segunda-feira, 9 de setembro de 2013

Não Mistura.

MC não esperou os cumprimentos usuais e fez uso do controle remoto para assistir ao seu canal favorito, sentou-se no sofá do avô, cruzou as pernas como um velho pajé, entrelaçou os braços como um velho urso e fechou a cara como um velho buldogue. O anfitrião prestativo vem ao resgate:
-O que foi filha - e chegando-se mais continuou - por que essa cara!?
-Ninguém brinca comigo - fustigou sem pena e sem pensamento.
-Seu pai não brincou contigo!?
Sem mover um músculo além dos necessários para emitir uma monossilaba MC voltou a carga:
-Não.
O senhor então torceu o bico e disse tentando carregar a voz:
-Vou AGORA mesmo brigar com seu pai!
Como se despertada de um sono ou mesmo um transe a pequena encara-o com os olhos de bola de gude faiscando:
-Quem você pensa que é para brigar com o meu pai?
(O Objeto da conversa que por ali passava, confessa: sentiu-se absolutamente feliz por estar sendo defendido)
E sem esperar pelas considerações do interlocutor pergunta:
-Ele é seu filho!?
-Não... - balbucia o avô
E no melhor estilo pequena Nascimento interrompe:
-Quem é sua filha!? - Em tom inquisitivo suficientemente bom para colocar em cheque o mais convicto prisioneiro de Guantánamo.
-Minha filha...!? - Titubeia o avô.
Segura, MC volta a carga:
-Quem é sua filha!?
O avô visivelmente incomodado responde hesitante:
-Sua mãe...
Proficiente nas técnicas Fausto Silva de entrevista a guria irrompe:
-Então, você só pode brigar com a SUA filha.
E apaga o derradeiro traço da autoridade grã paterna com um tiro de misericórdia:
-Não mistura as coisas!
...
O avô ia se retirando com a derrota nos pesando-lhe nos ombros quando MC o chama e sem sobrecarregar os músculos do pescoço para olhá-lo, diz:
-Eu já pedi para a vó Soli brigar com ele!
...
(O Objeto da conversa que por ali passava, confessa: ficou feliz com o restabelecimento do senso de normalidade.)

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