terça-feira, 17 de junho de 2014

Tem prova!?

MC recém chegada da escola, munida de uma banana, um para de bebidas lácteas e algumas sobras do lanche da tarde intima:
-Pai,  dessa vez o príncipe a princesa vão se casar - e em tom de reprimenda termina - E tu não pode dormir no meio da brincadeira.
-Não - responde seco o pai.
Quem conhece a pequena sabe que ela tem uma facilidade ímpar de alternar para uma expressão de cãozinho órfão que caiu da traseira de um caminhão de mudanças em um piscar de olhos:
-Não quer brincar comigo!? - e sem falsa modéstia ou parâmetro de concorrência - Sua melhor filha!?
O pai já preparado - ou achando que estivesse - retruca:
-A melhor filha que disse ontem que eu era o pior pai - e sem dar tempo para a resposta emenda - o mais chato.
Claro, quando uma criança resolve às 03:00 da manhã do dia anterior que não havia nada melhor a fazer do que um lanchinho onde até o cachorro foi besuntado com margarina não há amabilidade paterna, no mundo,  que resista.
MC segura risada, analisa o pai, lembra-se do mal feito mas se esquiva:

-Eu não disse isso.
-Disse sim - responde o pai resoluto enquanto ajuda a pequena a arrumar a cenografia da brincadeira - na cozinha.
Novamente uma risada engasgada e controle retomado. Encara o pai séria e dispara:

-Tem prova!?
-Prova!? - engasga o pai - Que prova!?
-Prova! - desafia - Prova de que eu falei isso.
O pai limita-se a balançar a cabeça e balbuciar:
-Não... - e sem muito mais argumento choraminga - Mas tu disse...
E sem qualquer sinal de misericórdia volta a carga:
-Tem prova!?

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