MC encarnava o espírito dos jovens empreendedores e alegava não
precisar da escola para ser "inteligente". Em momentos como esse a
lógica e a paciência dão lugar ao intransigente e austero - o que faz
parte (além de ser bastante divertido) de ser pai:
-Já para o chuveiro Maria Clara! - grita a mãe em tom enérgico.
O pai endossa esculpindo a cara mais ameaçadora que podia
dispor. MC sai batendo os calcanhares em direção ao banheiro, liga o chuveiro e fecha a porta do box. Os pais começam então a debater a
necessidade de aumentar os níveis disciplina e respeito hierárquico de
servidor público para forças especiais; discretamente um tufo de cabelo é
visto transpassando o umbral da porta.
(MC têm problemas sérios para entrar em modo camuflagem - o cabelo está sempre sempre denotando sua posição)
O pai sabendo agora da presença da mini-espiã aumenta o tom da ameaça:
-Agora - diz pegando propositalmente o bicho de pelúcia mais estimado - é assim: desobedeceu perde um brinquedo.
A mãe concorda e a conversa segue.
Terminada as deliberações ouve-se a porta do box correr puxada com
absoluta delicadeza e descrição. O pai passando pela porta do banheiro
ouve um lamento:
-Isso não é justo - uma fungada.
-Eu sou apenas uma criança - continua resignada.
O pai admite que gostaria de poder ignorar os lamentos e deixar que as
novas informações sobre o status disciplinar fossem devidamente
fermentadas na psiquê da meliante (conforme indicariam todos os
psicólogos infantis) mas foi impossível:
-Que houve!?
Ao entrar
no banheiro o pai se depara com a guira sentada em sua cadeira de
brinquedo, com os cotovelos apoiados nas coxas, o queixo apoiado nas
palmas das mãos, a água caindo-lhe nas costas e um semblante desolado:
-Não é justo! - diz em tom anarco proletário atuante.
-O que!?
-Pensa que eu não ouvi vocês planejando mandar em mim!? - diz MC
elevando o tom para aquele que se usa em sequências finais de filmes de
espionagem.
-Pensa que eu não ouvi, hein!?
O pai tenta assumir um tom condizente e rebate:
-É claro que a gente manda em ti! - dá um passo á frente, abaixa o tronco e olha a pequena nos olhos - Somos seus pais!
-Isso não é justo! - rebate a rebelde infantojuvenil.
Cruza os braços sobre o abdome, deixa cair o queixo sobre o peito e diz em tom de derrota:
-São dois contra um....
...
(O pai imediatamente renovou a ração e a água do cão para manter a
maioria da base aliada. Afinal de contas nunca se sabe o que a oposição
pode estar armando).
quinta-feira, 31 de outubro de 2013
terça-feira, 29 de outubro de 2013
É o que sobra!
MC escolhe o vigésimo quarto presente de Natal (em meados de Outubro):
-Eu quero esse! - Apontando freneticamente para o anúncio televisivo do Quartel General (oficialmente chamado de Escola) das bonecas monstro (que mais se assemelham a crianças subnutridas sofrendo de barriga-d'água) que é fã:
-Eu quero MUITO! - o muito merece a caixa-alta em que é grafado porque só assim é possível vislumbrar a intensidade em que foi dito.
-Filha, - diz a mãe em tom preocupado (com o saldo da conta-corrente) - precisa ver se o papai-noel (que tem muito de papai e quase nada de Noel) - tem dinheiro.
-Mãe, - começa a pequena em tom terapeuta tentando acalmar um paciente estressado - o papai Noel não precisa de dinheiro.
-Ele - com um olhar brilhante e esperançoso que renova a fé do mais cético dos fatalistas completa - ele FAZ (aplica-se caixa-alta em favor do bom entendimento do sentimento que se precisa denotar).
A mãe curiosa questiona:
-E os que a loja vende!?
MC encara a mãe com o estarrecimento típico de quem confronta outro alguém que ignora uma verdade universal tão óbvia e repetidamente comprovada:
-É o que sobra!
...
-Eu quero esse! - Apontando freneticamente para o anúncio televisivo do Quartel General (oficialmente chamado de Escola) das bonecas monstro (que mais se assemelham a crianças subnutridas sofrendo de barriga-d'água) que é fã:
-Eu quero MUITO! - o muito merece a caixa-alta em que é grafado porque só assim é possível vislumbrar a intensidade em que foi dito.
