quarta-feira, 9 de outubro de 2013

Desinteligente

MC para em frente ao pai que desatentadamente tentava fazer Frodo - em versão lego- zigue-zagar montado em uma cabra por entre cones da Terra Média. Com ares profissional tarimbada de vendas, capicha nos olhos sinceros e faz uma pergunta direta:
-Pai tu gosta de ser gente grande!?
-Filha, não é muito uma questão de gostar - porque eu não conheço um adulto que realmente goste de ser o que é (pelo não entre os meus conhecidos) - é uma questão de apenas ser.
MC em modo PHD em marketing - sempre particularmente apegada aos próprios objetivos e questionamentos - volta a carga:
-Mas tu prefere ser criança ou ser gente grande!?
O pai tentando enquadrar a pergunta em uma linha de raciocínio lógico minimamente inteligível responde, pouco sabiamente, com outra pergunta:
-Mas eu posso ser criança!?
Com um sorriso e uma interjeição grandiosa - daquelas que só se vê de pessoas usando escadas contorcionistas ou facas de corte eterno em canais de vendas - a pequena rebate:
-Claro que pode - e sem respirar -; só precisa brincar mais comigo!
Indignado e absolutamente surpreso o pai se defende:
-E eu não brinco contigo, pateta!?
Sem pensar - ou já com tudo pensado - responde:
-Podia brincar mais - e agora focada nos benefícios do produto que vendia explica:
-Se você brincasse mais comigo seria um pai inteligente.
-Ah, quer dizer que eu seria um pai inteligente se brincasse AINDA mais contigo.
Entendendo - ou pelo menos achando que entende - o pai pergunta curioso:
-O que eu sou agora, então!?
Sem pensar - ou já com tudo pensado - a pequena fecha o anúncio inserindo no público alvo a sensação de inferioridade com relação a não compra do produto em questão:
-Desinteligente.
...

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