segunda-feira, 30 de abril de 2012

Pedra, Papel, Tesoura e Agulha

O Inverno Santista obriga as famílias a inventarem novos e revolucionários jogos de salão. Uma tarde chuvosa e fria a família joga Pedra-Papel-Tesoura.
MC tem um estilo de jogo paciente: ela espera o adversário fazer a sua jogada para só então escolher seu movimento. Infelizmente a tática não tem sido proveitosa; porque seu card de vitórias não é assim tão expressivo.
Num rompante visionário MC decide inovar mas não comunica a ninguém. Começando uma partida com o pai ela ela decide colocar a inovação em prática:
-Pedra, Papel, Tesoura... - O pai já tinha feito sua jogada mas MC ainda balança a mãozinha. Para nos contemplar com - ... e Agulha.
Colocando o dedinho em riste contra o pobre pai que tinha optado por Pedra. Logo em seguida anuncia:
-Ganhei!
As vitórias da pequena agora acumulam-se prodigiosamente. Mesmo porque até agora não há sinais de contra-ataques para essa manobra. A agulha: fura o papel, desmonta a tesoura e assusta a pedra.
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sábado, 28 de abril de 2012

Próxima Parada

Passeio no Extra é o programa padrão dos sábados à noite.
Bares!? Restaurantes!? Não! Não! São as gondolas e caixas que preenchem nossa rotina. MC vai de batedora à frente do grupo; colocando no carrinho tudo o que lhe apetece. O Avô materno, babão, dá consente com todas as guloseimas, bolos e doces.
MC apanha uma, duas e quando coloca a mão na terceira revista de colorir o pai intervém:
-Filha, o que é isso!? - Diz o pai em tom sério.
-O vovô deixou! - Responde ela sem sequer olhar para trás.
O avô, mole, ri e diz que realmente permitiu.
Cansada de colher doces e revistas das prateleiras MC pede para subir no carrinho. Compras ajeitadas, pequena sentada todos estão prontos para partir quando vem o anúncio:
-Próxima Parada... - Diz MC a plenos pulmões - os brinquedos!
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Padeira

Manhã de sábado - bem mais próximo à tarde do que propriamente da manhã - a família acorda de modo preguiçoso; enquanto conversa sobre pessoas: as valorosas, as nem tanto, as que não valem nada e outras tantas que para chegarem a não valer nada precisariam descobrir um em si mesmas um talento ou dois.
MC adora a folia da manhã especialmente nos fins de semana. Quando farrear na cama não tem compromisso ou horário que limite. Pula sobre o pai e derrete-se de rir com as cócegas que recebe de ambos.
Dado momento a mãe maldosamente fala para a pequena:
-Filha! Faz amassa pão com ele...
MC nem sequer questiona, fica de joelhos perto da barriga do pai, levanta o corpo em um esforço e larga-se com os cotovelos em direção ao tronco do pai que estava de olhos fechados.
Se houvesse uma câmera de Slow Motion no recinto mostraria que a pequena chegou a ricochetar na barriga do pai algumas vezes. Fazendo com que seu volume abdominal se dispersasse em ondas de impacto. MC larga-se em uma gargalhada generosa
Contorcendo-se de dor o pai rola para a beirada da cama e deita-se de costas. MC com seu habitual riso largo corre até o pai e repete a operação agora nas costas.
Com o habitual sorriso irônico a mãe, terapeuta, dá a dica:
-É na barriga dói mesmo - Fala ela enquanto incentiva a filha para mais uma rodada - Agora nas costas é gostoso.
MC volta à carga: uma, duas na terceira o pai suplica por misericórdia:
-Para filha!  - Murmura sem forças. - Papai tá com dor.
-MC coloca a cabeça perto do pai aturdido, faz um leve afago na cabeça e dispara:
-Doeu as costas pai!? - Diz MC enquanto colocava as mãos por debaixo do pai combalido - Vira de frente que eu amasso pão na sua barriga.
O pai reúne forças que lhe restavam e ruma a segurança do computador; onde pode escrever um blog sem ser açoitado por cotovelos infantis furiosos.
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sexta-feira, 27 de abril de 2012

Eu sou o Leão!