-Filha, - diz a mãe em tom preocupado (com o saldo da conta-corrente) - precisa ver se o papai-noel (que tem muito de papai e quase nada de Noel) - tem dinheiro.
-Mãe, - começa a pequena em tom terapeuta tentando acalmar um paciente estressado - o papai Noel não precisa de dinheiro.
-Ele - com um olhar brilhante e esperançoso que renova a fé do mais cético dos fatalistas completa - ele FAZ (aplica-se caixa-alta em favor do bom entendimento do sentimento que se precisa denotar).
A mãe curiosa questiona:
-E os que a loja vende!?
MC encara a mãe com o estarrecimento típico de quem confronta outro alguém que ignora uma verdade universal tão óbvia e repetidamente comprovada:
-É o que sobra!
...
sábado, 26 de outubro de 2013
Até a esquina...
-Eu te amo até o infinito... - diz a pequena abrindo os braços em um grande arco - ...mamãe!
-E o infinito - diz ela em uma postura astrofísica que deixaria Carl Sagan esperançoso sobre o futuro da humanidade - nunca acaba.
O pai quis então...
(É importante denotar que o pai está sempre querendo elucidar algo; em uma abstração bastante generosa é assim que ele ganha a vida: buscando a melhor - e menos custosa - maneira de resolver um problema.
Por isso talvez esteja sempre a mercê de perguntar o que a guria pensa mesmo sob pena de sofrer com os mais variados desacatos hierárquicos, intelectuais e especialmente morais)
mensurar o amor da pequena pela figura paterna:
-E eu!? - Pergunta o pai em mistura de alegria ingenua e insegurança infantil- Quanto tu me ama!?
MC ajeita-se no sofá tomando um ar austero e inteligente; encobre a face um semblante bem pouco compadecido e começa:
-Bom, tu briga comigo..
-Mas.. - começa o pai em defesa própria.
-Tu grita comigo... - Interrompe a pequena elevando o tom e encobrindo o choramingo paterno.
-Mas...- tenta de novo o pai.
-E tu bateu na mesa ontem...
(O incidente da mesa ocorreu após uma série de 33 nãos, 4 castigos, 2 sequestros temporários de brinquedos e 1 ameaça REAL de detenção no quarto escuro por 5 minutos para reflexão)
- ...diz a mini-meretíssima evocando para si toda a luta das classes infantis oprimidas por seus pais:
-Eu te amo... - diz em tom mais condencedente e fraternal:
-...até a esquina!
...
-E o infinito - diz ela em uma postura astrofísica que deixaria Carl Sagan esperançoso sobre o futuro da humanidade - nunca acaba.
O pai quis então...
(É importante denotar que o pai está sempre querendo elucidar algo; em uma abstração bastante generosa é assim que ele ganha a vida: buscando a melhor - e menos custosa - maneira de resolver um problema.
Por isso talvez esteja sempre a mercê de perguntar o que a guria pensa mesmo sob pena de sofrer com os mais variados desacatos hierárquicos, intelectuais e especialmente morais)
mensurar o amor da pequena pela figura paterna:
-E eu!? - Pergunta o pai em mistura de alegria ingenua e insegurança infantil- Quanto tu me ama!?
MC ajeita-se no sofá tomando um ar austero e inteligente; encobre a face um semblante bem pouco compadecido e começa:
-Bom, tu briga comigo..
-Mas.. - começa o pai em defesa própria.
-Tu grita comigo... - Interrompe a pequena elevando o tom e encobrindo o choramingo paterno.
-Mas...- tenta de novo o pai.
-E tu bateu na mesa ontem...
(O incidente da mesa ocorreu após uma série de 33 nãos, 4 castigos, 2 sequestros temporários de brinquedos e 1 ameaça REAL de detenção no quarto escuro por 5 minutos para reflexão)
- ...diz a mini-meretíssima evocando para si toda a luta das classes infantis oprimidas por seus pais:
-Eu te amo... - diz em tom mais condencedente e fraternal:
-...até a esquina!
...
quarta-feira, 23 de outubro de 2013
Sabe o que o meu pai falou...
