Madrugada de Segunda; o pai tenta bravamente fazer com que alguns e-mails
inúteis porém absolutamente imprescindíveis cheguem a caixas postais de
pessoas imprescindíveis porém absolutamente inúteis para serem sumariamente deletados sem sequer serem lidos.
Vislumbrando em breve um desfecho para a contenda o pai pede solenemente:
-Filha, vamos arrumar esse quarto para poder dormir.
MC para imediatamente de vestir uma boneca, encara o pai com os olhos
rasos d'água e diz em um tom de quem foi condenado a uma vida de
trabalhos forçados:
-Você quer que eu morra!?
E com ainda mais enfase repete a pergunta um tanto mórbida:
-Você quer que eu morra!?
O pai emerge do estado de Resolução de Problemas e rebate:
-Claro que não, filha! Que pergunta é essa!?
MC limpa os olhos das lágrimas recém brotadas e explica:
-Pai, tá vendo esses bracinhos!?
Diz ela apontando para as extremidades superiores rijas e bastante carnudas:
-São bracinhos de criança, tá vendo!?
E pousando os braços "cansados" acompanhados com uma generosa arqueada nos ombros sobre o colo continua a explicação:
- Braço de criança é muito fraquinho - diz enquanto pinça o próprio bíceps esquerdo.
Em tom caracteristico dela mesma completa:
-Se o pai manda arrumar muita bagunça de uma vez - diz enquanto larga o corpo em direção ao colchão em que o pai estava:
-A criança morre!
...
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