O pai tentava aprontar MC para a escola. Dificilmente houve, há ou haverá criança tão apegada aos próprios dejetos. Trocar-lhe a fralda é uma negociação árdua, loga e temerosa. Há exigências, rituais e protocolos que precisam ser cumpridos à risca.
Trocada MC declara em bom tom e alto o suficiente para que os vizinhos começassem a preparar-lhe um prato de comida:
-Estou com fome!
O pai, só, precisa engendrar a situação com seu VASTO conhecimento de culinária Ocidental: fritar ovos.
-O que tu quer comer filha? - Pergunta o pai esperançoso que - como qualquer boa pirralha de três anos - a guria troque sem pestanejar comida por guloseimas.
-Eu quero CARNE!
A frase anterior trouxe um arrepio gelado a espinha de todo o rebanho de gado brasileiro e países adjacentes.
Disse carne com os olhos acinzentados fitando fixamente o pai. Temeroso  por manter sua corpulência intacta o pai vai até a geladeira verificar as provisões de animais abatidos fatiados prontos para a fritura também conhecidos como bifes.
Imediatamente coloca alguns filés para fritar enquanto esquenta as guarnições. Não que estas fossem necessárias a julgar pelo desejo de Carne da guria. Entretanto o pai não julgou haver carne o suficiente na casa - e nas imediações - para saciar a fome da pequena.
MC saltitando chega a cozinha enquanto o pai termina a fritura:
-Humm... seu bife tá delicioso pai! - Diz MC passando a língua nos lábios para secar a saliva - Tá cheirando na casa toda!
Feliz por não ser cheiro de queimado que inundava a casa o pai prepara o prato da pequena.
Picota a carne em cubos - preferências da pequena - e a coloca misturadas as guarnições para evitar a segregação das mesmas.
 O pai deixa MC assistindo TV enquanto providência um copo de refresco. Quando volta ao quarto vê a filha já debaixo do batente da porta com o prato rosa completamente ausente de carnes à mão e uma cara séria:
-Quero mais carne!
 -Tá bom onça! - Responde o pai enquanto gira sobre os calcanhares em direção à cozinha. Restava apenas um bife e a intenção de servir-se dele havia sido debelada.
MC segue os calcanhares do pai e pergunta quando chegam à cozinha:
-O que é onça, pai!?
-Onça é a priminha do Leão filha. - Responde o pai enquanto cortava o bife - Tal qual a senhorita: onça ADORA carne!
-Ah eu não sou onça não! - Responde MC cruzando os braços e fazendo bico.
-Não!? - Indaga o pai sem entender - O que tu é então?
-Eu sou Leão!  - Responde MC com um pequeno rugido e arqueando os dedos em forma de garra - Ele é mais forte!
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terça-feira, 24 de abril de 2012

Pequena Seria do BeachPark

MC entrou no Parque como quem adentra uma espécie de Nirvana. A felicidade da guria era de tamanha proporção que qualquer descrição não lhe faria justiça. Imaginem um ratinho entrando em uma fábrica de queijos ou quem sabe uma noveleira viciada visitando o Projac. Enfim a guria ficou completamente INSANDECIDA. A tal ponto que ela andava aos pulos. 
Qualquer tempo era tempo perdido na visão da criança. Os minutos gastos no processo de colocar créditos no cartão de consumo e alugar um armário foram severamente criticados:
-Mãe eu quero ir no Áqua Circo - Reclamou a pequena querendo ir a área destinada as crianças.
-Filha, nós precisamos colocar dinheiro no cartão para comer alguma coisa.
-Mãe, eu nem estou com fome. Minha barriga tá cheia, ó! - Responde a guria dando aos tapinhas barriguinha branquela.
Sendo assim corremos a área que era objeto de desejo da guria em passo celerado. Passando pelas demais atrações em modo OverView
Contemplando o escorrega.
Uma vez lá a excitação se transformou em uma histeria infantil incontrolável. A Guria geralmente tranquila - apesar de rabugenta - SURTOU. Ela cantarolava, pulava e só não assoviava por total e completo desconhecimento de como fazê-lo:
-Mãe! Mãe! É o BechPark mesmo! - Histerizava a pequena em gritinhos incontidos enquanto corria de brinquedo em brinquedo tocando-os como se fossem imagens de um sonho vívido.
 Uma alegria infantil tão sem restrições ou preconceitos que traria lágrimas aos olhos de qualquer um e eu não fui exceção.
Fica aqui PARADINHO!
Perto de uma espécie de arma de água ela anuncia:
-Pai! Pai! Fica aqui paradinho! - Gritava  enquanto posicionava o pai em frente ao artefato - como se fosse difícil atingir um alvo dessa amplitude a qualquer distância.
-Fica paradinho que eu vou atirar.
-Filha eu fico ali na outra e a gente brinca, não é melhor!? - Observa o pai enquanto se encaminhava a arma que complementava o conjunto.
- Não! Ai eu não ganho, né pai!
Ela corria e parava; corria e parava sem saber o que fazer depois.
Água para todos os lados
Apesar de intrépida com as palavras MC é um pouco - senão muito - cagona. Evitou todo e qualquer brinquedo que tivesse jatos de água que estivessem acima da cintura dela mesma. Ao passo que amou a ideia de jogar água em quem quer que fosse. Era alguém passar na frente dela e lá iam jatos de água seguidos de gritos:
-Te molhei! - Seguido de uma profunda gargalhada; e depois novamente.
-Te molhei! - Mais um gargalhada.
Gritando e gritando com estranhos que já estavam completamente molhados.
A alegria dela fez com que até os mais carrancudos rissem da traquinagem.
Boca do Dragão
 MC se aventurou de piscina em piscina - desde que claro não houvessem jatos mais fortes de água. A cada descoberta a guria se empolgava mais. 
Entrando e saindo de boca de monstros imaginários transformados em brinquedos regados a água. Nadando em cavernas de águas mansas se fazendo de salva-vidas de um pai que fingia precisar de auxilio.
Nada parecia abalar o mesmo aquebrantar o fascínio da guria com o que via. Um mundo que ela talvez nem em sonhos pudesse ter imaginado tão colorido e vívido.
Voltando ao Circo MC não deu trégua aos inimigos imaginários e disparou rajadas e mais rajadas de uma felicidade pura.
Ao final do dia os pais decidem que é hora de partir. Convencê-la a partir daquele lugar tão mágico foi realmente complicado. Só foi possível quando alegamos que o Hipopótamo do Parque tinha feito cocô na piscina e os titios precisavam parar um pouco para limpar a água. Ela concordou não -  é claro -  sem presentear os pais com o BICO mais contrariado que pode engendrar.
O Bico