MC brincava com outras crianças e dois exemplares de futuros narcotraficantes homicidas em potencial - porque é sabido que crianças
podem ser divididas em três categorias simples: as que amamos (nossas,de
parentes e amigos próximos), as que toleramos (colegas e conhecidos) e
os selvagens (pequenos anões mal-educados que se passam por crianças
para ganhar mais brigadeiros em festas infantis) - que a chamavam de baleia:
-Baleia! Baleia Encalhada... - gritavam e corriam.
Os que conhecem a pequena sabem que apesar de MUITO inteligente MC é ingenua - até um pouco besta; e a pequena corria atrás em total tom de brincadeira.
O pai - guardião silencioso - chama a filha de canto:
-Filha - diz limpando o suor da testa dela - não brinca com quem tem xinga.
Observa bem os dois arautos do ódio infantil e como um treinador de box orienta a filha no córner:
-Filha, vai lá fala que ele é um orelhudo, cara-de-macaco e filho de rapariga.
MC enche o rosto de determinação enfurecida, vira as costas, força o passo e parte decidida a ganhar o segundo assalto. Subitamente vira-se para o pai e pergunta:
-Pai - com uma cara curiosa - o que é rapariga?
Preocupado com a possibilidade da guria perder o impeto o pai minimiza:
-Não é nada filha - e incentivando-a com as mãos completa:
-Agora vai lá!
MC cheia de confiança e foco aperta o passo e grita:
-Sabe o que meu pai falou de você!?
...
(Não é preciso dizer que por uma rara conjunção entre a estrela Polares e o Buraco Negro no centro da Galáxia a mãe do meliante passava perto o suficiente para poder ouvir o elogio a sua personalidade)
-Baleia! Baleia Encalhada... - gritavam e corriam.
Os que conhecem a pequena sabem que apesar de MUITO inteligente MC é ingenua - até um pouco besta; e a pequena corria atrás em total tom de brincadeira.
O pai - guardião silencioso - chama a filha de canto:
-Filha - diz limpando o suor da testa dela - não brinca com quem tem xinga.
Observa bem os dois arautos do ódio infantil e como um treinador de box orienta a filha no córner:
-Filha, vai lá fala que ele é um orelhudo, cara-de-macaco e filho de rapariga.
MC enche o rosto de determinação enfurecida, vira as costas, força o passo e parte decidida a ganhar o segundo assalto. Subitamente vira-se para o pai e pergunta:
-Pai - com uma cara curiosa - o que é rapariga?
Preocupado com a possibilidade da guria perder o impeto o pai minimiza:
-Não é nada filha - e incentivando-a com as mãos completa:
-Agora vai lá!
MC cheia de confiança e foco aperta o passo e grita:
-Sabe o que meu pai falou de você!?
...
(Não é preciso dizer que por uma rara conjunção entre a estrela Polares e o Buraco Negro no centro da Galáxia a mãe do meliante passava perto o suficiente para poder ouvir o elogio a sua personalidade)
segunda-feira, 21 de outubro de 2013
Durinho que nem Madeira.
O pai vestia a pequena para irem a um evento; de banho tomado, vestida a
contento - com uma roupa previamente selecionada - chega então o
momento crítico: pentear o cabelo.
Quem conhece a MC - ou já a viu com os cabelos como naturalmente o são - percebeu-se que para atingir níveis de aceitabilidade social o penteado básico requer uma mistura de cremes, loções e poções que fariam a ONU flexibilizar a lista de armas de destruição em massa e força - muita força mesmo - para desatar os nós. Seguindo as instruções da própria o pai aplica os componentes químicos ao couro cabeludo rebelde. Puxa, desembaraça, estica, revolve, contorce, chicoteia - porque o pai JURA que o cabelo tentou atacá-lo pelo menos duas vezes - até concluir o intento.
MC avalia os resultados com leves apalpadelas no topo da cabeça, verificando a profundidade do rabo-de-cavalo e a inclinação da franja e então julga:
-Não ficou como o que a minha mãe faz - revirando os olhos. Mas tá bom!
O pai completamente extenuado e repensando se vale a pena pagar para frequentar uma academia pergunta:
-Como fica o da sua mãe!?
-Macio como algodão! - Diz sem qualquer remorso.
-E o meu!? - Pergunta o pai com lágrimas nos olhos.
-Durinho que nem madeira!
...
