MC brincava no quarto quando a matriarca faz o anuncio do passeio para o dia seguinte:
-Filha, amanhã a gente vai na casa da amiga da mamãe - e com um largo sorriso embute uma motivação extra a pequena:
-Ela me disse que o Papai Noel deixou um presente para você lá...
Com os olhos chispando curiosidade MC interrompe com a clássica indagação infantil:
-O que é!?
A mãe politicamente correta e preocupada com a educação da meliante prontamente observa:
-Não sei - e com certa gravidade emenda - seja o que for você agradece!
MC despenca o olhar até o chão do quarto e em tom clássico de derrota
pós-natalina questiona a pertinência e abrangência dos agradecimentos:
-E se for roupa!?
...
segunda-feira, 30 de dezembro de 2013
terça-feira, 17 de dezembro de 2013
Namorada Nova.
MC entra no quarto completamente desconsolada, olha a mãe nos olhos e declara em tom de fim de folhetim televisivo:
-Meu pai não ama mais a gente.
Chorando se joga no colo da mãe e com o rosto afundado em travesseiros continua:
-Ele tem outra namorada, mãe! - e excessivamente comovida contiua - Ele não liga mais para a gente.
A mãe em um misto de susto e confusão pergunta preocupada:
-Quem é essa namorada filha!?
MC levanta os olhos vermelhos e lacrimejados, limpa o rosto e finalmente elucida o mistério:
-O videogame mãe... - apontando para a sala em completo desalento murmura:
-Meu pai agora tá namorando com o videogame!
...
-Meu pai não ama mais a gente.
Chorando se joga no colo da mãe e com o rosto afundado em travesseiros continua:
-Ele tem outra namorada, mãe! - e excessivamente comovida contiua - Ele não liga mais para a gente.
A mãe em um misto de susto e confusão pergunta preocupada:
-Quem é essa namorada filha!?
MC levanta os olhos vermelhos e lacrimejados, limpa o rosto e finalmente elucida o mistério:
-O videogame mãe... - apontando para a sala em completo desalento murmura:
-Meu pai agora tá namorando com o videogame!
...
segunda-feira, 9 de dezembro de 2013
Caiu!
Para otimizar as atividades de uma Segunda-Feira ensolarada a família
decide por almoçar em um restaurante por quilo próximo. O pai e MC
esperavam à mesa enquanto a mãe fazia o prato das moças. Chegada sua vez
o pai se dirige ao buffet e se serve de saladas, molho à vinagrete e
acompanhamentos; pesa o prato e começa o regresso à mesa onde estavam.
Quando subitamente a sola do chinelo de borracha encontrou-se com uma pequena poça-d'agua.
-É preciso lembrar que esse tipo de calçado foi projetado para ser usado no Deserto do Atacama. Onde a chuva só ocorre em periodicidade Olímpica. Portanto ao menor contato com superfícies úmidas acontece um efeito de empuxo tão súbito e potente que é capaz de colocar em órbita alguém com menos de 60 quilos-
Resultando em um efusivo tombo! Daqueles irreversíveis, inapeláveis e irrecuperáveis onde não há nada a se fazer senão "aproveitar o passeio".
Sentada de costas para o buffet a mãe não viu o ocorrido enquanto MC imediatamente levou a mão a boca, arregalou os olhos e emitiu um sucinto porém dramático:
-Caiu!
-O que filha!? - pergunta a mãe desatenta. Enquanto quase todos no restaurante se levantaram para acudir o homem de 1,85 que acaba de ser besuntado em molho vinagrete e guarnições - Caiu o dente!?
MC balança a cabeça fernéticamente enquanto vê o pai começar a levantar-se do outro lado do estabelecimento: sujo, com o orgulho ferido e sob o olhar atento de TODOS os clientes, da direção da casa, dos cozinheiros, do pessoal da banca de jornal do outro lado da rua e vários transeuntes que insistiam em chamar o serviço de emergência médica.
-Não mãe! - Responde MC aflita com os olhos cravados no pai.
-Caiu o garfo!? - Pergunta a mãe enquanto a dona do restaurante saiu abruptamente do caixa para acudir o cliente que procurava os óculos em meio aos destroços de beterraba e um filé de frango.
-Não mãe! - Enfurece-se MC com um olhar fustigante:
-Meu pai! - Apontando vigorosamente para a direção do incidente:
Caiu!
...
