MC entrou no Parque como quem adentra uma espécie de Nirvana. A felicidade da guria era de tamanha proporção que qualquer descrição não lhe faria justiça. Imaginem um ratinho entrando em uma fábrica de queijos ou quem sabe uma noveleira viciada visitando o Projac. Enfim a guria ficou completamente INSANDECIDA. A tal ponto que ela andava aos pulos.
Qualquer tempo era tempo perdido na visão da criança. Os minutos gastos no processo de colocar créditos no cartão de consumo e alugar um armário foram severamente criticados:
-Mãe eu quero ir no Áqua Circo - Reclamou a pequena querendo ir a área destinada as crianças.
-Filha, nós precisamos colocar dinheiro no cartão para comer alguma coisa.
-Mãe, eu nem estou com fome. Minha barriga tá cheia, ó! - Responde a guria dando aos tapinhas barriguinha branquela.
Sendo assim corremos a área que era objeto de desejo da guria em passo celerado. Passando pelas demais atrações em modo OverView
| Contemplando o escorrega. |
Uma vez lá a excitação se transformou em uma histeria infantil incontrolável. A Guria geralmente tranquila - apesar de rabugenta - SURTOU. Ela cantarolava, pulava e só não assoviava por total e completo desconhecimento de como fazê-lo:
-Mãe! Mãe! É o BechPark mesmo! - Histerizava a pequena em gritinhos incontidos enquanto corria de brinquedo em brinquedo tocando-os como se fossem imagens de um sonho vívido.
Uma alegria infantil tão sem restrições ou preconceitos que traria lágrimas aos olhos de qualquer um e eu não fui exceção.
| Fica aqui PARADINHO! |
Perto de uma espécie de arma de água ela anuncia:
-Pai! Pai! Fica aqui paradinho! - Gritava enquanto posicionava o pai em frente ao artefato - como se fosse difícil atingir um alvo dessa amplitude a qualquer distância.
-Pai! Pai! Fica aqui paradinho! - Gritava enquanto posicionava o pai em frente ao artefato - como se fosse difícil atingir um alvo dessa amplitude a qualquer distância.
-Fica paradinho que eu vou atirar.
-Filha eu fico ali na outra e a gente brinca, não é melhor!? - Observa o pai enquanto se encaminhava a arma que complementava o conjunto.
- Não! Ai eu não ganho, né pai!
Ela corria e parava; corria e parava sem saber o que fazer depois.
Ela corria e parava; corria e parava sem saber o que fazer depois.
| Água para todos os lados |
Apesar de intrépida com as palavras MC é um pouco - senão muito - cagona. Evitou todo e qualquer brinquedo que tivesse jatos de água que estivessem acima da cintura dela mesma. Ao passo que amou a ideia de jogar água em quem quer que fosse. Era alguém passar na frente dela e lá iam jatos de água seguidos de gritos:
-Te molhei! - Seguido de uma profunda gargalhada; e depois novamente.
-Te molhei! - Mais um gargalhada.
Gritando e gritando com estranhos que já estavam completamente molhados.
A alegria dela fez com que até os mais carrancudos rissem da traquinagem.
A alegria dela fez com que até os mais carrancudos rissem da traquinagem.
| Boca do Dragão |
MC se aventurou de piscina em piscina - desde que claro não houvessem jatos mais fortes de água. A cada descoberta a guria se empolgava mais.
Entrando e saindo de boca de monstros imaginários transformados em brinquedos regados a água. Nadando em cavernas de águas mansas se fazendo de salva-vidas de um pai que fingia precisar de auxilio.
Nada parecia abalar o mesmo aquebrantar o fascínio da guria com o que via. Um mundo que ela talvez nem em sonhos pudesse ter imaginado tão colorido e vívido.
Voltando ao Circo MC não deu trégua aos inimigos imaginários e disparou rajadas e mais rajadas de uma felicidade pura.
Ao final do dia os pais decidem que é hora de partir. Convencê-la a partir daquele lugar tão mágico foi realmente complicado. Só
foi possível quando alegamos que o Hipopótamo do Parque tinha feito
cocô na piscina e os titios precisavam parar um pouco para limpar a
água. Ela concordou não - é claro - sem presentear os pais com o BICO mais contrariado que pode engendrar.
| O Bico |
Não deixamos de ser crianças porque crescemos. Deixamos de ser crianças porque passamos a não aceitar o mundo sem algumas - muitas - restrições. Nos preocupamos em arrumar detalhes que desmereçam tudo aquilo que conquistamos. Espremendo pequenos detalhes que trazem imperfeições a maior e mais belo dos sonhos. "Estava muito quente", "Não fez o Sol que esperávamos", "Tivemos de dirigir por horas" e tudo mais que sirva de desculpa para delapidar a magia do momento.
Assistir MC adorar o local como um sonho me fez pensar: Será possivel chegar a esse nível de encantamento depois de deixar a infância? Será que é possível alcançar um estado tão profundo de glória e perplexidade? Infelizmente a resposta é não. Depois de tanto tempo e tantos anos sendo programados a acreditar que a perfeição do momento está fora da esfera do possível. Infelizmente não é mais possível.
A única exceção a essa regra é quando um pai vê seu filho nesse em tal estado de felicidade. Uma parte desse tipo de alegria volta a nos inundar. Não acho que seja comparável ao contentamento que ela mesma experimentou mas foi algo profundo e mágico.
Acredito que esse dia - mesmo que inconscientemente - vai ficar marcado para sempre. Toda vez em que a palavra felicidade for mencionada perto dessa guria sua mente será remetida á aquele dia ensolarado de Abril.
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