz pequena tomando para si, por meio de golpe, o controle do parlamento - eu posso chamar os meus amigos para a sua festa!
...
(continua)
-Mãe - oferece a mãe uma folha com vários rabiscos em sequência - essa é milha lista.
A presidente do parlamento, radical de direita, aceita o papel e procura obter mais informações sobre o que se trata:
-Lista de que filha!?
MC absolutamente abismada com a desinformação da mãe explica suas intenções sociais com uma interjeição:
-Alôoou! - alongando maneira significativa e canastral o Ô e colocando as mãos na cintura explica - Lista de Convidados!
A mãe pega desprevenida com a emenda orçamentária da pequena parlamentar tenta apresentar ao plenário noções básicas de calendário e planejamento de médio prazo:
-Filha, seu aniversário é em Setembro...
Antes que fosse possível qualquer explicação minimamente razoável sobre a passagem do tempo MC interrompe de forma bolivarianamente brusca:
-Dãaaa (alongando de maneira canastral e debochada o Ã) - e novamente explicando a mãe o óbvio sobre a vida, inclusão social e sistemas de quotas continua- São meus convidados para o SEU aniversário - explica enquanto ajeita-se sobre a cama e sequestra o controle de televisão.
-Filha - replica a mãe com o firme propósito de manter intacto o direito a propriedade privada - o aniversário é da mamãe...
Apenas para ser novamente ser atropelada por uma comunista de 5 anos com argumentos bastante sólidos:
-Mãe, no meu aniversário - diz enquanto toma a lista das mãos da mãe e eleva dramaticidade da voz a níveis bolchevics- tu não convida seus amigos!?
A mãe percebe a lógica insofismável do argumento e admite ter indicados correligionários a cargos de confiança em empresas estatais:
-Eu convido...
-Então - diz pequena tomando para si, por meio de golpe, o controle do parlamento - eu posso chamar os meus amigos para a sua festa!
...
(continua)
sexta-feira, 4 de abril de 2014
Era ó titio do gás!
MC brincava com a melhor amiga no quarto. Toca o interfone e o plano é posto em ação:
-Pietra - grita para a amiga que é dois palmos menor e algumas dezenas de quilos mais leve que ela própria - segura o meu pai!
Enquanto a amiga tenta evitar que o pai levante MC ganha a vantagem que precisa para chegar à cozinha e atender ao interfone:
-Alô - diz como se atendesse ao telefone!
Do outro lado a mãe da amiga responde:
-Oi Maria Clara é a mãe...
Antes que a autoridade matriarcal pudesse se identificar MC responde seca e solene:
-Não tem ninguém!
O pai finalmente conseguindo desvencilhar-se - sem ferir ou traumatizar permanentemente - da amiga chega a cozinha para ver MC colocar o interfone no lugar:
-Quem era filha!?
MC dá de ombros e sem dar muita importância explica:
-Era o tito do gás!
...
-Pietra - grita para a amiga que é dois palmos menor e algumas dezenas de quilos mais leve que ela própria - segura o meu pai!
Enquanto a amiga tenta evitar que o pai levante MC ganha a vantagem que precisa para chegar à cozinha e atender ao interfone:
-Alô - diz como se atendesse ao telefone!
Do outro lado a mãe da amiga responde:
-Oi Maria Clara é a mãe...
Antes que a autoridade matriarcal pudesse se identificar MC responde seca e solene:
-Não tem ninguém!
O pai finalmente conseguindo desvencilhar-se - sem ferir ou traumatizar permanentemente - da amiga chega a cozinha para ver MC colocar o interfone no lugar:
-Quem era filha!?
MC dá de ombros e sem dar muita importância explica:
-Era o tito do gás!
...
domingo, 30 de março de 2014
Caçadora de Onças!
A avó materna mostra a neta sua mais nova aquisição: uma necessaire com estampa de pele de onça.
MC assoberbada pelo objeto de gosto deveras duvidoso coloca as mãos em forma de cuia para acomodá-lo e cuida dele como um pequeno tesouro; examina, observa e admira.
Depois de inspecioná-lo por alguns instantes pergunta à avó com um ar da mais pura e profunda admiração:
-Ela morreu!?
A avó sem poder sequer remotamente entender o porque da pergunta indaga desavisada:
-Quem morreu baby!?
MC ainda admirando no novo utensílio da avó explica:
-A onça, Soli - e levantando os olhos com um semblante de completa admiração - ela morreu!?