Quem conhece a MC - ou já a viu com os cabelos como naturalmente o são - percebeu-se que para atingir níveis de aceitabilidade social o penteado básico requer uma mistura de cremes, loções e poções que fariam a ONU flexibilizar a lista de armas de destruição em massa e força - muita força mesmo - para desatar os nós. Seguindo as instruções da própria o pai aplica os componentes químicos ao couro cabeludo rebelde. Puxa, desembaraça, estica, revolve, contorce, chicoteia - porque o pai JURA que o cabelo tentou atacá-lo pelo menos duas vezes - até concluir o intento.
MC avalia os resultados com leves apalpadelas no topo da cabeça, verificando a profundidade do rabo-de-cavalo e a inclinação da franja e então julga:
-Não ficou como o que a minha mãe faz - revirando os olhos. Mas tá bom!
O pai completamente extenuado e repensando se vale a pena pagar para frequentar uma academia pergunta:
-Como fica o da sua mãe!?
-Macio como algodão! - Diz sem qualquer remorso.
-E o meu!? - Pergunta o pai com lágrimas nos olhos.
-Durinho que nem madeira!
...
domingo, 20 de outubro de 2013
Economia Doméstica
O pai pensava nas implicações do total extermínio de um país do Sudeste
Asiático quando MC chega da escola com perguntas de cunho capitalista:
-Pai - fingindo desinteresse - tu trabalha muito, né!?
O pai em uma mistura de orgulho próprio e preocupação com a tênue relação de uma filha com tendências dramáticas e uma figura paterna ingenua responde:
-Tu acha que o papai trabalha demais!?
Fechando imediatamente o computador - sem dar atenção a várias luzes piscantes no comunicador corporativo - o pai volta sua atenção a pequena:
-Vamos brincar!? - Diz a figura paterna já com o sorriso armado e dois bonecos nas mãos.
MC não se anima muito e continua com as perguntas exploratórias:
-Quanto tu ganha pai!?
Fazendo-se de coitado - talvez a mesma cara com a qual encara a gerente da sua conta no banco - o pai diz:
-Ai filha, eu ganho pouco - revira os bolsos tirando uma moeda de 1 Dilma diz - Eu ganho uma dessas por hora.
MC desconversa e sai do quarto.
Momentos - o suficiente para o pai esquecer do diálogo anterior - a pequena volta com um encarte de loja de brinquedos e mui inocentemente aponta uma estrutura roxo avermelhada completamente retorcida cercada de bonecas que pareciam crianças com barriga-d'água:
-Pai, quanto custa esse castelo!?
-KAR... - se assusta o pai e é imediatamente interpolado com um olhar de reprovação -...Quer dizer: Nossa! - recupera o folego e termina: Isso custa 400 moedas! É muito caro!
MC corre até a estante, trás de volta o computador de trabalho, sorri e pede com todo carinho:
-Pai - com um sorriso capaz de deter uma guerra - você pode trabalhar 400 horas!?
Caprichando no olhar doce e de forte conteúdo apelativo:
-Eu quero ganhar esse castelo de Natal!
...
-Pai - fingindo desinteresse - tu trabalha muito, né!?
O pai em uma mistura de orgulho próprio e preocupação com a tênue relação de uma filha com tendências dramáticas e uma figura paterna ingenua responde:
-Tu acha que o papai trabalha demais!?
Fechando imediatamente o computador - sem dar atenção a várias luzes piscantes no comunicador corporativo - o pai volta sua atenção a pequena:
-Vamos brincar!? - Diz a figura paterna já com o sorriso armado e dois bonecos nas mãos.
MC não se anima muito e continua com as perguntas exploratórias:
-Quanto tu ganha pai!?
Fazendo-se de coitado - talvez a mesma cara com a qual encara a gerente da sua conta no banco - o pai diz:
-Ai filha, eu ganho pouco - revira os bolsos tirando uma moeda de 1 Dilma diz - Eu ganho uma dessas por hora.
MC desconversa e sai do quarto.
Momentos - o suficiente para o pai esquecer do diálogo anterior - a pequena volta com um encarte de loja de brinquedos e mui inocentemente aponta uma estrutura roxo avermelhada completamente retorcida cercada de bonecas que pareciam crianças com barriga-d'água:
-Pai, quanto custa esse castelo!?
-KAR... - se assusta o pai e é imediatamente interpolado com um olhar de reprovação -...Quer dizer: Nossa! - recupera o folego e termina: Isso custa 400 moedas! É muito caro!
MC corre até a estante, trás de volta o computador de trabalho, sorri e pede com todo carinho:
-Pai - com um sorriso capaz de deter uma guerra - você pode trabalhar 400 horas!?
