sábado, 8 de dezembro de 2012

Politicamente Incorreta

Episódio 01:

MC passeava com a mãe pelos corredores do labiríntico - ainda sim aconchegante - Super Centro Comercial do Boqueirao; quando ocupando as duas maos de tráfego do corredor de pedestres aparece uma senhora que poderia manter 4 ou 5 crianças orbitando em volta de si por simples atração gravitacional:
 -Mãe - chama MC com riso na voz - olhaque moça gorda!
 -Filha - repreende a mãe em tom sério - não de pode falar assim das pessoas.
MC engole o riso diminui o tom e completa aliviada:
-Ainda bem que a gente é magrinha, né mãe?

Episódio 02:

Em meio a uma conversa cotidiana MC  - como sempre susinta - dispara:
-Pai, amanhã eu vi um saci!

O pai meio pasmo meio incrédulo pergunta:
-Saci filha!? Onde?
MC em ares de palestrante explica:
-Um titio pai - começa ela apontando o próprio braço - ele era bem pretinho e só tinha uma perna.
-Filha - interrompe o pai prol de tudo que é politcamente correto - não se pode falar isso das pessoas...
MC interrompe o pai com uma segunda consideração:
-Não, não pai - completa a pequena politicamente incorreta - não era um saci.
-Ele não tinha toca.
...

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Cade a câmera!?

Em preparação para o Natal MC esta sendo condicionada a crer em Papai Noel. Eu me lembro que as crianças ficavam tristes quando descobriam que o velhote era apenas um ícone do mundo Judaico-Cristão-Capitalista; MC por sua vez - que não acredita em fadas - parece ser cética (e resistente) a essa figura tao amistosa.
Em meio a uma genuína representaçao de um filhote de GodZilla MC - sentada confortávelmente sobre o dorso de Safira - puxava a toalha da mesa para limpar a boca suja de chocolate:
-Maria Clara - chama a atenção o pai exasperado - Para!
-Para porque o Papai Noel está vendo tudo isso e nao vai trazer seu presente...
Antes que o Pai pudesse prosseguir com a ameaça MC rebate em tom jocoso:
-Tá vendo nada Pai - diz a pequena com o dedo indicador em riste. A Janela esta fechada!
-Ele não precisa disso filha. Ele...
Mais uma vez MC interrompe e desdenha das capacidades de monitoramento Global do Velhote Barbudo:
-Ele nao ve nada pai - Diz novamente a pequena agora apontando o canto superior do comodo.
-Cade a câmera!?

terça-feira, 30 de outubro de 2012

Mas eu ainda nao fiz nada.

MC acabara de acordar mantendo seu estilo matinal peculiar: Eu contra o mundo; o mundo contra mim! Considerações quanto sociedade anarco capitalista feitas, contrariedade a figura paterna externada seguiram para a cozinha para um rápido café. Sentada em cima da mesa com um copo de suco na mão MC pergunta genuinamente curiosa:
-Por que está assim Fe?
Ainda mais genuinamente curioso o pai replica:
-Assim como!?
Levando as mãos a cintura e franzindo o cenho MC responde:
-Assim com a mão na cintura.
Tentando não rir da imitação de bule de chá; o pai tenta manter a seriedade da conversa:
-Qual o problema de eu por a mão na cintura!?
MC olha o pai ainda meio confusa mas consideravelmente aliviada e desabafa:
-Quando tu poe a mão na cintura é porque está bravo comigo... -toma um gole de suco e termina:
-...mas eu ainda não fiz nada.
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quinta-feira, 18 de outubro de 2012

As vezes...

MC sentada no colo do avo brincava  com o obvio, o não-obvio e a área cinza entre os pólos.
-Vô - pergunta ela de maneira tranquila - tu corta o cabelo?
-Claro que corto - replicou o avo de forma resoluta.
-Mas tu não tem cabelo - diz MC lustrando a cabeça lisa do senhor a sua frente.
O avo constrangido tenta desviar o assunto.
-Eu faco a barba.
Antes que o avo pudesse terminar MC emenda sua visão do assunto:
-Meu pai corta o cabelo e faz a barba...
Ambos se voltam para o objeto da afirmação que naquele momento parecia ter saído de um Lixão Cenográfico do Folhetim das 21:00. MC volta o olhar para o avo e completa:
-...as vezes....

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Você é Péssima!

MC recém ganhara um presente do tipo barulhento - daqueles que tu marca a cara de quem deu para futura retribuição. Uma guitarra de brinquedo - que não bastasse ser irritantemente barulhenta por si só - vem com um pequeno head-set que funciona como microfone. Sabemos nós que crianças de 04 anos - salvo gênios e prodígios - passam longe de serem afinadas; MC não é um prodígio musical mas é persistente - BASTANTE PERSISTENTE - MORTALMENTE PERSISTENTE!
MC espremia os botões do brinquedo enquanto cantarolava a trilha sonora de um dos filmes da personagem predileta; Elo - a amiga do peito - dava atenção a outras novidades quando MC a interrompe:
-Quer tocar Elo - usando a guitarra para intimidar a probre garota indefessa!?
-Não, Maria Clara. Obrigado - Responde Elo enquanto desviava majestosamente do braço do instrumento com um meneio de cabeça.
-Toca Elo - insiste MC com um sorriso no rosto.
Sabedora que é da inata persistência de MC Elo resolve não prolongar a discussão.
Devidamente preparada Elo começa a cantar uma música de um artista vesgo nacionalmente conhecido. MC passa do Sorriso Morango para o Bico Chicória Selvagem em um lampejo:
-Elo!? - Diz a pequena com um cara de quem teve de recolher dejetos de Elefantes - O que é isso!?
Elo - meio sem graça e sem saber o que responder engendra:
-Uma música que eu gosto...
Antes que pudesse terminar a frase MC dá um veredito para a caloura:
-Elo do céu - diz MC tomando de volta o brinquedo -  Você é péssima!
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segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Agora sai daqui!

Uma manhã qualquer, o pai trabalhava no quarto e não mais que de repente uma figura de cabelos desarranjados e fralda carregada aparece a porta:
-O que você está fazendo no meu quarto!?
O pai ciente do bom-humor matinal típico da guria nem sequer vira a cabeça:
-Trabalhando.
A figura irritada na porta, cruza os braços, bate os pés no chão e dá o ultimato:
-Eu não gosto de você - diz a reclamante elevando o tom.
Antes que o pai pudesse mandar um beijo debochado e dizer que ama a tão mal-criada guria é interrompido:
-Eu já disse para todo mundo na minha escola que você é chato, feio e bobo! Ninguém gosta de você.
Ainda mais irritada ela repete a ordem:
-Sai daqui!
O pai já escolado na forma espinhosa de amar da pequena estressada responde com um sorriso:
-Bom Dia primeiro, né!?
-Bom Dia - no tom mais seco que se pode obter de uma guria de 3 anos - Agora sai daqui...

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Então ganhei!

MC entra no carro depois da escola. Bastante animada com a visita dos amigos Helo e Elton a pequena entra e sai de assuntos diversos em uma velocidade espantosa; em determinado ponto do trajeto sugere:
-Vamos fazer um campeonato de pum!?
Sem esperar a resposta dos demais- que obviamente já tinham caído na gargalahada - ela completa:
-Quem soltar um pum primeiro ganha!
Olha para os lados tentando entender a graça que todos viam em meio a acirrada disputa e começa a averiguação dos resultados:
-Elton soltou pum?
-Não! - responde o menino com os olhos arregalados - Claro que não!
MC então declara solene:
-Então ganhei!

Só a carne!

MC chega em casa com um pacote de uma conhecida rede de lanchonetes; entrega para o pai com um sorriso e diz:
-Fe, olha aqui seu lanche.
Enquanto o pai abre a embalagem a guria - que já tinha devorado um lanche, uma tortinha, alguns biscoitos e uma quota extra de batatas subtraída do lnache da mãe - começa a salivar:
-Hummmm - diz ela com os olhos fixos no embrulho - que cheiro bom, hein? - incentivando o pai a ser mais rápido - Será que está gostoso?
MC encara o lanche aberto já babando em caldas sobre o pai pede:
-Será que tu pode me dar um pedacinho?
-Claro filha - responde o pai com um sorriso - Dá uma mordida aqui.
A pequena encara o lanche, franze o rosto como se tivesse sido confrontada com matéria radio-ativa a explica:
-Não, não. Essa coisa verde ai tu pode comer;  eu só quero a carne!
...
P.S: Sanduíches vegetarianos são a nova onda!

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Não.

Dora, Botas - um macaco que acha que a peça mais importante do vestuário são sua as botas -, uma princesa não identificada e a cabeça da Dora - sim, porque dado o tamanho desproporcional em relação à própria Dora e até mesmo em relação ao cenário essa faz jus a menção honrosa e quem sabe até a um camarim - lutavam para salvar o reino de cristal das mãos do rei egoísta.
MC os ajudava a cada passo; ora chamava o mapa ora dizia o que a Dora iria precisar tirar da mochila - não sei ao certo porque a mochila é MENOR que a cabeça da heroína; vida - e desenho - que segue. MC prestativa e interagindo com a história até que chagamos ao desenlace. Dora pede ajuda para ir até a última cena onde enfrentará o perigoso vilão - que lembrava muito o Coalhada (personagem do Chico Anysio). O asteróide que a pobre Dora carrega em cima dos ombros fica em close na tela - Sim, minha TV é wide - e pede com gentileza e doçura:
-Você pode nos ajudar a chegar até a quarta história dizendo "Forth Story"?
Botas - o macaco vintage diz pausadamente:
-F-o-r-t-h S-t-o-r-y.
Foco de volta no Satélite Natural de Júpiter que diz:
-Você pode nos ajudar dizendo "Forth Story"?
MC sem qualquer remorso ou arrependimento diz seca:
-Não.
Levanta-se da cama e procura algo mais interessante para fazer.
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Sinto muito Dora, Botas, Princesa Não-Identificada e Objeto capaz de Eclipsar o Sol a aventura de vocês não irá prosseguir.

sexta-feira, 17 de agosto de 2012

Cética

Ao pegar MC na escola o pai - entusiasmado - anuncia:
-Filha, fui na loja das fadas e comprei um presente para ti.
MC - ao melhor estilo garotinho cético do Terceiro Mundo - franze a testa e responde:
-Fe, fada não existe - Responde a pequena pegando na mão do pai suavemente - A titia da loja te enganou.
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segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Pé da Letra

A caminho de um super-mercado a família para em um semáforo onde um malabarista de rua demonstra seus talentos  com uma bola de futebol, MC encara o rapaz e pergunta:
-Pai, qual é o nome desse jogador?
O pai meio atônito com a pergunta responde:
-Filha, ele não é jogador. - afirma o pai para continuar a explicação - Ele é um pessoa pobre; precisa jogar com essa bola para conseguir dinheiro para comer.
MC arregalou os olhos, torceu as sobrancelhas, virou-se para o pai incrédula e perguntou:
-Ele come dinheiro?
...
Mais tarde ao sairem do supermercado MC faz tudo que lhe caracteriza como criança ATIVA: corre, pula, pergunta e descobre o mundo ao seu redor; praticamente tudo ao mesmo tempo. Em uma corrida desenfreada a pequena quase derruba uma senhora que ia á frente o que gerou uma repreensão da mãe:
-Maria Clara já para o carrinho! Não se pode tirar o olho de você um segundo...
Imediatamente a transgressora leva as duas mãos ao rosto protegendo os olhos e suplica:
-Mãe! Mãe! Você não pode tirar meu olho! - Diz a suplicante choramingando - Como é que eu vou desenhar?
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domingo, 12 de agosto de 2012

Justiceira

Sexta-Feira; o pai ansioso por um café de padaria subtrai R$ 5,00 da carteira da mãe.Algum tempo depois uma ligação da rua e uma pergunta direta:
-Fernando, você pegou os R$ 5,00 que eu tinha na carteira!?
Despreocupadamente o pai confirma. No carro MC sobriamente pergunta:
-Mãe, o meu pai pegou dinheiro na sua carteira?
-Pegou sim filha, malandro ele, né!?
Sábado; MC vê a carteira do pai sobre a mesa, vai discretamente até ela e subtrai R$ 50,00, corre até a mãe com a nota erguida acima da cabeça como um troféu e festeja:
-Mãe! Mãe! Peguei de volta o dinheiro que o malandro do meu pai roubou da sua carteira!

terça-feira, 7 de agosto de 2012

Sabe por que!?