 Não deixamos de ser crianças porque crescemos. Deixamos de ser crianças porque passamos a não aceitar o mundo sem algumas - muitas - restrições. Nos preocupamos em arrumar detalhes que desmereçam tudo  aquilo que conquistamos. Espremendo pequenos detalhes que trazem imperfeições a maior e mais belo dos sonhos. "Estava muito quente", "Não fez o Sol que esperávamos", "Tivemos de dirigir por horas" e tudo mais que sirva de desculpa para delapidar a magia do momento.
Assistir MC adorar o local como um sonho me fez pensar: Será possivel chegar a esse nível de encantamento depois de deixar a infância? Será que é possível alcançar um estado tão profundo de glória e perplexidade? Infelizmente a resposta é não. Depois de tanto tempo e tantos anos sendo programados a acreditar que a perfeição do momento está fora da esfera do possível. Infelizmente não é mais possível.
A única exceção a essa regra é quando um pai vê seu filho nesse em tal estado de felicidade. Uma parte desse tipo de alegria volta a nos inundar. Não acho que seja comparável ao contentamento que ela mesma experimentou mas foi algo profundo e mágico.
Acredito que esse dia - mesmo que inconscientemente -  vai ficar marcado para sempre. Toda vez em que a palavra felicidade for mencionada perto dessa guria sua mente será remetida á aquele dia ensolarado de Abril.


Pirata!

Mc tem como hábito confiscar todas as bijuterias da avó quando esta chega. Outro hábito da nossa heroína é escangalhar uma bijuteria confiscada por noite. Colares, pulseiras e brincos de todos os sabores e tamanhos já forcam classificados com sucata depois de "manipulados" por suas pequenas mãos de escavadeira.
Dia destes a avó materna chega em casa com duas pulseiras de dourado vivo. MC se apressa e logo tenta confisca-las:
-Vó! Me empresta sua pulseira - Já fazendo força o suficiente no pulso da avó para deslocar-lhe o braço.
-Não linda - responde a avó tentando inutilmente desvencilhar o braço dos puxões da guria - essa pulseira é de ouro. A vovó não pode emprestar.
-Ouro vó!? - Exclama MC perplexa.
-Você é pirata vó Soli!? - Emenda a pergunta com os olhos arregalados.
-Não filha - responde a avó na sua peculiar calma - por que!?
-Então tira a pulseira agora vó - Responde MC enquanto capricha ainda nos puxões - Só pirata tem pulseira de ouro!
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segunda-feira, 23 de abril de 2012

A Rainha da Praia

Vamos de Carro!:

Mc chega ao aeroporto ainda relutante em aceitar as explicações da real e iminente necessidade de se ir de avião à Fortaleza:
-O vô careca dirige - Reclama uma última vez a pequena quando se viu obrigada a sair do carro.
-É muito longe filha - Retrucam o pai, a mãe e a avó em unissomo - O vô vai ficar cansado.
-Ai a vovó dirige e depois a mamãe - Diz tem tom gerencial a pequena enquanto elabora a escala.
-O papai não dirige porque não sabe, né pai!?
-É filha! - Responde o pai já considerando válida a possibilidade de colocar a guria em um ônibus em direção a Fortaleza e fazer o rescaldo quando lá chegassem.

