Começo de manhã - a mãe sente a cama úmida porém quente; oque denuncia que o vazamento não é no teto:
-Filha!? - pergunta a mãe sonolenta - Por que não pediu para fazer xixi!?
A pequena esfregando os olhos diz em tom triste:
-Eu não consegui mãe...
A mãe em prol da autoestima da guria nem espera terminar:
-Não tem problema - diz abraçando a filha - dá próxima...
MC ainda sonolenta interrompe:
-Não mãe - lutando para manter um olho aberto - eu seu pedir para fazer xixi.
-O que tu não conseguiu então filha - pergunta a mãe agora curiosa.
-Fazer xixi para dentro!
...
domingo, 28 de abril de 2013
sábado, 27 de abril de 2013
Me incomoda
Tarde da noite ou cedo do dia - quem é da madrugada entende os meandros de uma noite mal dormida. MC confabula com papéis e canetas enquanto o pai luta para manter os olhos fixos - e ao mesmo tempo abertos - na TV. MC alerta das cercanias pergunta:
-Que bebe é esse!?
O pai cheio de sono e vazio de imaginação responde:
-É uma das suas bonecas:
-Não pai! - Responde MC cheia de certeza:
-Esse que está chorando.
O pai ainda nas condições acima descritas e lutando para manter as pálpebras alinhadas replica:
-Eu devo estar deitado em cima de uma delas...
MC desperta e alerta tenta trazer o pai à realidade:
-Não pai! Um bebe de verdade e está chorando.
Apurando um pouco os sentidos o pai realmente confira um choro de bebe ao longe e responde:
-Verdade filha! Ele deve estar com fome...
MC sem qualquer compaixão com o companheiro de infância delibera:
-Ele podia parar de chorar, né1?
-Tadinho filha - intervém o pai tentando fazer brotar empatia nas declarações da pequena! Ele é pequeno e ainda não sabe falar...
A metódica desenhista sem levantar os olhos, ignora os argumentos e coloca para fora sua opinião:
-Me incomoda.
...
Falou com propriedade quem atormentou - e atormenta - a vizinhança com canais infantis, chororos e fazendo macaquices diversas madrugada à fora!
-Que bebe é esse!?
O pai cheio de sono e vazio de imaginação responde:
-É uma das suas bonecas:
-Não pai! - Responde MC cheia de certeza:
-Esse que está chorando.
O pai ainda nas condições acima descritas e lutando para manter as pálpebras alinhadas replica:
-Eu devo estar deitado em cima de uma delas...
MC desperta e alerta tenta trazer o pai à realidade:
-Não pai! Um bebe de verdade e está chorando.
Apurando um pouco os sentidos o pai realmente confira um choro de bebe ao longe e responde:
-Verdade filha! Ele deve estar com fome...
MC sem qualquer compaixão com o companheiro de infância delibera:
-Ele podia parar de chorar, né1?
-Tadinho filha - intervém o pai tentando fazer brotar empatia nas declarações da pequena! Ele é pequeno e ainda não sabe falar...
A metódica desenhista sem levantar os olhos, ignora os argumentos e coloca para fora sua opinião:
-Me incomoda.
...
Falou com propriedade quem atormentou - e atormenta - a vizinhança com canais infantis, chororos e fazendo macaquices diversas madrugada à fora!
quarta-feira, 24 de abril de 2013
Báskara
MC está naquela fase em que a escola é o maior dos calvários; em meio a um ataque de birrice em plena manhã de sábado - há pelo menos dois dias distante de qualquer demanda escolar a pequena profetiza:
-Eu nunca mais vou para a escola - franze o cenho, cruza os braços, engrossa a voz e declara solene:
-Nunca mais! Entenderam!?
Pai, mãe e avó exaltam as positividades da escola de todas as maneiras possíveis - e tudo é em vão. O pai então resolve tentar embutir um pouco de curiosidade na guria:
-Na escola tu vai aprender um monte de coisa legal: ler, escrever e - tentando fazer com que tal desafio perdure até, pelo menos, o colegial - quem foi Báskara...
A mãe e a avó imediatamente caem na risada porém a pequena não recua:
-Eu já sei tudo isso - explica resignada. Sei ler, sei escrever e esse ai... - olha para o pai com canto dos olhos - quem mesmo!?
-Báskara - responde o pai completando - Quem foi Báskara, então!?
Sem pestanejar, sem vacilar e - acho eu - sem pensar fuzila:
-Uma baleia de máscara!
...
-Eu nunca mais vou para a escola - franze o cenho, cruza os braços, engrossa a voz e declara solene:
-Nunca mais! Entenderam!?