Faceiro o pai discorre sobre as coisas legais para se fazer no shopping:
-Tem livraria...
Imediatamente a guria recorre à mãe pedindo confirmação:
-Tem livraria mãe!?
Confirmada a existência de tal o pai continua:
-Tem loja de sorveteria...
Novamente:
-Tem sorveteria mãe!?
A mãe confirma com um meneio de cabeça.
Assim persistiu por um tempo até que o pai perdeu a pouca elegância que a genética lhe proporcionou e bradou:
-Por que tu fica confirmando as coisas que eu falo com a sua mãe!? - esbraveja o pai - O papai está falando...
Antes que o discurso sobre conhecimento gerais e capacidade de emitir opnião pudesse ser feito a pequena interrompe brusca:
-Pai! Pai, pera um pouco!
Diz MC com as mãos espalmadas no ar pedindo calma:
-Sabe por que eu pergunto as coisas para a minha mãe!?
-Por que!? - Pergunta o pai curioso.
-Porque você não sabe de nada!
O resto da viagem prosseguiu em silêncio.
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segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Um dia qualquer.

MC desperta do resfriamento do núcleo de plutônio e faz o check-list matinal: apalpa pela mãe, murmura por Sassá e exige do pai um frasco de suco de bovino enegrecido com chocolate em pó.
-Papai não está - Responde a mãe sem prestar muita atenção.
-Não está!? - MC abre os olhos repentinamente e confirma o status de falta de quorúm familiar.
-Onde foi o meu pai mãe!? - Pergunta querendo restabelecer o controle do contexto.
-Foi trabalhar na empresa.
MC pondera e delibera sem fazer muito caso:
-Já estava na hora, né mãe!?

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Nota: Baseado nessa declaração infame de uma criança - mal-criada - de 3 anos alguns gerentes já consideram exigir maior presença on-site de um determinado funcionário.

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Logo em seguida MC é confrontada com a necessidade de assumir as tarefas paternas:
-Filha trás o telefone para a mamãe!? - Pede a matriarca com enorme carinho na voz.
MC para por um segundo, espreguiça-se na cama e propõe uma pequena inversão de papéis:
-Mãe que tal você ser o meu pai e eu ser você!? - Sem esperar por um sinal de concordância e sem tomar fôlego MC põe a alteração de realidade em prática - Fe trás o telefone para mim, por favor!?

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Perto da hora da escola MC - auto-ditada - declara que não irá a escola:
-Mãe - com certo desdém - avisa a vó Soli que eu não vou para escola.
A mãe mede os 1 metro e 08 centímetros de alto à baixo algumas vezes e responde com tom autoritário:
-Como assim a senhorita não vai à escola?
MC olha para trás enquanto desprende a fralda de dormir e completa o raciocínio:
-Sabe por que eu não quero ir mãe!? - Pergunta MC em retórica completa - Porque só está passando filme; não estou aprendendo nada novo.

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Nota: Não houve quem convencesse a pequena crítica educacional à ir a escola.

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 Em um estalo de boca a pequena constata uma realidade cruel:
-Eu sou a única menina da escola que não tem uma Monster High.
Balança a cabeça em desilusão e desalento e conlcui:
-Eu NUNCA - com embargo e desespero na voz - vou ter uma Monster High.

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Nota: Sim nós - pais cruéis e impiedosos -  suprimos a necessidade básica dessa guria por ser aceita na sociedade de infantil de consumo.

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Tarde da noite a mãe tenta falar com o pai:
-Filha o papai não atende o celular.
MC sem largar o teclado ou mesmo tirar os olhos do computador entristece a voz e dispara:
-Meu pai vai me deixar!?
Levanta os olhos um pouco e pondera sobre o assunto:
-Eu não quero ficar sem pai.
Voltando imediatamente ao passa-tempo sem qualquer pesar adicional

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Esse é um dia típico  com a MC; acreditem ou não - a pequena rainha do drama - nos brinda com essas tiradas todos os dias o dia todo. Tanto que muitas delas acabam se perdendo uma sobre as outras e não chegam aqui. :-(

terça-feira, 31 de julho de 2012

Momentos Embaraçosos II

À caminho da casa da tia-avó paterna a família aproveita para dar uma carona ao pobre pai. Na porta de casa MC despacha o pai sem qualquer cerimônia:
-Tchau Fe - Apressando sua saída do carro com as mãos - Cuida da Sassá.
A tia-avó em vista da pressa da pequena coloca uma brincadeira:
-O Fe só vai dar comida para a Sassá e vai voltar.
A cabeluda estala os olhos como dois ovos fritos e pergunta estupefata:
-O Fe vai na sua casa!?
-Vai sim - responde - Qual é o problema!?
-Ele não gosta de ir na sua casa Teté! - Responde MC com sua peculiar naturalidade hecatombica.
-Ah, ele não gosta de ir na minha casa, é!? - Responde a tia-avó olhando FIXAMENTE para o sobinho que abria a porta vagarosamente para não ser notado.
-É Teté, - continua a pequena boca-aberta com um sorriso no rosto - ele não gosta de ir na sua casa mesmo!
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quinta-feira, 26 de julho de 2012

Deixa comigo...

MC - quer por herança genética quer por habilidade inata - está completamente fascinada por jogar Super Mario. Enquanto o pai trabalhava a mãe resolveu jogar com a filha.
Gracas a algumas técnicas não ortodoxas o pai tornou o Mario um pouco mais competitivo - leia-se em modo StartPower permanente. A mãe assume o teclado em uma fase; munida de invencibilidade, 99 vidas duas capas de vôo e um Yoshi e logo de cara cai no primeiro  abismo em que pôs os olhos; e de novo, e de novo, e de novo. Caindo em buracos, errando plataformas ou sendo esmagada pela tela. MC comeca a perder a paciência com a jogadora novata e passa a intruí-la:
-Agora mãe... Pula!
De volta ao comeco da fase:
-Mãe, eu falei para pular!
MC acaba ficando realmente entediada com a novata; se desliga do jogo e passa a amolar a Safira. Alguns momentos depois MC perde a paciência, toma o teclado das mãos da mãe e diz em tom sarcástico:
-Mãe, deixa comigo que é mais fácil!
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sábado, 21 de julho de 2012

Um Cachorro!

MC passava pela sala despreocupadamente quando foi interpolada por uma questão filosófica, analítica e existencialista:
-Filha, o que você prefere: um irmão ou um cachorro?
MC olha em volta, afaga os cabelos, respira fundo e responde:
-Um cachorro!
-Por que filha!?

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quinta-feira, 19 de julho de 2012

Batatas Fritas.

MC jantava em companhia da tia-avó paterna degustando algumas batatinhas fritas. MC mui educadamente - diferente do comportamento padrão - oferece os quitutes para as visitas:
-Quer batata frita Teté!?
A tia-avó prontamente agradece e serve-se de um bocado:
-Obrigado filha. Eu adoro batata frita.
Conversa vai, conversa vem a tia-avó beliscava as batatas da guria sem muita preocupação. MC olhava a subtração continua de unidades calóricas do seu prato e em dado momento pôs de lado a gentileza e vestiu o mando da ironia. Pôs a mão sobre o prato, olhou para a tia em desafio e bradou:
-Teté, você gosta MESMO de batata frita hein!?
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terça-feira, 17 de julho de 2012

Cabeleireiro da Chloe!


Ao o estilo contundente de sempre empurra a porta da casa da avó materna para anunciar sua chegada:
-Oie vó marina!
 MC para por um instante e examina o corte de cabelo moderno da avó. Olha, contempla e analisa. Curiosa com o silêncio da neta a avó instiga:
-Então Maria Clara, gostou!?
MC fica em dúvida por um segundo, olha para os pais e diz em tom triste:
-Mãe, a vó Marina tá maluca - apontando com energia os cabelos da avó - Ela foi no cabeleireiro da Chloe! 
Diz a pequena enquanto cai em uma gargalhada longa de debochada:
-Ela não sabe que não pode ir no cabeleireiro de cachorro!?
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segunda-feira, 16 de julho de 2012

Ah é!?

Depois do encontro obrigatório com a Justiça Eleitoral a família resolve da um rolê no shopping:
-Gente, eu vou na Loja de Brinquedos mas não vou comprar nadinha de nada! - Declara MC com um grau de ternura no olhar que poderia convencer um Visigodo a poupar uma vila medieval.
-Não vou comprar nadinha, viu pai!
O pai movido por genes de geracões e geracões de chefes de família resolve impor sua posicão:
-Claro que não vai comprar nada! - Diz o pai soberbo - Quem compra os seu brinquedos sou eu!
-Ah é!? - Os olhos da pequena ganham um brilho incandescente - O que você vai comprar para mim então!?
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quarta-feira, 11 de julho de 2012

Generosidade

Férias é - sem dúvida - o melhor período do ano para arrumar armários. A mãe procedia no intento de organizar um compartimento que detém de memórias carinhosas a panos de prato. Dado momento um chinelo havaiana de tamanho de tamanho diminuto é encontrada:
-Mãe! - Diz a Maravilhada a Pequena - Você achou meu chinelo de borboleta!
-Filha - explica a mãe com os chinelinhos na mão - eles são de quando você era um bebe. Não cabem mais no seu pé.
MC pega o par na mão e mede contra os próprios pés. Constatando por si mesma a verdade. Dá de ombros um pouco chateada e retorna as atividades normais.
No dia seguinte ao acordar MC encara a mãe com o semblante sério e pesado:
-Mãe - diz cruzando as pernas sobre a fralda carregada de xixi - decidi o que eu vou fazer com aquele chinelo de bebe.
-Ah é!?
-Eu vou dar para a Júlia de Vinhado - ela quis dizer Vinhedo. Ela é um bebezinho não é!?
Afaga-se na própria idéia com um sorriso e completa:
-Vamos lá embrulhar para presente mãe?
Desce de súbito da cama para por em prática o plano e ao encostar os pés no chão pondera:
-Será que ela sabe andar!?

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P.S.: Júlia é a mais nova integrante da família nascida semana passada.

domingo, 8 de julho de 2012

Eu tenho duas mães.