Isso aqui é o avião?:

 -Todo mundo vai no avião!? - Pergunta MC enquanto analisa o pequeno tumulto organizado que burburinha em Guarulhos.
-Não filha - responde a mãe enquanto procura o balcão de check-in - Cada um vai em um avião.
-Eu não vou com você!? - MC arregala os olhos e já engada choro estridente - Eu vou com quem!? Sozinha!?
-Não, não filha - Responde o pai em tom conciliante - Nós todos vamos juntos mas outras pessoas vão em outros aviões para outros lugares.
MC recolhe o choro da mesma maneira veloz como este havia chegado.
Desfeito o embrolho sobre o porque era preciso deixar as malas - onde estava o biquíni rosa de uma certa guria - com uma titia maquiada as malas estavam sendo finalmente despachadas; o último volume era o carrinho. A mãe o entrega e MC adverte em tom sério:
-Mãe, manda a titia cuidar direitinho do meu carrinho, tá!?
A caminho do portão de embarque MC está completamente aclimatada ao local. Antes de sequer chegarmos ao portão paramos em uma livraria, um lanchonete e uma loja de doces sob a alegação constante:
-É para levar no avião!
Enquanto nos aproximávamos do portão de embarque MC viu aviões de vários tamanhos e chegou a uma conclusão ligeira:
-Avião grande é para gente grande - Disse enquanto balançava as mãos no vaz io - e avião pequeno é só de criança.
Passado o embarque somos colocados naqueles ônibus para o translado. MC atenta, olha em volta e pergunta:
-Isso aqui é o avião!? - Com tom completamente desdenhoso - Eu não gostei!

Parece uma Vaca!:


Leitura à Bordo.
Feitas as escolhas de assento - após algumas dezenas de arranjos - MC assenta-se quase confortavelmente - com os pés no banco da frente e afundada o quanto podia na poltrona. Um tanto aborrecida que algo aconteça.
Feita a apresentação de bordo o avião inicia o taxiamento. Quando se prepara para decolar as turbinas começam a urrar em tom abafado e MC logo comenta:
-Parece uma vaca!
-Vaca filha!? - Pergunta o avô intrigado - O que parece uma vaca!?
-O avião!  - Responde MC com certa secura - O avião faz barulho de vaca.
Comentário que arrancou risos nas poltronas no entorno.
O voo foi tranquilo em todos os sentido. Devida e retumbantemente alimentada pelo serviço de bordo MC passou o resto da viagem entre sonecas e brincadeiras.
Assim que avião tocou em solo Cearense MC observa interessada a pista e pergunta intrigada:
-Aqui tem avião também!?

Agora vamos!?:

Assim que colocamos os pés em Fortaleza MC fez pela primeira vez a pergunta que seria repetida até que finalmente chegássemos ao tão famoso Beach Park:
 -Agora vamos para o Beach Park!?
Explicamos que precisávamos chegar ao hotel e depois iriamos. MC paciente não compartilhou qualquer impressão de Fortaleza. Ao chegarmos ao Hotel ela dispara:
-Agora vamos!?

Chegando ao quarto MC avista o frigobar e questiona:
-Mãe, essa geladeira é de criança!?
Depois das explicações sobre o funcionamento e uso do mesmo MC serve-se de um refrigerante enquanto a família planeja o que fazer. Resolvidos por  uma volta na feirinha de artesanato os pais fazem os preparativos e MC logo oferece ajuda:
-Mãe, mãe - corre esbaforida para a mala - eu sei onde está meu biquíni! Eu sei! - E enquanto atirava as roupas para fora da mala perguntava: Vamos agora para o Beach Park?