Pai, mãe e avó exaltam as positividades da escola de todas as maneiras possíveis - e tudo é em vão. O pai então resolve tentar embutir um pouco de curiosidade na guria:
-Na escola tu vai aprender um monte de coisa legal: ler, escrever e - tentando fazer com que tal desafio perdure até, pelo menos, o colegial - quem foi Báskara...
A mãe e a avó imediatamente caem na risada porém a pequena não recua:
-Eu já sei tudo isso - explica resignada. Sei ler, sei escrever e esse ai... - olha para o pai com canto dos olhos - quem mesmo!?
-Báskara - responde o pai completando - Quem foi Báskara, então!?
Sem pestanejar, sem vacilar e - acho eu - sem pensar fuzila:
-Uma baleia de máscara!
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segunda-feira, 22 de abril de 2013
Crise Existencial Aguda!
MC revoltada se entra no banheiro fecha a porta senta, abaixa a tampa e
senta-se de pernas cruzadas, cara de poucos amigos e braços fortemente
cruzados sobre o corpo. A casa subitamente quieta desperta a curiosidade
e preocupação da mãe; ao encontrá-la surge a inevitável pergunta:
-Tá fazendo o que aqui filha!?
MC sisuda, séria e absolutamente resoluta responde:
-Fugindo!
-Fugindo de que filha!? - pergunta a mãe segurando a risada.
-Do meu pai... - e engatando o choro termina!
-...ele me trata como um bebe retardado!
...
-Tá fazendo o que aqui filha!?
MC sisuda, séria e absolutamente resoluta responde:
-Fugindo!
-Fugindo de que filha!? - pergunta a mãe segurando a risada.
-Do meu pai... - e engatando o choro termina!
-...ele me trata como um bebe retardado!
...
sábado, 20 de abril de 2013
Romera Grita
Em meio a uma sessão frenética de pintura MC resolve questionar seu crítico, empresário, mecenas e pai:
-Tu gosta mesmo dos meus desenhos, Fe!?
O pai surpreendido com a pergunta redundante:
-Claro que gosto filha.
MC ainda colorindo um galinho-octopus - inspirando em um monstro de video game - volta à carga:
-Tu acha que eu posso ser muito boa em desenho!?
O pai certo de coração que a filha pode se o que quiser confirma:
-Claro que pode filha - diz no melhor estilo de famoso educador nipônico:
-Tu pode ser o que quiser!
MC levanta os olhos brilhantes, cinzentos e cheios de empolgação e fuzila:
-Eu posso ser uma... - caprichando na entonação.
-...Romera Grita!?
...
P.S.: "Romera Grita" é - na concepção da MC - a contraparte feminina do artísta plástico brasileiro mundialmente conhecido.
-Tu gosta mesmo dos meus desenhos, Fe!?
O pai surpreendido com a pergunta redundante:
-Claro que gosto filha.
MC ainda colorindo um galinho-octopus - inspirando em um monstro de video game - volta à carga:
-Tu acha que eu posso ser muito boa em desenho!?
O pai certo de coração que a filha pode se o que quiser confirma:
-Claro que pode filha - diz no melhor estilo de famoso educador nipônico:
-Tu pode ser o que quiser!
MC levanta os olhos brilhantes, cinzentos e cheios de empolgação e fuzila:
-Eu posso ser uma... - caprichando na entonação.
-...Romera Grita!?
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P.S.: "Romera Grita" é - na concepção da MC - a contraparte feminina do artísta plástico brasileiro mundialmente conhecido.
quarta-feira, 17 de abril de 2013
Bochecha Velinha!
MC - acompanhada de mãe e avó - foi ao supermercado local. Na inquietante procura do ser humano por uma vaga no estacionamento as Quartas. MC atenta ao entorno logo equaciona o problema:
-Soli! Soli! - Grita apontado um espaço vazio de automóveis.
-Estaciona ali!
A avó certa de si responde:
-Não posso amiga. Aquela vaga é para velhinhos - e com um meneio de cabeça aponta - tá vendo o desenho no chão!?
MC ainda agitada responde de pronto:
-Você é velha vó! Pode estacionar!
A avó indignada e esperando por complacência resolve questionar:
-Você me acha velha amiga!?
MC sem qualquer remorso, compaixão ou sinal de empatia agarra a bochecha da avó com os dedos em pinça e conclui:
-Claro! Porque você tem essa bochecha velinha aqui, ó!
...
-Soli! Soli! - Grita apontado um espaço vazio de automóveis.
-Estaciona ali!