Depois do almoço de domingo; MC - devidamente nutrida -  procura algo interessante para fazer enquanto a família discute trivialidades e assuntos ainda menos relevantes.
A pequena antenada ouve tudo - mesmo quando parece estar completamente dispersa. Quando o assunto envereda sobre famílias alternativas a MC interrompe:
 - Eu tenho duas mães  - com infinita naturalidade.
Imediatamente todos os olhares se voltam para a pequena:
-Como assim tem duas mães Maria Clara?
Com profunda sabedoria e paciência com as limitações da compreensão sobre conceitos elementares de Arquitetura familiar MC explica:
-Eu tenho a mamãe - diz apontando a mãe. Vira os olhos para o pai e continua:
-E o papai também é minha mãe.
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sábado, 7 de julho de 2012

Não quero falar com essa chata!

MC agora é nossa atendente oficial de telefone. Mal toca nossa entrépida pequena já corre para o aparelho.
Dia destes MC assistia desenhos e o telefone tocou. Dócil como sempre caprichou no atendimento:
-Alô.
Um instante depois seguiu-se uma bufada de desapontamento:
-Você denono!?
Mais um instante para dar chance ao interlocutor para se explicar e vem a resposta:
-Não quero falar com você.
MC desliga o telefone e volta a sua cadeira. O pai - que não pode fazer muito - pergunta cuidadoso:
-Quem era no telefone filha?
Sem sequer olhar para o pai ela dispara:
-Vó Marina chata!
-Chata por que filha? - Pergunta o pai mais tranquilo por se tratar de alguém que CERTAMENTE compreenderia o comportamento da birrenta.
-Fica ligando toda hora - Diz MC apontando o telefone - Não quero falar com essa chata.
...

A avó materna tinha ligado apenas 01 vez ante do ocorrido. Porntanto se precisarem ligar aqui tenham em mente que: 

  - Vocês tem uma chance apenas de serem bem atendidos.

quarta-feira, 4 de julho de 2012

Agora, por favor, fala a verdade.


MC acorda e as lambidas de sempre da cãopanheira não estão lá.
A pequena levanta, olha em volta e indaga:
-Pai, cade a Sassá?
-Fugiu! - Responde o Pai com o melhor olhar Elizabeth Bennet possível para a  ocasião. 
-Como assim fugiu!? - Diz a pequena com os olhos mareados.
-Fugiu nada! - Intervém a mãe - Foi no PetShop.
-Viu pai! - Responde mirim limpando as lágrimas que mal tinham se formado.
-Quem levou ela no PetShop? - Pergunta agora curiosa.
-Eu abri a porta, soltei a coleira e disse: "Vai para o PetShop Safira".
A guria agora com um semblante sério, ambas as mãos na cintura,
com um ar super adulto e muito mais maturidade que o pai:
-Agora, por favor, fala a verdade. - Olhando fixamente o pai com os cinza-esverdeados cintilados por brilho de psicóloga tarimbada -
Quem levou a Safira para o PetShop?
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segunda-feira, 2 de julho de 2012

Eu sou a She-Ha!

Domingo assistindo desenhos na TV enquanto os demais integrantes da família dormem, passeiam e fazem qualquer outra coisa menos lúdica.
MC desenvolveu um gosto especial por She-Ha nas últimas duas semanas. Sim, aquela mesma She-Ha que animava as manhãs da garotada em 198 < e qualquer coisa>.
Em meio as coloridas transformações da heroína cabelos cor de gema MC proclama:
-Eu sou a She-Ha!
O pai queredor de participar da brincadeira pergunta:
-Quem eu sou então filha?
MC vira os olhos para o pai, mede-o, encara-o, classifica-o e responde depois de criteriosa investigação:
-Hum, você pode ser aquele menino do castelo feio.
-Menino do castelo feio filha?
MC arregala os olhos possivelmente surpresa de sua explicação tão detalhada não ter surtido efeito no pai:
-Aquele menino que tem aquele gato feioso - Diz MC voltado a fixar os olhos na TV.
Orgulhoso o pai entende o seu papel:
-Ah, então eu sou o He-Man!
MC desdenhosa e completamente protagonista balança as mãos e completa:
-É o He-Man! Que tem o gato feio que não tem asa.
-Oba, então eu sou amigo da She-Ha. Quando eu entro na história?
Pergunta o pai de entrão na brincadeira.
-Pai! - responde a filha com semblante sério - Fica quietinho porque é a She-Ha que manda na brincadeira.
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sexta-feira, 29 de junho de 2012

Faz outro para você!

Bebedor inveterado de groselha o pai prepara um generoso copo na cozinha enquanto MC preambula pela casa à procura de divertimento; vê o copo cheio de um líquido vermelho e indaga:
-Fe - olhando o copo com ar Darwinistico - o que é isso?
-Groselha. - responde o pai plácido e cortês.
-Você bebe isso?
Sem tirar os olhos do copo para não interromper o delicado processo de mistura da groselha na incansável busca de um sabor homogêneo o pai responde seco:
-Não, eu gosto é de lavar o cabelo com groselha; mas sua mãe acha que eu fico parecendo a Alcione quando quando meu cabelo fica vermelho.
MC já aprendeu a ignorar total e completamente esse tipo de resposta mal-criada - ao que parece. Não se importando em entender o que o pai quis ou não dizer.
-Quer um pouco? - Pergunta o pai em cumprimento aos seus deveres paterno no parágrafo que diz: ensinarás ao teus filhos os prazeres de um bom copo de groselha feito na hora.
MC aproveita a aproximação da mãe e dedura oferecimento ilícito de groselha à deidade superiora do lar:
-Mãe você não acredita no que o meu pai fez. - diz a pequena âncora de programa policial em tom de profunda indignação -  Ele queria que eu bebesse essa coisa de groselha.
-Filha - concilia a mãe em tom cordial - groselha é gostoso.
-Você toma isso mãe?
-Tomo sim! - diz a mãe após bebericar um gole - É muito gostoso.
MC arregala os olhos ao ver a mãe beber. Não se sabe ao certo o porque do espanto; talvez ela esperasse que groselha transformasse as pessoas em monstros gordinhos de cavanhaque e cabelo desarranjado. Pega o copo das mãos da mãe, cheira, analisa, pondera e finalmente bebe um lento gole -  a preparação foi digna do mais refinado dos enólogos -  degusta e então declara:
-Gostoso, né mãe?
O pai sedento por tomar seu refresco intervém:
-Agora devolve o copo para o papai.
-Não! - enfurece-se a pequena abraçando o copo como se fosse um velho amigo - Esse é meu!
Enxotando o pai para longe não deixa margem a negociação:
-Faz outro para você!


quarta-feira, 27 de junho de 2012

Vou ficar aqui...

MC prepara-se para realizar testes nucleares nas entranhas da fralda. Em pé sobre a cama MC encosta-se na parede perto do pai que perdia-se em um livro. MC vai do branquelo habitual a um vermelho cereja logo na primeira tentativa de expulsar o objeto. Para melhor desempenho a mãe carinhosamente sugere:
-Filha, desce da cama que o cocozinho sai mais fácil.
A filha se aproxima o pequeno artefato de guerra ao rosto do indefeso pai e declara:
-Não! - com o cenho cerrado e as sobrancelhas arqueadas - Vou ficar aqui e fazer fedor do lado do meu pai.
MC balança as ancas e dispara em uma gargalhada:
-Tá sentindo o fedor Fefe!?
...
Não basta ser pai...

terça-feira, 26 de junho de 2012

Momentos Embaraçosos

MC, mamãe e a avó materna iam em direção à Escola. Tudo seguia tranquilo até que MC dispara uma pergunta inusitada:
-Mãe lembra daquele filme que a titia que faz xixi no titio?
Os olhos da avó materna imediatamente se arregalam!
-Que filme filha!? - Pergunta a mãe intrigada
-Aquele mãe... - responde a pequena fazendo força para lembrar-se do filme - que a titia tem um brinco na periquita!
-Brinco na Periquita filha!? - Pergunta a avó atônita.
-Lembra mãe!? - Continua a pequena - Aquele que a titia sai com o titio da água...
-Não filha - diz a mãe engolindo seco e completamente constrangida - Não lembro.
-Ai mãe - retruca a mini-cinéfila - aquele que a titia bate nas costas do titio!
-Onde tu viu esse filme? - Pergunta a avó com os olhos arregalados
-Em casa com a mamãe e o papai - responde solene MC.
Segue-se um silêncio cortante até a porta da escola. Feitas as despedidas a avó espera a neta se afastar e ralha com a mãe:
-Adriana! - diz em tom enérgico - Que absurdo é esse? Assistir filme de sexo perto da criança?
...

Eis a sequência em questão:


Infelizmente só achei em Italiano :-(

...

segunda-feira, 25 de junho de 2012

Prefiro falar com a mamãe!

Churrasco em um clube. MC após alguns nacos de carne e alguma timidez infantil decide que é hora de ir ao parquinho sob a supervisão cautelosa do pai; que tentou cercar-se de todas as possíveis necessidades da guria: um copo de refrigerante e alguns cubos de carne. Sentou-se no banco do parquinho e observou a brincadeira evoluir.
Sobe e desce no escorrega, balança daqui e balança de lá, corre atrás da amiga Lili e finalmente a pequena têm sede. O que ela faz? Simplesmente olha em volta, encara o pai, dá as costas e põe-se em passo celerado em direção a escada que levava ao salão de festas; o que imediatamente dispara o alarme do pai:
-Filha  - Em tom amistoso - onde tu vai!?
A pequena nem sequer olha para trás ou diminui o passo para ouvir o que o progenitor tinha à dizer:
-Maria Clara; vai onde filha!?
A pequena de passo firme e vontade indissolúvel já se encontrava adiantada no pátio mesmo com o pai - comendo sua poeira - pedindo insistentemente que ela o esperasse.
Ao passar pela Tia Letícia, amiga da família, MC é interpolada:
-Maria Clara! - diz Letícia com todo cuidado e carinho - O papai está te chamando, não ouviu?
MC sem reduzir a marcha ou sequer olhar para com quem falava rebate em tom sisudo:
-Eu ouvi.
E continua a marcha pátio à fora se se importar nem um pouco com o pai esbaforido que a perseguia. Querendo tão somente ajuda-la. O pai finalmente a alcança no terceiro lance de escada, coloca a mão no seu ombro e pergunta:
-Não ouviu o papai chamar!?
Ela cerra os olhos cinza-esverdeados e dispara sem afeto:
-Ouvi.
-E por que não parou?
-Prefiro falar com a mamãe.

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sexta-feira, 22 de junho de 2012

Tá até balançando o rabinho!

MC está no estado que os pais conhecem como: Virada no Siri Jiraya preso em uma Lata de Goiabada!
Depois de acordar a mãe, brincar de comer ração com a Safria, derrubar um prato, correr montada em um cabo de vassoura ela resolveu dar atenção ao outro mascote da família. O pai sentado de costas ainda luta com algumas telas-pretas rebeldes e a filha chama sua atenção:
-Fe! Fe! - Grita a pequena - Olha eu tô fazendo carinho no peixe!
O pai gira o corpo na cadeira e vê a pequena cientista centrifugando o pobre peixe sem piedade. A água do pequeno aquário transformada em um turbilhão onde uma pequena mancha azul era levada pela tornenta.
-Filha! - grita o pai enquanto levanta-se cadeira com agilidade impar para alguém do seu tamanho - Coitado do Esfomeado!
O pai tira a pequena mão de ciclone de perto do animal indefeso e explica:
-Filha, peixe não gosta desse tipo de carinho!
-Gosta sim! - Responde com tom de alegria - Olha só! - chamando a atenção do pai ao aquário que tinha ficado atrás deles - Ele está até balançando o rabinho!
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Foi o Fe!