Em qualquer situação pertinente - ou nem tanto - lá vinha ela. Resolvido em ir até a feira de artesanato assim que subimos na van:
-Esse titio vai levar a gente no Beach Park!?
Novas explicações. Voltando da feirinha:
-Agora vamos!?
Insistente e persistente MC não deixava qualquer conversa morrer sem antes colocar seu questionamento padrão em pauta.
Chegando ao Hotel - fadigados  da viagem - todos decidem dormir. No elevador MC soma dois mais dois e com olhos brilhantes pergunta ao avô:
-Ô vô! Tem geladeira no seu quarto!? - O avô completamente desprovido de malícia assente com a cabeça.
MC desenha um sorriso em uma cara de malandra e anuncia:
-Mãe, quero ir no quarto do vô!
Agora vamos?
-Por que filha!? - Pergunta a mãe sem também atinar a intenção da moçoila.
-Quero ver se a geladeira dele é bonita.
5 minutos depois o avô bate a porta e entrega a pequena que bebericava um refrigerante e balançava um achocolatado com a mão livre:
-Que é isso filha!? - Pergunta o pai ao abrir a porta
-É que eu tava com sede! - Responde MC ao passar pela porta.
-E o outro!? - Emendou o pai enquanto se despedia do avô
-É para a minha mamadeira!  - Respondeu MC enquanto espalhava as sandálias pelo quarto - A minha mãe trouxe a mamadeira mas esqueceu ou leite, né mãe!?
O segundo dia amanheceu chuvoso impossibilitando qualquer passeio ao ar livre.
O dia aborrecido entre feiras de artesanato e shoppings aguçou ainda mais a persistência da pequena que sempre que podia lembrava os presentes da sua missão:
-Agora vamos ao Beach Park!?

Rainha da Praia:

O segundo dia nos trouxe o Sol e uma guria que protestou ferozmente contra o evento que conhecemos  como café da manhã. Contrariada MC espera - não sem reclamar - que a família coma algo para quebra o jejum.
O caminho para o Beach Park foi longo mas agora a pergunta era outra. O clássico infantil:
-Já chegamos!?
Uma vez lá - extremamente adiantados - foi preciso esperar o parque iniciar suas atividade. Segurar a ansiedade de uma guria de 3 anos das 09:00 às 11:00 foi realmente complicado. Idas e vindas ao mar, tentativas de castelos de areia. Voltando as mesas MC abre o cardápio e começa a folhear. Após algumas páginas viradas MC exclama:
-Já escolhi! - Apontando a foto de um prato de um cardápio.
-Quero esse de carinha - um pato com o nome de Kids porém caro o suficiente para alimentar alguns adultos famintos - e esse suco.
O suco em questão era uma batida de Mix de Frutas. Com o preço indicado no cardápio seria possível abrir um boteco em qualquer periferia do país.
Postos à fila os minutos que antecederam a abertura do parque foram cruéis com a pequena. O tempo se arrastou enquanto  os portões não abriam. MC entediada pensa, olha e dispara:
-Mãe! Mãe! Preciso ir ao banheiro! - Diz torcendo-se sobre as pernas parecendo realmente aflita.
-Vem cá filha - diz o pai pegando na mão da filha - Papai te leva no banheiro!
-Não pai! - Responde a pequena atriz parecendo cada vez mais desesperada - Pede para o titio abrir para eu fazer lá dentro.
-Ele não pode filha - Responde o Pai um pouco triste - A gente vai precisar ir lá no outro banheiro.
De súbito a vontade de fazer xixi passou:
-Ah, então eu espero o titio abrir a porta - Respondeu desapontada com um muxoxo.

 - As aventuras de MC enquanto estávamos no Beach Park merecem um post próprio -

Ao sair, lá pelas 16:30, os pais cansados e preocupados por conta do rombo financeiro causado pelo passeio constatam que não resolveram um problema e sim criaram um ainda maior:
-Amanhã a gente volta, né!?
Pergunta MC com os olhos quase fechados de cansaço.

É o Touro!:

O embarque para a volta foi sob uma gloriosa choradeira em protesto por não haver outra visita ao Beach Park. Uma vez no avião MC já se sentia parte da tripulação. A cada passagem do carrinho ela servia-se de bolachas e guaraná.
Lanchinho
Empanturrada MC sente as urgências da natureza e ajoelha-se em algum lugar ainda sobre Pernambuco e não arredou da posição até o comandante anunciar que havíamos cruzado a fronteira com Alagoas. Satisfeita e aliviada a guria anunciou que precisava ser limpa.
Depois dos trabalhos as aeromoças passaram a recomendar que os passageiros evitassem aquele banheiro.
Finalmente chegando à São Paulo o pai decide provocar a guria:
-E agora filha!? - Questiona o pai em tom jocoso - A vaca vai parar o avião?
-Claro que não! - Responde MC sem tirar os olhos da pista - Vaca não para avião!
-E então Maria Clara - Pergunta o pai fingindo assustado - quem vai parar o avião?
MC respira fundo solta uma bufada e afirma categórica:
-O touro! - Fazendo um gesto de quem quer parar um trem - Ele é muito mais forte que a vaca!
...

sexta-feira, 20 de abril de 2012

Cotidiano: Você não tem amigos!?