A avó certa de si responde:
-Não posso amiga. Aquela vaga é para velhinhos - e com um meneio de cabeça aponta - tá vendo o desenho no chão!?
MC ainda agitada responde de pronto:
-Você é velha vó! Pode estacionar!
A avó indignada e esperando por complacência resolve questionar:
-Você me acha velha amiga!?
MC sem qualquer remorso, compaixão ou sinal de empatia agarra a bochecha da avó com os dedos em pinça e conclui:
-Claro! Porque você tem essa bochecha velinha aqui, ó!
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sábado, 13 de abril de 2013
É melancia, meu filho!
Sentados à mesa MC, Tia Bruna e os pais desfrutavam um agradável lanche da tarde. MC servindo-se de goles generosos de suco de frutas:
-Gostou do suco, filha!? - pergunta o pai entusiasmado com a avidez da pequena - É de goiaba.
-Uma delícia esse suco de... - MC para, olha em volta, fixa os olhos na caixa de suco e pergunta:
-Suco de que!?
-Goiaba. - Responde o pai enquanto bezunta um pão com manteiga sem perceber a indignação crescente ao seu lado.
-Tá maluco!? - Esbraveja apontado para a caixa. E imediatamente rindo debochadamente vira-se para tia Bruna e completa:
-Tia Bruna o Fe tá maluco disse que o suco é de uma fruta estranha.
Vira-se para o pai, aponta o dedo em riste para a caixa e do alto da própria experiência dispara em tom firme:
-É verde por fora e vermelho dentro... - diz esmiuçando os detalhes da caixa.
-É verde por fora e vermelho dentro... - diz esmiuçando os detalhes da caixa.
-É melancia, meu filho!
...
...
quarta-feira, 10 de abril de 2013
Voz de Pai...
MC e o pai brincavam de casinha com uma boneca como filha:
-Tudo pronto Fe - diz a pequena enquanto ajeita algumas panelas de brinquedo - Podemos começar a brincadeira.
-Pode chegar do trabalho - diz apontando para a porta como um diretor famoso que faz a marcação de cena.
O pai levanta-se, vai até a porta, sai e volta:
-Cheguei! - No melhor tom de seriado americano que pode arrumar.
-Fe! - Reclama a pequena com as mãos na cintura - Essa voz não!
-Que voz filha!? - Pergunta o pai!?
-Essa voz de Fernando - explica a pequena.
-Tem que fazer voz de pai! - Diz a interprete com voz cavernosa.
...
-Tudo pronto Fe - diz a pequena enquanto ajeita algumas panelas de brinquedo - Podemos começar a brincadeira.
-Pode chegar do trabalho - diz apontando para a porta como um diretor famoso que faz a marcação de cena.
O pai levanta-se, vai até a porta, sai e volta:
-Cheguei! - No melhor tom de seriado americano que pode arrumar.
-Fe! - Reclama a pequena com as mãos na cintura - Essa voz não!
-Que voz filha!? - Pergunta o pai!?
-Essa voz de Fernando - explica a pequena.
-Tem que fazer voz de pai! - Diz a interprete com voz cavernosa.
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sábado, 6 de abril de 2013
Banida
Avó Materna - prestativa que é - colocou a pequena no banho e veio para a sala confabular sobre temas diversos. MC cantarolava alegremente debaixo da agradável fonte de água quente quando seu tom de voz subitamente mudou:
-Súdita - Falou impaciente.
-Súdita - Mais uma vez agora tendo a certeza que até mesmo os vizinhos do terceiro andar a ouviram.
-Quem é seu súdito!? - Responde a avó querendo, talvez, não ser ela a pessoa conclamada - Seu pai ou sua mãe!?
-Não Soli - Diz a pequena no mesmo tom discreto - A súdita é você! - firme como toda a rainha do chuveiro deveria ser - Você sempre faz o que eu quero.
A avó materna ri em uma mistura de desconcerto e timidez e vai a passos não muito energéticos verificar o ocorrido. Lá chegando, a rainha deixa claro seu desejo:
-Súdita, pega aquele pote de creme para os meus cabelos ficarem sedosos!?
Aponta a pequena nua para um dos recipientes de creme que - propositalmente - estão fora do seu alcance.
Aqueles cremes que funcionam apenas em couros cabeludos infantis; porque quando usados em madeixas mais vividas têm diabólicos efeitos de ressecamento e embaraçamento.
-Não amiga - responde a avó de pronto - Esses cremes não podem ficar na sua mão.
A pequena fulmina a avó com os olhos acinzentados e começa por deixar claro a estrutura hierárquica do reino:
-Eu não sou amiga - diz em tom firme.
