quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

Gente velha não corre!

MC brincava no quarto enquanto a avó paterna veio à cozinha prosear; sentindo-se só MC conclama pela companheira de chá:
-Soli Maria! - alto o suficiente para se fazer notar na estação da Sé na hora do rush e retomando o fôlego completa:
-Venha agora no meu quarto - e subitamente tomada de ternura completa o convite - o chá está servido.
O pai pede para a avó permanecer em silêncio o que provoca a impaciência da pequena:
-Cade minha avó!? - Pergunta mais branda e menos energética:
-Fugiu correndo! - Responde o pai em tom jocoso.
MC vêm a sala cheia de decisão, encara o pai resoluta e confiante e diz:
-Minha avó nunca ia fugir correndo!
Para explicar seu ponto de vista coloca a seguinte premissa
-Ela é velha!
E fecha o argumento baseada na mais pura e incontestável lógica:
-Gente velha não corre!
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sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

Parece uma Foca.

Depois de um feito incrível de maturidade e comprometimento com o desenvolvimento pessoal MC recebe os efusivos cumprimentos do pai acompanhados de ainda mais efusivas palmas:
-Viva! Viva! - grita o pai enquanto bate palmas de maneira siamesca!
-Pai, para de bater palma assim!- censura MC com um semblante sisudo a lá Cid Moreira apresentando o Jornal Nacional
Completa com aquele tom superior - porém educativo - de quem quer evitar que o outro pague mico:
-Parece uma foca!
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terça-feira, 14 de janeiro de 2014

Que nem eu!

MC e a avó paterna brincavam no quarto. Subitamente a pequena muda os rumos da brincadeira com uma proposta inusitada:
-Vó, vamos brinca de deprimida!?
A avó sem mostrar qualquer reação exagerada inquiri para saber mais sobre a fantasia:
-E o que é deprimida!?
MC transforma a canga que usava como capa de super herói em capuz monástico, capricha no semitom dramático e começa a explicação:
-Deprimida é uma pessoa triste, sem amigos, que a família briga muito...
Serve-se do seu melhor bico de arrependimento pela mazelas do mundo, do olhar mais profundamente triste e prossegue:
-Assim...
E olhando fixamente nos olhos da avó completa em tom absolutamente crível de infelicidade de amargor:
-Que nem eu!
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sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

Tem que reclamar!

(Background Necessário: Para controlar o nível de ruído de uma criança particularmente sonora e inveteradamente notívaga foi criada a figura nefasta e sem rosto de um vizinho que ao menor sinal de confusão/algazarra "reclama" dando pancadinhas de leve na parede.)
Tarde da noite; um móvel é arrastado no andar de cima:
-Mãe, o que é isso!? - Pergunta MC olhando para o teto intrigada.
A mãe sem prestar muita atenção ao ocorrido responde tranquila:
-É o vizinho arrastando alguma coisa...
-Mãe, está tarde!? - Indaga a pequena parecendo mudar bruscamente o rumo da conversa.
-Muito - responde a mãe em tom tranquilo - vamos dormir.
MC cheia de segurança e conhecimento das regras de convivência em pequenos condomínios larga os brinquedos, corre até a parede do quarto e desfere três sonoras pancada:
-Que é isso filha!? - pergunta o pai assustado.
-O titio vizinho pai; - explica enquanto desfere mais pancadinhas na parede - fica fazendo barulho e está tarde.
E olhando para o teto em tom desafiador completa:
-Tem que reclamar!
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