O Pai chega feliz, e bastante aliviado, do jogo do Santos e dá de cara com uma festa surpresa. Na verdade um bolo de padaria, dois litros de guaraná e apenas quatro convidados: MC, Adriana, Sassá e Esfomeado. O que mais uma pessoa poderia querer!?
Apagadas as velas MC senta-se ao lado do pai e com um ar de terapeuta pergunta:
-Pai, você não tem amigos!?
-Claro que tenho filha - responde o pai enfático.
-Então por que sua festa não tem convidados!?
Dispara a pequena com um meneio de mão indicando a sala vazia e sem sinal de misericórdia no olhar.
-Ah, é que o papai esqueceu de convidar - Diz o pai tentando disfarçar a própria a vergonha de não ter convidado ninguém.
MC levanta-se de súbito, corre até o aparador, desacopla o telefone sem fio e dispara:
-Vamos ligar para eles e convidar para a festa!?
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segunda-feira, 16 de abril de 2012

Cotidiano: Relato de uma noite mal dorminda

MC foi dormir relativamente cedo - cedo se comparado ao padrão habitual de vencer o corujão por algumas horas - por volta de 01:00. O pai então resolveu tomar um banho e fazer o mesmo. Os problemas de concentração que perturbam o pai durante o dia também se manifestam à noite. Pegar no sono - com a cabeça inundada de pensamentos inúteis e diálogos mentais que merecem a mesma classificação - é bastante complicado. Por volta das 02:30 o projeto dormir teve seu início:

03:30  - Borá Caga na Madruga

 Nem bem tinha entrado em sono REM o pai é despertado por latidos incessantes. Safira avisando da entrada de ladrões!? Vocês perguntam! Não! Aliás não creio que se tal coisa acontecesse de verdade Safria  jamais esboçaria qualquer reação à altura. Na verdade ela queria é ir ao "banheiro".
O banheiro em questão fica na área de serviço. Como vivemos no térreo deixar a área de serviço aberta não é uma opção.
Safira sabedora das suas obrigações - obrar no jornal - avisa que precisa faze-lo. Late à porta da área esperando que alguém atenda seus clamores. O Pai "acorda" e vai atende-la. Abre a porta e desaba pesadamente sobre um banquinho enquanto Safira dá conta de seus afazeres. De súbito uma barata que faria frente a qualquer camundongo em uma disputa de UFC vem correndo em direção à cozinha. Antes de arriscar-se ela dá uma olhada para o pai que estava no banco e desiste do intento.
Terminado o pipi-stop do cão o pai arrasta-se até o quarto em busca de descanso.

04:25 - Ah, não seja mole.

Recém conciliado o debate mental sobre a importância de entrar em um Curso de Mandarim e finalmente sonhando o pai sente o próprio peso se multiplicar. Uma pressão imensa nas costas e uma sensação de estar sendo esmagado. Assustado o pai acorda pensando: Embolia Pulmonar no meio da noite!
Apenas para constatar que a esposa estava usando-o como apoio para a perna. Uma espécie de travesseiro de perna humano. Murmurando - pois o ar não chegava ao diafragma - o pai pede por clemência:
-Adriana... cof, cof, cof tira esse joelho de cima de mim.
Sem abrir os olhos a mãe responde:
-Ah, não seja mole! Eu nem coloquei muito peso. Eu estou com dor nas costas e assim dói menos.
Recitando um mantra que envolvia fazer parte da cursa da hernia de disco da esposa e defendendo fervorosamente a tese de que mais uma certificação é absolutamente necessária o pai pega no sono.

05:15 - Pai, me dá um espaço!

Ainda sustentando a insustentável leveza da esposa o pai sente mais peso se acumulando só que agora em seu braço direito. Impossibilitado de move-lo e sentindo um formigamento que subia à partir das mãos o pai constata: Enfarto!
Ao abrir os olhos constata que a filha - leve - estava sentada sobre seu braço com uma cara de poucos amigos e resmungava:
-Pai, eu já pedi duas vezes: Me dá um espaço!
Levando metade do corpo ao abismo que o separava do chão o pai deixa que a filha se acomode entre ele e a mãe.

06:40 - Comendo um calcanhar.

Graças a chegada de MC o joelho da mãe fora retirado das costas do pai. O que proporcionou um respirar menos esforçado tornando o processo de apaziguar o debate sobre qual vídeo-game adquirir rápido e simples.
Para os que não sabem ou nunca viram vai uma informação pertinente: MC não dorme; MC se espalha.
Ao melhor estilo ovo de codorna frito MC espalha pés e mãos por toda a cama. Subitamente o pai não consegue mais respirar. Faz força, tenta se desvencilhar e não consegue. Sente um enorme volume na boca...