A avó materna tomou uma fração de segundo para refletir sobre o assunto e quando tinha finalmente uma resposta não tinha mais uma ouvinte.
MC já tinha chego a sala com a Necessaire nas mãos e exultante da bravura da avó:
-Pai! - grita eufórica - Sabe o que sua mãe é!?
O pai absorto por um livro qualquer indaga despreocupadamente:
-O que ela é filha!?
A pequena então oferece ao pai o objeto com o cuidado de quem entrega o mais fino dos cristais e diz absolutamente orgulhosa da bravura de sua arvore genealógica:
-Caçadora de Onças!
...
MC assoberbada pelo objeto de gosto deveras duvidoso coloca as mãos em forma de cuia para acomodá-lo e cuida dele como um pequeno tesouro; examina, observa e admira.
Depois de inspecioná-lo por alguns instantes pergunta à avó com um ar da mais pura e profunda admiração:
-Ela morreu!?
A avó sem poder sequer remotamente entender o porque da pergunta indaga desavisada:
-Quem morreu baby!?
MC ainda admirando no novo utensílio da avó explica:
-A onça, Soli - e levantando os olhos com um semblante de completa admiração - ela morreu!?
A avó materna tomou uma fração de segundo para refletir sobre o assunto e quando tinha finalmente uma resposta não tinha mais uma ouvinte.
MC já tinha chego a sala com a Necessaire nas mãos e exultante da bravura da avó:
-Pai! - grita eufórica - Sabe o que sua mãe é!?
O pai absorto por um livro qualquer indaga despreocupadamente:
-O que ela é filha!?
A pequena então oferece ao pai o objeto com o cuidado de quem entrega o mais fino dos cristais e diz absolutamente orgulhosa da bravura de sua arvore genealógica:
-Caçadora de Onças!
...
sexta-feira, 28 de março de 2014
É a escola!
Em uma ação cinematográfica MC vence as defesas da avó e descaradamente
furta lascas preciosas de calabresa. Bem prórima de perder para a neta
toda a cobertura da pizz a indefesa senhora soa o alarme:
-Hey baby - em tom inimitável que mistura bronca e brincadeira - Por que não pediu esse sabor!?
Pega no ato MC não se intimida e deixa claro que aquela subtração alimentícia é perfeitamente justificável:
-Porque o titio coloca muita cebola!
-Sabia que quem come cebola fica muito inteligente!? - Interrompe o pai fazendo valer a autoridade a ele conferida.
A pequena não se aflige e responde em tom cordial:
-Cebola não deixa ninguém inteligente, pai!
E para acobertar sua fuga lança ao pai uma pergunta enigmática:
-Sabe o que deixa a gente inteligente!?
-O que!? Pergunta o pai já sem esperanças e trancafiar a pequena meliante.
MC sorri, levanta-se com o fruto do roubo e enquanto prepara-se para partir para seu esconderijo responde:
-É a escola!
...
-Hey baby - em tom inimitável que mistura bronca e brincadeira - Por que não pediu esse sabor!?
Pega no ato MC não se intimida e deixa claro que aquela subtração alimentícia é perfeitamente justificável:
-Porque o titio coloca muita cebola!
-Sabia que quem come cebola fica muito inteligente!? - Interrompe o pai fazendo valer a autoridade a ele conferida.
A pequena não se aflige e responde em tom cordial:
-Cebola não deixa ninguém inteligente, pai!
E para acobertar sua fuga lança ao pai uma pergunta enigmática:
-Sabe o que deixa a gente inteligente!?
-O que!? Pergunta o pai já sem esperanças e trancafiar a pequena meliante.
MC sorri, levanta-se com o fruto do roubo e enquanto prepara-se para partir para seu esconderijo responde:
-É a escola!
...
segunda-feira, 17 de março de 2014
O dia acabou de chegar!
MC pegara no sono as 21:45; fato que os pais e os vizinhos consideram
raro e digno de comemoração silenciosa - para não despertar o
mini-craken.
Por volta das 00:00 enquanto era sutilmente guiada ao seu quarto depois de ter "regado" a cama dos pais a pequena abre os doces olhios esverdeados e fuzila as esperanças de uma madrugada tranquila:
-Já é de dia!? - Pergunta faceira.
-Não filha - responde o pai enquanto a ajeitava na cama - ainda é...
-Vamos brincar!
