O pai pensava nas implicações do total extermínio de um país do Sudeste
Asiático quando MC chega da escola com perguntas de cunho capitalista:
-Pai - fingindo desinteresse - tu trabalha muito, né!?
O pai em uma mistura de orgulho próprio e preocupação com a tênue
relação de uma filha com tendências dramáticas e uma figura paterna
ingenua responde:
-Tu acha que o papai trabalha demais!?
Fechando imediatamente o computador - sem dar atenção a várias luzes
piscantes no comunicador corporativo - o pai volta sua atenção a
pequena:
-Vamos brincar!? - Diz a figura paterna já com o sorriso armado e dois bonecos nas mãos.
MC não se anima muito e continua com as perguntas exploratórias:
-Quanto tu ganha pai!?
Fazendo-se de coitado - talvez a mesma cara com a qual encara a gerente da sua conta no banco - o pai diz:
-Ai filha, eu ganho pouco - revira os bolsos tirando uma moeda de 1 Dilma diz - Eu ganho uma dessas por hora.
MC desconversa e sai do quarto.
Momentos - o suficiente para o pai esquecer do diálogo anterior - a
pequena volta com um encarte de loja de brinquedos e mui inocentemente
aponta uma estrutura roxo avermelhada completamente retorcida cercada de
bonecas que pareciam crianças com barriga-d'água:
-Pai, quanto custa esse castelo!?
-KAR... - se assusta o pai e é imediatamente interpolado com um olhar
de reprovação -...Quer dizer: Nossa! - recupera o folego e termina: Isso
custa 400 moedas! É muito caro!
MC corre até a estante, trás de volta o computador de trabalho, sorri e pede com todo carinho:
-Pai - com um sorriso capaz de deter uma guerra - você pode trabalhar 400 horas!?
Caprichando no olhar doce e de forte conteúdo apelativo:
-Eu quero ganhar esse castelo de Natal!
...
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