MC e o Pai passam pelo portão do edifício. Instantaneamente a pequena encara o pai e pergunta:
-Corrida!?
O pai concorda com a cabeça, se preparam e começa e contagem:
-3,2,1 e já!
O pai - de pernas mais longas - consegue facilmente uma vantagem sobre a pequena que corria com sua postura de decolagem: cabeça baixa e braços para trás.
Deixada para trás; imediatamente suspende a brincadeira:
-Parou! Parou! Parou tudo! - Grita enquanto vê o pai o chegar ao capacho da entrada social - Paciência é uma virtude pai! - e com os braços cruzados sobre o dorso e os pés batendo impaciente termina - Vamos começar de novo!
O pai volta a marca inicial, retornam posição de partida e recomeça a contagem:
-3,2... Já! - E a pequena sai correndo e estabelece uma boa vantagem tirando proveito da falta de reação do pai!
-Ei! - Grita o patriarca ainda sem ação - E a paciência!?
-O que!? - Pergunta a pequena já comemorando a vitória pulando freneticamente sobre o capacho da porta.
-Não é uma virtude!? - pergunta o pai enquanto vence a distância do corredor em passos desanimados.
-É! - responde sem sinal de dúvida.
Sorri para o pai com ar zombeteiro e completa:
-Mas eu não tenho essa virtude.
...
segunda-feira, 26 de maio de 2014
segunda-feira, 19 de maio de 2014
Desisto
MC é movida a propósitos - nem todos eles nobres é bom deixarmos claro - e por eles derruba pequenas montanhas, luta contra gigantes e nada em lagos que povoam apenas e tão somente sua febril imaginação.
Já embuida ou tendo escolhido a cruzada no momento em que adentrou o salão não é possível dizer; o que sabemos é que a pequena chegou a festa de um casamento da família paterna decidida: aproximar os avós paternos.
Como todo casal há muito separados escolheram cantos opostos do salão para se alojarem; injuriada com a hipotenusa que separava seus objetivos MC perguntou ao pai com um ar grave no rosto geralmente simpático:
-Cadê seu pai!?
-Lá perto do banheiro - respondeu o pai absolutamente desatento.
-Por que seu pai quis ficar lá perto do banheiro!?
-Ele faz muito xixi - respondeu o pai sem entender o porque da pergunta.
-Nossa - disse a pequena dramática em tom sério - deve fazer nas calças então.
O pai gargalhou da pequena que não perdeu tempo em pedir:
-Me leva lá!?
Já partindo da mesa e puxando o pai para o centro do salão.
Lá chegando MC desvencilhou-se do pai enquanto este cumprimentava primos, tios e tias que há muito não via. Entre boas memórias, copos de chopp e nostalgia o pai perdeu de vista completamente a pequena obstinada. Quando finalmente voltou a mesa onde sua mãe estava deu de cara com uma cena inusitada: MC puxava o avô paterno pelo braço em sua direção.
O homem moreno que ficava cada vez mais rubro quando se deu conta de para onde estava sendo traggado esboçou um sorriso que deixaria constrangido o mais performático dos palhaços tristes. MC mesmo assim o trouxe, visivelmente desconfortável e contra a vontade, até o destino.
-Vó Soli - disse com um sorriso largo no rosto - olha o vô Paulo aqui!
A avó materna estampou seu famosíssimo e inconfundível: sorriso sério.
Uma mistura de contentamento e expressão de reprovação que deve exigir uma ginástica facial de proporções inimagináveis.
Os dois se entreolham e o avô paterno mais rápido do que veio sumiu em meio as pessoas que conversavam no salão.
MC então um tanto entristecida fez uso de uma flor subtraída dos arranjos de mesa para uma última e desesperada tentativa:
-Vó Soli - disse com um sorriso largo o suficiente para fazer sentarem-se a mesa palestinos e judeus - olha o que o vô Paulo te mandou!?
Oferecendo a pequena flor para a avó em gesto de boa vontade em nome terceiros. A senhora examinou o gracejo olhou para a neta e não teve dúvidas em dizer de forma séria e repreendedora:
-Princesas não roubam flores!
-Vó - disse ofertando o presente a avó - foi vô Paulo que mandou.
A avó fez uma cara grave o que desanimou de vez a neta.
A pequena então foi até o pai, jogou-se em uma cadeira ao lado dele e disse em tom solene:
-Oi.
O pai que já tinha descoberto o que a pequena tinha em mente assentiu com a cabeça, ajeitou-a em seu colo e deu-lhe um forte abraço. Com o rosto colado ao do pai disse visivelmente desanimada:
-Seu pai não é mais apaixonado pela sua mãe!
O pai tentando não rir do dissabor da pequena segurou o fôlego e concordou tentando emular o mesmo desapontamento:
-Eu sei.