E madrugada à fora MC pulou, brincou, tomou bronca, chorou, encenou, quis que o pai dormisse com ela de mãos dadas para que ela não tivesse pesadelos, desistiu em seguida da mão, dos pesadelos e do sono em prol de um desenho de TV, aborreceu o cachorro, tropeçou na própria bagunça, reclamou que seu quarto vive bagunçado, começou uma arrumação, reclamou que naquela casa ninguém ajuda as crianças nas tarefas, desistiu da arrumação, resolveu que ascender as luzes para desenhar seria uma excelente ideia, voltou para apaga-las enquanto tentava dissipar o calor e a ardência nas nádegas, desenhou e leu no escuro; entre cochilos e vigilias os pais ora tentavam fazer com que ela dormisse ora se entregavam exaustos ao sono.
Por volta de seis da manhã, MC ainda acordada assitia desenhos; deitada confortavelmente sobre o dorso do cão:
-Maria Clara! - esbraveja a mãe tentando não pegar no sono no meio da bronca.
-Vem dormir agora! - e apontando vigorosamente os primeiro raios de sol que trapassavam a janela fecha o argumento:
- Já está claro!
MC beija o focinho do cão, vira-se para mãe e põe à prova toda a hierarquia e ordenança vigentes:
-Mas mãe - diz em tom de advogado yuppie de seriados importados enquanto prepara o argumento decisivo contra a corrupção do sistema - tu não me disse que era muito saudável acordar cedo!?
E absolutamente contente por estar certa aponta a luminosidade que apenas começava a aumentar do lado de fora da janela:
-Olha - apontando vigorosa e alegremente a vidraça:
-O dia acabou de chegar!
...
Por volta das 00:00 enquanto era sutilmente guiada ao seu quarto depois de ter "regado" a cama dos pais a pequena abre os doces olhios esverdeados e fuzila as esperanças de uma madrugada tranquila:
-Já é de dia!? - Pergunta faceira.
-Não filha - responde o pai enquanto a ajeitava na cama - ainda é...
-Vamos brincar!
E madrugada à fora MC pulou, brincou, tomou bronca, chorou, encenou, quis que o pai dormisse com ela de mãos dadas para que ela não tivesse pesadelos, desistiu em seguida da mão, dos pesadelos e do sono em prol de um desenho de TV, aborreceu o cachorro, tropeçou na própria bagunça, reclamou que seu quarto vive bagunçado, começou uma arrumação, reclamou que naquela casa ninguém ajuda as crianças nas tarefas, desistiu da arrumação, resolveu que ascender as luzes para desenhar seria uma excelente ideia, voltou para apaga-las enquanto tentava dissipar o calor e a ardência nas nádegas, desenhou e leu no escuro; entre cochilos e vigilias os pais ora tentavam fazer com que ela dormisse ora se entregavam exaustos ao sono.
Por volta de seis da manhã, MC ainda acordada assitia desenhos; deitada confortavelmente sobre o dorso do cão:
-Maria Clara! - esbraveja a mãe tentando não pegar no sono no meio da bronca.
-Vem dormir agora! - e apontando vigorosamente os primeiro raios de sol que trapassavam a janela fecha o argumento:
- Já está claro!
MC beija o focinho do cão, vira-se para mãe e põe à prova toda a hierarquia e ordenança vigentes:
-Mas mãe - diz em tom de advogado yuppie de seriados importados enquanto prepara o argumento decisivo contra a corrupção do sistema - tu não me disse que era muito saudável acordar cedo!?
E absolutamente contente por estar certa aponta a luminosidade que apenas começava a aumentar do lado de fora da janela:
-Olha - apontando vigorosa e alegremente a vidraça:
-O dia acabou de chegar!
...
quinta-feira, 13 de março de 2014
Tudo com o meu nome!
A caminho da escola MC interpola a mãe com um pedido de relatório:
-Mãe, tu e meu pai já começaram a preparar a minha festa de 6 anos!?
Nota:
O aniversário da madame é em Setembro e ainda nem bem chegamos ao meio de Março.
-Já estamos pensando em algumas coisas filha - diz a mãe achando tratar-se de apenas curiosidade passageira.
MC, em ares de cliente, começa a colocar suas ideias para o breifing:
-Sabe mãe - diz em tom coloquial - eu quero que tu fale para o meu pai caprichar nas coisas.
A mãe então, gerente de projeto, deixa que a cliente discorra sobre sua visão do produto:
-Eu quero bastante coisas diferentes da Cinderella... - e parece que voltando de um transe completa rapidamente completa:
-...todas com o meu nome.
Continua enquanto demonstra no ar de maneira absolutamente casual as dimensões das peças que criou na cabeça:
-Eu quero maletinhas de acrílico com a Cinderela...
