domingo, 27 de abril de 2014

E quem é a dona do Cartão do Banco!?

Depois de ter perdido por três vezes consecutivas para o pai em uma corrida virtual de karts MC perde a esportiva e a paciência:
-Não quero mais jogar - e largando o controle de lado dá o veredito - Jogo chato.

O pai empolgado pela bons resultados decide continuar só a empreitada; MC então entediada e provavelmente digerindo mal os resultados adversos transfere a frustração para o cão que dormia confortável e absolutamente alheio as tensões do ambiente. Vai até o banheiro, volta o com o rolo de papel nas mãos e uma ideia não muito brilhante na cabeça. Ao primeiro rosnado do animal doméstico o pai pausa o jogo, analisa a cena e pergunta:
-Maria Clara, tu acharia legal ter alguém enfiando uma bola de papel no seu nariz!? - Pergunta o pai tentando criar um espectro de autoanálise na filha.
Torcendo o rosto da raiz do cabelo ao queixo a pequena responde de pronto:
- Claro que não; deve ser horrível!
- Pois então - diz o ai chegando ao ponto - a Safira também não gosta. Ela só não pode dizer isso.
-Não pai  - diz a pequena em sua defesa - é que a Sasá está com gripe e me pediu para limpar o narizinho dela, né filha!?
Diz abraçando o pescoço do animal acuado enquanto tenta abrir seu focinho para uma nova fase da limpeza.

-Maria Clara - repreende o pai enfurecido - larga esse papel higiênico agora e deixa a Safira em paz!
-Pai - em um tom de quem realmente crê estar sendo imaculadamente caridosa e protetora nas próprias intenções - eu estou cuidado da minha irmã!
-Chega Maria Clara! A partir de hoje não tem mais videogame nessa casa e eu vou mandar a Safira para uma casa onde tratem ela bem.

Sem prestar muita atenção e absolutamente desdenhosa da ameaça do pai MC da de ombros e diz:
-Você nem pode.
-Claro que eu posso, mocinha - autoafirmasse o pai - É claro que eu posso!
-Você nem é o dono da casa!
-Claro que eu sou, mocinha - vangloriasse o pai agora certo de que é dono da situação - É claro que eu sou!
MC sem demonstrar qualquer sinal de preocupação ou temor encara o pai com a frieza peculiar dos olhos esverdeados e pergunta instigando a autorreflexão do patriarca:

-E quem é a dona do Cartão do Banco!?
O pai então desarmado, desprovido de autoridade e agora muito pouco confiante em si mesmo desaba o olhar para o assoalho e reflete profundamente sobre a vida, o Universo e a importância da posse sobre os meios de pagamento.

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