segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

Cotidiano: Pode sair...

Pai tentando colocar os animais churrasqueados, ingeridos no almoço, em ordem para a digestão; esolhe uma poltrona, pega um livro e desliga as demais funções desnecessárias - fala, audição, tato, memória (de curto e longo prazos) e partes da respiração - e dá a prioridade necessária ao processo em questão.
MC de biquini rosa, bóias amarelas e solitária achega-se com a mais terrível das suas carinhas de cachorro que caiu da mudança:
-Pai, (quando ela quer algo imediatamente nossa relação familliar vem à tona) vem na pscina comigo!
Pai absorto no livro e apartando uma dicussão séria entre um miolo de alcatra e uma coxa de frango sobre quem seria digerido primeiro não dá atenção.
MC mais enfática, portanto menos adocicada, insiste:
-Fe, eu quero que você entre na piscina comigo.
Pai abandona o livro e a discução dos candidados à bolo fecal e retoma, lentamente, as funções suspensas:
-Oie filha, piscina? O pai acabou de comer...
MC já parada na porta do quintal:
-Vem logo Fe! Tô esperando!
Pai deixa de lado o livro, ignora a luta interna pela região gástrica que agora envolve picanhas e um esquadrão de latas de cerveja. Vai até o quintal, tira a camisa, vê MC à beira da piscina já bastante impaciente:
-Vamo Fe! Entra para eu poder pular!
Pai entende que a melhor maneira de resolver o dilema da água fria depois do almoço é simplesmente se jogar na água e assim o faz. Gelado e cantarolando Velhas Virgens, mentalmente, emerge perto da filha bem impaciente:s
-Pronto filha, pode pular...
Da janela da cozinha uma voz familiar chama:
-Floripopilda, cheguei!
A voz familiar era da prima Fabiana que de dentro da casa anunciava a sua chegada. MC com um brilho os olhos bem característico, vira-se e corre para dentro da casa. O Pai gelado, confuso e com confiltos internos pergunta:
-Filha, e eu?
MC sem olhar para trás dispensa a compania:
-Pode sair da piscina Fe! Vou ficar com a Fabi!
...

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