segunda-feira, 16 de abril de 2012

Cotidiano: Relato de uma noite mal dorminda

MC foi dormir relativamente cedo - cedo se comparado ao padrão habitual de vencer o corujão por algumas horas - por volta de 01:00. O pai então resolveu tomar um banho e fazer o mesmo. Os problemas de concentração que perturbam o pai durante o dia também se manifestam à noite. Pegar no sono - com a cabeça inundada de pensamentos inúteis e diálogos mentais que merecem a mesma classificação - é bastante complicado. Por volta das 02:30 o projeto dormir teve seu início:

03:30  - Borá Caga na Madruga

 Nem bem tinha entrado em sono REM o pai é despertado por latidos incessantes. Safira avisando da entrada de ladrões!? Vocês perguntam! Não! Aliás não creio que se tal coisa acontecesse de verdade Safria  jamais esboçaria qualquer reação à altura. Na verdade ela queria é ir ao "banheiro".
O banheiro em questão fica na área de serviço. Como vivemos no térreo deixar a área de serviço aberta não é uma opção.
Safira sabedora das suas obrigações - obrar no jornal - avisa que precisa faze-lo. Late à porta da área esperando que alguém atenda seus clamores. O Pai "acorda" e vai atende-la. Abre a porta e desaba pesadamente sobre um banquinho enquanto Safira dá conta de seus afazeres. De súbito uma barata que faria frente a qualquer camundongo em uma disputa de UFC vem correndo em direção à cozinha. Antes de arriscar-se ela dá uma olhada para o pai que estava no banco e desiste do intento.
Terminado o pipi-stop do cão o pai arrasta-se até o quarto em busca de descanso.

04:25 - Ah, não seja mole.

Recém conciliado o debate mental sobre a importância de entrar em um Curso de Mandarim e finalmente sonhando o pai sente o próprio peso se multiplicar. Uma pressão imensa nas costas e uma sensação de estar sendo esmagado. Assustado o pai acorda pensando: Embolia Pulmonar no meio da noite!
Apenas para constatar que a esposa estava usando-o como apoio para a perna. Uma espécie de travesseiro de perna humano. Murmurando - pois o ar não chegava ao diafragma - o pai pede por clemência:
-Adriana... cof, cof, cof tira esse joelho de cima de mim.
Sem abrir os olhos a mãe responde:
-Ah, não seja mole! Eu nem coloquei muito peso. Eu estou com dor nas costas e assim dói menos.
Recitando um mantra que envolvia fazer parte da cursa da hernia de disco da esposa e defendendo fervorosamente a tese de que mais uma certificação é absolutamente necessária o pai pega no sono.

05:15 - Pai, me dá um espaço!

Ainda sustentando a insustentável leveza da esposa o pai sente mais peso se acumulando só que agora em seu braço direito. Impossibilitado de move-lo e sentindo um formigamento que subia à partir das mãos o pai constata: Enfarto!
Ao abrir os olhos constata que a filha - leve - estava sentada sobre seu braço com uma cara de poucos amigos e resmungava:
-Pai, eu já pedi duas vezes: Me dá um espaço!
Levando metade do corpo ao abismo que o separava do chão o pai deixa que a filha se acomode entre ele e a mãe.

06:40 - Comendo um calcanhar.

Graças a chegada de MC o joelho da mãe fora retirado das costas do pai. O que proporcionou um respirar menos esforçado tornando o processo de apaziguar o debate sobre qual vídeo-game adquirir rápido e simples.
Para os que não sabem ou nunca viram vai uma informação pertinente: MC não dorme; MC se espalha.
Ao melhor estilo ovo de codorna frito MC espalha pés e mãos por toda a cama. Subitamente o pai não consegue mais respirar. Faz força, tenta se desvencilhar e não consegue. Sente um enorme volume na boca...

P.S.: Piadas maliciosas não são bem-vindas.

...impossibilitando que ele respire: Afogamento no vomito! Totalmente rock'n roll! Pensou o pai. Quando abriu os olhos viu o que impedia sua respiração: um calcanhar de 03 anos e 07 meses tentando entrar sutil como um drops garganta à dentro.
O Pai finalmente abdica do seus direito de dormir na cama de casal e parte rumo a promessa de sono confortável no cama-sofá da sala.

07:15 - Quero que o Papai faiz!

Instalado na cama-sofá o pai palestra mentalmente sobre a necessidade de adquirir o volume um dos livros de R.R Martin enquanto espera o sono voltar. Finalmente as pálpebras pesam quando no quarto começa uma pequena contenda:
-Quero mamadeira!  - Choraminga MC
-Ah filha - Responde a mãe sonolenta - dorme e esquece.
-Quero mamadeira!  - Choraminga MC em tom mais audível.
-Tá bom filha - diz a mãe em um misto de estado onírico e pseudo-vigília - a mãe vai fazer!
-Não, fica aqui comigo! - Berra MC. Eu quero que o papai faiz!
O pai relutante não espera uma segunda convocação e arrasta-se até a cozinha murmurando algo incompreensível -  até para ele mesmo -  ao melhor estilo Zé Buscapé! Faz a mamadeira, entrega a miúda querelante e volta à cama. Encosta a cabeça no travesseiro e rola, e se contorce, dialoga  debate, confabula e discorre - mentalmente.

08:00 - Toca o despertador.



Nenhum comentário:

Postar um comentário