E novamente para não deixar dúvidas quanto a quem pertence toda aquela criatividade reforça:
-...e com o meu nome!
Pigarreia, ajeita-se na própria visão do sonho e continua:
-Eu quero aqueles tubetes de balas.
-Com a Cinderela...
-.. e meu nome!
Ao passarem pela banca de jornal MC começa a perguntar sobre as possibilidades da equipe de criação:
-Será que meu pai sabe fazer uma revista da Cinderella...
E apenas para não deixar que o conceito se perca reforça:
-...com o meu nome!?
-A foto da Cinderella e escrito Maria Clara, entendeu mãe!?
A mãe assente com a cabeça e toma notas mentais dos pedidos. Chegando à porta da escola Mc beija a mãe no rosto e deixa claro quais são suas expectativas quanto a agencia contratada para coordenar os preparativos da sua festa:
-Então mãe, esse ano eu quero muitas novidades.
-Quero tudo da Cinderella!
-Vamos ver filha - diz a mãe pensando em como fazer caber tantos desejos em um orçamento limitado.
MC então dá uma volta sobre os calcanhares e transmite a mãe algo que ela talvez tivesse esquecido de mencionar:
-Mãe...- grita enquanto esta se afasta em direção ao portão.
-...e não esquece de colocar tudo com o meu nome!
...
-Mãe, tu e meu pai já começaram a preparar a minha festa de 6 anos!?
Nota:
O aniversário da madame é em Setembro e ainda nem bem chegamos ao meio de Março.
-Já estamos pensando em algumas coisas filha - diz a mãe achando tratar-se de apenas curiosidade passageira.
MC, em ares de cliente, começa a colocar suas ideias para o breifing:
-Sabe mãe - diz em tom coloquial - eu quero que tu fale para o meu pai caprichar nas coisas.
A mãe então, gerente de projeto, deixa que a cliente discorra sobre sua visão do produto:
-Eu quero bastante coisas diferentes da Cinderella... - e parece que voltando de um transe completa rapidamente completa:
-...todas com o meu nome.
Continua enquanto demonstra no ar de maneira absolutamente casual as dimensões das peças que criou na cabeça:
-Eu quero maletinhas de acrílico com a Cinderela...
E novamente para não deixar dúvidas quanto a quem pertence toda aquela criatividade reforça:
-...e com o meu nome!
Pigarreia, ajeita-se na própria visão do sonho e continua:
-Eu quero aqueles tubetes de balas.
-Com a Cinderela...
-.. e meu nome!
Ao passarem pela banca de jornal MC começa a perguntar sobre as possibilidades da equipe de criação:
-Será que meu pai sabe fazer uma revista da Cinderella...
E apenas para não deixar que o conceito se perca reforça:
-...com o meu nome!?
-A foto da Cinderella e escrito Maria Clara, entendeu mãe!?
A mãe assente com a cabeça e toma notas mentais dos pedidos. Chegando à porta da escola Mc beija a mãe no rosto e deixa claro quais são suas expectativas quanto a agencia contratada para coordenar os preparativos da sua festa:
-Então mãe, esse ano eu quero muitas novidades.
-Quero tudo da Cinderella!
-Vamos ver filha - diz a mãe pensando em como fazer caber tantos desejos em um orçamento limitado.
MC então dá uma volta sobre os calcanhares e transmite a mãe algo que ela talvez tivesse esquecido de mencionar:
-Mãe...- grita enquanto esta se afasta em direção ao portão.
-...e não esquece de colocar tudo com o meu nome!
...
quarta-feira, 12 de março de 2014
Mentir é feio, viu!?
-Cabeção - chama o pai enquanto a pequena desenha.
-Qui é!? - responde com o desdém com que a genética a agraciou.
-"Qui é" não! - reclama o pai forçando a autoridade na voz - É senhor papai! Repete!
MC sem muita emoção atende:
-Senhor papai... - e arremeta com certa impaciência - que que tu quer!?
-Ainda não está bom - diz o pai forçando o ciso na expressão - Repete comigo: Senhor..
MC virando a cadeira com ares de tédio começa a repetir de forma automática:
-Senhor...
-Papai Lindão...
Torcendo o bico na esperança de aquilo terminasse continua repetindo agora com os olhos virados para cima e usando a mais clara definição de derrota no rosto:
-Papai Lindão...
-Que eu amo e obedeço! - termina o pai.