P.S.: Piadas maliciosas não são bem-vindas.

...impossibilitando que ele respire: Afogamento no vomito! Totalmente rock'n roll! Pensou o pai. Quando abriu os olhos viu o que impedia sua respiração: um calcanhar de 03 anos e 07 meses tentando entrar sutil como um drops garganta à dentro.
O Pai finalmente abdica do seus direito de dormir na cama de casal e parte rumo a promessa de sono confortável no cama-sofá da sala.

07:15 - Quero que o Papai faiz!

Instalado na cama-sofá o pai palestra mentalmente sobre a necessidade de adquirir o volume um dos livros de R.R Martin enquanto espera o sono voltar. Finalmente as pálpebras pesam quando no quarto começa uma pequena contenda:
-Quero mamadeira!  - Choraminga MC
-Ah filha - Responde a mãe sonolenta - dorme e esquece.
-Quero mamadeira!  - Choraminga MC em tom mais audível.
-Tá bom filha - diz a mãe em um misto de estado onírico e pseudo-vigília - a mãe vai fazer!
-Não, fica aqui comigo! - Berra MC. Eu quero que o papai faiz!
O pai relutante não espera uma segunda convocação e arrasta-se até a cozinha murmurando algo incompreensível -  até para ele mesmo -  ao melhor estilo Zé Buscapé! Faz a mamadeira, entrega a miúda querelante e volta à cama. Encosta a cabeça no travesseiro e rola, e se contorce, dialoga  debate, confabula e discorre - mentalmente.

08:00 - Toca o despertador.



quinta-feira, 12 de abril de 2012

Cotidiano: Vamos fazer bolo!?

Tarde da noite ou cedo do dia; MC reluta em conciliar o sono e a saudável prática de dormir gerando picos de rabugentice infantil. Vai até o quarto onde o pai está trancafiado até terminar a vídeo-retrospectiva da bisavó-materna e dispara com semblante fechado:
-Não quero mais assistir o Mickey Mouska e eu quero mamadeira - fala a pequena enquanto passava pelo pai em direção a pilha de brinquedos - Pode ir lá fazer.
O Pai sente sua autoridade - ou o que sobrou dela - posta à prova pensa em reagir fortemente e reflete sobre o adiantado da hora! Decide por uma repreenda leve mas deixa marcado no caderninho um berro para o dia seguinte.
Chegando no quarto o Pai lembra da data e avisa a filha:
-Filha! Hoje aniversário da mamãe!
MC joga o semblante bravo para longe, alarga um sorriso generoso e logo deduz:
-Oba! Vamos fazer bolo! Eu quebro os ovos...
O pai pensando novamente no adiantado da hora tenta demover a pequena doceira da ideia:
-Não, não filha! O Bolo é só quando a mamãe acordar.
MC balança a cabeça, deixa claro que não gosta da situação mas resolve concordar. O pai com os olhos pesados de sono tenta encerrar a noite. Com a mamadeira na mão chama a filha para a cama e diz:
-Filha, agora dá um beijo na mamãe, diz Feliz aniversário e vamos dormir, tá bom!?
MC gentilmente beija a mãe e diz baixinho:
-Felizi ninversário mãe!
A mãe resmunga  um palavra qualquer e vira de lado. Os olhos de MC se iluminam e fulminam o pai que estava à beira da cama:
-Fe ela vai acordar! Vamos fazer bolo!?
...

P.S.: Dona Adriana também conhecida como mãe da MC! Feliz aniversário! Muitas e muitas felicidades. Sabia que as pessoas de caráter, valorosas e honestas sempre se sobressairão. Justamente por estarem sempre pensando no próximo como pensam em si mesmas. Sempre prontas a estender a mão a quem precisa de ajuda. Por provarem que sucesso e riqueza são frutos de trabalho árduo, persistência e principalmente paciência.
És um exemplo de mãe, esposa, irmã e amiga e absolutamente nada e nem ninguém podem tirar isso de ti!
Saúde, felicidade, sucesso e paz!
Do seu marido que te ama!

Cotidiano: Escondedeira!

