sábado, 28 de abril de 2012

Padeira

Manhã de sábado - bem mais próximo à tarde do que propriamente da manhã - a família acorda de modo preguiçoso; enquanto conversa sobre pessoas: as valorosas, as nem tanto, as que não valem nada e outras tantas que para chegarem a não valer nada precisariam descobrir um em si mesmas um talento ou dois.
MC adora a folia da manhã especialmente nos fins de semana. Quando farrear na cama não tem compromisso ou horário que limite. Pula sobre o pai e derrete-se de rir com as cócegas que recebe de ambos.
Dado momento a mãe maldosamente fala para a pequena:
-Filha! Faz amassa pão com ele...
MC nem sequer questiona, fica de joelhos perto da barriga do pai, levanta o corpo em um esforço e larga-se com os cotovelos em direção ao tronco do pai que estava de olhos fechados.
Se houvesse uma câmera de Slow Motion no recinto mostraria que a pequena chegou a ricochetar na barriga do pai algumas vezes. Fazendo com que seu volume abdominal se dispersasse em ondas de impacto. MC larga-se em uma gargalhada generosa
Contorcendo-se de dor o pai rola para a beirada da cama e deita-se de costas. MC com seu habitual riso largo corre até o pai e repete a operação agora nas costas.
Com o habitual sorriso irônico a mãe, terapeuta, dá a dica:
-É na barriga dói mesmo - Fala ela enquanto incentiva a filha para mais uma rodada - Agora nas costas é gostoso.
MC volta à carga: uma, duas na terceira o pai suplica por misericórdia:
-Para filha!  - Murmura sem forças. - Papai tá com dor.
-MC coloca a cabeça perto do pai aturdido, faz um leve afago na cabeça e dispara:
-Doeu as costas pai!? - Diz MC enquanto colocava as mãos por debaixo do pai combalido - Vira de frente que eu amasso pão na sua barriga.
O pai reúne forças que lhe restavam e ruma a segurança do computador; onde pode escrever um blog sem ser açoitado por cotovelos infantis furiosos.
...

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