MC sem parecer prestar atenção começa a repetir as palavras do pai:
-Que eu amo e... - subitamente pára, engole seco, encara o pai com uma mistura de censura e repreensão e pergunta:
-Pai, sua mãe não te explicou!? - e olhando fixamente o pai completa:
-Mentir é feio, viu!?
...
-Qui é!? - responde com o desdém com que a genética a agraciou.
-"Qui é" não! - reclama o pai forçando a autoridade na voz - É senhor papai! Repete!
MC sem muita emoção atende:
-Senhor papai... - e arremeta com certa impaciência - que que tu quer!?
-Ainda não está bom - diz o pai forçando o ciso na expressão - Repete comigo: Senhor..
MC virando a cadeira com ares de tédio começa a repetir de forma automática:
-Senhor...
-Papai Lindão...
Torcendo o bico na esperança de aquilo terminasse continua repetindo agora com os olhos virados para cima e usando a mais clara definição de derrota no rosto:
-Papai Lindão...
-Que eu amo e obedeço! - termina o pai.
MC sem parecer prestar atenção começa a repetir as palavras do pai:
-Que eu amo e... - subitamente pára, engole seco, encara o pai com uma mistura de censura e repreensão e pergunta:
-Pai, sua mãe não te explicou!? - e olhando fixamente o pai completa:
-Mentir é feio, viu!?
...
terça-feira, 11 de março de 2014
Isso é um filme!
MC achega-se ao pai com uma pilha de bugigangas, livros e outras miudezas:
-Senhor da loja - diz interpretando uma madame de gestos elegantes, fala macia e comportamento aristocrático - quanto custam essas coisinhas!?
-Filha - responde o pai distraído - eu não posso brincar agora.
-Ah, então é tudo de graça!? - sorri de canto de boca e continua: Que maravilha; vou contar para minhas amigas!
-Não, filha - responde o pai sem jeito - Eu não posso brincar agora.
-Senhor - diz a pequena enquanto coloca a série de utensílios em uma bolsa - vou levar tudo isso de graça, obrigado.
-Filha eu...
Subitamente MC desfaz o personagem, abandona o tom interpretativo, assume o semblante normal e reprime o pai:
-Pai, tu não entendeu que isso não é brincadeira!?- pergunta com ar severo.
-Isso é um filme!
...
-Senhor da loja - diz interpretando uma madame de gestos elegantes, fala macia e comportamento aristocrático - quanto custam essas coisinhas!?
-Filha - responde o pai distraído - eu não posso brincar agora.
-Ah, então é tudo de graça!? - sorri de canto de boca e continua: Que maravilha; vou contar para minhas amigas!
-Não, filha - responde o pai sem jeito - Eu não posso brincar agora.
-Senhor - diz a pequena enquanto coloca a série de utensílios em uma bolsa - vou levar tudo isso de graça, obrigado.
-Filha eu...
Subitamente MC desfaz o personagem, abandona o tom interpretativo, assume o semblante normal e reprime o pai:
-Pai, tu não entendeu que isso não é brincadeira!?- pergunta com ar severo.
-Isso é um filme!
...
quinta-feira, 6 de março de 2014
Sei e Não Sei
O pai entra no quarto e encontra a mãe desolada com as mãos espalmadas no queixo e o rosto transfigurado em desalento:
-Que houve!?
A mãe bufa em sonora desaprovação e começa o desabafo:
-Toda vez que eu saio do quarto alguém aqui começa com o tal do entra-e-sai, entra-e-sai, entra-e-sai.
Ainda com o olhar fixo no chão continua:
-Ai, eu não consigo fazer nada.
O pai imediatamente se propõe a assumir o posto:
-Pode ir - diz enquanto se acomoda em frente a pequena para começar a brincadeira - eu brinco com ela.
À toda a conversa até então MC parecia absolutamente desatenta e continuava a criar "romance" entre linhas diferentes de brinquedos. O pai então pergunta:
-Tu sabe que estamos falando de ti!?
MC sem tirar os olhos dos próprios afazeres responde:
-Sei.
O pai então volta a carga:
-Tu sabe que nós estamos reclamando de ti?
-Sei - diz a pequena sem muita emoção.
-Tu sabe que que eu vou ficar aqui contigo!?
-Sei - responde sem dar parecer dar muita atenção a conversa.
O pai então confiando na desatenção da pequena tenta selar um armistício:
-Então tu sabe que eu não vou te deixar ficar entrando e saindo do quarto, né!?