Caprichando no olhar doce e de forte conteúdo apelativo:
-Eu quero ganhar esse castelo de Natal!
...
segunda-feira, 14 de outubro de 2013
Quando ela acabar eu te ligo.
Fim da manhã; de folga da escola MC espera um telefonema que a resgate
do tedioso e sufocante apartamento da família para as paragens bem mais
espaçosas e arejadas da casa dos avós:
-Vó!? - diz a pequena atendendo o telefone apressada.
-Eu tô pronta - responde em seguida.
Espera um pouco mais, examina o pai que descansava o almoço no sofá:
-Não, meu pai não vai - sem muito carinho na voz-; Ele só quer ficar trabalhando na garagem agora.
-Minha mãe!? - E repentinamente sai a caça da mãe pelo apartamento com o telefone sem fio e seu interlocutor seguros em sua mão:
-Mãe!?
Quando a encontra retoma a conversa com a avó explicando que as coisas podem demorar um pouco mais que o previsto:
-Vó - diz em tom decepcionado -, minha mãe está fazendo cocô, acredita!?
Bufa em sinal de reprovação as necessidades fisiológicas da mãe e declara:
-Quando ela acabar eu te ligo.
...
-Vó!? - diz a pequena atendendo o telefone apressada.
-Eu tô pronta - responde em seguida.
Espera um pouco mais, examina o pai que descansava o almoço no sofá:
-Não, meu pai não vai - sem muito carinho na voz-; Ele só quer ficar trabalhando na garagem agora.
-Minha mãe!? - E repentinamente sai a caça da mãe pelo apartamento com o telefone sem fio e seu interlocutor seguros em sua mão:
-Mãe!?
Quando a encontra retoma a conversa com a avó explicando que as coisas podem demorar um pouco mais que o previsto:
-Vó - diz em tom decepcionado -, minha mãe está fazendo cocô, acredita!?
Bufa em sinal de reprovação as necessidades fisiológicas da mãe e declara:
-Quando ela acabar eu te ligo.
...
quarta-feira, 9 de outubro de 2013
Desinteligente
MC para em frente ao pai que desatentadamente tentava fazer Frodo - em
versão lego- zigue-zagar montado em uma cabra por entre cones da Terra
Média. Com ares profissional tarimbada de vendas, capicha nos olhos
sinceros e faz uma pergunta direta:
-Pai tu gosta de ser gente grande!?
-Filha, não é muito uma questão de gostar - porque eu não conheço um adulto que realmente goste de ser o que é (pelo não entre os meus conhecidos) - é uma questão de apenas ser.
MC em modo PHD em marketing - sempre particularmente apegada aos próprios objetivos e questionamentos - volta a carga:
-Mas tu prefere ser criança ou ser gente grande!?
O pai tentando enquadrar a pergunta em uma linha de raciocínio lógico minimamente inteligível responde, pouco sabiamente, com outra pergunta:
-Mas eu posso ser criança!?
Com um sorriso e uma interjeição grandiosa - daquelas que só se vê de pessoas usando escadas contorcionistas ou facas de corte eterno em canais de vendas - a pequena rebate:
-Claro que pode - e sem respirar -; só precisa brincar mais comigo!
Indignado e absolutamente surpreso o pai se defende:
-E eu não brinco contigo, pateta!?
Sem pensar - ou já com tudo pensado - responde:
-Podia brincar mais - e agora focada nos benefícios do produto que vendia explica:
-Se você brincasse mais comigo seria um pai inteligente.
-Ah, quer dizer que eu seria um pai inteligente se brincasse AINDA mais contigo.
Entendendo - ou pelo menos achando que entende - o pai pergunta curioso:
-O que eu sou agora, então!?
Sem pensar - ou já com tudo pensado - a pequena fecha o anúncio inserindo no público alvo a sensação de inferioridade com relação a não compra do produto em questão:
-Desinteligente.
...
-Pai tu gosta de ser gente grande!?
-Filha, não é muito uma questão de gostar - porque eu não conheço um adulto que realmente goste de ser o que é (pelo não entre os meus conhecidos) - é uma questão de apenas ser.
MC em modo PHD em marketing - sempre particularmente apegada aos próprios objetivos e questionamentos - volta a carga:
-Mas tu prefere ser criança ou ser gente grande!?