MC então olhou o pai nos olhos e como quem reporta um empreendimento falho disse passando a mão no rosto dele:
-Desisto.
...
Já embuida ou tendo escolhido a cruzada no momento em que adentrou o salão não é possível dizer; o que sabemos é que a pequena chegou a festa de um casamento da família paterna decidida: aproximar os avós paternos.
Como todo casal há muito separados escolheram cantos opostos do salão para se alojarem; injuriada com a hipotenusa que separava seus objetivos MC perguntou ao pai com um ar grave no rosto geralmente simpático:
-Cadê seu pai!?
-Lá perto do banheiro - respondeu o pai absolutamente desatento.
-Por que seu pai quis ficar lá perto do banheiro!?
-Ele faz muito xixi - respondeu o pai sem entender o porque da pergunta.
-Nossa - disse a pequena dramática em tom sério - deve fazer nas calças então.
O pai gargalhou da pequena que não perdeu tempo em pedir:
-Me leva lá!?
Já partindo da mesa e puxando o pai para o centro do salão.
Lá chegando MC desvencilhou-se do pai enquanto este cumprimentava primos, tios e tias que há muito não via. Entre boas memórias, copos de chopp e nostalgia o pai perdeu de vista completamente a pequena obstinada. Quando finalmente voltou a mesa onde sua mãe estava deu de cara com uma cena inusitada: MC puxava o avô paterno pelo braço em sua direção.
O homem moreno que ficava cada vez mais rubro quando se deu conta de para onde estava sendo traggado esboçou um sorriso que deixaria constrangido o mais performático dos palhaços tristes. MC mesmo assim o trouxe, visivelmente desconfortável e contra a vontade, até o destino.
-Vó Soli - disse com um sorriso largo no rosto - olha o vô Paulo aqui!
A avó materna estampou seu famosíssimo e inconfundível: sorriso sério.
Uma mistura de contentamento e expressão de reprovação que deve exigir uma ginástica facial de proporções inimagináveis.
Os dois se entreolham e o avô paterno mais rápido do que veio sumiu em meio as pessoas que conversavam no salão.
MC então um tanto entristecida fez uso de uma flor subtraída dos arranjos de mesa para uma última e desesperada tentativa:
-Vó Soli - disse com um sorriso largo o suficiente para fazer sentarem-se a mesa palestinos e judeus - olha o que o vô Paulo te mandou!?
Oferecendo a pequena flor para a avó em gesto de boa vontade em nome terceiros. A senhora examinou o gracejo olhou para a neta e não teve dúvidas em dizer de forma séria e repreendedora:
-Princesas não roubam flores!
-Vó - disse ofertando o presente a avó - foi vô Paulo que mandou.
A avó fez uma cara grave o que desanimou de vez a neta.
A pequena então foi até o pai, jogou-se em uma cadeira ao lado dele e disse em tom solene:
-Oi.
O pai que já tinha descoberto o que a pequena tinha em mente assentiu com a cabeça, ajeitou-a em seu colo e deu-lhe um forte abraço. Com o rosto colado ao do pai disse visivelmente desanimada:
-Seu pai não é mais apaixonado pela sua mãe!
O pai tentando não rir do dissabor da pequena segurou o fôlego e concordou tentando emular o mesmo desapontamento:
-Eu sei.
MC então olhou o pai nos olhos e como quem reporta um empreendimento falho disse passando a mão no rosto dele:
-Desisto.
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domingo, 11 de maio de 2014
Eu danço para você.
MC chegou em casa na sexta-feira absolutamente resoluta:
-Mãe - disse depois de insistir que o pai e o cão viessem também ouvir o comunicado - eu te amo.
E tomando suavemente a mão da mãe nas suas prosseguiu sem permitir interrupções - mesmo as que indicavam ser de pura reciprocidade a declaração.
-Este é seu presente de dia das mães - entregou a mãe um embrulho de onde saiu uma camiseta estampada com suas mãoszinhas e os dizeres: Você é 10!
Presente entregue, abraços, agradecimentos e congratulações terminadas a pequena volta ao porque todos haviam sido reunidos:
-Eu não quero dançar na festa - diz olhando a mãe nos olhos com uma certa frieza e cheia de certeza.
A mãe engole o choro, tenta manter a postura enquanto o pai pergunta:
-Por que filha!?
MC dirige um olhar de desprezo ao pai e o coloca em seu devido lugar no contexto de festas familiares:
-Por acaso é dia dos pais!?
O pai recolhe os olhos e os argumentos de volta a garagem para terminar o dia de trabalho; deixando MC, a mãe e o cão encarregados de terminarem a conferência familiar.
-Eu não quero dançar, mãe!
