quinta-feira, 12 de setembro de 2013

Foi lá que eu escondi!

Durante o dia todo o pai aflito procurou por suas lentes corretivas, chão - onde eles geralmente ficam apoiados em livros, gavetas (exceto talvez a de cuecas e meias por achar que ele mesmo -e nem ninguém - jamais os guardaria em tal local), armários, sob (e também sobre e até mesmo dentro) a geladeira; pias (cozinha, banheiro, tanque), escadarias, corredores, vizinhos, parentes - próximos e distantes (inclusive para sua filha de 4 anos que jurou desconhecimento total do paradeiro do objeto com ares de imaculada inocência); mesmo aqueles que não via há alguns anos - e até mesmo desconhecidos. Cansado - e com uma cefaleia crescente - abre a gaveta de documentos e separa a receita para providenciar um novo par.
MC chega em casa da escola, lépida, faceira, serve-se de pão e biscoito, toma refrigerante e suco; quando dá de caras com o pai cabisbaixo e pergunta:
-Que foi pai!?
-Perdi o óculos filha...
Com um sorriso de canto de boca a guria pergunta:
-Ainda não achou!?
Vira-se sobre os calcanhares e parece ignorar o sofrimento do pai completamente. Subitamente a guria emerge do quarto com os óculos na mão esculpida em um semblante irônico e triunfante - que só pode ter sido herdado da tia por parte de pai - e pergunta:
-Por que não procurou na sua gaveta de cueca!? - tomada de uma alegria contagiante diz:
-Foi lá que eu escondi!
...

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