MC em preparação para a Páscoa estabeleceu o prodigioso ritmo de um ovo por dia. Para cumprir com a quota do dia ela não escolhe: cor, raça ou credo dos artefatos de chocolate! Chega em casa, tirando as sandálias e intimando o pai:
-Oie Fe! Tudo bom!? Vamos comer seu ovo Dieti? - Grita MC da porta enquanto corre para a cozinha - Vem comigo que eu sei onde ele está!
Chega a cozinha e fica bem decepcionada.
-Ah, o coelhinho pegou de volta! - Diz MC em tom sério - Porque você fez malcriação para sua mãe, né Pai!?
-Não filha - responde a mãe se apressando até a cozinha para mitigar os danos - A mamãe guardou no armário!
- No Armário!? - Responde MC enquanto escancara a porta - Para o meu Pai não pegar antes da Páscoa, né!?
-É filha!  - Responde a mãe olhando feio para o pai que ainda não tivera chance de falar.
-Mãe! Você é muito escondedeira, viu!
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quarta-feira, 11 de abril de 2012

quarta-feira, 4 de abril de 2012

Cotidiano: Ai se eu te pego...

MC pula descontroladamente em cima da cama gerando um sem número de reclamações do Pai:
-Para Maria Clara! - Sem qualquer efeito prático a reclamação vira ameaça.
-Maria Clara ou tu para ou a coisa vai ficar feia para o teu lado! - Com uma risada forçada como resposta MC continua pulando.
-MARIA CLARA! Perdeu a noção eu pedi para parar! Tá querendo me irritar!?
MC senta-se, estala-se em um muxoxo e começa a cantarolar:
-Ai, seu eu te pego! Ai, ai se eu te pego! Delícia...
-Tá bom filha! Pode pular na cama! Só toma cuidado para não cair!
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terça-feira, 3 de abril de 2012

Cotidiano: Que Feio!

A cada toda se prepara para ir à escola. Quando eu digo a cada toda significa que até o pobre do Esfomeado II fica agitado. Soa a buzina do lado de fora e é dada a largada para a saída pois a avó Marina está esperando do lado de fora com o carro em modo tranca-rua!
A mãe na sua graça e leveza habituais sai catando malas, mochilas e sacolas quando esbarra com o quadril no telefone sem fio e o lança a alguns metros de onde estavam. O resultado, claro, é um aparelho espatifado. MC contempla a cena com atenção. A mãe esbraveja algo e delega o CSI ao pai que engolia o almoço:
-Fe, cata para mim!? - Faz a mãe pergunta retórica habitual.
-Mãe - intervém MC com as mãos na cintura - você viu o que você fez, hein!?
-Vi sim filha - foi sem querer - responde a mãe com cara de culpada.
-Que feio - triplica MC com o dedo em riste e outra mão ainda na cintura - Pede desculpa!
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segunda-feira, 2 de abril de 2012

Cotidiano: Piriquita não dói...

MC em modo TAZ, rodopia e aterroriza a casa e todos os presentes. A mãe tranca um dos quartos para evitar que a pequena Katrina devaste outro cômodo. O pai, banana, pega a chave do quarto trocar de camiseta. MC aproveita e adentra o quarto antes de se possa dizer não. Para mitigar os danos que MCZilla é capaz de causar o pai se veste apressadamente e começa a evacuação do cômodo:
-Vamos! Vamos filha! Senão eu vou te deixar sozinha aqui - diz o pai em tom sério.
-Tá bom - Responde MC pulando da cama e saindo em disparada para a sala.
O pai no batente da porta espera que a pequena saía; eis que ela passa com sua corrida à lá TAZ (mil braços e pernas completamente descoordenados) atinge o pai - com força e precisão sniper - nos países baixos. Mui sem querer é claro! O ato reflexo do pai foi arrear exatamente onde estava:
-Fe, vamos... - olha para trás a pequena já no meio do corredor - o que você tá esperando!?
-Fe!? O que aconteceu!? Machucou!? - Preocupa-se a pequena.
Tudo que o Pai consegue fazer é se contorcer e gemer e dor. MC corre até a cozinha e puxa a mãe pela mão arrastando-a até o corredor:
-Mãe! Mãe eu sem querer bati na piriquita do papai e doeu! - Vem a pequena explicando a situação - Fala para ele que piriquita não dói!
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domingo, 1 de abril de 2012

Cotidiano: Uma boa idéia...

Semana que antecede a Páscoa e MC intensifica a campanha por Ovos de Chocolate. Passeando de carro ela aborda seu contribuinte mais babão:
-Vô - chama a pequena com um sorriso que faria inveja a qualquer candidato a vereador - eu acho que você não teve uma boa ideia!? - Diz MC em tom de campanha.
-Que boa ideia é essa que eu não tive filha!? - Responde o avô tentando articular onde a guria queria chegar.
-A boa ideia de me dar um Ovão de Páscoa, né vô? - Responde MC entregando um catálogo das Americanas ao avô!
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