O pai tentando enquadrar a pergunta em uma linha de raciocínio lógico minimamente inteligível responde, pouco sabiamente, com outra pergunta:
-Mas eu posso ser criança!?
Com um sorriso e uma interjeição grandiosa - daquelas que só se vê de pessoas usando escadas contorcionistas ou facas de corte eterno em canais de vendas - a pequena rebate:
-Claro que pode - e sem respirar -; só precisa brincar mais comigo!
Indignado e absolutamente surpreso o pai se defende:
-E eu não brinco contigo, pateta!?
Sem pensar - ou já com tudo pensado - responde:
-Podia brincar mais - e agora focada nos benefícios do produto que vendia explica:
-Se você brincasse mais comigo seria um pai inteligente.
-Ah, quer dizer que eu seria um pai inteligente se brincasse AINDA mais contigo.
Entendendo - ou pelo menos achando que entende - o pai pergunta curioso:
-O que eu sou agora, então!?
Sem pensar - ou já com tudo pensado - a pequena fecha o anúncio inserindo no público alvo a sensação de inferioridade com relação a não compra do produto em questão:
-Desinteligente.
...
domingo, 6 de outubro de 2013
..E Barrigudo!
Explicado o fato de uma mãe ser a LEI apenas no que diz respeito ao
ambiente doméstico a leitura do livro prossegue. Os personagens começam a
ser apresentados:
-Esse é o pequeno Wart... - recomeça o pai com aquela entonação de contador de histórias amador.
-Wart!? - interrompe a pequena quase imediatamente - Quem é Wart!?
-Wart, filha - começa o pai - é um apelido para Arthur.
MC pensa com os botões enquanto o pai procura em que trecho do livro a leitura havia sido interrompida.
-O que é apelido, pai!?
O pai freia repentinamente o recomeço da leitura e procura uma definição simples e direta de uma apelido.
-Apelido, filha, é um jeito carinhoso de chamar uma pessoa - e prepara uma alegoria para a definição - Eu sou seu pai; mas tu não me chama de pai o tempo todo, chama!?
MC concorda com a cabeça e deixa que o pai continue:
-Tu me chama de que!?
Sem pensar por nem um segundo devolve a bola para a quadra paterna em velocidade de reentrada:
-Chato, Feio, Bobo, Cabeção...
Para completar o 25 Hits combo prepara um Gancho Flamejante com giratória dupla:
-...e barrigudo.
...
O pai - que inocentemente esperava um singelo "papai" - deixa escorrer uma lágrima, fecha o livro e pergunta:
-Quer jogar videogame!?
-Esse é o pequeno Wart... - recomeça o pai com aquela entonação de contador de histórias amador.
-Wart!? - interrompe a pequena quase imediatamente - Quem é Wart!?
-Wart, filha - começa o pai - é um apelido para Arthur.
MC pensa com os botões enquanto o pai procura em que trecho do livro a leitura havia sido interrompida.
-O que é apelido, pai!?
O pai freia repentinamente o recomeço da leitura e procura uma definição simples e direta de uma apelido.
-Apelido, filha, é um jeito carinhoso de chamar uma pessoa - e prepara uma alegoria para a definição - Eu sou seu pai; mas tu não me chama de pai o tempo todo, chama!?
MC concorda com a cabeça e deixa que o pai continue:
-Tu me chama de que!?
Sem pensar por nem um segundo devolve a bola para a quadra paterna em velocidade de reentrada:
-Chato, Feio, Bobo, Cabeção...
Para completar o 25 Hits combo prepara um Gancho Flamejante com giratória dupla:
-...e barrigudo.
...
O pai - que inocentemente esperava um singelo "papai" - deixa escorrer uma lágrima, fecha o livro e pergunta:
-Quer jogar videogame!?
sexta-feira, 4 de outubro de 2013
Minha mãe é uma Lei!?
MC escolhe o alvo da noite:
-Pai, lê um livro para mim!?
-Claro filha - o pai interrompe os planos de comprar uma topic e manipular drogas sintéticas em manguezal e atende a pequena - que livro tu quer!?
MC coloca a mão no queixo, pensa por um instante e dispara:
-Um que eu nunca li.
O pai olha, confabula consigo mesmo e escolhe um exemplar inédito:
-A espada era a Lei...
-Pai, - começa a pequena máquina de perguntas - o que é lei!?