Assolada  pela por uma crise de cefaleia a mãe repousa por alguns instantes. Para não atrapalhar o já conturbado repouso o pai leva a pequena para o quarto de brinquedos.
Uma vez lá a engenhosa faz de um tudo para ser chamada atenção: derruba brinquedos, joga as coisas, escala móveis, abre gavetas e etc.
Todo o arsenal de Peraltices que eram reprimidas com:
-Para Maria Clara!
ou:
-Chega disso Maria Clara!
ou ainda:
-Tá de castigo Maria Clara!
e depois:
-Volta já para o castigo Maria Clara!
Depois de alguns minutos a mãe aparece sonolenta na porta do quarto. MC saltita alegremente e diz:
-Dri-Dri! - agarrada com tal força as pernas da mãe que poderia ceder algumas lições ao Sr. Kong - você acordou!
-Acordei filha. - Responde a mãe depois de um bocejo - Tu conseguiu me acordar com essa bagunça!
-Não fui eu não - Responde a pequena beijando as pernas da mãe - Quem acordou você foi o Fe gritando - MC coloca a barriga para frente e engrossa a voz - "Para Maria Clara!".
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Tira uma foto com a vovó?

Voltando da Festa Junina MC - vestidinha de caipira - é fofura pura! A avó materna pede para tirar uma foto com a marrenta:
-Tira uma foto com a vovó?
-Não - responde MC seca.
-Ah, tira uma foto com a vó vai...
-Não - sem qualquer remorso ou complacência na voz.
-Eu te dou uma boneca - diz a avó abrindo a rodada de negociações.
-Já tenho - permanece firme como o governo Chinês quando inquirido a diminuir emissões de carbono.
-Ah, é uma foto só. Eu te dou uma boneca e um vestido de caipira - A avó sobe os valores esperando dobrar a pequena.
-Já tenho boneca e já dancei caipira - Responde MC com uma firmeza que a levaria a ser líder de qualquer comitiva na Rio+20.
Ai a avó perde a linha e parte para o ataque. Aproveitando que o avô sairá para comprar algumas esfirras apela para a privação de alimentos:
-Tira uma foto comigo ou vai ficar sem esfirras.
MC volta o olhar para avó, vê que não se trata de uma ameaça vazia e consente em tirar a tal foto:


Depois dessa obra prima de descontentamento infantil todos aprendemos que além da foto é preciso negociar também o sorriso.
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terça-feira, 19 de junho de 2012

Quem manda em mim...

O pai supervisionava MC no banho enquanto a pequena brincava com um tubo antes cheio de shampoo.
-Paiê! - Chama a pequena em caráter de urgência urgentíssima. - Pega aquele creme rosa de cabelo para mim!?
-Filha - responde o pai querendo entrar na contenda - a gente já falou que não pode gastar shampoo assim.
-Paiê! - Responde a pequena apontando o frasco - Aquilo foi antes! - Explica a pequena completamente nua, com uma mão na cintura e a outra desenhando círculos no ar - Agora eu sou grande e sei usar o creme.
O pai olha desconfiado para o frasco vazio na mão da guria e constata:
-É, tô vendo que sabe...
-Paiê! - Dando uma carregada generosa no IÊ - Pega logo o meu creme que meu cabelo vai secar! - Diz a pequena imperatriz com os cabelos completamente ensopados.
-Eu não vou pegar - Bufa o pai em tom enérgico - Eu mando aqui; não vou pegar!
MC olha para os lados, olha para o frasco de shampoo e responde em tom calmo:
-Tá bom pai! - resigna-se a pequena - Você é quem manda!
O pai estoura de orgulho! Finalmente a pequena havia reconhecido a sua autoridade; dobrado o joelho ante a sua liderança. Finalmente a filha se submetera! Rei em sua majestade o pai emenda:
-Isso mesmo filha! - em tom de absoluta soberba -  É o papai quem manda!
-Ô paiê... - Diz mui docemente o projeto de controladora - quem manda no chuveiro precisa dar o creme para as crianças, sabia!?
Com os olhos verde-acinzentados tão grandes e brilhantes que seriam capazes de e engolir o mundo ela continua:
-As crianças - todas no total de uma - vão ficar tristes sem creme.
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Resumidamente aos 3 anos ela é: subversiva, chantagista e manipuladora!

segunda-feira, 18 de junho de 2012

Senhorito, volta aqui!

Com a mãe fora a resolver assuntos acadêmicos o pai fica a cargo de engendrar o almoço. Arroz borbulhando ao fogo, suculentas fatias de carne em processo de fritura e em arremedo de salada formavam o cardápio.
MC assitia desenhos na sala enquanto o pai secava as lágrimas de cebola no bafo do arroz. De repente o pai é acometido de uma súbita vontade de ir ao banheiro. Abaixa o fogo de todos os preparados e corre para o banheiro. Ao passar pela sala anuncia:
-Filha, vem no banheiro com o papai, vem!? - Quem tem criança em casa sabe que o confinamento ao banheiro é a maneira mais segura de evitar que crianças curiosas tentem "ajudar" na cozinha.
Terminadas as tratativas o pai apressa-se para verificar a rango e decide lavar as mãos na pai. O passo celerado pelo corredor é interrompido por um chamado enérgico:
-Senhorito!? Volta aqui!
O pai se detém no corredor e gira o corpo para atender a filha:
-Que foi guria!?
MC com os braços na cintura e cara de poucos amigos inicia reprimenda:
-Senhorito! - Diz a pequena olhando para a pia - Pode sair do banheiro sem lavar as mãos!?
-Não, filha - tanta se explicar o pai - eu ia lavar na pia da cozinha.
-Cozinha é banheiro por acaso!?
O pai resigna-se ,volta sobre os passos, lava as mãos cuidadosamente e reporta:
-Lavei! - Estendendo as mãos a filha -  Quer conferir?
MC toma as mãos do pai nas suas, faz uma inspeção digna de academias militares e proclama:
-Agora sim! - Com um sorriso sincero - Pode ir brincar na cozinha agora!
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Eu tô usando cueca!?

Tarde da noite e a família embrenha-se em Safari entre as prateleiras de um hiper-mercado qualquer. MC avista o mostruário de festas juninas e exclama:
-Fernando! Festa Junina! Corre para lá que eu quero ver os vestidos de menina!
-Quem disse que tu é menina!? - Pergunta o pai sarcástico.
-Claro que eu sou menina! - Responde MC incrédula com a pergunta.
-Não é menina não - Fecha-se em Copas o pai tentando ignorar os olhos acinzentados e inquisidores da guria - Tu é minha filha!
Em pé no carrinho de compras MC ergue as ancas, abaixa a calça até metade do quadril, puxa as roupas de baixo com as mãos e olha o pai em desafio:
-Olha aí - Dando leves puxões nas ceroulas de gatinho - Eu tô usando cueca!?
-Não. - obriga-se a responder o pai.
-Então eu não sou menino e nem sua filha - Esbraveja a mini-feminista ajeitando-se nos trajes -Agora vira esse carinho e vamos comprar um vestido bem bonito para mim!
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segunda-feira, 11 de junho de 2012

Posso entrar!?

O pai chega aflito em casa suplicando por algum tempo de paz e reclusão  na acústica privilegiada do banheiro. Para não chamar a atenção da filha decide que fará um voo por instrumentos. MC com a habitual delicadeza procura o pai para brincar:
-Fe? Fe!? Fe, seu safadinho cade você? - Grita a Caçadora de Recompensas enquanto manda Safria no encalço do pai.
O pai mantém a calma e prende a respiração no escuro pensando consigo: Talvez ela não me veja aqui. MC desatenta passa pelo banheiro em passo celerado e começa a investigar o quarto.
-Pai, seu safado onde você foi parar!? Eu vou te achar, sabia!?
Tentando manter-se quieto e imperturbável o pai executa uma manobra ninja; estica-se o máximo possível e com a ponta dos dedos empurra a porta do banheiro deixando-a entreaberta. Vê a filha passar novamente em passo celerado pelo corredor e pensa: Ufa, deu certo. Mal pode pensar em estar seguro vê a porta se abrir em movimento brusco:
-Te achei seu caguento! - Grita como se tivesse descoberto uma Tumba ou uma Ossada de Dinossauro.
-Vamos brincar de mamãe e filhinho que faz cocô!? - Emenda a animadora de banheiros e sem esperar qualquer reação:
-Eu sou a mamãe e você é o filhinho que fazia cocô, tá bom!?
Ainda bem pensou o pai. Porque se tivesse de ser a mãe isso implicaria em terminar abruptamente algo que nem bem tinha começado.
Fecha a porta em um puxão vigoroso e dá três batidas leves:
-Filhinho, que tá fazendo!?
-A mesma coisa que eu tava fazendo ante de tu fechar a porta, oras!
-Posso entrar!?
-Não.
-Posso entrar!? - insiste.
-NÃO! - retumba o pai a ponto de fazer eco no recinto.
Num rompante de destreza e coragem o pai levanta-se; ignorando todas as sutilezas que envolvem papéis-higiênicos e limpeza íntuma tranca a porta do banheiro.
-Filhinho!? - pergunta a filha enquanto gira a maçaneta - O que você fez!?
-Tranquei a porta!
-Mãe! Mãe! - os sons da pequena vão se afastando pelo corredor.
-O caguento trancou a porta do banheiro! - parecendo chorar - Ele não quer brincar de filhinho que faz cocô comigo. Fala que ele tem de brincar!
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sexta-feira, 8 de junho de 2012

100


Este é um post especial. Por que justamente esse post!? Porque esse é o centésimo post do Blog.
Sim, sim senhoras e senhores. Essa é a centésima vez que eu venho aqui contar à vocês sobre o que eu vivo todos os dias; os pesares, as preocupações e as alegrias e principalmente as pérolas do cotidiano dessa nossa heroína de 3 anos.

Heroína essa que nem sabe quem tanta gente que a acompanha nas suas descobertas diárias. Acho que se soubesse não ficaria tão a vontade e tão natural. MC - vocês podem não acreditar -  é um tanto tímida e arredia à presença de estranhos. As vezes eu penso nesse Blog como um Reality Show: onde MC é vista como ela é. Ou pelo menos como eu a vejo: no seu jeito solto e espontâneo; que só as pessoas mais próximas tem a oportunidade de ver e ouvir.
Esse é o registro permanente do crescimento de uma guria; oque ela descobre, o que aprende, onde ela erra e onde ela acerta. Tem sido realmente fantástico poder dividir esse pequeno mundo com vocês. Um mundo que quem é pai entende perfeitamente e quem não é  - acho eu - encanta-se ao descobrir.

Para o meu espanto - e confessada vaidade - o Blog já tem mais de 3 mil acessos! Uma média de 20 acessos por postagem. Alguns dos posts mais famosos, porém, mais que dobraram essa média:

Posts mais vistos

Confesso que não esperava tamanha atenção e muito menos que eu pudesse levar essa empreitada a diante. Muito embora isso só tenha sido possível porque vocês incentivaram. Todos vocês!
Obrigado mesmo gente. Agradeço em meu nome e em nome da MCzoca! 
Quem sabe um dia ela mesma não assume as teclas desse blog e nos brinda com a sua visão única do cotidiano; enquanto isso não acontece eu vou me encarregando de narrar como a MC lida com o mundo.

