MC brincava com outras crianças e dois exemplares de futuros narcotraficantes homicidas em potencial - porque é sabido que crianças
podem ser divididas em três categorias simples: as que amamos (nossas,de
parentes e amigos próximos), as que toleramos (colegas e conhecidos) e
os selvagens (pequenos anões mal-educados que se passam por crianças
para ganhar mais brigadeiros em festas infantis) - que a chamavam de baleia:
-Baleia! Baleia Encalhada... - gritavam e corriam.
Os que conhecem a pequena sabem que apesar de MUITO inteligente MC é
ingenua - até um pouco besta; e a pequena corria atrás em total tom de
brincadeira.
O pai - guardião silencioso - chama a filha de canto:
-Filha - diz limpando o suor da testa dela - não brinca com quem tem xinga.
Observa bem os dois arautos do ódio infantil e como um treinador de box orienta a filha no córner:
-Filha, vai lá fala que ele é um orelhudo, cara-de-macaco e filho de rapariga.
MC enche o rosto de determinação enfurecida, vira as costas, força o
passo e parte decidida a ganhar o segundo assalto. Subitamente vira-se
para o pai e pergunta:
-Pai - com uma cara curiosa - o que é rapariga?
Preocupado com a possibilidade da guria perder o impeto o pai minimiza:
-Não é nada filha - e incentivando-a com as mãos completa:
-Agora vai lá!
MC cheia de confiança e foco aperta o passo e grita:
-Sabe o que meu pai falou de você!?
...
(Não é preciso dizer que por uma rara conjunção entre a estrela Polares
e o Buraco Negro no centro da Galáxia a mãe do meliante passava perto o
suficiente para poder ouvir o elogio a sua personalidade)
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