O pai sem poder terminar o primeiro raciocínio tenta aglutinar o pouco que sabe sobre fundamentos jurídicos e explicar o que seria uma Lei:
-Filha, - caprichando no ar de magistrado romano; ajeita-se na própria explicação, pigarreia e diz - lei é uma coisa que TODOS devem obedecer.
MC pensa por um segundos como quem eleva as sinapses a níveis críticos de troughput, encara o pai com um ar astuto, sorri e pergunta:
-Minha mãe é uma lei!?
...
-Pai, lê um livro para mim!?
-Claro filha - o pai interrompe os planos de comprar uma topic e manipular drogas sintéticas em manguezal e atende a pequena - que livro tu quer!?
MC coloca a mão no queixo, pensa por um instante e dispara:
-Um que eu nunca li.
O pai olha, confabula consigo mesmo e escolhe um exemplar inédito:
-A espada era a Lei...
-Pai, - começa a pequena máquina de perguntas - o que é lei!?
O pai sem poder terminar o primeiro raciocínio tenta aglutinar o pouco que sabe sobre fundamentos jurídicos e explicar o que seria uma Lei:
-Filha, - caprichando no ar de magistrado romano; ajeita-se na própria explicação, pigarreia e diz - lei é uma coisa que TODOS devem obedecer.
MC pensa por um segundos como quem eleva as sinapses a níveis críticos de troughput, encara o pai com um ar astuto, sorri e pergunta:
-Minha mãe é uma lei!?
...
terça-feira, 1 de outubro de 2013
O plano foi TODO do Luiz
MC chegou cedo a escola e os pais decidiram esperar até que a
professora viesse receber os alunos. MC sentou-se no banco e confabulava
com os botões até que um colega de classe achegou-se:
-Oi Maria - disse em tom alegre.
-Oi Luiz - responde MC no seu habitual dialogar sem olhar.
Luiz afeito e acostumado com tal comportamento emenda o convite:
-Vamos no parquinho Maria!?
MC aceita o convite e parte em direção ao canto de recreação. Infelizmente para a dupla o recinto encontrava-se indisponível para os alunos da tarde e da porta foram avisados em tom amigável porém firme pelo inspetor:
-Ô duplinha - apontando para os pequenos que já pulavam sobre os brinquedos - podem sair já dai!
MC agilmente correu do playground e enfiou-se sobre os braços da mãe; enquanto Luiz - parecendo que bastante acostumado a levar corretivos - sairia de lá assoviando (se soubesse como fazê-lo) sem qualquer constrangimento ou preocupação permanente. Em seguida chega a professora e assim que posta a par do acontecido acalma a chorona:
-Fica assim não Maria Clara - limpando as lágrimas do rosto - O tio não brigou ele avisou...
Luiz que já tinha deixado o acontecimento para trás como quem come um lanche industrializado e depois de horas volta a ter fome achega-se ao grupo; MC então fustiga os olhos castanhos do rapaz com um olhar tirado diretamente da sua vida pregressa durante Santa Inquisição:
-O plano foi TODO do Luiz.
...
-Oi Maria - disse em tom alegre.
-Oi Luiz - responde MC no seu habitual dialogar sem olhar.
Luiz afeito e acostumado com tal comportamento emenda o convite:
-Vamos no parquinho Maria!?
MC aceita o convite e parte em direção ao canto de recreação. Infelizmente para a dupla o recinto encontrava-se indisponível para os alunos da tarde e da porta foram avisados em tom amigável porém firme pelo inspetor:
-Ô duplinha - apontando para os pequenos que já pulavam sobre os brinquedos - podem sair já dai!
MC agilmente correu do playground e enfiou-se sobre os braços da mãe; enquanto Luiz - parecendo que bastante acostumado a levar corretivos - sairia de lá assoviando (se soubesse como fazê-lo) sem qualquer constrangimento ou preocupação permanente. Em seguida chega a professora e assim que posta a par do acontecido acalma a chorona:
-Fica assim não Maria Clara - limpando as lágrimas do rosto - O tio não brigou ele avisou...
Luiz que já tinha deixado o acontecimento para trás como quem come um lanche industrializado e depois de horas volta a ter fome achega-se ao grupo; MC então fustiga os olhos castanhos do rapaz com um olhar tirado diretamente da sua vida pregressa durante Santa Inquisição:
-O plano foi TODO do Luiz.
...
Assinar:
Postagens (Atom)