Obrigado.

quinta-feira, 7 de junho de 2012

Amar, eu amo a mamãe...

Tarde da noite ou cedo da madrugada. A chuva cai mansa na rua e MC briga com o sono, briga com a TV e briga e com tudo mais que está a sua volta.
Agarra as orelhas do pai com força, franze o cenho, cerra os maxilares e começa a chacoalha-lo:
-Fe! Fe! - falando em voz baixa e energética - Eu gosto MUITO de você!
Sacudindo, sacudindo e sacudindo a cabeça do pai sem sinal de cansar:
-Eu gosto MUITO de você, sabia!? - Reafirma a pequena enquanto faz um coquetel de frutas com o que sobrou da massa encefálica do progenitor.
-Eu também te amo filha - Responde o pai quando MC cessa o movimento por um instante.
MC encara o pai com os olhos cinza esverdeados, sorri, reinicia a sessão de exercícios e conclui:
-Eu não disse que amo você! - Sacudindo cada vez mais rápido - Amar, eu amo a mamãe!
O pai ouve a velha vinheta da Família Dinossauros na Cabeça enquanto tenta desvencilhar a cabeça do rompante de AMOR da Guria.
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Cachecol de Avó!

O inverno Santista chegou para ficar. A garoa cortante assola a cidade por semanas sem trégua; o vento frio e úmido faz os santistas se empoleirarem em seus apartamentos magnanimamente caros.
Intrépida MC foi as compras com a mãe e a vó paterna. Chegando a porta de casa a pequena calorenta é intimada a vestir um casaco:
-Maria Clara, - diz a mãe em tom áspero - coloca esse casaco AGORA!
-Mãe eu nem estou com frio! - Responde a Exploradora do Ártico enquanto desafia o ar gelado com uma carranca.
-Maria Clara - diz a mãe em tom ríspido - Casaco. AGORA!
-Mãe, deixa eu te falar - replica MC estufando o peito - eu sou grande. Menina grande não tem frio...
-Amiga,  - tenta mediar a avó paterna - então coloca o cachecol chique para não ficar com frio.
MC avalia o tecido que avó queria que ela usasse, olha de novo para o casaco, observa os policiais que faziam a segurança da partida de futebol que acontecia nas redondezas e proclama:
-Vó Soli, tá birutos!? Se eu colocar seu cachecol a polícia vai achar que eu sou uma avó.
Rende-se Cabeleira esticando os braços para cima e assentido em usar um casaco.
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quarta-feira, 6 de junho de 2012

Deixa eu ver!?

É preciso notar que acreditamos na política de portas abertas nessa casa. Inclusive para o uso do banheiro. Pode não parecer normal para alguns e talvez até pouco higiênico...
Bom, falando assim parece mesmo, né!? Tipo, é meio constrangedor... enfim. É a política vigente desde o tratado de supressão de vontade masculina (casamento) assinado em 16 de junho de 2005.
O pai confabula com a louça no banheiro e MC não mais que de repente entra em alvoroço:
-Pai - com o semblante curioso - o que tá fazendo!?
-Justamente o que tu não faz no banheiro - diz o pai enquanto continua sua leitura.
Sim, o pai lê enquanto confabula com a louça! Levante a mão em comentário quem nunca fez o mesmo.
-Brincando de boneca!? - Responde a guria sem pestanejar.
Nessas horas - além de toda a semelhança física - o pai tem absoluta certeza de que ela é sua filha
-Não, né!? - Responde o Pai já um pouco incomodado - Tô fazendo cocô.
-Cocô!? - Diz a pequena em tom que mistura escarnio e curiosidade - Deixa eu ver?
-Não filha! - Acerta-se na louça o pai com um certo susto - Não vai ver cocô nenhum.
-Poxa pai! - Diz a pequena enquanto faz um carinho na cabeça do pai - Tá com vergonha!? Eu apago a luz! - Diz a terrível enquanto se estica TODA para desligar o interruptor logo depois de fechar a porta em um estrondo.
-MARIA CLARA! - Grita o PAI em tom Homeriano - O papai está lendo!
-Desculpa pai - Diz MC com doçura de Sonho de Padaria no olhar - Eu acendo a luz.
-Agora... - Transpondo a doçura por curiosidade - deixa eu ver seu cocô, deixa!?
-Filha, ninguém fica vendo o cocô dos outros, sabia!? É muito... - Nesse momento o pai fica sem palavras. Ver o cocô das pessoas é o que? Feio!? Não, não chega a ser feio. Tem gente que ganha a vida analisando o cocô alheiro. Grosseiro!? Não! Indiscreto!? É, indiscreto! O pai conclui mas acredita que a filha não entenderia o conceito.
-É muito o que pai!? - Sorri a pequena enquanto tenta ver o que ocorre nas entranhas da louça.
-Não é nada filha. Não é nada.
-Então, deixa eu ver o seu cocô. Deixa!?
Sem alternativa, sem argumentos e sem paciência o pai apela:
-Ô Adriana! Tu não tem uma surpresa para a Maria Clara!?
Surpresa é o código de resgate. Sempre que MC precisa ser tirada de algum ambiente ou situação os pais recorrem ao termo. Automaticamente a mãe compreende o pedido de auxílio:
-Tenho sim! - grita da cozinha  - Filha, vem aqui!
MC torce o bico, levanta as sobrancelhas e sai do banheiro resmungando.
-Mãe! Meu papai limpa o meu cocô e não deixa eu ver o cocô dele. Fala para ele que tem que dividir!
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segunda-feira, 4 de junho de 2012

É culpa do peixe...

MC destrinchou dois generosos filés de pescada no almoço. Filés grandes e poupudos o suficiente para terem sido extraídos de um Tubarão Branco Adulto. Acrecido claro das guarnições habituais: arroz, feijão e purê de batata.
Antes de sair da casa dos avós comeu de sobre-mesa meio mamão em cubinhos e algumas bolachas doces.
Acompanhando os pais no Feirão da Casa Própria comeu doces sortidos em TODOS os estandes: balas, pirulitos, caramelos e etc. Ainda no pavilhão comeu um saco de pipocas e um refrigerante de lata.
Saindo do evento; para mitigar os danos do estacionamento os pais resolvem fazer compras no Extra.
A pequena pedinte capricha nos olhos de filhote de Beagle que caiu da mudança  e convence o avô materno a comprar-lhe um Lanche Feliz.
Já na mesa a pequena Miss PacMan constata:
-Acho que eu tô com dor de cabeça!
Dispensando as calóricas - e  completamente indigestas -  maçãs que acompanham o lanche.
Chegando em casa MC ainda belisca uns salgadinhos e termina o dia pedindo uma mamadeira.
Irritada ela diagnostica:
-É, eu estou com muita dor de cabeça.
Preocupados os pais dão a Devoradora de Guloseimas um pouco de Dipirona Infantil. O efeito foi bem semelhante a saída de veículos da Travessia Santos-Guarujá: carros, motos e bicicletas em uma dança  caótica e desordenada!
Ela colocou para fora do almoço ao salgadinhos. Algumas guloseimas da feira de Imóveis ainda estavam prontos para consumo; em suas embalagens originais e nem parcialmente mastigados. O mesmo podia ser dito das batatas-fritas do Lanche. Algumas das bolachas recheadas ainda conservavam carinhas felizes.
Posta no chuveiro e COMPLETAMENTE recuperada da dor de cabeça que a amolava; MC chega a um diagnóstico para sua enfermidade:
-Mãe - diz a pequena com as duas mãos sobre a barriga - acho que foi tudo culpa do peixe!
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quinta-feira, 31 de maio de 2012

Manda ele de volta...

O pai chega na ponta dos pés depois de um Happy Hour não programado com os amigos do serviço, evita o quarto de dormir e implora para o cão doméstico não fazer alarde. Toma um copo de água, troca de roupa e vai pé ante pé até o quarto de dormir. Lá chegando vê a filha sentada na cama com os olhos arregalados e cara de amigo algum:
-Demorou nessa empresa hein pai!?
O pai fita o porcelanato do chão e tenta responder:
-Sabe o que é filha. Eu..
Enérgica MC não deixa o pai terminar o discurso:
-Cade meu presente!?
-Presente filha? Eu...
-Cade minha casa da Barbie?
-Filha. Eu...
-Mãe - chama a pequena a mãe que dormia a sono solto - ele demorou na empresa e não trouxe meu presente. Manda ele de volta para comprar!
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quarta-feira, 30 de maio de 2012

Reflexão

MC convoca o pai ao seu quarto de bonecas:
-Pai! - Grita a pequena do corredor - Vem logo que a brincadeira vai começar.
Animado o pai pega seu livro e vai até o quarto.
-Pai não! - Barra a pequena com a mão em riste bloqueando o corredor - Essa brincadeira não é de livro. Pode deixar isso com a mamãe!
Livre do item o pai se dirige ao quarto.
-Pai - diz a pequena apontando um espaço no chão - Esse é seu lugar e aquele e esse é o seu Príncipe.
-Senta logo! - diz a pequena em tom de Gerente de Empresa Multi-Nacional - Porque senão vai atrasar a brincadeira.
Assentado o pai incorpora o personagem e começa a participar. MC pega um pequeno carro rosa, enche de badulaques, assenta sua boneca no banco do motorista e diz:
-Marido - forçando uma voz mais grossa - Eu vou trabalhar. Cuida da casa e cuida da Sassá, tá bom!? Eu não quero bagunça quando eu voltar, entendeu!?
-Marida - Diz o pai disfarçando uma voz de galã de Novela Equatoriana - mas eu não vou trabalhar!?
MC começa a empurrar o carrinho em direção a outra ponta do quarto enquanto explica:
-Marido! Já te falei que Marido não trabalha. Marido fica em casa.
-Marido trabalha sim Marida! - Diz o pai em defesa própria - Pode não sair para trabalhar mas trabalha. Deixa eu te levar no trabalho então Marida?
-Marido - responde MC com ar zombeteiro - Quantas vezes eu preciso falar que Marido não sabe dirigir.
Depois de duas voadoras no EGO o pai entrou em um processo profundo de Reflexão interior
...

-Viu  - diz o resto de hombridade que me resta - ela me acha um babaca!
-Não é bem assim! - Respondo sem muita certeza.
-Não é bem assim!? Acorda tapado! Ela te acha um BA-BA-CA. Quer que eu repita o que ela disse!?
-Não é bem assim... - Reafirmo sem certeza alguma.
-Tu acha que ela respeita quem nesse barraco? Tu é que não é! B-A-B-A-C-A!
-Não é...
-Sério! Ou tu levanta e põe ordem nessa joça ou eu me mudo para o Esfomeado!
-Não...

...

MC vendo o pai absorto em si mesmo o chama de volta:
-Pai - diz ela elevando a voz - não quer mais brincar!?
-Quero sim filha...
-Pai - diz ela fixando os olhos - por que você está triste?
-Tô triste não guria - Disse o pai forçando um sorriso - Viu?
-O que aconteceu com a sua voz? - Diz a pequena com uma cara curiosa.
-Nada - responde o pai sem jeito - por que?
-Eu não gosto dessa voz triste - Diz a guria com um olhar perdido - Eu gosto da sua voz de pai.
-Fica triste não - emenda a pequena largando o carrinho onde estava- A Princesa vai ficar em casa para brincar com você.
Levantou-se com pressa, correu até o pai e deu-lhe um abraço apertado!
...