MC levanta o rosto com a calma de um herói de anime antes de finalmente juntar forças para derrotar o vilão; sorri maliciosamente com os dentes que lhe faltam e diz em voz aveludada:
-Isso - com uma pequena porém bem calculada pausa dramática - eu não sei!
...
-Que houve!?
A mãe bufa em sonora desaprovação e começa o desabafo:
-Toda vez que eu saio do quarto alguém aqui começa com o tal do entra-e-sai, entra-e-sai, entra-e-sai.
Ainda com o olhar fixo no chão continua:
-Ai, eu não consigo fazer nada.
O pai imediatamente se propõe a assumir o posto:
-Pode ir - diz enquanto se acomoda em frente a pequena para começar a brincadeira - eu brinco com ela.
À toda a conversa até então MC parecia absolutamente desatenta e continuava a criar "romance" entre linhas diferentes de brinquedos. O pai então pergunta:
-Tu sabe que estamos falando de ti!?
MC sem tirar os olhos dos próprios afazeres responde:
-Sei.
O pai então volta a carga:
-Tu sabe que nós estamos reclamando de ti?
-Sei - diz a pequena sem muita emoção.
-Tu sabe que que eu vou ficar aqui contigo!?
-Sei - responde sem dar parecer dar muita atenção a conversa.
O pai então confiando na desatenção da pequena tenta selar um armistício:
-Então tu sabe que eu não vou te deixar ficar entrando e saindo do quarto, né!?
MC levanta o rosto com a calma de um herói de anime antes de finalmente juntar forças para derrotar o vilão; sorri maliciosamente com os dentes que lhe faltam e diz em voz aveludada:
-Isso - com uma pequena porém bem calculada pausa dramática - eu não sei!
...
domingo, 23 de fevereiro de 2014
Nessas suas piadinhas!
-Você é boa em tudo mamãe - diz a pequena enquanto entra toda feita em
sorrisos e saltinhos na cozinha carregando o prato onde antes havia um
generoso hot-dog:
-Eu nunca quero trocar de mãe!
O pai que confabulava com o dilema entre a vontade de tomar café e o adiantado da hora ao contemplar o fundo verde da caneca vazia; pergunta sem levantar os olhos:
-E de pai!? - levanta os os olhos vagarosamente para encontrar o olhar curioso da filha e completar:
-Tu trocaria!?
MC avalia, pondera, sorri para a mãe e depois de um abissal silêncio responde em tom tranquilo:
-Não.
O pai talvez ansioso por saber pelo que a filha o admira - se efetivamente admira de alguma forma - pergunta:
-Em que eu sou bom!?
MC deixa o prato na pia, beija a mãe e enquanto sai da cozinha saltitante e responde da maneira mais irônica e despojada possível:
-Nessas suas piadinhas!
...
-Eu nunca quero trocar de mãe!
O pai que confabulava com o dilema entre a vontade de tomar café e o adiantado da hora ao contemplar o fundo verde da caneca vazia; pergunta sem levantar os olhos:
-E de pai!? - levanta os os olhos vagarosamente para encontrar o olhar curioso da filha e completar:
-Tu trocaria!?
MC avalia, pondera, sorri para a mãe e depois de um abissal silêncio responde em tom tranquilo:
-Não.
O pai talvez ansioso por saber pelo que a filha o admira - se efetivamente admira de alguma forma - pergunta:
-Em que eu sou bom!?
MC deixa o prato na pia, beija a mãe e enquanto sai da cozinha saltitante e responde da maneira mais irônica e despojada possível:
-Nessas suas piadinhas!
...
sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014
Parece que você não me ama muito, né?!
MC conclama o pai ao banheiro e dá início a uma conversa sobre o
orçamento doméstico e futuras aquisições de infraestrutura tecnológica:
-Pai, agora que eu estou fazendo cocô na privada...
Nota:
MC não fazia cocô na privada até alguns dias atrás. E em uma prova de amadurecimento e evolução deixou de lado as fraldas e partiu, quase sem assistência, para a próxima etapa da vida adulta.
Feliz ou Infelizmente para completar esse rito de passagem a pequena foi chantageada com um sem número de promessas de campanha pró-assento sanitário.
Fim da Nota.
-...você pode comprar o videogame de privada para mim.
-Filha - começa o pai pensando no peso do envelope da fatura do cartão que ele mesmo não teve coragem de abrir - tu acha que do jeito que tu vêm se comportando merece ganhar mais um presente?
Sem qualquer autorreflexão ou autojulgamento MC responde com certeza inabalável:
-Claro!
