MC conclama o pai ao banheiro e dá início a uma conversa sobre o
orçamento doméstico e futuras aquisições de infraestrutura tecnológica:
-Pai, agora que eu estou fazendo cocô na privada...
Nota:
MC não fazia cocô na privada até alguns dias atrás. E em uma prova de
amadurecimento e evolução deixou de lado as fraldas e partiu, quase sem
assistência, para a próxima etapa da vida adulta.
Feliz ou Infelizmente para completar esse rito de passagem a pequena
foi chantageada com um sem número de promessas de campanha pró-assento
sanitário.
Fim da Nota.
-...você pode comprar o videogame de privada para mim.
-Filha - começa o pai pensando no peso do envelope da fatura do cartão
que ele mesmo não teve coragem de abrir - tu acha que do jeito que tu
vêm se comportando merece ganhar mais um presente?
Sem qualquer autorreflexão ou autojulgamento MC responde com certeza inabalável:
-Claro!
O pai, então, tentando colocar a guria em posição desfavorável inverter os papéis:
-Então vamos lá. - pigarreia no chão gelado do banheiro e propõe a seguinte situação hipotética:
-Se tu fosse a minha mãe...
MC vira os olhos ligeiramente para cima, dá uma risadinha de canto de
boca e parece se divertir com a cena proposta. Enquanto o pai continua
tecendo a realidade do cenário hipotético:
-E eu me comportasse do jeito que tu se comporta.
MC torce o bico em reprovação, fita o pai ligeiramente preocupada e espera a conclusão com atenção; então pergunta o pai:
-Tu me daria o videogame de privada?
MC sem perder tempo com tomar fôlego rebate:
-Claro que eu daria!
- Daria!? - assusta-se o pai com a rapidez e firmeza da resposta - Por que!?
MC com olhos trovejantes de certeza e impeto diz:
-Porque eu te amo.
E agora colocando o pai em cheque termina com um comentário de acidez peculiar:
-Parece que você não me ama muito, né!?
...
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