-É preciso lembrar que esse tipo de calçado foi projetado para ser usado no Deserto do Atacama. Onde a chuva só ocorre em periodicidade Olímpica. Portanto ao menor contato com superfícies úmidas acontece um efeito de empuxo tão súbito e potente que é capaz de colocar em órbita alguém com menos de 60 quilos-
Resultando em um efusivo tombo! Daqueles irreversíveis, inapeláveis e irrecuperáveis onde não há nada a se fazer senão "aproveitar o passeio".
Sentada de costas para o buffet a mãe não viu o ocorrido enquanto MC imediatamente levou a mão a boca, arregalou os olhos e emitiu um sucinto porém dramático:
-Caiu!
-O que filha!? - pergunta a mãe desatenta. Enquanto quase todos no restaurante se levantaram para acudir o homem de 1,85 que acaba de ser besuntado em molho vinagrete e guarnições - Caiu o dente!?
MC balança a cabeça fernéticamente enquanto vê o pai começar a levantar-se do outro lado do estabelecimento: sujo, com o orgulho ferido e sob o olhar atento de TODOS os clientes, da direção da casa, dos cozinheiros, do pessoal da banca de jornal do outro lado da rua e vários transeuntes que insistiam em chamar o serviço de emergência médica.
-Não mãe! - Responde MC aflita com os olhos cravados no pai.
-Caiu o garfo!? - Pergunta a mãe enquanto a dona do restaurante saiu abruptamente do caixa para acudir o cliente que procurava os óculos em meio aos destroços de beterraba e um filé de frango.
-Não mãe! - Enfurece-se MC com um olhar fustigante:
-Meu pai! - Apontando vigorosamente para a direção do incidente:
Caiu!
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quarta-feira, 4 de dezembro de 2013
Você me protege.
Um dos passeios pelo qual pai e filha compartilham gosto é a livraria.
MC escolheu dois livros para folhear enquanto o pai serviu-se de uma
edição muito elegante e bem encadernada de quadrinhos - daquelas que são
caras demais para serem adquiridas mas irresistíveis a leitura.
MC tomou o rumo da mesinha das crianças enquanto o pai encontrou amparo em um poste de amarração de quadrupedes que esses estabelecimentos travestem com panos coloridos e insistem em chamar de acento.
Duas semi-adolescentes com cabelos ensebados e trajes de praia ocupavam dois dos lugares da mesa, MC encarou-as com olhar enigmático mas não exerceu critério para juntar-se a elas. A pequena colocou um livro maior no colo enquanto arrumava espaço na mesa - lotada de livros esquecidos - para o outro volume. Após alguns minutos de armistício as adolescentes se levantam e saem deixando para trás tudo que era delas - e muito do que não era. MC franze o cenho com vigor, larga o volume que tinha nas mãos, encara o pai com olhos arregalados e diz incrédula:
-Elas não arrumaram!?
Levanta-se em movimento ágil, carregando consigo o volume maior, para em frente as fãs de sagas vampirescas e pergunta educadamente:
-Tá vendo esse livro!?
Diz abrindo o volume sobre o tórax. As meninas um tanto desconcertadas respondem com um menear de cabeça deixando o diálogo por conta da pequena:
-Ele é grande - e apontando para a mesa - e com a bagunça que vocês deixaram eu não vou poder ler.
Imediatamente as fugitivas de um clip pós-moderno se entreolharam, encararam a pequena e perceberam que não se tratava apenas de falácia; MC não as deixaria impunes enquanto não arrumassem o malfeito. O que se seguiu foi digno de ser exibido em classes de formação de lideranças mundo à fora: Duas marmanjas arrumando livros sob a batuta de uma criança de 5 anos. Com tom autoritário e firme MC indicava:
-Coloca esse lá em cima.
e depois:
-Esse vai aqui...
Terminada a arrumação e com a mesa finalmente limpa MC se despede das ajudantes, volta para a mesa e prossegue sua leitura. O pai preocupado pergunta:
-Filha, como tu foi lá brigar com duas meninas que são tão grandes!? - e tentando imputar a ela um senso de autopreservação complementa: E se elas resolvem brigar contigo!?
MC encara o pai com o semblante calmo de quem tinha tudo sob controle e explica:
-Ai... - diz enquanto abre um generoso sorriso:
-..você me protege.
...
MC tomou o rumo da mesinha das crianças enquanto o pai encontrou amparo em um poste de amarração de quadrupedes que esses estabelecimentos travestem com panos coloridos e insistem em chamar de acento.