O pai, então, tentando colocar a guria em posição desfavorável inverter os papéis:
-Então vamos lá. - pigarreia no chão gelado do banheiro e propõe a seguinte situação hipotética:
-Se tu fosse a minha mãe...
MC vira os olhos ligeiramente para cima, dá uma risadinha de canto de boca e parece se divertir com a cena proposta. Enquanto o pai continua tecendo a realidade do cenário hipotético:
-E eu me comportasse do jeito que tu se comporta.
MC torce o bico em reprovação, fita o pai ligeiramente preocupada e espera a conclusão com atenção; então pergunta o pai:
-Tu me daria o videogame de privada?
MC sem perder tempo com tomar fôlego rebate:
-Claro que eu daria!
- Daria!? - assusta-se o pai com a rapidez e firmeza da resposta - Por que!?
MC com olhos trovejantes de certeza e impeto diz:
-Porque eu te amo.
E agora colocando o pai em cheque termina com um comentário de acidez peculiar:
-Parece que você não me ama muito, né!?
...
-Pai, agora que eu estou fazendo cocô na privada...
Nota:
MC não fazia cocô na privada até alguns dias atrás. E em uma prova de amadurecimento e evolução deixou de lado as fraldas e partiu, quase sem assistência, para a próxima etapa da vida adulta.
Feliz ou Infelizmente para completar esse rito de passagem a pequena foi chantageada com um sem número de promessas de campanha pró-assento sanitário.
Fim da Nota.
-...você pode comprar o videogame de privada para mim.
-Filha - começa o pai pensando no peso do envelope da fatura do cartão que ele mesmo não teve coragem de abrir - tu acha que do jeito que tu vêm se comportando merece ganhar mais um presente?
Sem qualquer autorreflexão ou autojulgamento MC responde com certeza inabalável:
-Claro!
O pai, então, tentando colocar a guria em posição desfavorável inverter os papéis:
-Então vamos lá. - pigarreia no chão gelado do banheiro e propõe a seguinte situação hipotética:
-Se tu fosse a minha mãe...
MC vira os olhos ligeiramente para cima, dá uma risadinha de canto de boca e parece se divertir com a cena proposta. Enquanto o pai continua tecendo a realidade do cenário hipotético:
-E eu me comportasse do jeito que tu se comporta.
MC torce o bico em reprovação, fita o pai ligeiramente preocupada e espera a conclusão com atenção; então pergunta o pai:
-Tu me daria o videogame de privada?
MC sem perder tempo com tomar fôlego rebate:
-Claro que eu daria!
- Daria!? - assusta-se o pai com a rapidez e firmeza da resposta - Por que!?
MC com olhos trovejantes de certeza e impeto diz:
-Porque eu te amo.
E agora colocando o pai em cheque termina com um comentário de acidez peculiar:
-Parece que você não me ama muito, né!?
...
quinta-feira, 23 de janeiro de 2014
Gente velha não corre!
MC brincava no quarto enquanto a avó paterna veio à cozinha prosear; sentindo-se só MC conclama pela companheira de chá:
-Soli Maria! - alto o suficiente para se fazer notar na estação da Sé na hora do rush e retomando o fôlego completa:
-Venha agora no meu quarto - e subitamente tomada de ternura completa o convite - o chá está servido.
O pai pede para a avó permanecer em silêncio o que provoca a impaciência da pequena:
-Cade minha avó!? - Pergunta mais branda e menos energética:
-Fugiu correndo! - Responde o pai em tom jocoso.
MC vêm a sala cheia de decisão, encara o pai resoluta e confiante e diz:
-Minha avó nunca ia fugir correndo!
Para explicar seu ponto de vista coloca a seguinte premissa
-Ela é velha!
E fecha o argumento baseada na mais pura e incontestável lógica:
-Gente velha não corre!
...
-Soli Maria! - alto o suficiente para se fazer notar na estação da Sé na hora do rush e retomando o fôlego completa:
-Venha agora no meu quarto - e subitamente tomada de ternura completa o convite - o chá está servido.
O pai pede para a avó permanecer em silêncio o que provoca a impaciência da pequena:
-Cade minha avó!? - Pergunta mais branda e menos energética:
-Fugiu correndo! - Responde o pai em tom jocoso.
MC vêm a sala cheia de decisão, encara o pai resoluta e confiante e diz:
-Minha avó nunca ia fugir correndo!
Para explicar seu ponto de vista coloca a seguinte premissa
-Ela é velha!
E fecha o argumento baseada na mais pura e incontestável lógica:
-Gente velha não corre!