-Filha... - diz a mãe sem conter a tristeza - a mamãe queria tanto ver a sua dança.
MC abraça a mãe com todo o carinho do mundo e a consola:
-Eu danço para você.
E então mostrou para a mãe com precisão todos os passos, cantou a música e declamou a poesia que foram ensaiadas a exaustão na escola.
Feliz dia das Mães!
-Mãe - disse depois de insistir que o pai e o cão viessem também ouvir o comunicado - eu te amo.
E tomando suavemente a mão da mãe nas suas prosseguiu sem permitir interrupções - mesmo as que indicavam ser de pura reciprocidade a declaração.
-Este é seu presente de dia das mães - entregou a mãe um embrulho de onde saiu uma camiseta estampada com suas mãoszinhas e os dizeres: Você é 10!
Presente entregue, abraços, agradecimentos e congratulações terminadas a pequena volta ao porque todos haviam sido reunidos:
-Eu não quero dançar na festa - diz olhando a mãe nos olhos com uma certa frieza e cheia de certeza.
A mãe engole o choro, tenta manter a postura enquanto o pai pergunta:
-Por que filha!?
MC dirige um olhar de desprezo ao pai e o coloca em seu devido lugar no contexto de festas familiares:
-Por acaso é dia dos pais!?
O pai recolhe os olhos e os argumentos de volta a garagem para terminar o dia de trabalho; deixando MC, a mãe e o cão encarregados de terminarem a conferência familiar.
-Eu não quero dançar, mãe!
-Filha... - diz a mãe sem conter a tristeza - a mamãe queria tanto ver a sua dança.
MC abraça a mãe com todo o carinho do mundo e a consola:
-Eu danço para você.
E então mostrou para a mãe com precisão todos os passos, cantou a música e declamou a poesia que foram ensaiadas a exaustão na escola.
Feliz dia das Mães!
quinta-feira, 8 de maio de 2014
Para demonstrar TODO o meu amor!
O pai escrevia no blog quando a
pequena chegou ao quarto; viu o escritor amador estirado no colchão concatenando as
últimas aventuras e não pensou por mais de uma fração de segundo:
jogou-se com todo peso sobre costas do pobre, reclinou-se com o cotovelo
entre as vértebras dele - impedindo que os pulmões se inflassem por
completo - e passou a assistir TV sem demonstrar qualquer comoção com o
sujeito que gemia e reclamava embaixo dela:
-Ô - reclama o pai quando junta forças para tanto - precisa se esparramar em cima de mim!?
MC abaixa a cabeça até onde o pai possa vê-la - colocando ainda mais peso sobre o cotovelo - e responde com um sorriso sincero:
-Preciso!
- Por que!? - Pergunta o pai enquanto tenta bancar o touro mecânico e lançar a pequena e dolorosa cowgirl para longe. MC agarra-se com força no pescoço do pai e diz gargalhando:
-Para demonstrar TODO o meu amor!
...
-Ô - reclama o pai quando junta forças para tanto - precisa se esparramar em cima de mim!?
MC abaixa a cabeça até onde o pai possa vê-la - colocando ainda mais peso sobre o cotovelo - e responde com um sorriso sincero:
-Preciso!
- Por que!? - Pergunta o pai enquanto tenta bancar o touro mecânico e lançar a pequena e dolorosa cowgirl para longe. MC agarra-se com força no pescoço do pai e diz gargalhando:
-Para demonstrar TODO o meu amor!
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sexta-feira, 2 de maio de 2014
Alma Feminina
MC, a mãe e o pai aguardavam a chegada da professora na escola. Abre-se o portão um garotinho a primeira vista simpático adentra o recinto e imediatamente sorri para a pequena.
MC franze o cenho, faz um bico e reclama com para pais:
-Ai que inferno - diz meneando a cabeça com firmeza de quem não suporta o sujeito em questão - É o chato do Luiz!
Ai então a magia da alma feminina acontece: MC em um movimento de cabeça, desfaz toda a careta, esculpi no rosto um sorriso, no olhar uma alegria saudosa de quem vê uma amigo que há muito estava distante e diz com sinceridade inquestionável:
-Oie Luiz - e levantando-se rapidamente para cumprimentá-lo continua: Tudo bom!?
...
MC franze o cenho, faz um bico e reclama com para pais:
-Ai que inferno - diz meneando a cabeça com firmeza de quem não suporta o sujeito em questão - É o chato do Luiz!
Ai então a magia da alma feminina acontece: MC em um movimento de cabeça, desfaz toda a careta, esculpi no rosto um sorriso, no olhar uma alegria saudosa de quem vê uma amigo que há muito estava distante e diz com sinceridade inquestionável:
-Oie Luiz - e levantando-se rapidamente para cumprimentá-lo continua: Tudo bom!?
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