Duas semi-adolescentes com cabelos ensebados e trajes de praia ocupavam dois dos lugares da mesa, MC encarou-as com olhar enigmático mas não exerceu critério para juntar-se a elas. A pequena colocou um livro maior no colo enquanto arrumava espaço na mesa - lotada de livros esquecidos - para o outro volume. Após alguns minutos de armistício as adolescentes se levantam e saem deixando para trás tudo que era delas - e muito do que não era. MC franze o cenho com vigor, larga o volume que tinha nas mãos, encara o pai com olhos arregalados e diz incrédula:
-Elas não arrumaram!?
Levanta-se em movimento ágil, carregando consigo o volume maior, para em frente as fãs de sagas vampirescas e pergunta educadamente:
-Tá vendo esse livro!?
Diz abrindo o volume sobre o tórax. As meninas um tanto desconcertadas respondem com um menear de cabeça deixando o diálogo por conta da pequena:
-Ele é grande - e apontando para a mesa - e com a bagunça que vocês deixaram eu não vou poder ler.
Imediatamente as fugitivas de um clip pós-moderno se entreolharam, encararam a pequena e perceberam que não se tratava apenas de falácia; MC não as deixaria impunes enquanto não arrumassem o malfeito. O que se seguiu foi digno de ser exibido em classes de formação de lideranças mundo à fora: Duas marmanjas arrumando livros sob a batuta de uma criança de 5 anos. Com tom autoritário e firme MC indicava:
-Coloca esse lá em cima.
e depois:
-Esse vai aqui...
Terminada a arrumação e com a mesa finalmente limpa MC se despede das ajudantes, volta para a mesa e prossegue sua leitura. O pai preocupado pergunta:
-Filha, como tu foi lá brigar com duas meninas que são tão grandes!? - e tentando imputar a ela um senso de autopreservação complementa: E se elas resolvem brigar contigo!?
MC encara o pai com o semblante calmo de quem tinha tudo sob controle e explica:
-Ai... - diz enquanto abre um generoso sorriso:
-..você me protege.
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segunda-feira, 2 de dezembro de 2013
Você quer que eu morra!?
Madrugada de Segunda; o pai tenta bravamente fazer com que alguns e-mails
inúteis porém absolutamente imprescindíveis cheguem a caixas postais de
pessoas imprescindíveis porém absolutamente inúteis para serem sumariamente deletados sem sequer serem lidos.
Vislumbrando em breve um desfecho para a contenda o pai pede solenemente:
-Filha, vamos arrumar esse quarto para poder dormir.
MC para imediatamente de vestir uma boneca, encara o pai com os olhos rasos d'água e diz em um tom de quem foi condenado a uma vida de trabalhos forçados:
-Você quer que eu morra!?
E com ainda mais enfase repete a pergunta um tanto mórbida:
-Você quer que eu morra!?
O pai emerge do estado de Resolução de Problemas e rebate:
-Claro que não, filha! Que pergunta é essa!?
MC limpa os olhos das lágrimas recém brotadas e explica:
-Pai, tá vendo esses bracinhos!?
Diz ela apontando para as extremidades superiores rijas e bastante carnudas:
-São bracinhos de criança, tá vendo!?
E pousando os braços "cansados" acompanhados com uma generosa arqueada nos ombros sobre o colo continua a explicação:
- Braço de criança é muito fraquinho - diz enquanto pinça o próprio bíceps esquerdo.
Em tom caracteristico dela mesma completa:
-Se o pai manda arrumar muita bagunça de uma vez - diz enquanto larga o corpo em direção ao colchão em que o pai estava:
-A criança morre!
...
Vislumbrando em breve um desfecho para a contenda o pai pede solenemente:
-Filha, vamos arrumar esse quarto para poder dormir.
MC para imediatamente de vestir uma boneca, encara o pai com os olhos rasos d'água e diz em um tom de quem foi condenado a uma vida de trabalhos forçados:
-Você quer que eu morra!?
E com ainda mais enfase repete a pergunta um tanto mórbida:
-Você quer que eu morra!?
O pai emerge do estado de Resolução de Problemas e rebate:
-Claro que não, filha! Que pergunta é essa!?
MC limpa os olhos das lágrimas recém brotadas e explica:
-Pai, tá vendo esses bracinhos!?
Diz ela apontando para as extremidades superiores rijas e bastante carnudas:
-São bracinhos de criança, tá vendo!?
E pousando os braços "cansados" acompanhados com uma generosa arqueada nos ombros sobre o colo continua a explicação:
- Braço de criança é muito fraquinho - diz enquanto pinça o próprio bíceps esquerdo.
Em tom caracteristico dela mesma completa:
-Se o pai manda arrumar muita bagunça de uma vez - diz enquanto larga o corpo em direção ao colchão em que o pai estava:
-A criança morre!
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