-Viu só! - Declaro eu para minha testosterona - Ela me ama e me respeita.
-Não é bem assim... - Responde meu lado selvagem com lágrimas nos olhos.
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terça-feira, 29 de maio de 2012

Plano B

O pai lia quase confortavelmente apoiado em um travesseiro enquanto fazia um esforço mental gigantesco para não se dispersar da leitura. MC chega ao quarto com a habitual curiosidade com objetos de outrem; vê o volume que o pai foleava e logo decide:
-Paiêêêê! - Grita a pequena enquanto escala a cama - Vamos ler juntos!?
-Filha - diz o pai enquanto ajeita os óculos - meu livro não tem princesa e não tem figuras, lembra!? Só um monte de palavras chatas...
-Eu ADORO as palavras - com a enfase que o uso de maiúsculas exige.
-Cade o seu livro então? - diz o pai querendo incentivar a pequena sem abrir mão do próprio livro.
MC rodopia os olhos pelo quarto, pega um marcador de páginas que estava solto sobre a cama e dispara:
-Aqui! - segurando o marcador sobre a cabeça como se este fosse um tesouro - Não é lindo!?
-Que lindo filha! - responde o pai sentindo-se seguro - Vamos ler agora?
-Vamos! - responde a pequena enquanto atravessa o espaço que a separava do pai - Primeiro vamos trocar de livro, né!? A tia da escola disse que a gente precisa dividir com os amigos.
Diz MC enquanto acotovela o pai e derruba o marcador de páginas ao lado.
MC folheia as páginas com mais curiosidade que destreza para o desespero do pai.
-Pronto - declara o pai depois de ler por 4 vezes o livro que a pequena lhe dera.
-Não pai - apontando para o volume que tinha nas mãos - Faltam muitas páginas.
O pai receoso com as mãos rápidas e desastradas da pequena tenta driblar a situação:
-Vamos brincar de outra coisa!?
-Vamos! - Responde MC empolgada - Vamos brincar de mamãe e filhinho, tá!?
MC rapidamente se serve de dois travesseiros, colocar debaixo da cabeça do pai e dá as instruções:
-Você é o filhinho, tá pai!? Agora deita aqui - indicando o travesseiro - que eu vou te dar mamadeira.
Faz um movimento afoito com uma mamadeira imaginária.
-Pronto filho! - Diz MC jogando a mamadeira imaginária para o lado - Agora você dormiu.
MC baixa o tom de voz para quase um sussurro e dá as instruções:
-Agora finge que você dormiu, pai!
O Pai cerra os olhos e engata um ronco imaginário.
MC abre um LARGO sorriso e em tom de desabafo proclama:
-Ai, ainda bem que meu filho dormiu - fazendo um carinho dolorido na testa do pai - Agora eu posso ler o meu livro.
Imediatamente dá as contas para o pai, engendra dois travesseiros sobre o corpo, abre o livro na página marcada e suspira:
-Onde foi que eu parei?
...

segunda-feira, 28 de maio de 2012

É o Alienígena!

MC faceira chega ao quarto aos pulinhos:
-Pai eu vou fazer uma pergunta que você não vai acertar - Disparada a pequena sem as delongas de praxe que conhecemos como educação e bons modos.
-Qual é a pergunta filha? - Diz o pai tirando os olhos do livro que lia e entendo a nudez de civilidade da pequena.
-Quem tem 4 olhos!?
O pai entendendo a piada - ou achando que entendeu - faz cara de quem comeu carne plutoniana (chuchu) e responde meio seco:
-O papai - emendando em sequência - Filha é feio tirar sarro das pessoas, sabia!? - diz o pai em tom sério - Elas podem se magoar...
-Não pai! Não é você! - Interrompe a pequena em tom severo.
-Quem tem 4 olhos é o alienígena!
...


terça-feira, 22 de maio de 2012

Girafa de Estimação

MC ainda extasiada da visita ao Zoo pede um presente de inusitado:
-Mãe, eu quero uma girafa de estimação!
-Girafa filha!? - Espanta-se a mãe - Por que uma girafa!?
-Mãe, você não viu!? O cocô do elefante não vai caber no jornal da Safira. O cocô da girafa é pequeno.

Nota:

Realmente para um animal daquele tamanho. O cocô da girafa é modesto em tamanho muito embora seja generoso em quantidade.

Explica MC enquanto com os braços abertos enquanto discorre sobre tamanhos de cocô.
-Filha, como a girafa vai passar na porta!? - Mostra a mãe a altura do batente da porta - O pescoço dela é muito grande.
-Ah mãe você não viu nada, né!? - Diz a pequena em tom de reprovação a falta de atenção da mãe - Tem girafa filhote com o pescoço pequeno, você não viu!?
MC encaminha-se até a porta e estica os braços o mais alto que consegue:
-Filhote passa - Diz a pequena dando pulinhos com os braços esticados - viu!?
...

segunda-feira, 21 de maio de 2012

É melhor eu ficar com as duas!

O avô materno dá a neta R$ 20,00 para despesas com o lanche da semana:
-Não vô - responde a guria com cara de quem está sendo forçada a comer chicória - esse papel eu não gosto. Eu quero moedas.

Nota:
Pensei seriamente em registrar essa afirmação em cartório. Seria muito útil quando ela chegar a adolescência.


A avó materna com um ar matreiro decide que pode ludibriar nossa heroína:
-Maria Clara - diz a avó balançando uma nota de R$ 10,00 - olha a avó tem uma nota rosa.
-Que linda! - exclama a pequena enquanto pega a nota das mãos da avó.
-Muito linda a sua nota avó! - Maravilha-se a pequena - É chique!
-Então - diz a avó com um brilho no olhar - vamos trocar!?
MC com as duas notas nas mãos avalias as possibilidades.
-A avó está de dando uma nota rosa linda - Diz a avó incentivando a pequena a trocar - Por que você vai ficar com essa amarela feia!?
Mc pondera, coloca as notas contra a luz como se quisesse ver se era verdadeiras e proclama:
-Olha vó - com um ar extremamente simpático - a sua nota é linda.
A avó arregala os olhos em expectativa
-Mas eu gosto da minha também - Dispara MC.
Momentos de tensão.
Finalmente após um pouco mais de ponderação analítica e desprovida de emoção MC dá seu veredito:
-É melhor eu ficar com as duas!
Enfiou as notas no bolso e deu as costas para uma avó agora R$ 10,00 mais pobre.
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domingo, 20 de maio de 2012

Amendoim

Passeio em família ao Zoológico. A Madrinha aprontou um delicioso lanche para abastecer os visitantes. MC degusta alguns sanduíches enquanto a família acompanha. A Madrinha oferece uns amendoins como aperitivos:
-Querem amendoim?
-Meu pai gosta de amendoim, né pai!? - Afirma a pequena.
-Gosto sim filha - responde o pai enquanto se servia de um punhado.
-Os animais também gostam de amendoim, né mãe!? - Emenda a pequena; estabelecendo um novo record para trollagem paterna em um aparato público de entretenimento.
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sexta-feira, 18 de maio de 2012

Manobrista

MC fazia a sua limpeza rotineira dos brinquedos quando resolveu que deveria limpar em baixo da mesa...


Tá demorando muito

Conversa fiadas a parte alguns temas sérios são abordados nas conversas familiares; em meio a uma discussão acirrada sobre quem era mais malaco: Leleco ou Tyrion. MC - que brincava com algumas bonecas - declara solene:
-Não quero mais uma irmã.
-Ah filha! - preocupa-se a mãe - Não é bom ser sozinha.
-Eu quero um irmão - Responde MC com o semblante sério.
-Prefere um irmãozinho, filha!? - Felicita-se o pai pensando na expansão dos níveis de testosterona no ambiente.
-Filha, irmãzinha é melhor - Favorece a mãe a banda estrogênica da casa - Vai ter mais bonecas. Vocês podem brincar de casinha. Brincar de maquiagem...
-Não! - Interrompe MC encarando os pais com os olhos cinzentos - Eu quero um irmão... - Diz a guria enquanto levanta-se para defender o argumento - porque a irmã está demorando muito!
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quinta-feira, 17 de maio de 2012

Pré-Aborrescente

MC com a fralda em modo metrô saindo da Luz às 18:00 vagueia pela casa negando qualquer tipo de baldeação aos passageiros.
-Maria Clara - chama o pai com um sorriso - vamos tirar essa cocóia!?
Cocóia é um termo bonito para designar algo - os passageiros - que passa bem longe de ser bonito.
-Não! - esbravece a pequena cruzando os braços com cara de má.
-Ah é não vai tirar!? - Retruca a mãe usando de retórica paternal em nível 100 - Então vamos ligar para as Princesas e cancelar o passeio para a Disney.

Nota:
Bom, depois do passeio ao BeachPark MC elevou os padrões; agora o objetivo é a Disney. Impressionante é: ela já escalou as amigas preferidas da escola para acompanha-la.
-Vamos para a Disney comigo? - Pergunta MC a uma coleguinha de escola.
-Você tem medo de avião? - Emenda a interlocutora antes que a inquirida possa reagir.
-Porque a Disney é muito longe e só o avião chega lá - Coloca sabiamente a interlocutora antes que a convocada consiga piscar - Eu não tenho medo de avião!
Assim, de amigo em amigo ela já convidou toda a sua classe e grande parte do colégio para a tal excursão.
Claro, sabemos que todos os pais envolvidos entendem que isso não passa de um devaneio cordial de uma guria de 03 anos, certo!?
Certo!?

Não! - grita MC chorosa - Não precisa ligar para a Princesa. Eu tiro o cocô!
Enquanto vem em direção a banheiro batendo os pés, com os braços cruzados e uma cara enrugada - que poderia muito bem servir de ilustração ao verbete contrariada em qualquer bom dicionário - MC proclama:
-Eu vou morar em outra casa! - Desabafa enquanto acende a luz do banheiro.
-Onde criança não precisa trocar de fralda! - Completa em tom Guevariano enquanto suspende a blusa e se prepara para a troca.
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terça-feira, 15 de maio de 2012

Rebeldes

Ao meu ver MC é protagonista qualquer que seja a situação - e qualquer pai que se preze pensa o mesmo sobre os próprios filhos.


Sem a liderança e empenho da nossa MCzoca essa apresentação não teria sido possível!


segunda-feira, 14 de maio de 2012

Posso ver seu chouriço?

A matriarca organiza alguns armários enquanto MC assiste desenhos. Subitamente a pequena se encanta com uma caixa colorida na prateleira:
-Mãããããããe - Enquanto corria para perto. - Posso ver seu chouriço?
A mãe com um ar desconfiado pergunta:
-Chouriço filha!? - Indaga a mãe com uma sobrancelha levantada - Que churiço!?
-Aquele - Responde a pequena apontando uma colorida caixa de um jogo de tabuleiro.
-Quem te falou que o nome disso é chouriço? - Pergunta a mãe fazendo o possível para não de rir.
-Você! - Responde a pequena com certeza na voz.
-Quando eu perguntei o que era isso - complementa a pequena em tom explanatório - você disse que era chouriço.
-Então mãe - esticando a mãozinha para pegar o jogo de tabuleiro - posso pegar seu chouriço?
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sexta-feira, 11 de maio de 2012

Agora passou!

