O pai chega aflito em casa suplicando por algum tempo de paz e reclusão na acústica privilegiada do banheiro. Para não chamar a atenção da filha decide que fará um voo por instrumentos. MC com a habitual delicadeza procura o pai para brincar:
-Fe? Fe!? Fe, seu safadinho cade você? - Grita a Caçadora de Recompensas enquanto manda Safria no encalço do pai.
O pai mantém a calma e prende a respiração no escuro pensando consigo: Talvez ela não me veja aqui. MC desatenta passa pelo banheiro em passo celerado e começa a investigar o quarto.
-Pai, seu safado onde você foi parar!? Eu vou te achar, sabia!?
Tentando manter-se quieto e imperturbável o pai executa uma manobra ninja; estica-se o máximo possível e com a ponta dos dedos empurra a porta do banheiro deixando-a entreaberta. Vê a filha passar novamente em passo celerado pelo corredor e pensa: Ufa, deu certo. Mal pode pensar em estar seguro vê a porta se abrir em movimento brusco:
-Te achei seu caguento! - Grita como se tivesse descoberto uma Tumba ou uma Ossada de Dinossauro.
-Vamos brincar de mamãe e filhinho que faz cocô!? - Emenda a animadora de banheiros e sem esperar qualquer reação:
-Eu sou a mamãe e você é o filhinho que fazia cocô, tá bom!?
Ainda bem pensou o pai. Porque se tivesse de ser a mãe isso implicaria em terminar abruptamente algo que nem bem tinha começado.
Fecha a porta em um puxão vigoroso e dá três batidas leves:
-Filhinho, que tá fazendo!?
-A mesma coisa que eu tava fazendo ante de tu fechar a porta, oras!
-Posso entrar!?
-Não.
-Posso entrar!? - insiste.
-NÃO! - retumba o pai a ponto de fazer eco no recinto.
Num rompante de destreza e coragem o pai levanta-se; ignorando todas as sutilezas que envolvem papéis-higiênicos e limpeza íntuma tranca a porta do banheiro.
-Filhinho!? - pergunta a filha enquanto gira a maçaneta - O que você fez!?
-Tranquei a porta!
-Mãe! Mãe! - os sons da pequena vão se afastando pelo corredor.
-O caguento trancou a porta do banheiro! - parecendo chorar - Ele não quer brincar de filhinho que faz cocô comigo. Fala que ele tem de brincar!
...
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