segunda-feira, 2 de junho de 2014

Até quando dói?!

MC chegou! E quando a pequena chega metade do quarteirão sabe por intermédio do invocação característica:
-Pai - grita vigorosa do portão - abre a porta! Pai - com ainda mais vigor - abre logo a porta!
O patriarca que trabalhava na Garagem finalmente atende os chamados e abre o portão. A pequena e uma amiga imediatamente, se sem pedir permissão, invadem o recinto de trabalho do mesmo; deitam na sua maca de descompressão - uma cama que já conta inúmeras primaveras forrada com um colchão que regula em gastura - sem tirar os sapatos, pedem para assistir desenhos, abrem sobras do lance da escola e transforam o recinto em uma perfeita balburdia.

O pai prontamente as atende; tira sua música favorita, coloca os desenhos animados solicitados em seu monitor auxiliar e prossegue para tentar terminar com exito o dia de trabalho. Mc cochicha no ouvido da amiga e por um instante uma sombra zombeteira se instala no semblante da pequena bully; anda até o pai que terminava de ajeitar o monitor para o deleite das visitas  não solicitadas:
-Olha só o barrigão dele! - diz apertando o pai na região abdominal.

A amiga não controla a risada.
-Eu disse que ele era o mais gordão! - Apertando ainda mais o pai para o deleite da amiga.
-E tem um furo na bermuda - diz enquanto aponta espalhafatosa o pequeno - e absolutamente discreto - furo que pai tentava esconder na peça de ficar em casa - ignorando total e completamente o conselho materno  repetido a exaustão durante a infância: vista-se sempre como se fosse encontrar o amor da sua vida.
A amiga soluça de rir!
Dona da graça e da situação MC convida a amiga para o esculhambo derradeiro; dá uma volta rápida na cadeira, esgarça a camisa que o pai vestia e exibe, como fosse animal raro, a mancha de nascença nas costas dele:

-Olha que coisa mais nojenta!
A amiga se assusta mas logo volta a engasgar de  tanto rir. Feliz com o feito e orgulhosa de deixar a amiga sem ar de tanto rir a malfeitora encerra o stand-up:
-Vamos andar de bicicleta?!
Atendida prontamente; as duas fazem força para empurra o brinquedo para fora do recinto ainda as gargalhadas.
Algum tempo depois a matriarca entra na escritório e dá de caras com um homem corpulento ainda - na se sabe por quanto tempo - encarando o vazio:

-Que houve?! - Pergunta em tom cordial.
O pai ainda atônito responde sem tirar os olhos fixos do chão com uma pergunta retórica:
-É bom ter filhos?!
-A melhor coisa do mundo - responde a mãe de maneira automática, precisa e firme.
-Até quando dói?!
...


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