MC assiste TV enquanto futuca uma picada de mosquito que estava quase cicatrizada. Futuca daqui, futuca de lá até que conseguiu o intento: tirou a casquinha.
Vale notar que a tal picada era quase invisível de tão pequena.
Eis que removida a casquinha uma gotinha de sangue envereda da ferida. Imediatamente a pequena se levanta e vem chorando, com a mão cobrindo a perna machucada até onde o pai estava:
-Tá sangrando? - Pergunta MC em tom choroso.
-Ah filha - Responde o pai minimizando - é pouca coisa. Já, já para.
-Não! - Responde MC com um berro de dor lancinante - Eu preciso de um curativo!
-Filha, - tenta amenizar o pai - curativo nesse machucadinho de nada!?
-Pai, mas tá sangrando - responde a pequena apontando o minusculo ponto vermelho na coxa - viu!?
O pai então se encaminha até o banheiro; MC vem logo atrás arrastando a perna ferida - ao melhor estilo Wagner Montes.
-Precisa mancar!? - Pergunta o pai desconfiado.
-Pai tá sangrando - responde MC em tom seco - Dói muito mesmo!
Colocado o curativo MC ouve uma das músicas que ela adora do DVD infantil e sai em disparada. Chegando ao quarto o pai vê a pequena rebolando freneticamente em frente a TV:
-Filha, não tava doendo muito a perna!? - Pergunta o pai segurando a risada.
-Tava sim pai - responde a pequena sem olhar para trás - Colocou o curativo. - Diz a pequena fazendo uma pirueta.
-Agora passou!

quinta-feira, 10 de maio de 2012

...e TALENTOSA!

MC equilibrava-se sobre a mureta de um canteiro de flores. A avó materna preocupada com a velocidade que a guria imprimia na peripécia avisa:
-Amiga, tenha cuidado para não cair.
MC para onde está, coloca as mãos na cintura e replica:
-Caio não vó Soli! Eu sei equilibrar!
-Então você é uma equilibrista!? - Orgulha-se a avó enquanto vê a neta retomar a marcha.
MC sem olhar para trás responde aos picados enquanto se aproxima do final da mureta:
-Equilibrista... - enquanto dá mais alguns passos - ...esperta... - mais alguns passinhos rápidos - ...e...!
Chegando ao final da mureta a artista dá um pulinho para o chão, abre os bracinhos, dá uma risada generosa e termina a auto-descrição:
-TALENTOSA!
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quarta-feira, 9 de maio de 2012

Sem PAI!

MC toma banho sob supervisão do pai. Dado momento ela aponta um frasco de shampoo e pede:
-Pai, me dá o aquele creme chique que eu quero meu cabelo muito cheiroso.
O Pai vai até o box, pega o creme e dita as regras:
-Estica a mãozinha e o papai vai colocar um pouco...
Antes que pudesse dar fim a explanação a guria intervém:
-Não pai! Esse creme chique é de criança. Tá escrito! Deixa eu te mostrar.
O pai dando corda para a guria entrega o frasco e pergunta:
-Ah é!? Onde está escrito isso!?
A guria aponta para a composição do cosmético e dispara:
-Tá vendo, bem aqui ó: Para crianças!
-Tá bom! - Diz o pai segurando a risada - Mesmo assim eu coloco na sua mão...
-Não pai! - Interrompe a pequena apontado para o endereço do fabricante - Tá escrito aqui ó: Para crianças! Sem PAI! Entendeu!? SEM PAI!
-Agora sai daqui que eu tenho de lavar os cabelo das minhas bonecas. - Pragueja a pequena enquanto enxota o pai do box.

sexta-feira, 4 de maio de 2012

Lutando Contra

Tarde da noite; MC luta ferozmente contra o sono. Corre se agita, come e toda sorte de estratégias que são conhecidas para derrotar esse terrível inimigo. Os pais sem saber o que fazer optam por uma medida drástica: passeio de carro.
É de conhecimento popular que motores de carro funcionam como sonífero em crianças e alguns adultos - o pateta que vos escreve está no grupo dos adultos afetados.
Ninguém que não conheça muito bem MC pode dizer com precisão quando ela está com sono. Ela saltita, brinca e faz folia como se tivesse acabado de acordar.
Quando ela era um bebe ainda chegamos a conclusão que MC é movida a plutônio - ou outro elemento radioativo qualquer - portanto ela não se cansa; então os períodos de sono são meramente para refrigerar o sistema de propulsão.
Os sinais clássico que o processo de refrigeração precisa ser iniciado são:

01 - Aumento considerável do índice de rabugice por caracol de cabelo quadrado;

Independente de tudo - muito mais que o recomendável em se tratando de uma guria de 3 anos - MC se torna rabugenta.
Decidida a comer bolachas de chocolate MC se coloca na ponta dos pés e enfia as mãos em um pote de vidro:
-Filha - grita o pai exasperado - deixa que o pai te ajuda!
-Não - reponde a guria firme - eu pego.
O pai rapidamente tira o pote das mãos da pequena, coloca as bolachas em um prato de plástico mas é repreendido:
-Agora eu não quero mais! - Responde a filha chorando e dando as costas para em sequência relatar - ao seu modo - o ocorrido as instâncias superiores:
-Mãe dele - evocando a avó materna. -; seu filho me bateu e pegou as minhas bolachas. Coloca ele de castigo.

02 - Sentimento de posse com os pertences alheios;

Apesar de não estarmos no Planalto Central MC - cansada - sofre de um sentimento de posse com os pertences alheios.
O Pai lia confortavelmente quando MC aproximou-se furtivamente e em um bote fechou o livro sem que o pai esboçasse qualquer reação:
-Agora esse livro é meu. Pode me dar! - Diz MC com cara de conquistador espanhol tomando Machu Pichu!
-Seu como filha!? - Responde o pai atônito - Esse livro é do papai!?
-Não, não - responde MC balançando a cabeça - Ele é meu e eu vou ler.
Pega o livro, senta-se em pernas de Índio em põe-se a folhear o volume, após uma centena de páginas transpassadas a velocidade incrível ela pergunta:
-Tem princesa esse livro!?
-Tem sim filha - Responde o pai com um certo ar de Willy Wonka - um monte delas.
-Cade? - Responde a pequena mostrando ao pai as páginas repletas de palavras - Não vi nenhuma.
-Elas estão na história filha.
MC aproxima o livro do rosto e afirma categoricamente:
-Fe, ficou biruto!? Não tem princesa nenhuma aqui. Só essas letras!

03 - Multi-Tarefas Inacabadas.

Quanto mais cansada está mais MC se multiplica em tarefas inacabadas

-Pai - chama MC saindo do quarto - quero jogar jogo da Barbie no seu computador.
-Filha, eu já te disse que a Barbie está de férias. - responde o pai levantando os olhos para a pequena.

Nota:
Eu sei que a Barbie - muito menos o site com jogos -  não tira férias; e é extremamente errado enganar uma criança com tal engodo. Entendam meu lado: ela é ainda muito pequena para os jogos - que requerem o mínimo de conhecimento de leitura - e acaba se frustrando quando eles não funcionam como ela espera.
Além do que: quem manda aqui sou eu - na ausência da Adriana - e eu não tenho de dar explicações à vocês!
A Barbie está de férias e pronto!

-Então eu quero jogar memória no seu computador. - Replica a pequena já procurando onde o pai deixara o note.
-E a Helo que veio brincar contigo!?

Nota:

Helo é a filhada da avó materna. Criança doce e infinitamente paciente. Capaz de aturar a MC por horas sem esboçar qualquer menção de irritação ou transtorno psicológico grave.

-Helo!? - Grita MC da sala - Quer jogar jogo da memória no computador do meu pai!?
-Oie!? - Responde Helo do quarto sem sequer entender a pergunta.
-Viu pai! Ela não quer! - Decreta MC em um sorriso.
O pai levanta-se, liga o computador, abre o software educacional que MC adora e diz:
-Pronto filha! Quer jogar com o papai ou...
O pai percorre os olhos na sala e não encontra a filha
-Filha!? - Indaga o pai.
-Filha!? - Chama a guria com mais enfase.

Nota:
MC tem por hábito não responder quando chamada. Não se sabe ainda o porque. Não foi diagnosticado nenhum problema auditivo. O pai sustenta a tese que ela o faz de sacanagem; a mãe prefere acreditar que ela não tenha herdado esse traço de personalidade paterno.

Ouve-se um barulho na cozinha. Ao chegar lá o pai vê a guria com um pote de sobremesa de chocolate na mão.

-Filha, tu vais querer isso!?
MC assente enquanto procura uma colher no escorredor CHEIO de FACAS. O pai a ajuda, remove o lacre da sobremesa e entrega a filha.
Na saída da cozinha MC vê um pacote de salgadinhos, coloca a sobremesa de lado e pede para o pai:
-Fe, coloca em um pote para mim!? - Pede a pequena com o saco balançando nas mãos.
-E o danone filha!? - Pergunta o pai olhando para o pote intocado sobre o balcão.
-A Safira come, né Sassá!?
Safira não poderia gostar mais da ideia!

Com todos os sinais de super aquecimento confirmados os pais tentaram de tudo mas MC não sedia. O último dos recursos é a voltinha de carro. Confortavelmente assentada MC luta contra o peso das pálpebras mas não se rende.

-Mãe - chama a pequena co-piloto - vamos na farmácia que eu quero comprar um creme super chic.
-Ah é - responde a mãe esperando que a filha se entregue - que creme é esse?
-Um creme que - longo bocejo - deixa meu cabelo super lindo - seguido de outro bocejo ainda mais profundo.
As pálpebras agora pesavam mais que elas mesma mais o peso de cada cílio multiplicado por um javali. A luta passava a ser desigual. MC balançava a cabeça tentando erguer seu peso contra a gravidade.
Quietude no carro. Os pais julgam que a batalha está ganha quando:
-Helo!? - Levanta-se de súbito a pequena no melhor estilo monstro de filme de terror B - sabia que eu fui no Beach Park de avião!?
-Ah é!? - Responde Helo depois de se recuperar do susto - Foi legal!?
-Foi ótimo! - Responde MC parecendo completamente recuperada - No aeroporto aqui e no aeroporto do Beach Park tinha avião!
Mais uma luta contra as pálpebras que ganhavam cada vez mais peso. Um bocejo longo e todos esperam pacientemente que ela se renda. Uma volta no quarteirão, uma chegada até a praia e finalmente  MC permanece calada. Todos apreensivos e finalmente ela roncou.
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segunda-feira, 30 de abril de 2012

Pedra, Papel, Tesoura e Agulha

O Inverno Santista obriga as famílias a inventarem novos e revolucionários jogos de salão. Uma tarde chuvosa e fria a família joga Pedra-Papel-Tesoura.
MC tem um estilo de jogo paciente: ela espera o adversário fazer a sua jogada para só então escolher seu movimento. Infelizmente a tática não tem sido proveitosa; porque seu card de vitórias não é assim tão expressivo.
Num rompante visionário MC decide inovar mas não comunica a ninguém. Começando uma partida com o pai ela ela decide colocar a inovação em prática:
-Pedra, Papel, Tesoura... - O pai já tinha feito sua jogada mas MC ainda balança a mãozinha. Para nos contemplar com - ... e Agulha.
Colocando o dedinho em riste contra o pobre pai que tinha optado por Pedra. Logo em seguida anuncia:
-Ganhei!
As vitórias da pequena agora acumulam-se prodigiosamente. Mesmo porque até agora não há sinais de contra-ataques para essa manobra. A agulha: fura o papel, desmonta a tesoura e assusta a pedra.
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sábado, 28 de abril de 2012