...
sexta-feira, 17 de janeiro de 2014
Parece uma Foca.
Depois de um feito incrível de maturidade e comprometimento com o
desenvolvimento pessoal MC recebe os efusivos cumprimentos do pai
acompanhados de ainda mais efusivas palmas:
-Viva! Viva! - grita o pai enquanto bate palmas de maneira siamesca!
-Pai, para de bater palma assim!- censura MC com um semblante sisudo a lá Cid Moreira apresentando o Jornal Nacional
Completa com aquele tom superior - porém educativo - de quem quer evitar que o outro pague mico:
-Parece uma foca!
...
-Viva! Viva! - grita o pai enquanto bate palmas de maneira siamesca!
-Pai, para de bater palma assim!- censura MC com um semblante sisudo a lá Cid Moreira apresentando o Jornal Nacional
Completa com aquele tom superior - porém educativo - de quem quer evitar que o outro pague mico:
-Parece uma foca!
...
terça-feira, 14 de janeiro de 2014
Que nem eu!
MC e a avó paterna brincavam no quarto. Subitamente a pequena muda os rumos da brincadeira com uma proposta inusitada:
-Vó, vamos brinca de deprimida!?
A avó sem mostrar qualquer reação exagerada inquiri para saber mais sobre a fantasia:
-E o que é deprimida!?
MC transforma a canga que usava como capa de super herói em capuz monástico, capricha no semitom dramático e começa a explicação:
-Deprimida é uma pessoa triste, sem amigos, que a família briga muito...
Serve-se do seu melhor bico de arrependimento pela mazelas do mundo, do olhar mais profundamente triste e prossegue:
-Assim...
E olhando fixamente nos olhos da avó completa em tom absolutamente crível de infelicidade de amargor:
-Que nem eu!
...
-Vó, vamos brinca de deprimida!?
A avó sem mostrar qualquer reação exagerada inquiri para saber mais sobre a fantasia:
-E o que é deprimida!?
MC transforma a canga que usava como capa de super herói em capuz monástico, capricha no semitom dramático e começa a explicação:
-Deprimida é uma pessoa triste, sem amigos, que a família briga muito...
Serve-se do seu melhor bico de arrependimento pela mazelas do mundo, do olhar mais profundamente triste e prossegue:
-Assim...
E olhando fixamente nos olhos da avó completa em tom absolutamente crível de infelicidade de amargor:
-Que nem eu!
...
sexta-feira, 3 de janeiro de 2014
Tem que reclamar!
(Background Necessário: Para controlar o nível de ruído de uma criança
particularmente sonora e inveteradamente notívaga foi criada a figura
nefasta e sem rosto de um vizinho que ao menor sinal de
confusão/algazarra "reclama" dando pancadinhas de leve na parede.)
Tarde da noite; um móvel é arrastado no andar de cima:
-Mãe, o que é isso!? - Pergunta MC olhando para o teto intrigada.
A mãe sem prestar muita atenção ao ocorrido responde tranquila:
-É o vizinho arrastando alguma coisa...
-Mãe, está tarde!? - Indaga a pequena parecendo mudar bruscamente o rumo da conversa.
-Muito - responde a mãe em tom tranquilo - vamos dormir.
MC cheia de segurança e conhecimento das regras de convivência em pequenos condomínios larga os brinquedos, corre até a parede do quarto e desfere três sonoras pancada:
-Que é isso filha!? - pergunta o pai assustado.
-O titio vizinho pai; - explica enquanto desfere mais pancadinhas na parede - fica fazendo barulho e está tarde.
E olhando para o teto em tom desafiador completa:
-Tem que reclamar!
...
Tarde da noite; um móvel é arrastado no andar de cima:
-Mãe, o que é isso!? - Pergunta MC olhando para o teto intrigada.
A mãe sem prestar muita atenção ao ocorrido responde tranquila:
-É o vizinho arrastando alguma coisa...
-Mãe, está tarde!? - Indaga a pequena parecendo mudar bruscamente o rumo da conversa.
-Muito - responde a mãe em tom tranquilo - vamos dormir.
MC cheia de segurança e conhecimento das regras de convivência em pequenos condomínios larga os brinquedos, corre até a parede do quarto e desfere três sonoras pancada:
-Que é isso filha!? - pergunta o pai assustado.
-O titio vizinho pai; - explica enquanto desfere mais pancadinhas na parede - fica fazendo barulho e está tarde.
E olhando para o teto em tom desafiador completa:
-Tem que reclamar!
...
Assinar:
Postagens (Atom)