-Eu sou a rainha.
A avó materna segura o riso e a fala enquanto a regente completa:
-Súdita, você não me ajudou - agora em tom ainda mais resoluto.
-Está banida do reino.
...
-Súdita - Falou impaciente.
-Súdita - Mais uma vez agora tendo a certeza que até mesmo os vizinhos do terceiro andar a ouviram.
-Quem é seu súdito!? - Responde a avó querendo, talvez, não ser ela a pessoa conclamada - Seu pai ou sua mãe!?
-Não Soli - Diz a pequena no mesmo tom discreto - A súdita é você! - firme como toda a rainha do chuveiro deveria ser - Você sempre faz o que eu quero.
A avó materna ri em uma mistura de desconcerto e timidez e vai a passos não muito energéticos verificar o ocorrido. Lá chegando, a rainha deixa claro seu desejo:
-Súdita, pega aquele pote de creme para os meus cabelos ficarem sedosos!?
Aponta a pequena nua para um dos recipientes de creme que - propositalmente - estão fora do seu alcance.
Aqueles cremes que funcionam apenas em couros cabeludos infantis; porque quando usados em madeixas mais vividas têm diabólicos efeitos de ressecamento e embaraçamento.
-Não amiga - responde a avó de pronto - Esses cremes não podem ficar na sua mão.
A pequena fulmina a avó com os olhos acinzentados e começa por deixar claro a estrutura hierárquica do reino:
-Eu não sou amiga - diz em tom firme.
-Eu sou a rainha.
A avó materna segura o riso e a fala enquanto a regente completa:
-Súdita, você não me ajudou - agora em tom ainda mais resoluto.
-Está banida do reino.
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segunda-feira, 1 de abril de 2013
Bons Costumes...
Com a missão de adquirir um novo aparelho móvel MC e os progenitores vão a um shopping da cidade. Munidos de espírito de Páscoa e paciência entram na loja da Operadora para serem - como sempre - recebidos pelo mais lerdo entre os formandos da Escola Michelangelo de Formação de Atendentes.
MC quebrando os próprios paradigmas perdeu a paciência em 3 minutos - o que geralmente acontece em 2. Tentando entreter a guria nos momentos tediosos nos quais o intrépido atendente leva para preencher o cadastro o pai apresenta a guria a uma mesa de guloseimas ofertada por uma fabricante de celulares. Pães, doces, sucos e outras guloseimas adornam o pic-nic indoor:
-Fe - pergunta MC ainda cabreira - é de pagar!?
Genuinamente preocupada como se fosse o dinheiro dela própria a correr riscos.
-Não filha - responde o pai servindo-se de um café - pode pegar a vontade.
O termo "a vontade" para adultos e crianças tem significados bastante diferentes. Os adultos servem-se a vontade de um café e uma bolacha enquanto as crianças fazem uso literal do termo.
Primeiro uma bolacha com um certo ar de timidez e acompanhada do pai, depois um pedaço de bolo já saltitante e depois disso foram inúmeras viagens até onde estava a mesa. Na última delas MC volta com um sanduíche em cada mão e um ainda em processo de mastigação. Sob o olhar de censura dos pais, engole o que está na boca e enquanto ajeita-se para sentar deixa escapar um traque (também conhecido como pum, flato, peido e demais variações). Sim, um daqueles altos e sonoros que ecoa e reverbera pelo recinto todo. Daqueles que tu só consegue emitir - sem culpa - na solidão do próprio banheiro. A loja inteira parou o que estava fazendo e olhou para... o pai! Claro, porque culpar uma criança de olhos tão profundos e sinceros por tal mácula aos bons costumes seria ofensivo. MC olha em volta e sem se aperceber - ou até sabendo - do ocorrido finge descaso e desconhecimento olha para os pais e diz:
-Hummm, tá tão gostoso o sanduíche, quer um!?
...
Já de posse do celular os pais decidem - quem sabe sob o efeito da comilança da guria na loja - que é hora de tomar um café. MC afoita senta-se na mesa e espera ansiosamente seu quinhão de refrigerante e pão de queijo. O pai esperando à fila começa a observar a impaciência da guria. Crescendo, crescendo e crescendo até que irrompe e um ataque forçado de tosse:
-Cof,cof, cof...
Dispara a pequena atriz. Cada vez mais alto e mais repetido. Forçando a garganta a pequena - naturalmente pálida no tom de pele - fica cada vez mais vermelha. O pai conhecedor que é dos "encantos" da filha continua sólido na fila e chegada sua vez começa a pedir quando percebe que as atendentes começam a olhar para trás já com uma certa aflição de ver uma guria que se contorcia em tosse e uma mãe que nada - além de arreliar com a guria - fazia:
-Nossa gente, a menina está passando mal - comenta uma delas.