Próxima Parada

Passeio no Extra é o programa padrão dos sábados à noite.
Bares!? Restaurantes!? Não! Não! São as gondolas e caixas que preenchem nossa rotina. MC vai de batedora à frente do grupo; colocando no carrinho tudo o que lhe apetece. O Avô materno, babão, dá consente com todas as guloseimas, bolos e doces.
MC apanha uma, duas e quando coloca a mão na terceira revista de colorir o pai intervém:
-Filha, o que é isso!? - Diz o pai em tom sério.
-O vovô deixou! - Responde ela sem sequer olhar para trás.
O avô, mole, ri e diz que realmente permitiu.
Cansada de colher doces e revistas das prateleiras MC pede para subir no carrinho. Compras ajeitadas, pequena sentada todos estão prontos para partir quando vem o anúncio:
-Próxima Parada... - Diz MC a plenos pulmões - os brinquedos!
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Padeira

Manhã de sábado - bem mais próximo à tarde do que propriamente da manhã - a família acorda de modo preguiçoso; enquanto conversa sobre pessoas: as valorosas, as nem tanto, as que não valem nada e outras tantas que para chegarem a não valer nada precisariam descobrir um em si mesmas um talento ou dois.
MC adora a folia da manhã especialmente nos fins de semana. Quando farrear na cama não tem compromisso ou horário que limite. Pula sobre o pai e derrete-se de rir com as cócegas que recebe de ambos.
Dado momento a mãe maldosamente fala para a pequena:
-Filha! Faz amassa pão com ele...
MC nem sequer questiona, fica de joelhos perto da barriga do pai, levanta o corpo em um esforço e larga-se com os cotovelos em direção ao tronco do pai que estava de olhos fechados.
Se houvesse uma câmera de Slow Motion no recinto mostraria que a pequena chegou a ricochetar na barriga do pai algumas vezes. Fazendo com que seu volume abdominal se dispersasse em ondas de impacto. MC larga-se em uma gargalhada generosa
Contorcendo-se de dor o pai rola para a beirada da cama e deita-se de costas. MC com seu habitual riso largo corre até o pai e repete a operação agora nas costas.
Com o habitual sorriso irônico a mãe, terapeuta, dá a dica:
-É na barriga dói mesmo - Fala ela enquanto incentiva a filha para mais uma rodada - Agora nas costas é gostoso.
MC volta à carga: uma, duas na terceira o pai suplica por misericórdia:
-Para filha!  - Murmura sem forças. - Papai tá com dor.
-MC coloca a cabeça perto do pai aturdido, faz um leve afago na cabeça e dispara:
-Doeu as costas pai!? - Diz MC enquanto colocava as mãos por debaixo do pai combalido - Vira de frente que eu amasso pão na sua barriga.
O pai reúne forças que lhe restavam e ruma a segurança do computador; onde pode escrever um blog sem ser açoitado por cotovelos infantis furiosos.
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sexta-feira, 27 de abril de 2012

Eu sou o Leão!

O pai tentava aprontar MC para a escola. Dificilmente houve, há ou haverá criança tão apegada aos próprios dejetos. Trocar-lhe a fralda é uma negociação árdua, loga e temerosa. Há exigências, rituais e protocolos que precisam ser cumpridos à risca.
Trocada MC declara em bom tom e alto o suficiente para que os vizinhos começassem a preparar-lhe um prato de comida:
-Estou com fome!
O pai, só, precisa engendrar a situação com seu VASTO conhecimento de culinária Ocidental: fritar ovos.
-O que tu quer comer filha? - Pergunta o pai esperançoso que - como qualquer boa pirralha de três anos - a guria troque sem pestanejar comida por guloseimas.
-Eu quero CARNE!
A frase anterior trouxe um arrepio gelado a espinha de todo o rebanho de gado brasileiro e países adjacentes.
Disse carne com os olhos acinzentados fitando fixamente o pai. Temeroso  por manter sua corpulência intacta o pai vai até a geladeira verificar as provisões de animais abatidos fatiados prontos para a fritura também conhecidos como bifes.
Imediatamente coloca alguns filés para fritar enquanto esquenta as guarnições. Não que estas fossem necessárias a julgar pelo desejo de Carne da guria. Entretanto o pai não julgou haver carne o suficiente na casa - e nas imediações - para saciar a fome da pequena.
MC saltitando chega a cozinha enquanto o pai termina a fritura:
-Humm... seu bife tá delicioso pai! - Diz MC passando a língua nos lábios para secar a saliva - Tá cheirando na casa toda!
Feliz por não ser cheiro de queimado que inundava a casa o pai prepara o prato da pequena.
Picota a carne em cubos - preferências da pequena - e a coloca misturadas as guarnições para evitar a segregação das mesmas.
 O pai deixa MC assistindo TV enquanto providência um copo de refresco. Quando volta ao quarto vê a filha já debaixo do batente da porta com o prato rosa completamente ausente de carnes à mão e uma cara séria:
-Quero mais carne!
 -Tá bom onça! - Responde o pai enquanto gira sobre os calcanhares em direção à cozinha. Restava apenas um bife e a intenção de servir-se dele havia sido debelada.
MC segue os calcanhares do pai e pergunta quando chegam à cozinha:
-O que é onça, pai!?
-Onça é a priminha do Leão filha. - Responde o pai enquanto cortava o bife - Tal qual a senhorita: onça ADORA carne!
-Ah eu não sou onça não! - Responde MC cruzando os braços e fazendo bico.
-Não!? - Indaga o pai sem entender - O que tu é então?
-Eu sou Leão!  - Responde MC com um pequeno rugido e arqueando os dedos em forma de garra - Ele é mais forte!
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terça-feira, 24 de abril de 2012

Pequena Seria do BeachPark

MC entrou no Parque como quem adentra uma espécie de Nirvana. A felicidade da guria era de tamanha proporção que qualquer descrição não lhe faria justiça. Imaginem um ratinho entrando em uma fábrica de queijos ou quem sabe uma noveleira viciada visitando o Projac. Enfim a guria ficou completamente INSANDECIDA. A tal ponto que ela andava aos pulos. 
Qualquer tempo era tempo perdido na visão da criança. Os minutos gastos no processo de colocar créditos no cartão de consumo e alugar um armário foram severamente criticados:
-Mãe eu quero ir no Áqua Circo - Reclamou a pequena querendo ir a área destinada as crianças.
-Filha, nós precisamos colocar dinheiro no cartão para comer alguma coisa.
-Mãe, eu nem estou com fome. Minha barriga tá cheia, ó! - Responde a guria dando aos tapinhas barriguinha branquela.
Sendo assim corremos a área que era objeto de desejo da guria em passo celerado. Passando pelas demais atrações em modo OverView
Contemplando o escorrega.
Uma vez lá a excitação se transformou em uma histeria infantil incontrolável. A Guria geralmente tranquila - apesar de rabugenta - SURTOU. Ela cantarolava, pulava e só não assoviava por total e completo desconhecimento de como fazê-lo:
-Mãe! Mãe! É o BechPark mesmo! - Histerizava a pequena em gritinhos incontidos enquanto corria de brinquedo em brinquedo tocando-os como se fossem imagens de um sonho vívido.
 Uma alegria infantil tão sem restrições ou preconceitos que traria lágrimas aos olhos de qualquer um e eu não fui exceção.
Fica aqui PARADINHO!
Perto de uma espécie de arma de água ela anuncia:
-Pai! Pai! Fica aqui paradinho! - Gritava  enquanto posicionava o pai em frente ao artefato - como se fosse difícil atingir um alvo dessa amplitude a qualquer distância.
-Fica paradinho que eu vou atirar.
-Filha eu fico ali na outra e a gente brinca, não é melhor!? - Observa o pai enquanto se encaminhava a arma que complementava o conjunto.
- Não! Ai eu não ganho, né pai!
Ela corria e parava; corria e parava sem saber o que fazer depois.
Água para todos os lados
Apesar de intrépida com as palavras MC é um pouco - senão muito - cagona. Evitou todo e qualquer brinquedo que tivesse jatos de água que estivessem acima da cintura dela mesma. Ao passo que amou a ideia de jogar água em quem quer que fosse. Era alguém passar na frente dela e lá iam jatos de água seguidos de gritos:
-Te molhei! - Seguido de uma profunda gargalhada; e depois novamente.
-Te molhei! - Mais um gargalhada.
Gritando e gritando com estranhos que já estavam completamente molhados.
A alegria dela fez com que até os mais carrancudos rissem da traquinagem.
Boca do Dragão
 MC se aventurou de piscina em piscina - desde que claro não houvessem jatos mais fortes de água. A cada descoberta a guria se empolgava mais. 
Entrando e saindo de boca de monstros imaginários transformados em brinquedos regados a água. Nadando em cavernas de águas mansas se fazendo de salva-vidas de um pai que fingia precisar de auxilio.
Nada parecia abalar o mesmo aquebrantar o fascínio da guria com o que via. Um mundo que ela talvez nem em sonhos pudesse ter imaginado tão colorido e vívido.
Voltando ao Circo MC não deu trégua aos inimigos imaginários e disparou rajadas e mais rajadas de uma felicidade pura.
Ao final do dia os pais decidem que é hora de partir. Convencê-la a partir daquele lugar tão mágico foi realmente complicado. Só foi possível quando alegamos que o Hipopótamo do Parque tinha feito cocô na piscina e os titios precisavam parar um pouco para limpar a água. Ela concordou não -  é claro -  sem presentear os pais com o BICO mais contrariado que pode engendrar.
O Bico

 Não deixamos de ser crianças porque crescemos. Deixamos de ser crianças porque passamos a não aceitar o mundo sem algumas - muitas - restrições. Nos preocupamos em arrumar detalhes que desmereçam tudo  aquilo que conquistamos. Espremendo pequenos detalhes que trazem imperfeições a maior e mais belo dos sonhos. "Estava muito quente", "Não fez o Sol que esperávamos", "Tivemos de dirigir por horas" e tudo mais que sirva de desculpa para delapidar a magia do momento.
Assistir MC adorar o local como um sonho me fez pensar: Será possivel chegar a esse nível de encantamento depois de deixar a infância? Será que é possível alcançar um estado tão profundo de glória e perplexidade? Infelizmente a resposta é não. Depois de tanto tempo e tantos anos sendo programados a acreditar que a perfeição do momento está fora da esfera do possível. Infelizmente não é mais possível.
A única exceção a essa regra é quando um pai vê seu filho nesse em tal estado de felicidade. Uma parte desse tipo de alegria volta a nos inundar. Não acho que seja comparável ao contentamento que ela mesma experimentou mas foi algo profundo e mágico.
Acredito que esse dia - mesmo que inconscientemente -  vai ficar marcado para sempre. Toda vez em que a palavra felicidade for mencionada perto dessa guria sua mente será remetida á aquele dia ensolarado de Abril.