-Tem mãe que não...
-Não é nada - interrompe o pai com ar sério.
-Oie!? - Pergunta a Segunda - O Senhor conhece!?
-Ô... - Responde o pai em tom de condescendência e consentimento.
-Sua filha!? - Pergunta a primeira incrédula!?
-Ô... - Responde o pai em tom de condescendência e consentimento.
-Isso tudo é fita!? - Completa a segunda
-Ô... - Responde o pai em tom de condescendência e consentimento.
Assim que a garrafa de refrigerante chega à mesa a tosse desaparece para felicidade - e alívio - das atendentes que já confabulavam sobre a necessidade ou não de chamar os paramédicos.
MC toma um gole generoso e... ARROTA - na mesma intensidade do pum da loja - e diz:
-Ah que delícia!
Limpa a boca e completa:
-Essa tosse me deu sede.
...
MC quebrando os próprios paradigmas perdeu a paciência em 3 minutos - o que geralmente acontece em 2. Tentando entreter a guria nos momentos tediosos nos quais o intrépido atendente leva para preencher o cadastro o pai apresenta a guria a uma mesa de guloseimas ofertada por uma fabricante de celulares. Pães, doces, sucos e outras guloseimas adornam o pic-nic indoor:
-Fe - pergunta MC ainda cabreira - é de pagar!?
Genuinamente preocupada como se fosse o dinheiro dela própria a correr riscos.
-Não filha - responde o pai servindo-se de um café - pode pegar a vontade.
O termo "a vontade" para adultos e crianças tem significados bastante diferentes. Os adultos servem-se a vontade de um café e uma bolacha enquanto as crianças fazem uso literal do termo.
Primeiro uma bolacha com um certo ar de timidez e acompanhada do pai, depois um pedaço de bolo já saltitante e depois disso foram inúmeras viagens até onde estava a mesa. Na última delas MC volta com um sanduíche em cada mão e um ainda em processo de mastigação. Sob o olhar de censura dos pais, engole o que está na boca e enquanto ajeita-se para sentar deixa escapar um traque (também conhecido como pum, flato, peido e demais variações). Sim, um daqueles altos e sonoros que ecoa e reverbera pelo recinto todo. Daqueles que tu só consegue emitir - sem culpa - na solidão do próprio banheiro. A loja inteira parou o que estava fazendo e olhou para... o pai! Claro, porque culpar uma criança de olhos tão profundos e sinceros por tal mácula aos bons costumes seria ofensivo. MC olha em volta e sem se aperceber - ou até sabendo - do ocorrido finge descaso e desconhecimento olha para os pais e diz:
-Hummm, tá tão gostoso o sanduíche, quer um!?
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Já de posse do celular os pais decidem - quem sabe sob o efeito da comilança da guria na loja - que é hora de tomar um café. MC afoita senta-se na mesa e espera ansiosamente seu quinhão de refrigerante e pão de queijo. O pai esperando à fila começa a observar a impaciência da guria. Crescendo, crescendo e crescendo até que irrompe e um ataque forçado de tosse:
-Cof,cof, cof...
Dispara a pequena atriz. Cada vez mais alto e mais repetido. Forçando a garganta a pequena - naturalmente pálida no tom de pele - fica cada vez mais vermelha. O pai conhecedor que é dos "encantos" da filha continua sólido na fila e chegada sua vez começa a pedir quando percebe que as atendentes começam a olhar para trás já com uma certa aflição de ver uma guria que se contorcia em tosse e uma mãe que nada - além de arreliar com a guria - fazia:
-Nossa gente, a menina está passando mal - comenta uma delas.
-Tem mãe que não...
-Não é nada - interrompe o pai com ar sério.
-Oie!? - Pergunta a Segunda - O Senhor conhece!?
-Ô... - Responde o pai em tom de condescendência e consentimento.
-Sua filha!? - Pergunta a primeira incrédula!?
-Ô... - Responde o pai em tom de condescendência e consentimento.
-Isso tudo é fita!? - Completa a segunda
-Ô... - Responde o pai em tom de condescendência e consentimento.
Assim que a garrafa de refrigerante chega à mesa a tosse desaparece para felicidade - e alívio - das atendentes que já confabulavam sobre a necessidade ou não de chamar os paramédicos.
MC toma um gole generoso e... ARROTA - na mesma intensidade do pum da loja - e diz:
-Ah que delícia!
Limpa a boca e completa:
-Essa tosse me deu sede.
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